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domingo, 16 de outubro de 2016

Aos pais

Quando Jesus disse que quem amar o filho ou a filha mais do que à Ele, não era digno Dele, estava falando de princípios e valores cristãos. Não é possível servir à Deus e ser conivente com os erros dos filhos. Assim, cada vez que encobrimos, apoiamos, passamos a mão na cabeça do filho que erra, estamos negando a Cristo. Nada disso é amor, cuidado ou proteção. Antes, é empurrar nossos filhos abismo abaixo com nossas próprias mãos, porque tudo que um filho precisa para continuar negando a Deus, é do aval dos pais.

Uma das atitudes que nos torna bem aventurados, é a fome e sede de justiça. Ninguém que faça acepção numa situação para favorecer um filho, pode ser justo. Julgamos situações, causas e não pessoas. Porque o próprio Deus julga as causas e jamais faz acepções entre os filhos dos homens. Sua Justiça é Cristo e quem está em Cristo, é justificado. Ao passo que quem rejeita a Cristo, já condenou a si mesmo.

A carnalidade nos empurra a favorecer quem pensamos amar, mesmo que estes estejam errados. Porém o espírito compreende este equívoco e sabe que só corrigindo e reconduzindo um filho no Caminho, se mostra verdadeiro amor. Amor que vem de Deus, que corrige a todo filho que ama.

domingo, 9 de outubro de 2016

Quando é necessário partir

Ouvi a oração sincera de uma irmã, pedindo a Deus que eu voltasse para a casa Dele. E apesar de compreender a simplicidade dela e saber da verdade de seu amor com relação à mim, não pude evitar a tristeza e a sensação de continuar sendo um E.T. no meio de tantos iguais. De fato eu não quero tomar a forma de nada. Fui criada para ser quem sou e viver como vivo.

Apesar do meu amor e da certeza de que seja necessário me relacionar com irmãos na fé, todas as minhas escolhas são convictas. À mim, Deus não tem ocultado o propósito dos fatos que ocorreram em minha vida. Sei exatamente porque cheguei, o quanto fui aperfeiçoada nas situações (e ainda estou sendo) e também sei quando o tempo se cumpriu e eu escolhi partir.

Não tenho intenção de voltar e me fixar em lugar nenhum. Não quero meu nome no rol de membros desta ou daquela denominação e entendo que cada um deva viver segundo o dom que recebeu. Assim, quero o abraço dos amigos que sempre serão amigos, mas dispenso o tapinha nas costas e o sorriso de plástico de quem não me ama sinceramente.

Se não puder me achegar na denominação X e assentar-me junto para cear ou edificar e ser edificada, irei à outro endereço, onde os irmãos estejam tão ocupados servindo, que nem tenham tempo e disposição de me apontar o dedo em riste. Aliás, nunca deixei de participar da Ceia do Senhor e assim sempre será. Não deixarei de congregar com os da fé, nem de contribuir com o que tenho e com o que sou, como nunca deixei de fazer.

Sei bem o quanto um alimento supérfluo pode prejudicar a saúde. Assim é com a alma de quem escolhe para si a pior comida. Não cresce, não se desenvolve, não amadurece.

Convicta de minhas escolhas, é assim que quero viver. Dos filhos do inferno que planejaram e praticaram o mal, só guardo a certeza de que Deus é Justo e cuida de cada um. No mais, são como carrancas horríveis, mas que não podem me tocar. É o joio que potencializa o trigo e vice versa.

Um servo verdadeiramente livre, entra e sai e encontra da melhor pastagem, porque é ovelha do aprisco de Deus e vive segura, conduzida pela voz do Bom Pastor. Assim sou eu, o mesmo que me levou com um propósito, mandou sair quando o propósito se cumpriu. Não tenho o direito de recriminar a escolha de ninguém, principalmente de quem ainda é infantilizado demais para discernir. Mas quanto à mim, não decidi nada sem oração e estou certa de que nada perdi, nem mesmo as décadas desse processo todo. Tudo foi proveitoso e tudo contribuiu para o que sou.

Não decido sobre meu futuro, embora ele seja em Cristo, desde antes da fundação do mundo. Ele mesmo me conduzirá no devido tempo, ao propósito que designou para minha existência. Assim creio, assim descanso.

Centenas de amigos passaram por mim e já não temos contato assíduo. Mas o amor é laço que não entende o tempo e as distâncias. É ele o elo que determina quem pertence à família de Deus. Quisera que meus irmãos amados descansassem nessa verdade: Igreja é gente amando gente, portanto, continuo sendo Igreja, independente do endereço que eu escolha estar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Maurício




Já contei que o Maurício vem aí?
Sim, meu neto é um garotão que se prepara para começar sua trajetória neste mundão.
Que Deus o conduza em sua Graça, concedendo a ele saúde, sabedoria e fé. E querendo Ele, que eu possa segurar a mão do meu neto e ir com ele pelo caminho, amando e sendo amada por ele.
Três meses e mais alguns dias e eu o terei em meus braços, meu mais precioso presente, bem na época do Natal. To muito feliz por isto :)

Menina Janete
















♫ "Menina Janete,
você só repete
tudo o que sonhei,
Menina bonita,
encanto e vida, 
é a flor que plantei...

Menina Janete,
você é minha alegria,
meu orgulho e meu bem.
Menina Janete,
igual à você,
neste mundo não tem!"
Do meu pai, quando eu estava com 10 anos.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Presente de Deus




Ontem soube que alguém muito especial está à caminho e desconfio que será o amor da minha vida.
Ultimamente tenho perdido muito tempo chorando o leite derramado, vivendo de passado, imersa nas decepções e frustrações relacionais, sem muito prazer na vida ordinária.

Mas esta notícia me encheu de sonhos e esperança de futuro, mudou meu olhar e meu foco pro que ainda pode vir. Enfim, soube ontem da chegada do meu primeiro neto. E estou muitíssimo feliz!

Deus tem restaurado minha alegria e posso vislumbrar minha descendência... eu que imaginava que ainda demoraria muito pra ser avó. Sem dúvida este bebê é a realização de um sonho. Vejo minha família frutificar e isto é bênção de Deus pra minha vida e de toda a parentela que festeja comigo.

Venha com saúde, meu amado. Venha que meus braços te esperam. Venha que junto aos seus pais, quero te amar muito! Venha!

domingo, 10 de abril de 2016

Entenda o que é avivamento

Para começar, antes de dizer o que é um avivamento, vamos primeiro entender o que não é. 

O avivamento não tem nada a ver com o ambiente do culto, nem com estímulos externos, cenários, músicas e afins. Isto tudo é apenas experiência emocional. Também não é simulação de transes espirituais, visões, frases de efeito ou misticismos em geral. Uma experiência de entorpecimento com estímulos externos, é tão falsa quanto a euforia provocada por drogas.

Também não é formalismo nominal, confiança na performance pessoal, fé de palavras que não atingem as instâncias mais profundas de nossas vidas.

Avivamento não tem a ver conosco, mas com Cristo. Um sermão pode oferecer terapia, auto-ajuda, promessas de milagres, mas nada disso é avivamento, porque parte de um esforço humano para atrair multidões. Métodos de crescimento podem encher o espaço, mas ainda não haverá avivamento.

Voltamos para Cristo e Ele aviva a Igreja. O avivamento real produz efeito na Igreja: mais orações, mais fervor, mais disposição para o evangelismo, alegria em servir uns aos outros, prática do amor fraternal... tudo o mais é uma produção artificial, elaborada pelo homem e portanto falha.

Evangelho e efeito do Evangelho são coisas distintas. O Evangelho é Cristo ressuscitado, reconciliando pessoas à Deus. E os efeitos do Evangelho, tem a ver com o que acontece nas reuniões dos santos: missões, aconselhamento pastoral, o culto em si, socorro aos necessitados e doentes, etc. Estes são efeitos, Cristo é a causa.

Quanto mais de Cristo temos em nós, mais efeitos do Evangelho teremos nas nossas obras. Não podemos nos gloriar nos efeitos, porque a Glória é da causa que é Cristo.

Só há avivamento por causa da frieza da fé. De tempos em tempos, o secularismo mina a fé e a Igreja esfria. O avivamento é um resgate necessário porque os efeitos do Evangelho é confundido com o Evangelho e a Glória de Deus é usurpada pelos homens. Os interesses ordinários podem sufocar a semente do Evangelho em nós.

