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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Continuação da Carta aos Romanos

Romanos 9

Este trecho da carta, é o que mais divide as ideias no meio dos cristãos. Existem duas vertentes: arminianos e calvinistas, que discutem esse assunto há mais de 400 anos. Porque não consenguem compreender como Deus pode ter o domínio de tudo e ser misericordioso ao mesmo tempo. Não vou me aprofundar muito nesse assunto. Dificilmente vocês vão ver discussões assim dentro das igrejas, tem textos que os pastores nem pregam pra não confundir, mas eu entendo que tudo na Bíblia é importante e cada cristão precisa conhecer a fe que professa. De Deus, nós só sabemos o que foi revelado em Cristo, mas há mistérios que não cabem na nossa limitação.  Como um Deus eterno, infinito e ilimitado, vai caber na compreensão de seres como nós?  Há mistérios que só vamos conhecer no céu.  Portanto, vou descrever o que Paulo está explicando, mas sem entrar na discussão teológica.

Paulo descreve o povo judeu, como o povo realmente escolhido para ser amado. De lá saiu a linhagem de Jesus. Povo eleito por Deus para que Jesus nascesse dentro dele. Povo que recebeu a Lei para ser diferente de toda a Terra. Porém,  Deus escolheu endurecer a este povo, para que todos os outros povos ouvissem o Evangelho da salvação e assim pudessem crer em Jesus. Algum judeu poderia achar isso injusto, pois se Deus endurece a quem quer é abençoa a quem quer, como podem então ser culpados pela desobediência?
Paulo então diz que se o oleiro escolhe a função do vaso, Ele tem esse direito. Paulo está falando da soberania do Criador, que sabe o propósito por que criou.
Como vimos no capítulo anterior, às vezes queremos fazer o bem e não conseguimos e o mal que rejeitamos, muitas vezes praticamos. Então,  não pode partir de nós o senso de justiça,  amor, gratidão,  misericórdia,  fe, domínio de si mesmo, etc. Se tudo isso não for dado por Deus a nós.
No mundo vai continuar existindo bem e mal, certo e errado, morte e vida, obediência e desobediência, porque é assim que criamos parâmetros. Mas o porque é assim, só Deus sabe. E se Ele tem uma forma diferente de lidar com cada um, só Ele sabe o porquê.
Deus conhece a história completa do início ao fim, mas nós vivemos um dia de cada vez. Ele sonda os corações,  Mas nós só sabemos o que está diante  de nós.  Então,  nos resta descansar em quem tem o domínio de tudo. Sabendo que se Ele começou esta obra em nós,  Ele vai completa-la.
Por fim, Paulo diz que o erro de Israel foi confiar nas próprias obras e não viver pela fé.  Assim, quem tem fé passou a ser os verdadeiros filhos, porque assim Deus quis.

Bom dia, irmãos!
Romanos 11

Bom, sabendo já que Deus não está sujeito ao tempo e já conhece tudo do nosso passado, presente e futuro, não fica difícil entender que Ele faz tudo com um propósito.

Neste capítulo,  Paulo compara a Graça de Deus, que significa favor imerecido com uma árvore,  Os ramos originais que são os judeus foram cortados temporariamente para que outros ramos fossem enxertados (nós). Isso significa que Deus esqueceu Israel? Fe jeito nenhum, Ele sonda os corações e já viu quem é remanescente, que nesse caso significa quem resta, quem sobressai no meio deles e se converte. Então,  muitos rejeitaram a Cristo, mas alguns deles creram.

Apesar da Graça ter nos alcançado e ter nos enxertado na boa Oliveira,  não devemos nos ensoberbecer.  Ao contrário,  devemos orar por Israel e desejar que eles sejam salvos.

Lembrem-se: quem sustenta está grande árvore é a raiz e não os ramos. Nos somos apenas ramos, sustentados pela raiz que é santíssima.  Em nós deve circular a seiva de Cristo, que é o amor. É isto que faz a diferença no mundo, é assim que honramos a Deus, é assim que cuidamos do próximo e é assim que vivemos pautados pelo Evangelho.

Apesar de não ser tão fácil de entender, nos resta ser gratos pelo grande amor que nos alcançou.  No final deste capítulo, Paulo reconhece que a intenção de Deus ninguém pode conhecer, nem os caminhos que Ele escolhe para realizar o que quer. Mas que é Soberano e tudo vem Dele, por Ele e para Ele.

Bom dia!
Romanos 12

Bom, depois de entender um pouco como Deus planejou salvar os homens de todo o mundo, primeiro se revelando à Israel, os ramos verdadeiros e depois aos gentios (outros povos) nos enxertando à boa Oliveira que é Jesus, entendemos enfim, que nenhum de nós foi chamado por acaso, mas com um trabalho a desempenhar pelo Reino de Deus. Somos todos cooperadores no anúncio desta boa notícia que é o Evangelho.

Cada um de nós é comparado à um membro, como se todos fôssemos um único organismo vivo, cujo dono e cabeça é Jesus. Cada pedacinho com sua função,  cada um refletindo Jesus na vida em que vivem. Culto racional, não é cumprir protocolos religiosos, nem agendas das instituições,  nem simplesmente frequentar as programações de determinados endereços. Culto racional é fazer no dia e dia escolhas que agradam a boa, perfeita e agradável vontade de Deus, baseados no que aprendemos com Cristo. É na vida que se você o Evangelho, é nos encontros, nas relações,  nas nossas escolhas que mostramos a quem pertencemos, porque da porta pra dentro, qualquer um é evangélico.

Em seguida Paulo dá exemplo de algumas funções e posturas. Não tomar a forma do mundo, renovar a mente (estar sempre buscando se aperfeiçoar no entendimento da Palavra) Abrir mão do orgulho pra conseguir valorizar os outros, não ser sábio aos próprios olhos, mas ser simples pra reconhecer onde precisa melhorar, etc.

Como somos um Corpo só,  uns são chamados pra ser mão que levanta, outros são pés que se apressam a socorrer, abraço que consola, calor humano que une... quem recebeu dom ensine, abençoe,  contribua, sejam imparciais porque amar quem nos ama, qualquer um pode, mas amar quem nos causa dano e orar por quem nos persegue, só os filhos de Deus conseguem.
Enfim, ser disponível,  chorar com quem chora, se alegrar com quem se alegra, socorrer aos necessitados sejam eles quem for. Não negar ajuda nem pra quem se faz inimigo, porque constrangido com seu perdão,  talvez ele se converta.

E por fim, não se dexem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. Isto é cultuar a Deus, este é o culto racional.

Lembrem -se o verdadeiro culto aceitável a Deus foi realizado na Cruz, hoje cultuamos a Deus quando mostramos que a Luz de Cristo reflete na nossa vida. Então,  devemos ser os mesmos quando estamos reunidos como Igreja, ou num lugar comum como em casa, trabalho, escola, vizinhança ou qualquer outro endereço. Cultuamos com a vida, sem cessar.

Continua...

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Carta aos Romanos para neófitos

Paulo escreveu que por causa do pecado, toda a humanidade ficou separada de Deus. Não há um justo sequer que não depende da mediação de Cristo para ser religado a Deus. Cristo é uma espécie de Ponte que todo ser humano precisa passar para poder se relacionar com Deus. Ele explicou que os filhos da promessa eram os israelitas, mas como eles  endureceram o coração,  a Graça faz dos gentios, filhos pela fé.  Então,  nós nos tornamos filhos por adoção.  Os textos mais complicados, são os que dizem que foi Deus que endureceu Israel, para encerrar todos os homens no pecado, para poder manifestar sua misericórdia a todos. Foi dessa forma que Deus escolheu espalhar a mensagem pelo mundo, para que todos soubessem que não depende de quem quer ou de quem corre, mas de sua misericórdia que está em Cristo encarnar e morrer por nós.

Romanos 3 e 4

Israel, pelo fato de ter recebido a Lei de Deus, se sentiam os donos da promessa. Julgavam que eram filhos porque cumpriam os ritos e cerimônias religiosas. Assim, pensavam que tinham mérito.  Que eram filhos porque tinham a Lei. Paulo está explicando que a Lei não foi dada pra justificar o homem, mas para mostrar ao homem que ele era culpado, porque nenhum homem conseguiu cumprir a Lei, apenas Jesus. E porque foi perfeito, sua morte e ressurreição serviu para nos comprar. Somos salvos por causa dos méritos Dele e não por causa dos nossos. Por nós mesmos seríamos todos réus, mas Nele somos justificados.
Embora sejamos salvos PARA as boas obras, somos salvos mediante a fé na eficácia da morte e ressurreição de Cristo. Paulo está dizendo que sempre foi assim. Embora Abraão tenha feito uma boa obra, foi justificado pela fé na promessa de Deus.
Crer, é mais importante do que fazer tudo certo, até porque se fôssemos perfeitos, não precisaríamos de um Salvador.  Reconhecer que somos falhos faz toda a diferença, viver pela fé é olhar sempre adiante confiando que quem prometeu é fiel para cumprir. Todo o que crê,  é descendente de Abraão pela fé,  por isso tanto judeus convertidos quanto os outros povos que se convertem e creem no Filho, é co-herdeiro com Ele.