É necessário experimentar de Glória em Glória os méritos de Cristo, para que Ele comunique à nós as benesses da Cruz. Quanto mais você se fascina com a Cruz, mais avivado você se torna. Nos apropriar daquele evento que está feito. Se a obra de Jesus não for suficiente e definitiva nada mais será. Abrace a Obra de Cristo porque você não pode fazer mais nada para completá-la.

Avivamento é uma renovação pelo Evangelho e não pelos efeitos do Evangelho que são práticas humanas. É impossível que toda a nossa existência não fique afetada pela Obra de Jesus, quando Ele se torna o Centro. O núcleo do avivamento é conhecer e ser aperfeiçoados pelo Evangelho de Cristo, embora os efeitos do Evangelho sejam praticados por consequência.

O avivamento é um efeito na comunidade e não algo individual. Não pode ser confundido com crenças sobrenaturais e práticas místicas que insistimos em manter no meio cristão. Não há avivamento sem o conhecimento da sã Doutrina, que por sua vez gera arrependimento, comunhão, gratidão e alegria. Saber que Deus amou gente como a gente, fortalece.

Conhecer, arrepender e praticar. Este é o processo que leva ao avivamento. A verdade é aceita, assim recebendo-a, a Doutrina transforma e gera frutos, porque as boas ações são o resultado de uma Igreja avivada.

Um coração secularizado se torna árido. E um coração de pedra só pode ser transformado pelo Evangelho. O avivamento muda as intenções intelectuais, as disposições afetivas e as ações. Nossa identidade cristã não está baseada no que fazemos, mas no que foi feito em nosso favor.

A Igreja são pessoas reunidas ao redor de Cristo e isto é Obra do Espírito e não dos homens.

Que Deus nos proteja do enfraquecimento, do esfriamento na fé naquilo em que a Cruz significa. Porque quanto ao avivamento da Igreja, nós só podemos desejá-lo e orar por ele.

terça-feira, 15 de março de 2016

Você é servo de quem obedece

Independentemente das obras da Lei, fomos aceitos pela Graça de Deus. Os filhos não se relacionam com Deus para serem aceitos, antes foram aceitos para se relacionar, através da Justiça em Cristo Jesus, imputada a nós gratuitamente. Justiça perfeita, que não pode em nada ser acrescentada por nós.

A liberdade que a Graça de Deus nos concede, não é uma libertação para o pecado. Não é uma validação, mas ela suplanta a Lei e o pecado. A Graça triunfa e nos faz vencer a nós mesmos.

A Lei foi dada para ressaltar nossa insuficiência, culpa e vulnerabilidade, para que a Graça fosse ainda maior. A lei abundou o pecado, mas a Graça superabundou em nossas vidas. Não estamos sob a Lei e por isso o pecado já não nos domina.

A Graça de Deus tem propósito. A liberdade significa ser posto na direção certa, para que a Justiça prevaleça e a Vida eterna se realize. A Graça não nos tira de um destino ruim para nos deixar sem destino nenhum, antes restaura nossos pés para trilhar o caminho preparado de antemão para os filhos.

Libertos do pecado e da Lei, estamos livres da condenação e da culpa, de uma vez por todas, mesmo daqueles pecados que ainda não cometemos. Já sabemos o veredito final, porque Jesus levou a nossa culpa.

A Lei não habilita o homem, não nos arranca do círculo vicioso. Nela, não há justos, apenas culpados, medo, escravidão. O que nos tira dessa sequência de erros, culpa e condenação, é o movimento de Deus na nossa direção. Não temos um desempenho para merecer ser livres. Isto é Graça.

O pecado não tem mais o domínio, se você descobre que a Graça de Deus te livrou dele. Assim, nos tornamos livres do pecado e escravos da Justiça de Deus. Você está debaixo de um senhorio. Não existe autonomia absoluta para o homem.

O pecador está livre da Justiça, mas o fruto deste caminho é a morte. Nele não há valores, princípios, nada. Mas quem está na Justiça é livre do pecado. Está no Caminho e Verdade que levará à Vida.

Não está apenas livre de algo, mas para algo. É ser habilitado para funcionar de acordo com quem você realmente é, ter a natureza restaurada. É como o pássaro fora da gaiola. Ainda que esteja limitado de várias formas, não está encerrado numa gaiola e pode voar.

De qualquer forma, há um senhorio e uma escravidão. Há a "escravidão" da Justiça e a escravidão do pecado. Ou você obedece à um ou ao outro. No pecado, há a ilusão de liberdade, que na verdade é escravidão e leva à morte. Na Justiça, fomos justificados em Cristo, para cumprir um propósito. Não fazemos para merecer, mas já que somos livres, devemos fazer.

O escravo do pecado é como um peixe no aquário. Qual a liberdade se não há mar? Qual o fruto disto? É uma falsa liberdade. Ser escravo da Justiça é a verdadeira liberdade, porque o destino na Graça é a imortalidade, a Vida eterna. O livre, é um homem capaz de transcender ao que é temporal e enxerga a eternidade como seu destino.

O homem que entende a liberdade como uma liberalidade para pecar, é como um pássaro que tem a gaiola aberta e não sai. Não há sentido em ser comprado por Cristo e questionar se pode desobedecê-lo. Só é de fato livre, quem compreendeu o propósito da Graça.

Assim, a Graça de Deus livra o homem do inferno, mas também dá à ele um novo destino. Até chegar onde chegará, vai caminhando, amando e servindo conforme aprendeu de seu Senhor.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Segurança cristã

O amor de Deus foi provado quando por nós ofereceu seu filho como oferta pelo pecado. Deus não apenas nos purificou do pecado, como justificou em Cristo a todos os que Nele crêem.

O primeiro fruto que a Graça produz em nós, é a paz em Deus. Os que deixaram a situação de devedores por causa do pecado e foram justificados em Cristo. Para estes, não há mais demanda de Deus contra nós. A Boa vontade foi manifesta em Cristo. Sabemos que temos uma nova relação com Deus, porque a relação de Deus em Cristo nos alcança.

A reconciliação partiu de Deus na atemporalidade e agora, dentro da história, descobrimos em determinado estágio de nossas vidas, no momento em que ouvimos o Evangelho e cremos, que estamos reconciliados de uma vez por todas em Cristo.

O homem não pode fazer nada para se achegar a Deus. Foi Ele mesmo quem criou a ponte, a mediação para nos atrair para si. A reconciliação é um lugar, um continente onde habitaremos. Alí, por onde formos, a realidade será sempre a mesma: Deus reina em nós, por causa da justificação em Cristo.

A tribulação neste universo, é o momento onde Deus trabalha nosso caráter. Por isso até nelas gloriaremos, pois perseverando, alcançaremos um estado melhor.

Jesus é a Verdade, quem não tem Jesus, não conhece a verdade. Nele e somente Nele nos gloriaremos, porque não fomos capazes de nos aperfeiçoar a nós mesmos, mas por causa da perfeição de Cristo, podemos agora ser aperfeiçoados no amor.

O Evangelho humilha o homem, no sentido de não podermos nos gloriar em nós mesmos, mas apenas os que estão em Cristo, se gloriam Nele, porque o tem. O que celebramos sobre nós, não é a capacidade de agradar a Deus, mas a suficiência do que recebemos.

O que crê tem tanta convicção, que nem as tribulações o lançam no chão. A confiança vem da certeza de que o Espírito Santo nos foi outorgado.

Um dia, Jesus confessará nosso nome diante dos anjos, como cooperadores desta obra. Este será o maior prazer que teremos no porvir. Saber disso hoje, é nossa maior motivação, a maior razão do nosso prazer em servir. Somos aperfeiçoados no amor para amar e por isso não tememos as circunstâncias. O amor próprio tem raiz na certeza de termos sido amados por Deus e assim, amamos ao próximo como amamos a nós mesmos.

Uma pessoa com baixa autoestima e pouco senso de valor, não pode ser útil e nem servir. Uma pessoa que não assimila o amor de Deus, é incapaz de amar.

Assim, só é possível conhecer a Deus e seu amor, se Ele mesmo se revelar a nós. Nisto consiste a diferença entre os que crêem e os que não crêem. Por meio do Espírito de Deus, aprendemos a amar.

Nós sabemos o que o homem comum não sabe, por causa do Espírito de Deus que veio habitar em nós. Só assim é possível compreender o que recebemos gratuitamente. A experiência da Graça é dada pelo Espírito Santo que nos dá testemunho da natureza da nossa relação com Deus. Ele dá testemunho ao nosso espírito, de que somos filhos de Deus e saber disto faz toda a diferença. A consciência da filiação, produz o desejo de lutar contra o pecado da nossa antiga natureza.

Deus já está na Nova Jerusalém e nós já estamos lá com Ele. Nosso espírito já sabe disto por meio do Espírito Santo. Nossos olhos ainda não viram, mas estas coisas foram reveladas a nós por meio do Espírito. Esta certeza produz paz.

O Espírito Santo é o sinal, o penhor do que receberemos na atemporalidade. É por meio Dele, que Deus nos mantém firmes e constantes e nos dá a segurança. Vivemos pela fé, por esperança no que havemos de receber. O presente não é nosso principal foco, por isso não nos abalamos com as circunstâncias. O presente é apenas a preparação. Mas o que nos firma é ter um alvo, um norte, uma esperança maior. Convicção nos fatos que ainda não vemos, mas sabemos porque o Espírito nos revela.

A fé vem pelo ouvir o Evangelho e dar ouvidos ao que se ouve. Crendo, o Espírito Santo nos conduzirá à Verdade, nos fazendo guardar as palavras de Cristo, que são espírito e vida.

Assim, não sucumbiremos diante de problema nenhum, pois maior é o que está em nós. Fixaremos o olhar nas promessas do Senhor, que nos garante nos méritos de Cristo, nosso Salvador.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Todos pecaram

Embora aos nossos próprios olhos, sejamos justos e íntegros e valorizemos tanto os erros das outras pessoas, se não entendermos a nossa inimizade com Deus, não podemos ser salvos.

Se julgamos que o pecado é pequeno, a salvação faz-se desnecessária. Mas ter consciência do que se é, nos coloca como seres incapazes de negociar nossa dívida, barganhar por benesses, exigir libertação.

Somos imerecedores da Glória de Deus, seres destituídos por praticar o mal. E por isso mesmo, a Maravilhosa Graça se manifestou entre nós.

A revelação do Evangelho, não diz respeito apenas sobre a salvação dos homens, mas também do peso da ira de Deus sobre todos nós.

O sofrimento não é necessariamente um sinal de condenação, mas quando um homem está entregue a si mesmo, não tem paz, não tem prazer, não se relaciona bem com as outras pessoas, não é sensível a Deus, não vive pela fé e não sabe o que é ter um coração grato.

Se este mesmo homem ouviu e conheceu a Palavra, mas é prisioneiro de si mesmo, não está em situação melhor do que aquele que não creu. Toda a prática religiosa, sem um coração circuncidado, é mera ilusão.

Uma pessoa que prioriza a realização pessoal, permitindo o pecado como meio para alcançá-la, está evidenciando que não tem um coração convertido a Deus.

A religião se torna pecado, quando nos faz enxergar mérito em nós mesmos. Agir por conta própria e crer em si mesmo, é gerar um Ismael e não esperar o Isaque prometido.

Se algo não está dando certo, o lado errado é o nosso. Não podemos colocar condições para o agir de Deus. Ele continua sendo verdadeiro e todo homem mentiroso. A Palavra só não se cumpre em nós, se não estivermos em Deus.

O mal é inferior ao bem, que é Deus. O bem prevalece e isso não muda, porque quando Deus condena o pecado, glorifica a si mesmo. O homem que insiste na prática do mal, mostra o espírito de negação da verdade. Toda vez que há pecado, o mal é automaticamente gerado. Nisto há justiça. Deus é glorificado na justiça e isto é inquestionável.

Todos pecaram e não há quem faça o bem, porque nossa compreensão de Deus é imperfeita. O homem não compreende nem a si mesmo, enquanto não encontrar sua relação com Deus. O homem pode conhecer o mundo à sua volta, mas permanece um tolo se não conhece a Deus. Se a Raíz de significados não é tocada, este homem permanece em trevas.

O pecado tem efeitos intelectuais, ele corrompe o entendimento. O homem que não vê a Glória de Deus no mundo, passa a adorar o mundo e se afasta de Deus.

Não há quem busque a Deus, se houvesse, o teriam encontrado e seriam perfeitos. O que buscam então? O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, mas foi corrompido pelo pecado. E como não pode apagar os vestígios do conhecimento de Deus, cria deuses para si. Buscam a caricatura.

Deus já veio à nós, por isso não o buscamos, mas Ele nos busca e encontra. O homem não tem como buscá-lo por esforço. Não depende de quem quer ou de quem corre, mas Ele nos atrai por misericórdia. O pecado nos faz fugir da presença de Deus, tal como Adão.

Não há esperança para quem vive sem temor. O temor é o sentido de que Deus está presente. Quando se vive como se Deus não estivesse, não fosse, não contemplasse nossas vidas o tempo todo, é porque não há temor.

A mentalidade da carne não se sujeita à Lei de Deus. A vontade de Deus causa mal estar, porque a carne a sente como limitação. Para o homem carnal, Deus está tomando seu espaço, tirando-lhe a liberdade.

Se você diz pra você mesmo que está bem, mente para si. O homem está em constante conflito entre a própria vontade e a vontade de Deus. Precisamos nos negar a nós mesmos, para então nos achegarmos a Deus.

Sem reconhecer nossa própria miséria, não temos a menos condição de entender a necessidade da Mediação de Cristo.

Todos pecaram e fomos todos destituídos da Glória de Deus. Não há um justo sequer, não há quem o busque, não há quem faça o bem. Nossa auto-aprovação e vaidade são ilusão. E nossa justiça com relação ao próximo, trapo de imundícia. Nossos pecados não são menores e não estamos em vantagem em detrimento aos que são mais fracos, débeis e tolos.

A única coisa que pode nos diferenciar uns dos outros, é ter esta consciência de impotência e à partir dela, a dependência para nos render ao favor de Deus, que nos ama apesar do que somos em nós mesmos.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sob a Ira de Deus ou Sua Justiça

Os gentios, eram todos aqueles que não tinham a Lei de Deus. Todo o que não pertencia ao povo de Israel, eleito para servir ao Senhor.

Quando Paulo estava revelando o Evangelho aos gentios, desconstruindo a religião judaica para inserir os valores cristãos, trazendo ao lume o que era sombra, explicava o que é ter um coração circuncidado, para viver sob a Graça de Deus, pois mesmo aqueles que circuncidavam a carne do prepúcio, acabavam vivendo sob a ira de Deus, por rejeitarem Sua Lei. Eram filhos da desobediência.

A Justiça de Deus é Cristo, revelado no Evangelho. Os que foram alcançados pela Graça, vivem desde agora e para sempre, sob a misericórdia de Deus. Estes, ainda que pequem, não escolhem pecar e não permanecem pecando, porque são livres.

Mas a ira de Deus está sobre os que hoje são gentios na alma, pois negam a natureza regenerada e guerreiam contra o próximo. É evidente que há algo errado com a raça humana e os sinais estão por todos os lados.

É possível ver as obras de um filho da ira, pois ele vive a contradição de saber o que não se deve ser, mas ainda escolhe ser. Isto é a ausência da Graça e a presença do Juízo. Um escravo de si mesmo, é alguém que carrega o sinal da ira de Deus.

Tanto os que fazem, quanto os que aprovam, estão sob a ira. É indesculpável todo aquele que entende o erro, mas escolhe praticá-lo. Pois a Graça nos dá a liberdade para arrependimento e não para o pecado. Todo libertino cai em desgraça.

A Graça é concedida ao homem para mudança de vida e não para justificar o pecado. A liberdade é para conseguir obedecer e não para confirmar a posição no pecado. Quem assim escolhe agir, acumula ira para si.

Deus retribuirá a cada um segundo as obras. Vida eterna desde agora, ou indignação desde agora. Ou vivemos sob a Graça ou em desgraça.

Em Deus não há parcialidades. As obras exalam ou não o bom perfume de Cristo e determinam, ou melhor, evidenciam quem vive sob a Graça ou sob a ira.

Um coração aprisionado em coisas temporais, é evidente naquele que não ama a eternidade. O bem deve ser a prioridade e não a caça à felicidade, compreende?

O aprisionado na temporalidade, escolhe o pó. A ressurreição é para os que desejam a ressurreição. Os cegos espirituais, são estes prisioneiros do próprio ego. Escravos de si mesmos, deixados à própria sorte. Filhos da ira, filhos da desobediência.

A Graça revela ao homem, tanto a consciência para discernir entre bem e mal, quanto a consciência da inferioridade do mal em relação ao bem. Mesmo sem conhecer a Lei, o homem é sua própria lei, por isso é indesculpável, pois o pecado é contra a natureza. É uma verdadeira opressão contra si mesmo e contra os outros.