Romanos 5

Amados, ao mesmo tempo que o povo de Deus no Velho Testamento era Israel, a figura de um povo rebelde, carnal, que muitas vezes transgredir a vontade de Deus, também podemos nos enxergar nesta cegueira antes da conversão.  Quem aqui se lembra de quem era, de como estava, como pensava, antes de conhecer Jesus? Eu me lembro muito bem 😂 e o tanto de angústias,  insegurança e falta de esperança eu tinha...
Paulo está descrevendo aqui, que agora a nossa paz não depende das circunstâncias,  pois ela excede ao entendimento,  e o prazer de ter livre acesso ao Pai, uma alegria que vem da segurança de ter um Senhor cuidando de tudo o que precisamos, enquanto o servimos por gratidão.
Paulo diz inclusive, que até no meio dos problemas nós crescemos e somos aperfeiçoados,  porque perceberemos e isso produz mais esperança.  Perceberam que na hora da dor, nos achegamos ainda mais à Deus? Saímos da escravidão para a liberdade em Cristo. Agora já não precisamos ter medo. Apesar dos nossos pecados e debilidades, é a Cristo que Deus contempla quando nos olha. Por causa da perfeição Dele recebemos a Vida e estamos garantidos eternamente.
Por meio da desobediência de um, estivemos nas trevas. Mas por causa da Obra de um, fomos transportados das trevas para a Luz. Então,  sejamos pra sempre gratos pelo favor que recebemos sem merecer. Que sejamos filhos da obediência, perseverando   até que estejamos com Jesus!
Só uma observação sobre o versículo 14. Pode parecer contradição ele dizer que TODOS pecaram e mencionar aqui alguns que "não pecaram". É que antes dos homens receberem a Lei, o pecado não era levado em conta para a condenação.  Se não havia proibição,  como saberiam? Desses Deus teve misericórdia.  Mas ainda assim pecaram, tanto que morreram. E também nós,  continuamos morrendo para este natureza por causa dos nossos pecados, a novidade é que seremos ressuscitados para uma nova dimensão de coisas, com um novo corpo e um tipo de vida que nem conseguimos imaginar de tão maravilhoso. Com a Lei, todos passaram a se enxergar réus, alguns se arrependem e crêem,  outros não se arrependem e não terão a mediação de Cristo.

Romanos 6

A preocupação de Paulo aqui, é que é Igreja comece a confundir a liberdade de viver com a consciência pautada no Evangelho e a libertinagem que é própria do homem que ainda é escravo do pecado. Paulo está dizendo que viver a Palavra é uma escolha de atos e obras, ninguém vai virar um robô,  fomos chamados à obediência.  Nestes termos, não existe homem livre de consciência,  ou ele é escravo do pecado, porque perde o domínio de si mesmo e é arrastado pelo curso desse mundo, ou ele é escravo da justiça e passa a imitar a Cristo.
Então passa a diferenciar esses tipos de escravidões. Quem é escravo do pecado, colhe destruição e morte, mas quem é dominado pela justiça,  realiza as boas obras criadas de antemão para os filhos de Deus e recebe a Vida eterna. A liberdade não é um fim, mas fomos livres para conseguir fazer a vontade de Deus. Cada um de nós foi chamado com um propósito no anúncio do Reino de Deus e não apenas libertos pra fazer o que der na cabeça. Temos um Senhor.
Então,  pelo que Paulo diz, nossas escolhas são conscientes. A carne vai sempre lutar contra o espírito e nós vamos ter que nos esforçar pra permanecer agradando a Deus.
Lembre-se que pra cair ninguém precisa se esforçar porque é próprio da carne. Mas pra se manter de pé,  é preciso cuidar.
Paulo precisou explicar nos mínimos detalhes pra que ninguém saia por aí achando que é dono da própria vida. Jesus é o Salvador daqueles de quem também é Senhor. E deixou uma missão pra cada um realizar. Quando Ele voltar, vamos apresentar nossos frutos.
Entendam uma coisa, o homem não foi criado para ser independente de Deus. Fomos criados para a Glória Dele. O erro de Adão foi justamente se colocar no centro e transgredir a única Lei que havia no Eden. A pretensão de ser como Deus e se tornar independente Dele, fez o homem pecar. Por causa do ego o homem pecou e colheu morte. Por isso, pra seguir Jesus é necessário nos negar, nos tirar do Centro, dominar o ego. Entender que estamos aqui com um propósito e que seremos recompensados por isso. Oramos pra não perder a sintonia com a vontade de Deus e não só pra pedir coisas momentâneas.  Nos reunimos pra viver até o fim neste propósito é não pra dar entretenimento pra alma. A vida só tem sentido quando cumprirmos o propósito pro que fomos criados.

Romanos 7

Aqui, para a nossa compreensão,  Paulo explica que o homem convertido, abre os olhos para uma nova realidade que antes não conhecia. Antes da Lei, o homem não tinha condições de se avaliar, pois se não haviam proibições,  também não havia a transgressão.  Vindo a Lei, o homem reconheceu que era pecador. A vontade de Deus era que o homem fosse obediente, mas o homem se habituou a pecar e fazer sacrifícios para expiação da culpa. Por isso Deus dizia por meio dos profetas, que Ele não queria sacrifícios,  mas obediência.  Então,  apesar de boa, a Lei revelou que somos todos réus,  não há um justo sequer por mérito próprio, porque todos pecaram.
Com a conversão,  passamos a enxergar nossa verdadeira condição : apesar de saber qual é a vontade de Deus, que é Boa, perfeita e agradável,  nem sempre conseguimos cumpri-la. Há em nós uma luta constante, porque o espírito está pronto, mas a carne contínua fraca.
Paulo diz: o que quero fazer,  não consigo, mas o que eu não quero, acabo fazendo.
Amados, pra fazer nossa própria vontade, satisfazer nossas cobiças,  ninguém precisa se esforçar.  Cair é natural do homem carnal. Mas o homem espiritual, se esforça dia e noite, pra não esquecer os ensinamentos de Cristo, ora sem cessar, está atento pra se consertar quando erra, não se acomoda com o ambiente do pecado.
A carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne. E nosso crescimento em Graça,  depende se alimentamos o espírito ou a carne.
No último versículo,  Paulo reconhece que é no mérito de Jesus que somos salvos, porque se dependesse de nós mesmos, nenhum seria capaz de se livrar do inferno, porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus, é a vida eterna.

Romanos 8

Paulo continua a carta, dizendo que a Lei de Moisés não justificou ninguém para a salvação,  porque homem nenhum conseguiu cumpri-la. Lá em Tiago, diz que aquele que tropeçava numa Lei, era culpado por todas. Então,  Deus mostrou ao homem, que por esforço próprio era impossível ser perfeito.
Mas, Jesus era o Cordeiro perfeito, que cumpriu toda a Lei por nós,  Com seu sangue pagou nossa dívida e agora já não há condenação para os que estão em Cristo.
Como sabemos que somos Dele? Ele nos deu o seu Espírito para morar em nós. Este Espírito hoje faz a ponte entre o homem e a santidade de Deus.  Ele filtra as nossas orações,  porque nem orar nós sabemos, Ele nos faz entender a Palavra, Ele nos ajuda a andar na fé,  que é a certeza de que tudo o que o Senhor disse, acontecerá. Esperamos a vida eterna, porque o Espírito é a garantia da nossa adoção  como filhos.
Paulo diz também que até a natureza espera essa restauração que acontecerá no futuro. O pecado trouxe destruição para o homem e para o planeta, mas o plano de Deus é curar e fazer tudo novo.
Agora entenda este misterio: Dos versículos 28 à 30, Paulo diz que Deus te conhece desde antes de você existir na Terra. E te conhecendo, já te amou, separou e salvou, para que você aprendesse com Cristo o que é servir a Deus.
A onisciência de Deus, o faz conhecer todas as coisas de eternidade à eternidade. E nós que cremos e estamos sendo moldados por Ele, sempre estivemos em seus planos. Devemos ficar cada vez mais distante dessa natureza corrompida, velho homem, para ficar cada vez mais parecidos com Cristo. Somos novas criaturas, conduzidos pelo Espírito,  a semelhança de Cristo, separados pelo Pai

Continua...


terça-feira, 4 de setembro de 2018

Linguagem bíblica.