Os mandamentos de Deus, são a estrutura do bem e nos ensina a nos relacionar. Todo aquele que pratica o mal, destrói o outro, mas antes foi esmagado dentro de si. Pra fazer o mal, alguém precisa primeiro se violentar e se destruir, degradar a própria natureza que escolheria o bem. Mas o mandamento do Senhor, restaura a alma.

Se alguém violou a natureza, quebrou a lei e a consciência denuncia. O natural é discernir entre bem e mal e escolher o bem.

A vida do cristão, não pode ser indistinguível entre os outros que são escravos. Buscar as coisas do nosso jeito, é tentar alcançar felicidade. Buscar as coisas do jeito de Deus, é alcançar o bem. Quem busca primeiro o Reino e sua Justiça, recebe as outras coisas. Quem busca ser feliz, vive frustrado.

O verdadeiro descendente de Abraão, é quem circuncidou o coração. Isto é, uma mudança na alma onde o coração desiste de trabalhar por esforço próprio, porque entende que Deus já trabalhou por ele, daí descansa. Está submetido à vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável. Esta é a verdadeira religião, ter o coração orientado pelo Espírito de Deus.

Um filho de Deus, não deposita sua confiança no que acontece exteriormente, mas está firmado pelo relacionamento que tem com o Pai. Estes tem liberdade para escolher o bem.

Sem os terrores da Lei, ninguém compreende a Graça. Assim se faz separação entre os que são e os que não são, pois os filhos da ira, continuam aprisionados em si mesmos, se violentando e guerreando contra si e contra o próximo. Mas os filhos de Deus, militam contra a carne e vencem em Cristo.



domingo, 29 de novembro de 2015

Soberania e amor

A igreja evangélica em sua grossa maioria, tem utilizado o nome de Jesus para atrair um povo que não busca exatamente o Evangelho, mas uma forma rápida e fácil de se estabelecer nesta vida, de se livrar dos problemas, de driblar a vulnerabilidade física e de subir o patamar da raça de privilegiados. 

Assim, elegem para si líderes que massageiam o ego, enquanto as bênçãos de Deus viram moeda de troca, mediante a barganha, onde quem dá mais, tem muito mais chances de ser contemplado com um ato de misericórdia. Muito nojo, muita carnalidade em nome de Deus. Muito alimento podre, que ao passo que enchem o estômago, contaminam e adoecem todo o resto, afastando da verdade, àqueles que se dizem sacerdócio real.

Um servo diante de seu Senhor, não tem o poder de persuadí-lo à fazer sua vontade. Em se tratando da Soberania de um Deus que criou cada coisa com seu propósito e decretou desde a eternidade, o tempo certo para que cada coisa fosse consumada na história, é possível alcançar o grau de infantilidade estabelecida no meio cristão, onde se crê que uma oração tem poder de mudar os desígnios de um deus inseguro, que pra mudar o próximo capítulo da história de alguém, este alguém deve dar as coordenadas numa oração determinada.

Desperta, você que é Igreja! Não podemos mudar o que Deus estabeleceu desde os tempos eternos. Ele não lançará mão do que Ele mesmo designou. Sua vontade é imutável, tanto quanto Ele mesmo é imutável.

Humanizamos Deus e o diminuímos para que caiba em nossos conceitos, tornando-o tão medíocre quanto cada um de nós, que mudamos nossos desejos, conforme a oscilação das nossas próprias emoções. Buscamos algo hoje com tanto afinco e amanhã precisamos de uma outra motivação para continuar vivos. Hoje queremos o que amanhã repelimos.

O fato do homem querer, não faz com que Deus queira e não parte do homem a diretriz de como Deus vai governar a vida. Não é o homem quem escolhe o caminho por onde Deus deve conduzí-lo. Não existe Soberano que se sujeite ao servo.

O deus deste século, está disposto a se sujeitar à inconstância do homem que criou e obedecer ao servo, para não correr o risco de ser abandonado. Ver filhos frustrados, deve colocar este deus em crise existencial, por isso atende a todos os caprichos dos evangélicos mimados.

Pela linha religiosa, não vamos a lugar algum, antes retrocederemos até virar amebas cumpridoras de dogmas, rituais e estatutos humanos. O mais sábio é voltar à Bíblia e compreender que no chão da vida, nas contingências, percalços, insegurança dos problemas, dores e decepções, se cresce e se amadurece no crescimento em amor, fé e esperança.

Enquanto há esperança, há vida. O justo vive pela fé, porque está com os olhos fitos naquilo o que espera e o motiva a não desviar do alvo, que é Cristo, o mesmo que nos garantiu que teríamos muitas aflições neste mundo.

Embora nosso amor seja imperfeito, porque esbarra nas nossas limitações humanas, é por meio dele que seremos aperfeiçoados, de forma a continuar confiando em meio ao que estamos sujeitos nessa vida. É neste sentido que nossas aflições nos tornam seres melhores, porque passamos por elas, guardando a esperança Naquele que venceu o mundo.

Deus, que é amor e sabe o material de que fomos feitos, conhece nossas estrutura e sabe quando deve nos socorrer para que não sejamos tragados pela frieza e falta de fé. Ele nos socorrerá no devido tempo, para que não o conheçamos apenas de ouvir falar, mas como a um Pai que se relaciona com os filhos em amor.

Viveremos momentos de tristeza, inquietações, dores e desestabilizações, mas não perderemos a esperança em Cristo, pois as provações nos filhos, produzem sempre a perseverança, experiência e mais esperança. 

Tão certo como vive o Senhor, cada dia trará o seu mal. E tão certo quanto as aflições chegarão, também nossa esperança nos manterá firmes, confiando em Cristo.

Não, eu não sei o que é bom para mim. Talvez o que eu chame de solução para meus problemas, me faça sucumbir no meio deles até perder as forças. Assim, esvazio-me da minha vontade e descanso em Deus, que me viu antes da fundação do mundo e sabe do que de fato preciso.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Babilônia

Dura coisa é enxergar para além das basicalidades. A humanidade é podre e se não fossem as misericórdias do Senhor, já estaríamos consumidos na inexistência.

No rol daqueles que acham que são, acham que vêem, acham que sabem, acham que detém o poder e a manipulação de outras vidas, jorra veneno e matam abraçando. Raça de víboras disputando o tamanho da boca. São cegos curvados diante da estrutura de pedra, em adoração e prostituição com ela.

Alí, nada do que o Senhor ensinou, é mais do que meras palavras. Alí o que vale são seus rolos de leis intermináveis e suas tramas e conchavos. O interessante é manter o rebanho tão idiota como sempre foram, porque gente que pensa é um perigo pra manutenção dessas diabolices.

Ando enojada. Literalmente meu estômago anda fraco. Mas, mais do que nunca sou confiante de que a grande Babilônia colherá em breve, tudo aquilo que lhe foi designado por escolher a podridão. A puta vai responder pelo que se transformou e pelas vidas que se assentaram em baixo dela.

Mas os de Cristo permanecerão eternamente!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Evangelho ou a tradição evangélica

Vivemos um período de grande apostasia da fé, onde se usa o Nome de Jesus pra legitimar engodos, heresias, comércio e entretenimento gospel, enquanto negam a prática do amor nas relações.

E eu que pensava que nos últimos tempos, negar a Cristo era se submeter à besta para não morrer. Constato que se nega a Cristo quando não se guarda suas palavras, ou quando simplesmente silenciamos na hora de fazer justiça.

Negar a Cristo é algo muito mais sutil do que se pensa, porque quem não amou ao próximo que viu, não pode ter amado a Deus, que não viu.

No último mês de maio, após postar contra posturas que acontecem em igrejas, pois em nome da tradição evangélica se nega o Evangelho. E após ficar exposto que as pessoas se constrangem em ouvir sobre a falta de amor, mas não se constrangem por não amar, tenho sofrido com a hostilidade dos que se chamam pelo nome do Senhor, sem o ser.

Estou sendo perseguida e meu nome foi lançado na roda dos escarnecedores, por pregar a Palavra da Verdade e eu não conheço entre os homens, honra maior do que esta. Pelo Reino, pelo Evangelho e por Cristo, perco a vida, porque sei que perdendo-a, a ganharei.

Se eu fosse me intimidar com vômitos de ódio, não saía mais de casa. Mas é sobre esta timidez que protege o ventre e sacrifica a verdade, que o Espírito adverte:

Apocalipse 21:8 "Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte."

Sou dos que dão a cara a tapa, mas não nego o Evangelho.

A Graça nos possibilita viver com integridade, num mundo desintegrado. Ela nos reestrutura de dentro para fora. De forma que a clareza com a qual agora vejo, tem me feito discernir os espíritos e as confusões espirituais que assolam membros de igrejas evangélicas.

Os campos continuam brancos e os trabalhadores continuam poucos, pois a maioria entende que pregar o Evangelho, é dar corda na religião pra que esse brinquedo não pare de funcionar. É distração, entretenimento pra alma e muitas vezes pedra de tropeço pro anuncio da Boa Nova. To chegando no limite.

Foi para silenciar a Verdade, que levaram Jesus ao Calvário. (tentativa que potencializou o Evangelho, diga-se). E na tentativa de calar minha boca, acabaram por potencializar a minha sensibilidade, de forma que houve um despertar que agora me impulsiona a tomar uma atitude que me livrará de perecer com ela. Entendi que preciso me despir de todo e qualquer resquício de religiosidade, para viver o Evangelho com integridade. Odre velho não comporta vinho novo. E sempre tentarão calar os que se manifestem pela verdade. Mas quem pode contra a verdade? 

A fé vem pelo ouvir (dar ouvidos) à Palavra de Deus (Verbo, Filho, Cristo). Mas enquanto escolherem assuntos que afagam o ventre, negarão a Palavra da Verdade. Com relação ao "mês da família", que critiquei por trazer uma tradição exclusivista e egocêntrica, negando que a Igreja de Cristo é uma família só, cujos membros são aqueles que cumprem a vontade do Pai, é isto o que tenho a dizer:

Cristo não chama famílias, chama indivíduos. Assim, cada indivíduo se torna bênção em sua própria família e a família se torna bênção na sociedade e assim por diante. Os valores cristãos são como boa semente, multiplicando a 30, a 60 e a 100 por um.

Enquanto o alvo das pregações forem a exaltação dos laços de sangue, haverá acepção de pessoas, hipocrisia e desprezo ao ensino de Cristo, que uniu o miserável, o doente, o carente, o abandonado, o pecador, numa só família pautada no amor, a Família de Deus. Alí, é o Sangue de Cristo que tem importância. 

Os urros de fúria me são como elogios pois os que vivem a antítese do Evangelho, não falam da parte de Deus. É pelo fruto que se conhece a árvore e os enxertados em Cristo, só podem frutificar segundo seu Espírito.

As pessoas se expõem em público para amaldiçoar, quando o Evangelho nos instrui a abençoar. Guerreiam, enquanto fomos chamados a apaziguar. Odeiam e esbravejam, quando a marca do cristão é amar. Adoecem como reflexo de desordem na alma, quando deveriam estar regenerados. Enfim, fazer um curso não garante a ninguém o dom para servir, este é apenas mais um dos erros da religiosidade.

Sistema falido, corrompido, adoecido, só produz gente doente e longe da verdade.
Megalomaníacos que acham que precisam carregar a Igreja de Cristo nas costas, esquizofrênicos que falam de amor, mas só conseguem exalar ódio, acreditando que falam da parte de Deus, egocêntricos que pensam e agem como frangos assados, girando ao redor de si mesmos... A religiosidade só produz gente doente. Em contra partida, o Evangelho gesta vida naquele que crê.

O serviço mútuo, a consciência de unidade, o amor fraterno, a esperança comum, são coisas que unem e nos guardam para o encontro tão esperado entre Cristo e os seus.

Os do Evangelho não se fixam, são peregrinos em terra estranha, os da religião se estabelecem e disputam poder. Os do Evangelho recebem dons para servirem de formas diferentes, tal como é cada membro do Corpo, pois está garantido a cada um a sua própria individuação, mas os da religião são socados em formas de conceitos e costumes, até que percam a capacidade de pensar. 

Os do Evangelho são chamados para conduzir o rebanho, curar as ovelhas feridas, trazer de volta ao caminho as perdidas, apascentar as desgarradas, mas os da religião se organizam em hierarquias e pensam ser autoridade sobre os menores. Em Cristo, o maior é o que serve aos servos, o que morre e o que abre mão do que tem em favor do outro. 

Os do Evangelho adoram em espírito e em verdade, os da religião dependem de um grupo de músicos para os conduzir à presença de Deus. Precisam desse toque de emoção pra acharem que o culto "foi uma bênção". Os do Evangelho foram levados à presença de Deus por Cristo de uma vez por todas e jamais saíram de lá. Os da religião entram e saem cada vez que oram, pois nunca se livraram do véu.

Os do Evangelho são verdadeiramente livres. Os da religião dependem da estrutura, de seus estatutos e de suas liturgias vazias de verdade. Os do Evangelho refletem a luz de Cristo. Os da religião são estrelas gospeis... em trevas.

O Evangelho é para os de Cristo, uma pérola de raro valor, ao qual estes guardam no coração, como algo que é mais precioso que a própria vida. Para os da religião é letra decorada, vomitada em cima do primeiro que passa na frente.

Os do Evangelho tem a mente iluminada, os da religião estão embriagados pela ilusão. Cada um que continuar bebendo deste cálice, continuará enlouquecendo e morrendo em sua confusão espiritual.

Ajuntamento de tolos, ninho de cobras, carrancas de fariseus! Quando vão temer a Deus e viver o que professam como fé? Até quando vão atormentar e hostilizar quem não se encaixa nos seus padrões? Até quando serão este barco à deriva?

Meu coração é desinstitucionalizado. Não precisei da estrutura nem para conhecer o Evangelho e nem para crescer em conhecimento. A Graça de Deus me levantou do pó no chão da minha casa e me colocou assentada com príncipes. 

O que sempre me motivou a estar num rol de membros, foi a comunhão. No momento em que ela deixar de existir, não haverá mais motivo para fazer parte de nada que aconteça alí. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Igrejas judaizantes




Hoje, a maioria das igrejas evangélicas se fixam em pregações judaizantes. Formulam suas táticas de engodo, usando textos do Antigo Testamento, como se Israel e a Igreja fossem o mesmo povo. E como se não houvessem duas alianças, com promessas distintas e Leis distintas. Usam a velha aliança para prometer o que Deus não prometeu à Igreja e para garantir o que jamais foi garantido. E assim, plantam a semente da segregação, da falsa ideia de povo seleto de privilegiados, gente alienada, materialista, vingativa e vazia do amor de Deus.

Israel é a figura de um povo endurecido, adúltero e almático. A Igreja de Cristo é quebrantada, esposa fiel e espiritual. A imagem do Deus de Israel é percebida pela limitação do homem em Adão, por isto é a de um Deus terrível, vingativo e ditador. Em Cristo, Deus é um Pai amoroso, abençoador e que convida a humanidade a ser co-herdeiras com o Filho.

As promessas feitas a Israel são materiais, temporais e condicionadas à obediência. As promessas para a Igreja de Cristo são espirituais, eternas e ofertadas pela Graça de Deus.

A Lei de Moisés foi dada a Israel, porque eles jamais a cumpririam e assim, foram o povo escolhido por Deus para mostrar à humanidade, a necessidade do Salvador. Nunca houve um justo sequer além de Cristo e sob o prisma eterno, não poderia ser diferente, pois o Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo.

Já ouvimos tantas vezes leituras superficiais, onde se afirmava que Abraão se precipitou ao ter um filho com
Hagar, a egípcia. Pois o filho da promessa deveria nascer de Sarah, sua esposa. Mas conhecendo a explicação de Paulo acerca da escrava e da livre, onde uma representa a Lei e a outra a Graça, vemos que nada do que acontece é em vão e que tudo está perfeitamente amarradinho ao plano de Deus, que era levantar um povo na Terra, para estabelecer Seu Reino Eterno.

Haviam promessas naturais para a descendência natural de Abraão, os hebreus. E haviam promessas sobrenaturais, para os que se faziam herdeiros da fé de Abraão, seus descendentes por meio de Cristo.

Depois que Abraão recebeu a promessa de que seria o pai de uma grande nação e que dele Deus suscitaria uma enorme descendência, tal como as estrelas do céu, e que através de seu descendente, todas as famílias da Terra seriam abençoadas, nasceu Isaque, o herdeiro da promessa e nele, o descendente Jesus, por meio de quem no tempo oportuno, Deus consumou a Obra Redentora.

A promessa foi feita antes da Lei, mas cumprida no Novo Testamento, em Cristo. Pois por meio da fé, todo homem que guarda Nele a esperança, será salvo.

Portanto, Hagar a escrava, é representada pelo Monte Sinai e a Lei. Antes de se converter, todo homem é um Ismael. E Sarah a livre, é a Nova Jerusalém celestial e a Graça que nos converte em Isaque.