A linguagem bíblica fala ao espírito mediante a fé,  por isso muitos lêem e nada entendem, porque pretendem compreender com a mente. Toda a Bíblia é repleta de figuras e Jesus usava parábolas usando situações corriqueiras para comunicar verdades espirituais que só alguns podiam assimilar.

Muitas pessoas se perdem na literalidade da letra, quando poderiam subtrair dos textos ensinamentos grandiosos. Nao mergulham, apenas contemplam o espelho d'água e ficam confusos com seus mistérios. 

Na poesia do Eden, Adāo come de um fruto proibido. Creio que se perde bastante, quando se engole a letra sem digerir, prefiro comer, saborear, metabolizar e permitir que a mensagem se torne vida no meu espírito.

Esta árvore era a ciência.  Foi criada pra ser usada mesmo. O pecado do homem foi querer ser independente de Deus. Nesta poesia da criação,  a figura da serpente seduz o casal para ser como Deus e eles transgridem a única lei que havia, se colocando no centro. Esta irreverência foi a causa da queda e não a árvore.  Pense! O mal do homem é servir ao próprio ego. Jesus nos convida a nos negar, para compreender as coisas do alto.

O primeiro Adão se colocou no centro e gerou morte. Jesus nos ensina a sair do Centro, nos esvaziar para ser cheios de Sua Vida.

domingo, 26 de agosto de 2018

Espelhos

Lá em casa tem espelho na sala, nos quartos e nos banheiros. Na cozinha só não tem porque a imagem reflete nos vidros.
Alguém entrou e afirmou: Nossa, você deve ser bastante vaidosa! Você se vê o tempo inteiro... onde você vai tem o reflexo da sua imagem!
Sorri e balancei a cabeça negativamente. Não,  já passei dessa fase de valorizar tanto o exterior. Os espelhos são para eu nunca me iludir ao meu respeito. Acho muito importante uma pessoa se enxergar e saber quem é. Os espelhos são um exercício diário de humildade. Eu to sempre precisando me corrigir.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Deus conosco



O Cordeiro imolado desde antes da fundação do mundo, anuncia que a Graça de Deus É,  antes que houvesse história,  homem e pecado.  A onisciência de Deus revela que já havia plano para a humanidade, apesar do que somos. Então,  dentre tantos que não o percebiam, Deus se revelou à alguns para que anunciassem que Ele haveria de se revelar a todos em Cristo.

E assim, no tempo oportuno, tudo o que era subjetivo se tornou concreto diante dos homens, para cumprir na história o que antes estava proposto. Era Deus caminhando conosco, apontando o Caminho, a Verdade e a Vida,  até cumprir seu objetivo. E ressurreto se retirou em carne, para vir em Espírito.  Assim, tornou possível estar conosco em todos os tempos, lugares e povos, manifestando e ensinando a boa , perfeita e agradável vontade de Deus, à todo aquele que crer.

Deus conosco é orar no ambiente do quarto e saber que cada palavra é ouvida e acolhida, sem a necessidade da mediação de outros homens. Deus conosco é saber que nenhuma construção humana, pode reter o ensino, monopolizar o poder de Deus ou determinar seus milagres. Deus conosco é ser grato pelos recursos que vem não por barganhas, nem por pagamento de impostos perpetuados malignamente por oportunistas,  mas porque tudo é Dele, por Ele e para Ele. Deus conosco é ser parte do Corpo de Cristo simplesmente por ter crido e enxerga-lo nos pequeninos onde Ele disse que também estaria. Deus conosco é ser verdadeiramente livres, na companhia de um Senhor que é também amigo.

Já não há sentido para as introduções musicais que pretendem conduzir o povo à presença de Deus, porque Ele escolheu habitar dentro e não fora. Não há lugar especial e nem homem gabaritado para conduzir ovelhas que só tem um Pastor. Tantos são os costumes que tem valor apenas psicológico e nada tem de espiritual.

Cante, ore, seja útil, se reúna, mas consciente do que é em Cristo. E jamais se deixe manipular por persuasões que não vem de Deus, porque Ele está conosco até o fim e isso, doutrina nenhuma pode negar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Mães que não são pais

Dia dos pais foi domingo passado e curiosamente recebi inúmeras mensagens me parabenizando por ter sido pai para meu filho. Ultimamente a realidade de mães que criam sozinhas os seus filhos, tem trazido um "quê" de normalidade pra situação e até um certo grau de orgulho de algumas mães que julgam desempenhar bem os dois papéis. Ao deparar com uma postagem do meu próprio filho, parabenizando os pais e as mães que também são pais, pus-me a pensar na minha própria história .

Fui filha de um homem cheio de princípios e valores, que tinha como prioridade cuidar da própria família.  Tinha o cuidado de não apenas abastecer a dispensa, mas em nos instruir para a vida. Se preocupava com nosso futuro e se resguardou para que não ficássemos desamparados na sua falta. Era um homem alegre e brincalhão,  Mas também um homem que gostava de ordem e educação.  Tive nele os melhores exemplos do que é ser verdadeiramente um pai.

Ele morreu muito jovem, minha mãe ficou viúva aos 36 anos, com 4 filhos pra terminar de formar. Tivemos na figura do meu pai um exemplo de pai com todos os méritos e por mais que minha mãe tivesse arregaçado as mangas pra que nada nos faltasse e ter nos apoiado em tudo para nos tornar quem somos, a falta do meu pai foi insubstituível. Eu sabia que ele não estava comigo porque tinha morrido, ainda assim sua ausência doía demais.

Aos 19 engravidei num relacionamento conturbado e aos 20 fui mãe sem o apoio do pai do meu filho. Tenho plena consciência que não tive a estrutura necessária para assumir meu filho sem o apoio da minha mãe.  Precisei crescer e amadurecer com meu filho e com muito esforço busquei dar conta do papel de mãe.

Sim, dei tudo de mim e fui o melhor que consegui ser. E apesar de ter sido uma mãe solteira, fui uma mãe possível e me incomodo um pouco com essa conotação de que uma mãe que supra as necessidades materiais dos filhos, substitua um pai. Isto, porque sei que as lacunas que um pai ausente deixa na vida de um filho, mãe nenhuma consegue preencher.

É dever de um pai ser parâmetro do que é ser verdadeiramente um homem. Cabe ao pai encarnar a figura do que é ser o protetor, cuidador, provedor, padrão a ser seguido... enfim, por mais que uma mãe seja guerreira e saia para buscar provisões para sua família, não conseguirá fazer os dois papéis.  Ou está presente acompanhando a educação dos filhos, ou terá que deixá-los para sustenta-los.

No meu caso, tive o privilégio de trabalhar perto e cuidar ao mesmo tempo. E periodicamente o pai visitava o filho. Mas nunca assumiu responsabilidade alguma e isso deixou muitas lacunas que nem com todo amor do mundo consigo suprir.

Mãe tem que ser mãe e pai tem que ser pai. Do contrário os filhos sofrerão as consequências da ausência. Não que as frustrações sejam totalmente prejudiciais. Superações são importantes para formar gente forte. E um filho que saiba o que é ter um pai ausente, pode vir a ser um bom pai.

Aqui em casa é assim. Procuro dar o suporte para que meu filho seja um bom pai para meu neto. Da mesma forma que dei tudo de mim para ser mãe,  dou tudo de mim para ser avó. Mas consciente de que sou apenas o que é possível ser, dentro do que cabe a mim.

A sociedade está mudando. Está cada vez mais corriqueiro ver famílias desestruturadas e cada vez mais as gerações enfraquecem e perdem o senso do que é viver em família. Não é uma questão de valor, de poder ou de verdades absolutas, mas de funções diferenciadas. Todos sabem que há diferenças entre homem e mulher e ambos são importantes na formação das crianças. 

A rejeição por mais sutil que seja, vai deixar marcas na alma. E se vem de um dos pais, mais grave é a ferida.

Obrigada pelas parabenizaçoes, mas só fiz minha obrigação, porque cabia a mim ter escolhido o melhor pai pro meu filho e nisso eu também falhei.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Mais que vencedor

A carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne, mas sabe quem vence essa peleja? Como pode a carne fraca, subjugar um espírito pronto?

A gente se magoa com situações,  depois desmagoa quando entende que cada um só pode dar o que possui. E constatar que alguns podem tão pouco, causa pena e assim a mágoa acaba sendo curada.