Enquanto não tínhamos fé, dependíamos de nosso esforço e éramos escravos do pecado que habita nossa natureza terrena. A Lei servia para apontar nossas culpas. Era como se uma grande carga estivesse sobre nosso lombo, pois jamais poderíamos cumprir todas aquelas regras.

Mas vindo a Luz do mundo, nossos olhos foram abertos pela fé. E nosso fardo foi substituído por algo leve e possível. Viver sem culpa, é incomparavelmente melhor.

A Lei em si é boa. Não podem ser más, cláusulas que dizem "não roubem, não matem, não cobicem, não adulterem". Posto que são ordenanças que protegem o homem. O problema está na nossa imperfeição. É impossível ao homem natural, cumprir toda a Lei e falhando em uma, nos tornamos culpados de todas. Assim, a Lei nos torna malditos e dignos de morte. Ela é boa, mas nela nos tornamos réus inevitavelmente.

Pela fé em Cristo, esperamos Nele a salvação. Foi Ele quem pagou a nossa dívida, se fazendo maldito no nosso lugar e riscando a cédula que nos condenava. Nele somos verdadeiramente livres da culpa e da condenação. Já não observamos a Lei, pois em Cristo, é o amor que nos aperfeiçoa.

A conversão consiste numa confissão: somos incapazes de nos justificar pelas obras e dependemos da Justiça em Cristo. É impossível se converter e ainda crer em mérito próprio.

Assim, já não somos Ismaéis debaixo da Lei, escravos de nossa imperfeição. Mas em Cristo, fomos feitos Isaques, herdeiros da promessa, livres. Um herdeiro não precisa se esforçar para herdar. Ele apenas espera, é herdeiro.

Os da Lei, abrem mão de Cristo. Julgam que a Obra Redentora é imperfeita e portanto devem completá-la guardando mandamentos. Os da Graça, simplesmente descansam e esperam Nele. Pois crêem na Sua Perfeição e na eficácia do sacrifício na Cruz, consumado de uma vez por todas, para que as benesses da Graça de Deus, alcancem Seu povo.

Enquanto as igrejas continuarem agindo como se fossem Israel, permanecerão na sequidão do deserto espiritual, negando o amor e cegas para as promessas conquistadas por Cristo com alto preço.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Igreja ou igreja




Para a maioria dos evangélicos, a Bíblia é um manual de regras e prática da fé, para mim é Palavra de vida, que encontrando terra fértil, germina e gesta vida de Cristo naqueles que creram. Por esta razão, o que o Senhor disse, é. O que Ele não disse ou não mandou dizer, simplesmente não é. 

Este é o parâmetro para que eu saiba o que é da vontade de Deus e o que nasceu da vaidade humana. Este é o diferencial entre minha vida e a de pessoas religiosas. Se a Palavra está do lado de fora, ela é regra de conduta, se ela está dentro, é caráter.

Fui chamada por Deus, capacitada com olhos que enxergam para além do que vêem e sensibilidade para discernir as coisas que vejo. Para os mais atentos, não é novidade que a igreja caminha a passos largos para a perdição. Digo a igreja com "i" minúsculo, porque a Igreja de Cristo está garantida por Ele mesmo, desde antes da fundação do mundo e segue até que Ele venha. Ao passo que a igreja histórica, desde que se corrompeu em Roma, nunca mais deixou de se prostituir com os sistemas do mundo. Se os que se chamam pelo Nome de Cristo, cressem no que Ele disse, estariam preparados para esta apostasia, pois precede a Sua volta.

Fui chamada para resgatar a simplicidade e pureza do Evangelho naqueles que são. Não gasto energia com os que não são. Assim, desconstruindo conceitos, costumes, distorções que a igreja histórica instituiu, resgato no coração dos filhos a esperança Nele. Enquanto se acoplam os costumes humanos na sã doutrina, a igreja histórica vira qualquer coisa, menos a Igreja instituída por Cristo.

Desde que a igreja virou empresa e os dons viraram hierarquia, pouco sobrou da comunhão dos que amam, pois as motivações para servir, são cada vez mais diversas.

Jamais escrevi ou falei contra placas ou pessoas, até porque o sistema corrompido está revelado no Apocalipse e será destruído, não é algo pontual, que eu possa simplesmente resolver ou sugerir saídas. Está claramente exposto o que será dele. Mas contra a Igreja de Cristo, a porta do inferno não prevalece, posto que Ele mesmo a comprou para si. Isto é, pessoas de todos os tempos, línguas e culturas, que creram e esperaram no Senhor.

Assim, minha missão é muito mais ampla, do que discutir opiniões com gente que abraça a causa evangélica e nega o Evangelho. Um sistema estabelecido não muda e não mudará. Mas os que estão cegos, por negligência daqueles que tomam a frente para os conduzir, a estes bastará ouvirem a Palavra da verdade e a guardarem, para terem de novo os olhos abertos. 

Enquanto cegos guiarem cegos, tudo será apenas religião. Mas quando virem, tiverem suas mentes iluminadas pela Luz de Cristo, trilharão o Caminho, a Verdade e a Vida.

A grande confusão que acontece na cabeça de religiosos, é que só enxergam o sistema, mas não a Igreja. Enquanto as decisões vierem de fora para dentro, não há nova vida. Mas quando as consciências estiverem pautadas no Evangelho de Cristo, e o ensino do Mestre for a comida de cada filho, digerida e metabolizada, a força virá à partir de dentro e já não haverá mais confusão. Por enquanto, tanto dentro, quanto fora das paredes, joio e trigo crescem juntos.

Hoje, as pessoas se melindram com a verdade porque são medíocres. A sã doutrina sempre causará comichões nos ouvidos daqueles que não são. Ao passo que as que são, já não tem ego para ferir e nem orgulho para doer, porque morreram e ressuscitaram com Cristo e já não vivem, mas Cristo vive nestes.

Assim, não me esforço para justificar o dom aos homens, não é a estes que prestarei contas do que faço e vivo. Mas se vejo e entendo, ai de mim se não proclamar a verdade! Antes, não temo o que possa me fazer o homem. Nasci com o fim de glorificar a Deus com a vida.

Se as portas institucionais se fecharem para mim, Cristo é a Porta por onde passei de uma vez por todas. Pregarei fora do arraial.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Mês da família?




Pela tradição da Igreja evangélica e para o cumprimento da agenda anual de programações da Igreja, o mês de maio é separado para instruir e exaltar a função das famílias dentro da comunidade cristã. Para isto, todas as pregações, cultos nos lares e palestras, são direcionadas ao mesmo tema: funções/obrigações/responsabilidades do marido para a esposa, da esposa para o marido, dos filhos para com os pais e dos pais para com os filhos.

Mas como fui agraciada com um olhar mais amplo, percebo coisas que a maioria das pessoas deixam passar desapercebidas ou se calam, para evitar mais constrangimentos. Meu objetivo neste post, pode ser visto como uma crítica à religiosidade, mas também pode servir como edificação do Corpo que foi chamado para acolher e amar.

Nada tenho contra as instruções de Paulo sobre a família, apesar de perceber que textos onde ele se mostra contrário ao casamento, não tenham o mesmo valor doutrinário. Creio piamente que uma família bem estruturada, tende a ser mais harmoniosa e amorosa, coisas primordiais para que a caminhada cristã seja facilitada.

Porém não posso fechar os olhos para as coisas que saltam às basicalidades e superficialidade das pessoas, que na tentativa de fortalecer conceitos sobre a estrutura da família, passam de largo para o que de fato legitima uma família: respeito mútuo, cooperação, divisão de tarefas e obrigações e principalmente o AMOR que possibilita uma boa convivência.

A realidade da Igreja é outra, somos formados também por famílias atípicas, que ficam à parte durante um mês inteiro. Entre estas: casais sem filhos, filhos sem pais cristãos, viúvos, divorciados, avós que criam netos, sobrinhos que acompanham familiares, mães solteiras, sogras que foram acolhidas... enfim, realidades que são descartadas no mês de maio, quando nada faz menção sobre estas vidas que durante o ano participam ativamente de tudo o que acontece na Igreja.

Atos 2:47b " E assim, a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas."

Acompanhem meu raciocínio: A Graça alcançou sem acepção, o Senhor iluminou o entendimento, enxertou na Videira Verdadeira, arregalou os olhos para as revelações espirituais, constituiu a cada um de nós Rei e Sacerdote, porque a Igreja é um sacerdócio real segundo a Ordem de Melquisedeque. Então nos tornamos habitação do Espírito Santo e até nossa espiritualidade é reconhecida. Mas a comunidade ainda exclui e considera como caso à parte. O Evangelho é agregador, mas a tradição evangélica, o Cristianismo histórico, a instituição religiosa é excludente e continua agindo com acepção.