Sentir raiva é natural, até desopila o fígado,  mas se não for superada, ela amarga a vida e trava o avanço.  Vencer o sentimento liberta para olhar para a frente, cada um tem da vida o que merece.

O medo excessivo acovarda, é preciso perseverar e buscar saídas.  As frustrações ferem o ego, mas acabam produzindo gente forte. Percebe que somos inseparáveis das nossas carnalidades, mas um espírito pronto é meio caminho andado para a vitória?

Essa vitória se refere não a conquistas temporais, mas vencer as próprias mazelas da alma. Quem vence o outro, é vencedor. Mas quem vence a si mesmo (carne) é  mais que vencedor.

domingo, 22 de julho de 2018

A beleza das gordinhas




Em tempos de politicamente correto,  de carona nos movimentos de igualdade de gênero, raça, credo e toda sorte de discurso legítimo e válido,  surge um posicionamento que me inquieta um pouco, talvez porque me incluo no perfil das gorduchinhas. O de impor a todo custo que ser gorda é muito bom, lindo e sexy. Que as gorduras, celulites e estrias devem causar orgulho e que são só um traço,  não devem ser disfarçadas,  etc.

Mano, esta opinião é de uma mulher de 46 anos, mãe,  avó,  gorda assumida há pelo menos 26 anos, que é a idade do meu filho, porque justamente depois do parto comecei a perder o controle do meu peso. Pra início de conversa, engordei por causa de um distúrbio emocional, era pouca a idade pra suportar o turbilhão de problemas e eu me preenchia com comida. Se fosse simplesmente natural, não teria saído do limite assim.

A questão para mim, não é olhar no espelho e bloquear minha visão para as imperfeições.  Eu enxergo, eu sei o que é ter cintura, quadris e cochas proporcionais, não ter listras e furos, nem dobrinhas. E sei que adquirir tudo isso não tem nada de maravilhoso, poético, romântico.

Só tomo o cuidado de ser coerente. Os tempos são outros, a idade é outra, o que me fazia sofrer antes já não me desestabiliza e eu não abro mão de ir à praia , ou de me maquiar,  me produzir, me sentir bonita, porque sou gorda. Acho que o que tem que ser levado em conta, é que a beleza física tem muitas nuances e é relativa, mas não é a única coisa que importa numa mulher. Quem busca peito e bunda perfeitos, não vai procurar isso numa mulher de 46 anos. E de forma nenhuma fico mais lisonjeada com um elogio que valorize minha "capa" do que ser reconhecida pela minha inteligência,  sabedoria, coerência e principalmente quando quem convive comigo, ressalta que vivo exatamente o que prego. Isso sim, me faz sorrir.

Então, gordinhas, se amem, se cuidem, se aprovem, se conheçam, se arrumem e se curtam, pra não precisar depender de aprovação.  Se a imagem do espelho te incomoda, mude. Se não se importa, fique assim.

Eu por exemplo, não abro mão de uma comida bem gostosa, com direito à sobremesa. Pra mim, me privar de comer o que eu gosto, é um preço alto demais pelo retorno de ser admirada pela maioria. Acho que quem me ama e admira, são os que me conhecem e são os que me bastam.

Porém,  tenho roupas que gosto e não estão me servindo, então , significa que preciso prestar atenção no que como, emagrecer um pouco, será bom pra mim. Não por causa das imposições dos padrões,  a motivação tem que vir de dentro.

Não existe passe de mágica pra desaparecer as imperfeições que o tempo faz no corpo. Gordo ou magro, todo mundo envelhece e vai ser feio para os padrões dessa sociedade. Então se valorize de outras formas. As pessoas são livres para ter opiniões,  nós é que não precisamos depender delas para sermos quem somos.

Quando se deparar com gente medíocre que classifica o valor das pessoas pelo peso, simplesmente as enxergue com uma alma mais medíocre ainda. O valor das pessoas se mede, pelo tanto de amor que cabe nelas.
Leveza, tem a ver com a Alma e não com o corpo.

domingo, 10 de junho de 2018

Sobre o suicídio de cristãos

A discussão é sobre o suicida ter ou não salvação e o principal argumento dos evangélicos é a impossibilidade de se arrepender depois. E o que eu observo além da superficialidade,  é a falta de contato com a misericórdia de Deus. Como é fácil condenar pessoas e como é difícil desvincular a salvação dos méritos humanos. Teve um rapaz que diante dos meus argumentos,  até disse que não sou mais pecadora.

Eu disse: "Somos pecadores e o seremos até o último minuto, mas Jesus levou sobre si a culpa até do que ainda não cometemos.  O perdão não está condicionado ao ritual de pedir perdão, mas à consciência da Mediação de Cristo. Por isso o suicídio é tão pecado quanto qualquer outro que seu conceito humano minimize. Só Deus sonda o coração dos homens e só Ele salva ou faz perecer."

Sobre minha condição eu disse: "Quem diz que não tem pecado mente. Eu sou justificada, purificada, santificada, restaurada, mas a natureza corrompida milita ainda contra o Espírito e eu devo lutar para não cair.  Justo, puro, Santo, restaurador é Cristo. Ele levou a CULPA no meu lugar, mas os pecados que ainda nem cometi pertencem a esta natureza caída na qual estou inserida, enquanto a natureza semelhante à Cristo está sendo edificada para mim. Sem dúvidas isto é amor, Deus se revelar à mim, apesar do que eu sou."

Claro que nem todo suicida está com Cristo, mas quem pode julgar uma alma que num ato de desespero tira a própria vida é Deus que a conhece e sabe o material de que é feita.  Existem inclusive crianças que sofrem tantos maus tratos, que chegam a esse extremo. E apesar do desconforto, não sou capaz de dizer que não merecem misericórdia. Mas fico horrorizada com tantos religiosos opinando com tanto rigor. Deus tenha misericórdia destes também.

A herança das inquisições ainda é mais forte do que a consciência da Graça de Deus.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ilha do silêncio




Silêncio é ilha deserta
Tem gente que procura o silêncio,
geralmente para explorar ou deixar os seus lixos.
Mas depois de algum tempo vão embora, sempre vão.

Do outro lado do mar agitado há o continente,
há diversidade de dons e talentos,
há barulhos e luzes,
há multidões em cada canto.

Mas aqui no silêncio também tem barulho,
luz e criaturas mais simples, poucos,
só os que cabem no silêncio.
Tem trabalho, mas não o tempo todo.

Nem tudo na ilha é silêncio,
aqui também tem música, tem riso e tem choro.
E também tem oração.
Deus habita no silêncio.

sábado, 19 de maio de 2018

Sobre o Batismo

Há um equívoco no entendimento da maioria, que se escandaliza quando alguém é inserido no rol de membros de outra denominação e se rebatiza ou aproveita uma viagem à Israel e se rebatiza no Rio Jordão, para refazer os passos de Jesus. Muitos criticam tal atitude, baseados no versículo onde se diz que há "só um batismo".

"Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos." Efésios 4: 4-6

Entendo que o versículo não se refere à quantidade de vezes que é permitido ao cristão se batizar. Este "um só" se refere à confissão da fé cristã, em contraste à confissão de fé em qualquer outro tipo de convicção religiosa. É um assumir Jesus Cristo publicamente. Um só motivo, uma só certeza.

Me baseio no exemplo que encontramos em Atos 19, onde o próprio Apóstolo Paulo incentiva o rebatismo de alguns discípulos de Jesus.

Paulo encontra um grupo de homens que já eram cristãos e já haviam sido batizados por arrependimento por João Batista, mas não sabiam da existência do Espírito Santo. Ao ouvirem de Paulo mais detalhadamente sobre O Evangelho, foram batizados novamente e em seguida foram batizados no Espírito Santo também.

Por que sentiram a necessidade de um rebatismo? Porque a compreensão da fé estava incompleta e ao ficarem cientes de tudo, o rito do batismo serviu como uma assinatura de concordância.

Qualquer um que em qualquer tempo, entenda que foi batizado sem entender a sã doutrina, pode desejar batizar-se novamente e isso não tem nada de herético. O batismo em si é apenas um rito, o que importa de fato é integrar o Corpo de Cristo na Terra, compreender a fé que se professa e se comprometer com o Reino de Deus.


sábado, 21 de abril de 2018

Congregar

Você não tem que ser um anzol, fisgando os outros pra trazer pra onde você está. Basta ser luz e sal, fazer diferença pra que Cristo seja refletido através de você.

Cumprir o propósito pro que foi criado, ser carta viva, negar a si mesmo, ser padrão, são coisas que uma consciência cauterizada nem pensa em ser, porque são justos aos próprios olhos.

Congregar, não é participar de um evento religioso. É mais uma questão de alma do que de corpo. É o dom de chorar com quem chora e se alegrar com quem se alegra, é verdadeiramente estar juntos.

Não se iluda, você pode estar arrolado num rol de membros institucionais por 40 anos e ainda assim não saber nada sobre o irmão que está ao seu lado, ou seja, nunca congregou com ele.

O erro principal é mistificar uma construção de tijolos, onde as pessoas acham que tudo acontece. Se cada um tivesse consciência de ser a Igreja, se reuniriam, se amariam, se ajuntariam no chão da vida e assim seriam culto constante à Deus. Mas enfim... é muito erro pra pouca vontade de mudar.

Entenda, não é errado estabelecer um endereço propício para por em prática os estudos bíblicos, com cânticos e comunhão. Errado é cultuar o lugar, os ritos e o deus encaixotado, enquanto da porta pra fora, não se envolve com ninguém. 

Se Jesus disse que estava nos necessitados, encarcerados, doentes, está também nos nossos familiares, amigos e vizinhos. É no dia a dia, o tempo todo e em qualquer lugar que se cultua a Deus na prática de amar, ao passo que a postura religiosa só massageia o ego e exclui quem não toma a mesma forma do grupo religioso.

Culto racional, é decidir conscientemente fazer conforme se aprendeu com Cristo, que diga-se de passagem, ia congregando com multidões pela estrada, montes, vilarejos e praias. E só ia ao templo para confrontar a tradição dos religiosos.

Nosso culto é o amor e o ambiente é qualquer um onde estejam reunidos os filhos de Deus. Seja simples e tudo será simples.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sobre o laço que torna a te prender

Uma vez libertos para que fôssemos verdadeiramente livres, nos resta viver a liberdade de uma consciência que busca mortificar o "si mesmo" e caminha em direção ao outro, como uma imensa família onde um só é Senhor. Está consumada de uma vez por todas pelos méritos de UM e não há mais culto que nos justifique diante de Deus, pois o único culto aceito por Ele, foi o Sangue puro do Cordeiro Santo. E somente estando Nele, temos mediação.

Então vem os líderes religiosos, criam uma nova tradição, novos estatutos, novas regras e cabrestos, sempre com a maquiagem do misticismo e perpetua no meio do grupo, o que a Bíblia jamais instituiu. Todos os princípios e valores que o Mestre ensinou à quem o seguiu, se tornou de novo uma religião ditadora e manipuladora de mentes que terceirizam as rédeas das próprias vidas. 

É um conjunto de várias práticas, mas vou dar apenas três exemplos: Ceia, dízimo e evangelismo. Comparando o que é e o que virou na vida de muitos encautos, que pensam estar fazendo a vontade de Deus.

Sobre a Ceia: Quando Jesus disse "este é meu Corpo e Sangue, façam isto, comam e bebam em memória de mim" Não estava propondo um micro lanche coletivo com uma migalha de pão e um cálice de suco, em memória do escárnio que sofreu na Cruz. Estava dizendo à Igreja, que assim como deu o Corpo para padecer em favor de muitos pecadores, devemos também oferecer nossa vida em favor dos que caminham conosco e se preciso for, dar até nossa última gota de sangue por causa de Cristo, em memória do que Ele mesmo fez por nós. Estava preparando a Igreja para as perseguições, afrontas e perigos que sofreriam nos próximos dias e até que Ele venha. Estava ensinando o discípulo à priorizar seu irmão, ao compromisso de estar com ele, protegendo, suprindo, se unindo por uma causa, a de sermos um. Então a igreja evangélica se fixa no ritual, mistifica o momento da Ceia, enquanto fortalece a postura do hipócrita, que momentos antes confessa seus pecados acumulados e sai dalí como se nada tivesse feito, porque não discerne o Corpo que é a própria Igreja e comeu e bebeu maldição, porque nada entendeu sobre o vínculo da perfeição que é o Amor.

Sobre o dízimo: Quando Deus instituiu o dízimo como providência de igualdade social entre os que tinham terra e os que viviam para o serviço, os carentes e os estrangeiros, estava apenas garantindo que todos teriam mantimento. Aí Cristo usando de grande sabedoria, mostra aos seguidores da Lei, que apesar do ritual de colher e separar os grãos, eles continuavam malditos, por negligenciar no amor, justiça e misericórdia, porque faziam por hipocrisia e não para saciar o próximo nas suas necessidades. A igreja vem e entende que precisa transformar o dízimo em dinheiro para manter os templos que ninguém mandou construir. E continua negligenciando no princípio da ordenança. Ainda transforma isto em obrigação e coloca o peso das ameaças nos ombros de quem não contribui com o imposto, quando num estudo menos superficial sobre o tema, libertaria na verdade muitos cristãos ludibriados.

Aí vem o religioso que nada entendeu e tenta arrebanhar para o mesmo ambiente de ilusão, outros que ainda não fazem parte e chamam isso de evangelismo. Evangelizar não é fazer proselitismo, nem socar pessoas em fôrmas, nem estimular a frequência nas programações vazias do templo. Evangelizar é tão somente anunciar ao mundo que o preço foi pago, para que se alegrem em Cristo e tenham uma vida de leveza e fundamentada no amor ensinado por Ele.

A Igreja de Cristo prevalecerá até a consumação dos séculos, quando vencedora se unirá finalmente ao Noivo nas bodas do Cordeiro. Sua essência é o amor que recebeu primeiro e correspondeu quando viu o próximo como extensão de si mesmo e o serviu como gostaria de ser servida. 

Toda essa segregação que classifica pessoas, que se baseia nos próprios méritos e esforços pra se manter nos trilhos de ideias de homens, tudo isso é apenas distração para o corpo e a alma, não tem nada de espiritual. São meninos se alimentando eternamente de leite, atrofiando o crescimento que os tornariam cooperadores de Cristo no chão da vida e não num cercadinho de concreto.

Deus se agiganta na vida do que se reconhece pequeno, frágil e dependente, porque este, constrangido pelo grande amor com que foi amado, por estar enxertado na Boa Oliveira que é amor, só tem como frutificar segundo Cristo, pondo em prática suas palavras que são espírito e vida para quem crê.

Que o Senhor arregale os olhos espirituais dos homens de boa fé.

sábado, 7 de abril de 2018

Deus não tem religião, Deus é amor.

Acabei de ler uma frase de Lucas Lujan e uma enxurrada de lembranças e pensamentos me vieram pra corroborar com a ideia. Lembrei-me o que faz com que eu sinta cada vez menos vontade de frequentar ambientes evangélicos e tornam minhas visitas à estes amigos cada vez mais escassa. Mesmo depois de decidir não fazer parte desse conjunto de coisas, posturas, costumes, rotinas, enfim, fiz questão de manter algumas amizades que foram importantes durante muitos anos da minha vida e simplesmente deixaram de ser quando me rotularam como desviada. Parece que a admiração que tinha por elas escorreu pelo ralo abaixo, quando vi que tudo não passa de uma mera ilusão ao próprio respeito. Inebriados com a ilusão de mérito, descartam a Graça que é justamente o favor imerecido. 

"Não é problema ter uma religião. O problema é achar que Deus também tem, e é exatamente a sua. Essa é a raiz de todos os abusos religiosos." Lucas Lujan

Sobre esta ideia quero lembrar o seguinte: Somos verdadeiramente cristãos? Olhemos então para Cristo e sejamos honestos. Foi Ele quem mandou construir um templo de concreto, deixar a porta aberta para que as pessoas decidissem entrar durante um culto, estabeleceu novas tradições e rituais, posturas, programações, estatutos e ordenou o dízimo para a Igreja? Ou Ele desconstruiu toda a religiosidade, se apresentou como o Templo e disse que Nele seriamos reconciliados com Deus de uma vez por todas, sendo Ele mesmo a oferta pelos pecados e o dízimo dado em favor de nós os necessitados, antes mortos mas trazidos como despojos para Deus? Ele ensinou uma postura e um modo de vida baseado no amor que nos aperfeiçoa e foi o parâmetro de seus seguidores.

Então, porque a hipocrisia continua tão viva no meio religioso? Sinceramente, acho saudável que um ambiente de comunhão seja organizado, desde que seja de fato um ambiente de comunhão, onde as pessoas tem prazer nos encontros e se fortalecem no abraço e na mesa posta para entrarem em sintonia umas com as outras. Onde um participa das alegrias e tristezas do outro e lhe serve de suporte, apoio e orientador da Palavra. Mas não é isso o que acontece quando um ceia de costas para o outro, num ritual cego, onde não cumprem o que Cristo propôs na última Ceia. 