Pelos moldes da Igreja, nem Jesus se encaixaria, porque nem era filho de José. O que fica evidente, é que muitas vezes a tradição evangélica fala mais alto que o próprio Evangelho. E que histórias como a de Rute, que decide cuidar de sua sogra Noemi, a de Timóteo que é ensinado pela avó, a do pai que pede socorro pelo filho endemoninhado, a da mãe que pede socorro pela filha sem que sejam mencionados outros membros da família, ficam sem valor.

Pelo que parece, o Evangelho excludente, não é o mesmo que alcançou a mulher que foi pega em flagrante adultério, ou a que teve cinco maridos e estava com um que não era marido dela. 

E a questão é a seguinte: É Deus que cega a congregação por causa da constante falta da prática de amor, ou é o exagero da religiosidade que cega para as coisas que são de fato importante? O que é inegável é o retrocesso, ao invés do avanço na estatura de varões perfeitos, porque toda a segregação, toda a exclusão e todo o preconceito, são contrários ao amor que caracteriza a Igreja de Cristo.

Este ano não vou participar do retiro de encerramento do mês de maio da Igreja, porque foi estabelecido que família é o casal com filhos, o resto é parente e parentes não serão permitidos.

No meu caso, a família que considero é a parentela inteira, porque na prática, eu moro só. Mas para a Igreja que exclui, eu sequer tenho uma família. Assim como eu, muitas outras pessoas que o Senhor acolheu, ficarão em situação constrangedora, porque a Igreja não aprendeu a amar e nem a acolher essas pessoas.

Este ano fazem 18 anos que congrego no mesmo lugar, mas o esforço que faço para permanecer e perseverar, é muito maior no meu caso do que no caso de famílias tradicionais, porque tudo gira em torno do umbigo dos religiosos. Assim, nas festas de solteiros estou de fora por causa da minha idade e por ter um filho. Nos encontros de casais estou fora, nos encontros dos homens onde podem levar a família estou fora e também no contexto do mês de maio.

Se não fosse a Graça que me sustenta e o amor de Deus que jamais me abandona e nem despreza, por que eu bateria nesta porta que nunca se abre?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Deixando as coisas de menino

Um pouco de fermento, leveda a massa inteira, ao ponto dos líderes que se dipõem a pregar o Evangelho, o transformarem em veneno, completamente nocivo à saúde espiritual dos que os ouvem. De fato, o evangelho simpático aos ouvidos carnais, promete abrir portas, garante vitórias, segrega, distorce, engana, manipula, escraviza, vicia e cega uma multidão incontável de débeis na fé.

Gente que lê e não compreende, escuta e não ouve, olha e não enxerga, enquanto engolem uma gororoba evangélica, incapaz de dar crescimento, inútil para edificar, mantendo cativos numa ilusão, pessoas que usam o Nome de Jesus, sem nunca ter andado com Ele. Sangue-sugas da fé, insaciáveis meninos birrentos, que terminam frustrados em sua atrofia, sem jamais ter experimentado da Graça de Deus.

Chega! Todo aquele que deseja andar com Cristo, terá que entender que carregará a marca dele, será reflexo de seu Senhor. Sim, padecerá, sofrerá escárnio, será abandonado, dará a cara à tapa, será traído, negado pelos amigos, viverá na maioria das vezes só. Contudo, permanecerá amando.

Os filhos de Deus, à semelhança de Cristo, sofrerão muitas aflições e o consolo destes, é se lembrar que o Senhor venceu tudo o que lhe fora proposto, firme até o fim. Nosso alvo é ser como Ele e suas palavras ecoam dentro de nós, pois são espírito e vida. "Não desanimem, estou com vocês até o final, perseverem, não retrocedam, sejam constantes, sua felicidade consiste na certeza de ser meu. Você é feliz quando sofre injustiças, é perseguido, ou quando chora por causa de mim. É um bem-aventurado quando permanece humilde, fiel, manso e pacificador, porque assim aprendeu comigo."

Observem a vida de Paulo, se ele passou a conquistar coisas para si mesmo, depois da conversão. Ao contrário, ele se despiu de quem era, para ser revestido de um novo homem, cujo viver sempre foi Cristo, tendo inclusive a morte por Cristo como lucro.

Quem quiser enganar-se ainda, coma mais deste alimento estragado. A tolice lhe garantirá muitas companhias e te manterá nas amenidades, na superfície, nas basicalidades, na carnalidade.

Quem não estiver disposto a perder pessoas, abrir mão de status, esvaziar-se de si mesmo, jamais conhecerá as coisas do Alto, nem compreenderá a profundidade da revelação.

Há que se tomar cada qual a sua cruz e conviver cada um com seu espinho fincado na carne. E não faltarão filhos das trevas para apontar o dedo em riste. Mas a Graça bastará.

Padecer por Cristo é privilégio para poucos. Os remanescentes que herdarão a Vida Eterna.

sábado, 21 de março de 2015

Desde os tempos eternos

Assimilar a atemporalidade é um desafio para nós que somos finitos e tão limitados em todos os sentidos. Mas uma leitura espiritualizada da bíblia, um mergulho além da letra, uma entrega de coração nas revelações, nos permitem compreender o que muitos não conseguem sequer enxergar, por estarem acorrentados à razão, como se a fé fosse algo definido, algo raciocinado e encerrado num conceito humano qualquer.

Não... apesar de experimentarmos a vida dentro de uma percepção de tempo e espaço, onde identificamos os acontecimentos dentro de uma sequência lógica, ela É antes de ser concreta neste mundo. 

Tudo, absolutamente tudo, existia desde a eternidade, de forma subjetiva em Deus, porque Ele é eterno e Nele, tudo subsiste, tudo é desde sempre e numa linguagem revelada biblicamente, simplesmente é, desde antes da fundação do mundo.

Assim, a narrativa de Gênesis, simplesmente concretiza aquilo o que era subjetivamente, porque o homem só compreende o que é objetivo. Nas narinas do homem feito de pó, Deus sopra o homem que existia desde antes da fundação do mundo e ele então se torna uma alma, um ser objetivo, que trilhará uma jornada neste mundo, tempo e espaço.

À imagem e semelhança de Cristo, que é de eternidade à eternidade, Adão vive no tempo cronológico e experimenta do conhecimento do bem e do mal, que havia subjetivamente em Deus, que tudo sabe e tudo conhece. Traz à existência material, o que já existia e já era ciência de Deus, como se a vida humana fosse um filme visto pela primeira vez por nós, mas por Ele, conhecido em cada detalhe.

Assim, cada homem e cada trajetória, está exposta diante de Deus, sem que haja nada encoberto e por acontecer. Cada vida está desnuda do início ao fim, do ventre ao túmulo para Ele, enquanto para nós, aguardam tão somente ser concretizadas no tempo. Tanto os eleitos quanto os que O negaram, são conhecidos desde antes da fundação do mundo. 

Não porque Ele tenha feito acepção, mas porque toda a humanidade foi encerrada no pecado, para que todos conhecessem a Misericórdia revelada em Cristo, o Cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo. Todos se reconheceram por meio da maldição da Lei que acusa da culpa, para que o Salvador fosse ansiado por todos e para que crêssemos que Ele se fez maldição no nosso lugar.

E então, cada um escolheu ou se render à Justiça de Deus que é Cristo, ou buscar a justificação pelos méritos e esforços humanos ou simplesmente não creram.

Para a maioria das pessoas, Deus é solicitado para fazer, abençoar, conceder, livrar... eu entendo que Deus é, fez, realizou, abençoou, concedeu, deu crescimento, elegeu, santificou e salvou desde antes da fundação do mundo. Aqueles a quem João viu diante do Trono Branco, existiam e estavam lá de forma subjetiva. João estava em espírito, no solo da atemporalidade, da mesma forma que nós morremos com Cristo na Cruz, para ressuscitar Nele e viver a vida Dele.

O tempo da ignorância que Deus não levou em conta, deixou de existir com as coisas de menino. Renascido, cada filho de Deus tem condições de se enxergar e escolher a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. E pelos frutos que cada um deu ou não, determinou se foi limpo para frutificar mais, ou se foi cortado.

É preciso entender, que o tempo é problema para o homem almático, mas não para aqueles que entenderam que são eternos desde sempre. Somos Dele, vivemos por Ele e para Ele, desde antes da manifestação concreta de todas as coisas, até sermos coroados Naquele dia. E o que vivemos agora no tempo, precisa ser o reflexo daquilo o que aprendemos com a Luz do mundo, pois Ele revelou o que antes era sombra e trouxe ao nosso entendimento, coisas que homens comuns não assimilam.

Os santificados, são todos aqueles que foram separados para o uso de Deus, os que vivem piedosamente, trilhando as veredas do amor. Estes que tem um Salvador, porque nunca o rejeitaram como Senhor e nem desprezaram seus ensinamentos. Não apenas guardam as suas palavras que são espírito e vida, mas as praticam e as tem como um grande tesouro.

Estes que o amaram, amam também seus semelhantes, perseverando até que o tempo seja consumado. Selados pelo amor, porque tem a essência amorosa de Deus, aguardam a volta de Cristo, para ser plenos Nele, eternamente.

E os que se fixaram na cobiça e na satisfação do próprio ego, são igualmente conhecidos e para estes não há esperança, porque correram atrás do vento e não são dos que amaram a Deus.

Deus sempre soube quem é quem. E agiu com Misericórdia, com todos os homens que aprenderam a amar como Ele nos amou.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Jesus, meu tudo.

Graça, favor recebido, jamais merecido!
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão." João 10:27-28
Uma consciência pautada no Evangelho, reconhece que não tem mérito.
Sabe que independe de quem quer, ou de quem corre atrás de um suposto merecimento às coisas que vem do Alto. Mas foi alcançado puramente por bondade e misericórdia...

Saber-se verdadeiramente livre, é entender que apesar de que NADA nos separará do amor de Deus, nosso maior prazer é estar no centro de Sua vontade. Já não faz sentido o pecar deliberadamente, porque ser livre, é também conseguir SE dizer "não".

Compreender a Graça Maravilhosa e estar em Cristo, é reconhecer-se destituído por causa das obras, mas religado por causa da fé. A Vida gestada no coração dos filhos de Deus, é o que nos sustenta nesta caminhada, em direção ao Alvo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Análise da 3ª Carta de João

Aula de capacitação de professores e vocacionados - Professor Reginaldo Xavier
Alunos: Janete, Mateus, Renildes, Zuleika, Eunice e José Antônio.



Autor: O autor da Carta se denomina "O Presbítero". A tradição estabelece que o autor tenha sido o Apóstolo João, para a Igreja em Éfeso, entre os anos 80 e 95 D.C.

Texto: 3ª Carta de João
Tema: A permanência na verdade
Chave: Verdade  v. 1, 2, 3, 4, 8 e 12
Divisões: v. 1 a 4   Saudações e exaltação do bom exemplo de Gaio
                v. 5 a 8   Mal testemunho de Diótrefes
                v. 9 a 15 Bom testemunho de Demétrio

Personagens: João, Gaio, Diótrefes, Demétrio e os evangelistas itinerantes.

Gaio - Há algumas menções a personagens no Novo Testamento com este nome:

* Um cristão da Macedônia é mencionado como companheiro de Paulo em sua 3ª viagem missionária, juntamente com Aristarco (AT 19:29)

* No capítulo seguinte, um Gaio de Derbe é listado como um dos sete companheiros de viagem de Paulo que esperam por ele em Trôade (AT 20:4)

* Um Gaio é mencionado morando em Corinto e sendo um dos poucos que Paulo batizou (os outros foram Crispo e a família de Estéfanas) que fundou a Igreja na Cidade (1 Co 1:14)

* Um Gaio aparece na porção final de cumprimentos da Epístola aos Romanos (Rm 16:23) como sendo o anfitrião de Paulo e também de toda a Igreja. (Provavelmente Paulo estava escrevendo de Corinto, da casa de Gaio)

* Finalmente, Gaio de Éfeso, a quem a 3ª Carta de João foi enviada (Ele pode ser qualquer um destes ou não).


Diótrefes

Diótrefes era grego como indicado na etimologia de seu nome (alimentado por Zeus).
Era orgulhoso, arrogante, prepotente, incapaz de respeitar a autoridade do Apóstolo João. Era um líder movido pelo ciúme de "sua" Igreja.

Demétrio

Há duas menções ao nome Demétrio no NT. Provavelmente se trata da mesma pessoa.
O primeiro aparece em AT 19:24 Era um ourives da prata que fazia nichos para colocar imagens da deusa Diana dos efésios, rico que sentiu-se ameaçado pela pregação de Paulo e instigou os artífices. Juntos arrebataram Gaio e Aristarco, macedônios companheiros de Paulo na viagem.
Demétrio estava encabeçando toda esta confusão, sem contudo ter uma acusação concreta contra os cristãos, que não blasfemaram e nem cometeram sacrilégios contra a deusa deles, apenas pregavam o Evangelho.
Na 3ª Carta de João, Demétrio é um convertido ao Evangelho, que dá bom testemunho. Um cristão modelo, elogiado por João.


Cenário


Muitos dos primeiros cristãos foram chamados para a evangelização itinerante e dependiam que outros cristãos os recebessem como hóspedes nas aldeias. 
Diótrefes havia se ajuntado à comunidade cristã e se tornado líder, mas se via como um "dono da Igreja", queria um lugar de primazia entre os irmãos e expelia da Igreja quem quer que não o seguisse. 
Seus esforços para proteger seu próprio partido e interesses, eram prejudiciais à causa de Cristo (Verdade). João não se intimidou com tal carnalidade.
Queria o primado, ou seja servia a si mesmo, embora fingindo estar servindo a todos.
Vivia num permanente clima de encenação. Saberia manejar e tirar proveito da pureza, ingenuidade e da simplicidade dos irmãos em Cristo, tudo isto a seu bel prazer e egoísmo, longe do ensinamento de Jesus.
De maneira autocrática ele não só deixava de acolher os emissários de João, como impedia que os irmãos os hospedassem. E quando não conseguia seu intento, expulsava os irmãos da Igreja. Seu procedimento era maligno e reprovável diante de Deus.
João escreve à Gaio insistindo para que continuasse sua obra piedosa de receber os servos do Senhor, apesar da oposição de Diótrefes e promete tratar drasticamente com o usurpador, já que este rejeita sua autoridade e não recebe suas cartas. Menciona também Demétrio, como um cristão genuíno que serve de modelo para os outros.


Significado:


Natural: O problema daquela Igreja local, que consistia no amor de uns que serviam a Cristo e a falta de amor do líder usurpador, contrário ao Evangelho nas coisas mais básicas.

Original: Ainda hoje existem líderes que ocupam cargos nas Igrejas, mas com outras motivações e não pautados pelos fundamentos da fé cristã.
É muito atual este tema. De um lado, verdadeiros cristãos, unidos no amor, buscando permanecer na Verdade e na prática do Evangelho: Enquanto do outro lado, líderes que se infiltram em busca de poder, tentando estabelecer sua supremacia, não se dobrando nem mesmo à Cristo.

Coerente: Por outro lado, o testemunho positivo dos verdadeiros cristãos, nos mostra que se formos fiéis, todos saberão. Quem convive conosco precisa testificar de quem somos. E mais importante que isso, podemos influenciar outros irmãos a caminharem na verdade. De uma forma ou de outra, nossa conduta envia uma mensagem e esta mensagem, pode ser uma influência positiva ou negativa. Que tipo de testemunho estamos dando?
Nossa preocupação deve ser sempre permanecer na Verdade, isto é, nos ensinamentos do Mestre, fundamentados no amor, ainda que hajam forças contrárias que tentem impedir o crescimento dos irmãos até a estatura de varões perfeitos. Sempre haverão pessoas infiltradas nas igrejas, fixadas nos anseios do próprio ventre. 
Na Igreja de Cristo, não há espaço para disputas de poder, há apenas UM dono, Um que é o Cabeça de todos os membros. Não há lugar para ambições pessoais. 
Nós que somos livres, somos capazes de reconhecer um líder tirano e se estivermos firmes na Verdade, serviremos em amor como aprendemos.

Bibliográfico: sinceridade, hospitalidade e caráter cristão

1, 2 amor fraternal
3, 4 andando na verdade
5 fidelidade a Deus, deveres sociais, hospitalidade
6 reputação
7, 8 Por Cristo, cooperação
9 opositores
10 Autoridade, calúnia, perseguição
11 Advertência
12 bom nome, veracidade
13 verdadeira amizade
14, 15 amizade entre irmãos, paz invocada



Aplicabilidade - Valores como o serviço em amor, a disponibilidade na doação e a fidelidade à Doutrina de Cristo são para todos os tempos.