Alí, Ele instituiu o compromisso que temos como irmãos, de dar nossa própria carne em favor do grupo, em memória do que Ele fez, dando o sangue se necessário fosse, como Ele mesmo derramou. Priorizando o outro e não se servindo primeiro. 

Enfim, depois de todas as distorções e conhecendo o pensamento infantilizado dos irmãos, vale cada vez menos a pena me deslocar do meu lugar, para ser olhada com desprezo por gente que nada entendeu. Quando quero simplesmente visitar a Igreja, vou onde sentir vontade, dando preferência onde ninguém vai me discriminar. E sirvo na vida, nas necessidades das pessoas que me cercam, independentemente de suas crendices que pra mim nada são. Prefiro, porque me poupo também de me decepcionar mais ainda com pessoas que estimei tanto.

É encucado com tanta veemência que essa raça é de gente privilegiada, que não fazem contato com a verdade de que só precisam de um Salvador mediando, porque a humanidade está no mesmo patamar de separação de Deus, por causa do pecado. E somente há relacionamento por meio da obediência à Cristo. Ele mesmo disse que tantos que o chamam de Senhor ficarão de fora, justamente porque não ouviram suas Palavras que são espírito e vida, mas se prenderam nas distorções.

Deus é antes de tudo, antes inclusive da sua religião. Ninguém pode encaixotá-lo e monopolizar seus feitos e favores. Ninguém pode reter seu poder e direcionar seu amor. Sua misericórdia é para quem Ele quiser e desde que mundo é mundo, muitos são os seus servos, chamados do meio da imundície dos homens. 

Deus não tem ilusões ao nosso respeito, Ele sonda nosso coração. Não é barganha, nem teatro, nem presença em programações e entretenimentos religiosos, que nos farão mais aceitáveis em sua presença, mas simplesmente guardar as Palavras do filho de seu amor.

Eu sei o mal que faz na vida de alguém ser encucado de uma mentalidade limitadora de pensamentos e castradora da liberdade. Me submeti durante muitos anos a ser fantoche da ideia de homens, mas cresci e larguei as coisas de meninos. Entendo que tem gente tão infantil que precisa desse mecanismo, desse suporte, dessa dinâmica, desse contexto religioso pra conseguir fazer contato com o sagrado, mas o acesso à presença de Deus foi conquistado de uma vez por todas por um só, para todo aquele que crê. Está consumado, ainda que alguns achem que precisam completar a obra redentora.

Enfim, pior do que não ter fé alguma, é ter fé em si mesmo e viver como se estivéssemos olhando o próximo de cima para baixo, sem entender que quando Deus nos olha, é a Cristo que Ele procura em nós. E se nossa essência não for amorosa por causa Dele, continuamos destituídos de sua Glória.





quinta-feira, 29 de março de 2018

A dor de crescer

Para que o fruto de uma árvore seja saboreado, é necessário que uma semente morra e dê origem à uma nova árvore e que com o tempo ela floresça e depois frutifique. E por último é necessário que o fruto amadureça, só então o ele estará pronto para ser saboreado. O novo fruto está alí, mas para trás ficou todo o processo e ninguém pensará naquela semente de origem, enquanto se alimenta do fruto. Quantos e quantos ciclos como este acontecerão, sempre deixando para trás a vida de uma semente?

Cada vez que se gera uma vida, ficou para trás uma menina, uma mulher, um homem. Não apenas nasce uma criança no mundo e com ela a nova mãe, mas morre toda uma estrutura já estabelecida. 

Me lembro bem que depois do parto, antes mesmo de me recuperar das dores físicas, me entregaram meu filho nos braços e foi um misto de sentimentos: eu estava encantada com a beleza e perfeição, mas sabia que alí nascia um laço pra toda a vida, uma responsabilidade que jamais me deixaria e aos vinte anos, eu estava com muito medo do que viria pela frente. Morria a minha inocência, minha condição de menina, minha liberdade pra escolher uma realidade diferente daquela. Nascia uma adulta com um pedaço a menos da alma para que a vida a completasse. Nascia aquela que pra sempre teria que priorizar o outro, porque ser mãe nem sempre é um mar de rosas. 

No meu caso, a sensação de tristeza constante, vez ou outra uma depressão mais consistente, acontecia ao deparar com a longa caminhada de declives e escaladas concernentes à realidade. Separação, desemprego, mudança de Estado, falta de estrutura... tudo para chegar no patamar que estou hoje. Ganhar experiências dói pra caramba.

Durante toda a vida passamos por várias situações de lutos enquanto crescemos e ganhamos experiências. Para ser alguma coisa, sempre deixamos de ser outras ou sempre deixamos outros cenários para trás e isso dói. 

Sem contar as mudanças interiores, onde deixamos constantemente um pedaço da crosta do "si mesmo" que nos envolve, para que o âmago valioso se apresente ao mundo. Geralmente para a parte preciosa ficar aparente, a lapidação vem através de decepções, abusos, perdas, disputas, dores que fazem parte desse crescimento.

Recentemente, ao mesmo tempo que perdi minha mãe, me tornei avó. Senti bruscamente a morte também da filha, enquanto boa parte da mulher interior também se foi. Se antes eu me via como mãe e filha, agora me vejo como mãe e avó, entrando no climatério e sem tanta energia para novas escaladas e declives. Entrei num ritmo de caminhada lenta e mais suave, sem grandes expectativas e sem tanto investimento de energia.

Olho para trás e já não lembro muito bem onde deixei aquela menina sonhadora e pueril. Não sei onde foi parar a mulher romântica e cheia de sonhos, sei que fui boa filha até o final, mas lá se foi o primeiro ano de separação da minha mãe e as lembranças começaram a ficar embaçadas. Pra ser quem sou hoje, quantos lutos foram necessários? Quem sente falta da menina, mulher e mãe que fui. Hoje sou avó, isto é o que sou. E acho que ser avó é a melhor coisa da vida, mas algo dentro de mim deixou de existir para que essa nova realidade florescesse. 

Como amiga, sempre fui muito intensa e entregue. Perdi a conta de quantas vezes me prejudiquei para poder ser útil à alguém. Mas com o tempo, percebi o quanto tonta era, ao acreditar que a recíproca era sempre verdadeira e que as pessoas me enxergavam com o mesmo olhar que eu as enxergava. Depois de muitas traições e abusos, hoje sou muito mais maliciosa na hora de me aproximar de alguém. Estou sempre me resguardando para não reviver as mesmas situações. Ganhei amor próprio, mas perdi aquela capacidade de confiar no ser humano.

Sim, nada na vida é sem dor, a felicidade e a infelicidade são momentos que andam juntos. Ora um sobressai, ora outro, mas estão sempre acoplados um ao outro, apesar da ilusão de alguns.

Assim, aos trancos e barrancos a gente morre um pouco a cada dia para esta natureza corrompida, enquanto uma nova natureza vai sendo edificada. Um dia seremos nova árvore, daremos novos frutos, recomeçaremos plenos e completos. Mas até lá, nada será sem luto.


A vida dói, sempre dói. Então, você contorna a dor na esperança de extingui-la. Mas ela ainda está lá e sempre estará, até que você a encare e passe por ela... depois junte os cacos e veja o que te espera na página seguinte. Talvez um período de trégua, talvez uma nova crise e mais dor.

É isso o que nos humaniza e aperfeiçoa. É assim que nos unimos e nos tornamos o mesmo corpo. Amadureça para esta realidade, porque a capa de ilusão cobre a fraqueza, mas a conscientização da nossa condição nos aproxima de Deus, que nos fortalece.



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Sobre o vício de sofrer

Sabemos que a felicidade é um estado utópico. Uma pessoa madura, já entendeu que tanto a felicidade quanto a infelicidade caminham juntas, porque são meros momentos. Não é possível estar pleno num mundo cheio de contingências, onde qualquer imprevisto pode aniquilar com a calmaria. Onde a paz pode ser interrompida de uma hora para outra. Além do que, ninguém consegue estar suprido em todas as áreas da vida ao mesmo tempo, ou este mundo seria perfeito e nossa esperança no porvir seria em vão. Pra que um Salvador, se não vivemos inseridos na corrupção? Pra que a restauração de todo o sistema, se houvesse a possibilidade de estarmos 100% satisfeitos nesse? Sempre haverá declives e escaladas, quedas e muito esforço na caminhada.

Mas essa consciência à parte, estamos tão habituados com as adversidades que encontramos na vida, que alguns de nós simplesmente se viciam em carregar fardos desnecessários. Ultimamente observo alguns comportamentos e só posso lamentar a dificuldade de alguns para administrar a própria liberdade, a vida abundante que já receberam e a cegueira pras coisas óbvias. Se apegam tanto à dor, que o sofrimento passa a fazer parte de suas vidas. Drummond tem uma frase famosa que diz: "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional". E de fato, não podemos prever as dificuldades que vamos enfrentar, embora na maioria das vezes são colheitas do que nós mesmos plantamos. Mas permanecer no sofrimento, pode ser uma escolha inconsciente.

Já ouviu dizerem que o filho mais protegido, se torna o filho mais fraco? Porém, soterrado debaixo da aparência de cuidado, tem uma mãe viciada em ser o suporte do filho problemático. Ela estará sempre pronta a socorrer o filho que será sempre reincidente. E só encontrará função pra própria vida, enquanto o filho estiver precisando dela, dependendo de seu socorro. Inconscientemente, ela encontrará uma forma de conservá-lo sempre na posição de dependente. E alimentará sua vaidade de "boa mãe" em cima da imaturidade e fraqueza do filho. Alguns se compadecerão dela e odiarão o filho, mas aos seus próprios olhos, ela está fazendo o bem. Se porventura o filho conseguir se virar sem ela, sofrerá da síndrome do ninho vazio. Está viciada em carregar fardos insuportáveis nos lombos, em troca de um suposto valor.

Observo também o caso da mulher que reclama da vida, da saúde, do lugar onde vive, do cansaço, da distância, da solidão, das dificuldades, do abandono, da falta de ânimo... mas não aceita opinião, nem conselhos, nem solução vinda de fora. Sob a ilusão do "eu escolho, eu me viro, eu quero assim", perpetua a própria insatisfação e seu vício em reclamar da vida. Na verdade qualquer sugestão é encarada como invasão. A impressão é que está tão habituada com o sofrimento, que não vai saber lidar com a paz, a companhia, o ambiente melhor. Prefere a ilusão de autonomia, do que se deixar ser ajudada. E o "seu" sofrimento, será sempre seu.

Tem também a moça que terminou o relacionamento, achando que o rapaz ficaria insistindo em reatar. Quando viu que o rapaz não lutou, nem insistiu, nem quis voltar, se descobriu apaixonada e passou a nutrir um sentimento que ficou mal resolvido na alma e adoeceu o corpo. Se antes o pequeno problema podia ser resolvido com bom senso, depois o sofrimento afetou uma família inteira. Se justifica dizendo que tem pavio curto o que fatalmente trará frustração em outros relacionamentos, já que é algo que ela "tem". Enfim, são exemplos corriqueiros, comportamentos que se repetem, só pra ilustrar o que estou dizendo. 

Dizem que a depressão é algo físico, porque há uma baixa na serotonina, hormônio do humor. Mas penso que é justamente o contrário. A depressão é resultado do sentimento de impotência, que se torna autocomiseração e provoca a baixa da serotonina, fazendo a pessoa se entregar ao abismo que a atrai. É uma doença psicossomática, causada por uma dor na alma que não é resolvida e evolui para uma doença no corpo e na mente.  O mal do século não é outra coisa, senão pena de si mesmo por achar que não merecemos o sofrimento. Mas que sofrimento? Aquele que também não queremos nos livrar. Ou simplesmente não reagimos e nos entregamos a ele.

A vida tem sim os seus obstáculos, mas nós temos a responsabilidade de escolher o melhor para nós e para os que nos cercam. Há tempo para chorar, sorrir, plantar, colher, se achegar, se afastar... enfim, viver é o conjunto de tudo e saber viver, é tirar proveito de tudo. Está bom? Ficamos. Não está bom? Mudamos. Precisou? Estamos disponíveis. Rejeitou ajuda? Nos retiramos. Errou conosco? Perdoamos. Não aceitam nosso amor? Há quem necessite dele. A vida pode ser muito mais leve. A dor é inevitável, mas o sofrimento será sempre opcional.


sábado, 16 de dezembro de 2017

Sobre o Natal

Há alguns anos venho tentando falar sobre o Natal com alguns religiosos e percebi que a tradição evangélica é muito mais blindada do que imaginava, ao ponto de negligenciarem o Evangelho para protegê-la. Nesses dias, consegui explicar num site de ateus, o porque de Jesus não instituir a comemoração de seu nascimento, mas ao invés disso, mandou-nos comemorar a sua morte.

O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo, como um arquétipo do sacrifício salvífico realizado por Jesus dentro da história, quando o plano de Deus foi consumado. Assim, apesar da vida e morte de Jesus ter sido manifestada no tempo oportuno na cronologia, sabemos que Deus é atemporal e conhece o que ainda nem aconteceu.

Uma coisa é compreender a necessidade da encarnação do Verbo de Deus, para que através das palavras que são espírito e vida, possamos ser aperfeiçoados no amor. Outra coisa é se fixar no Jesus homem, temporal, histórico, ao ponto de mistificar cada um dos 33 anos que viveu como homem. Corre-se o risco de não reconhecê-lo como Deus eterno.

Passaram a chamar o Natal de "aniversário de Jesus". Esse é o perigo da alienação religiosa. Jesus homem viveu 33 anos, fim. Comemorar aniversário de Jesus, é não aceitá-lo como Deus. O Eterno não aniversaria. Tem cristãos propagando que Jesus está completando 2017 anos , veja que cegueira!

A morte Dele nos deu vida, por isso Ele mandou comemorar. Mas se fixar no Jesus histórico e achar que o Natal é o aniversário dele, é incoerente para quem se diz servo de um Deus eterno. É apenas mais uma baboseira de Constantino e da igreja que se corrompeu com ele e se tornou uma nova religião.

O natal é uma festa pagã? Bom, Jesus mandou comemorar a morte, ceando, porque é por meio dela que receberemos a Vida. Comemorar o nascimento é coisa da religião e a data nem coincide com o nascimento de Jesus. 


O nascimento de Jesus aconteceu entre Maio e Agosto, começando por aí. 

O que a História diz sobre os fatos? Por volta do dia 25 de Dezembro acontecia uma festa pagã em homenagem ao deus Sol e no século IV aproveitaram a data para oficializar o Natal. Não é bíblico e é resultado da corrupção da Igreja primitiva com a política romana. Ali nasceu o Cristianismo como religião e começou a ser deturpado o Evangelho como fé. 

Sobre comemorar o Natal hoje: O que eu acho é que se tornou uma questão cultural e que os cristãos elevam o pensamento à Cristo e a maioria é gente simples que não tem condições de discernir muitas coisas. Se há sinceridade de coração, mal não fazem em comemorar o Natal, nem congregar em templos que Cristo não mandou construir. O mal está em mistificar os lugares de reunião, ou se fixar tanto no Jesus homem, ao ponto de não conseguir entender que o Filho é figura para que o homem assimile o grau de amor na Redenção.

Ele é Deus e não nasceu e nem morreu porque é de eternidade à eternidade. Sabendo diferenciar o Jesus homem, temporal, nascido de Maria, gerado pelo Espírito, mas com trajetória e sequência de fatos na história até ascender aos céus e o Cristo que é o Alfa e o Ômega, princípio porque estava na criação e fim porque Reina para sempre, não há mal em comer junto, socializar, trocar lembranças, amigo oculto, nem participar dos eventos religiosos como cantatas, apresentações, corais, etc.

Eu monto árvore de Natal, faço tudo isso com minha família, preparo ceia, rabanada e tudo o que tenho direito, porque não cultuo o deus Sol, não cultuo Maria, não tenho nada a ver nem com religião e nem com a antiguidade e a origem das coisas. Sou serva de Cristo e Ele me faz verdadeiramente livre. Fazer ou não fazer é o de menos, precisamos apenas ter consciência da verdade.

Me importa saber que o amor encarnou e andou com os homens, cumpriu as escrituras e se fez o meu Mediador, Salvador e Senhor. Se está tudo consumado, já não há o menino Jesus e se não for pela oportunidade de comunhão com familiares e amigos, o Natal será só mais uma ocasião para confusões, gastos desnecessários, caridades hipócritas e culto à uma mentira, porque até a sua data é fictícia.

Estava sobre Ele o castigo que nos traz a paz da reconciliação com Deus, morremos sua morte pra vivermos sua vida. O símbolo dos cristãos é a Cruz e não a manjedoura. Antes de ser neste mundo, Ele era e será eternamente.


domingo, 3 de dezembro de 2017

Descanse em quem cuida de você.

Deus, que é amor e sabe o material de que fomos feitos, conhece nossa estrutura e sabe quando deve nos socorrer para que não sejamos tragados pela frieza e falta de fé. Ele nos socorrerá no devido tempo, para que não o conheçamos apenas de ouvir falar, mas como a um Pai que se relaciona com os filhos em amor.
Viveremos momentos de tristeza, inquietações, dores e desestabilizações, mas não perderemos a esperança em Cristo, pois as provações nos filhos, produzem sempre a perseverança, experiência e mais esperança.
Tão certo como vive o Senhor, cada dia trará o seu mal. E tão certo quanto as aflições chegarão, também nossa esperança nos manterá firmes, confiando em Cristo.
Não, eu não sei o que é bom para mim. Talvez o que eu chame de solução para meus problemas, me faça sucumbir no meio deles até perder as forças. Assim, esvazio-me da minha vontade e descanso em Deus, que me viu antes da fundação do mundo e sabe do que de fato preciso.

Tudo coopera pro nosso bem

Um servo diante de seu Senhor, não tem o poder de persuadí-lo à fazer sua vontade. Em se tratando da Soberania de um Deus que criou cada coisa com seu propósito e decretou desde a eternidade, o tempo certo para que cada coisa fosse consumada na história, é possível alcançar o grau de infantilidade estabelecida no meio cristão, onde se crê que uma oração tem poder de mudar os desígnios de um deus inseguro, que pra mudar o próximo capítulo da história de alguém, este alguém deve dar as coordenadas numa oração determinada.

Desperta, você que é Igreja! Não podemos mudar o que Deus estabeleceu desde os tempos eternos. Ele não lançará mão do que Ele mesmo designou. Sua vontade é imutável, tanto quanto Ele mesmo é imutável.

Humanizamos Deus e o diminuímos para que caiba em nossos conceitos, tornando-o tão medíocre quanto cada um de nós, que mudamos nossos desejos, conforme a oscilação das nossas próprias emoções. Buscamos algo hoje com tanto afinco e amanhã precisamos de uma outra motivação para continuar vivos. Hoje queremos o que amanhã repelimos.

O fato do homem querer, não faz com que Deus queira e não parte do homem a diretriz de como Deus vai governar a vida. Não é o homem quem escolhe o caminho por onde Deus deve conduzí-lo. Não existe Soberano que se sujeite ao servo.

O deus deste século, está disposto a se sujeitar à inconstância do homem que criou e obedecer ao servo, para não correr o risco de ser abandonado. Ver filhos frustrados, deve colocar este deus em crise existencial, por isso atende a todos os caprichos dos evangélicos mimados.

Pela linha religiosa, não vamos a lugar algum, antes retrocederemos até virar amebas cumpridoras de dogmas, rituais e estatutos humanos. O mais sábio é voltar à Bíblia e compreender que no chão da vida, nas contingências, percalços, insegurança dos problemas, dores e decepções, se cresce e se amadurece no crescimento em amor, fé e esperança.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Fujam destes

A igreja evangélica em sua grossa maioria (ainda existem algumas exceções), tem utilizado o nome de Jesus para atrair um povo que não busca exatamente o Evangelho, mas uma forma rápida e fácil de se estabelecer nesta vida, de se livrar dos problemas, de driblar a vulnerabilidade física e de subir o patamar da raça de privilegiados.
Assim, elegem para si líderes que massageiam o ego, enquanto as bênçãos de Deus viram moeda de troca, mediante a barganha, onde quem dá mais, tem muito mais chances de ser contemplado com um ato de misericórdia. Muito nojo, muita carnalidade em nome de Deus. Muito alimento podre, que ao passo que enchem o estômago, contaminam e adoecem todo o resto, afastando da verdade, àqueles que se dizem sacerdócio real.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

1º aninho




Bem mais precioso da minha vida. 
Amor que transborda e inunda meu ser. 
Já não lembro como era, nem como vivia
Simplesmente só fui plena, depois de você.

Eu te abraço ou você me envolve?
Sou eu que te beijo ou recebo calor?
Eu que me entrego ou você me devolve?
Na vida o que vale, é essa troca de amor!

De qualquer jeito eu sei que te amaria,
Mas te olhando lindo assim, eu nada mudo
Coisa tão rica, minha alegria, meu orgulho
Te amo tanto, te amo muito, te amo tudo!

Eu te sonhei e hoje sou realizada 
Sou grata à Deus por ter-me sido propício 
Pois você é o melhor do meu mundo 
Minha alegria tem nome e é Maurício.

Está feito!

Ou você é uma carta viva, ou não serve para testemunhar. Testemunho não é contar o antes e depois, porque se a Bíblia diz que você estava morto e agora vive, surpresa é você ter o contrário pra contar. Testemunhamos a quem pertencemos, sendo parecidos com Ele.
Ou você enxerga o mundo como um campo missionário, ou não serve pra evangelizar. Evangelizar não é fazer proselitismo religioso, nem campanha pra ocupar bancos e aumentar arrecadações. Evangelizar é contar para as pessoas o que JÁ foi feito por elas.
Ou você vê Cristo em seus pequeninos, ou não serve para contribuir com a Obra.Oferta verdadeira, foi feita por Deus em nosso favor, Dízimo verdadeiro, foi entregue por Cristo em nosso lugar. Cabe à nós amar e servir-nos uns aos outros.
Ou você entende quem é em Cristo, ou não serve pra ser Igreja. Se o próprio Deus escolheu habitar em Templos de carne, por que você torna mística a construção que serve como congregação? Ninguém foi chamado pra viver em função de templo, a Igreja foi chamada pra atuar na vida e no mundo.
As marionetes da religiosidade serão sempre conduzidos por um sistema que manipula a Palavra em seu próprio benefício. Mas aqueles a quem o Senhor chama, são livres para fazer a vontade do Senhor, porque antes de tudo, Evangelho é a Boa Nova de Salvação, está consumado de uma vez por todas!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Dízimo de Abraão, da Lei e das Igrejas

Pra começar este assunto polêmico, já digo que não estou em nenhum rol de membros institucional por opção e por amor à minha liberdade de pensar e discernir a revelação bíblica, sem correr o risco de afrontar ninguém em seu ambiente de culto. Assim, não pertenço à organização nenhuma, me contento em ser só de Cristo mesmo.

O assunto "dízimo", que divide grande parte dos evangélicos, confusos entre o que a Bíblia revela e o que se prega nos púlpitos, vejo que a maioria ainda opta em continuar separando mensalmente 10% de seus rendimentos, como forma de se proteger do tal devorador, da maldição e do terrível pecado de roubar a Deus. Veremos sobre a Lei do dízimo daqui a pouco.

Primeiramente, quero falar um pouco à partir do livro de Hebreus, que menciona Abraão e Melquisedeque, Rei e Sacerdote que recebe depois de uma guerra, uma oferenda à Deus, contendo a dízima de todos os despojos. Segundo o escritor de Hebreus, Melquisedeque simbolizava o sacerdócio eterno, maior do que o sacerdócio temporal que Abraão trazia nos lombos, pois dele nasceria a nação de Israel. Quem recebeu, é maior do que o que fez a oferenda. Ou seja, a Ordem de Melquisedeque, eterna e atemporal, representava o sacerdócio eterno de Cristo, maior que a Ordem de Aarão, que mais tarde recebeu a Lei para o povo de Israel, uma ordem temporal e imperfeita, que apontava para o que mais tarde se revelaria por meio de Jesus encarnado.

Os despojos, eram tudo o que restavam das guerras, uma espécie de prêmio para quem vencia. Não apenas bens materiais, mas também as ruínas e os corpos e escravos daqueles povos.

Colossenses 2:15, menciona a guerra espiritual vencida por Cristo na Cruz, onde ele prega na Cruz o escrito de nossas dívidas. Humilha o príncipe deste mundo e toma dele os despojos, ou seja, os reinos que ele ofereceu a Jesus no deserto e os que antes estavam mortos em seus delitos e pecados, escravos de si mesmos, transportando-os para seu Reino de amor, religando-os de volta para Deus. Ou seja, Dízimo perfeito, foi Jesus quem realizou de uma vez por todas. O Sumo-sacerdote eterno, segundo a Ordem de Melquisedeque, conquistou para Deus um sacerdócio real, povo exclusivo seu, agora livres. Para trás ficou a Ordem de Aarão, com sua Lei que jamais justificou alguém, mas revelou as misérias humanas e apontou para a necessidade do Salvador. 

Colossenses 2:16, revela que o Velho Testamento é sombra, revelada pela Luz do mundo, Jesus. Nada mais está encoberto, está consumado. Novo sacerdócio, novas Leis. Ou seja, o episódio onde Abraão oferece à Melquisedeque o dízimo dos despojos, apontavam para Cristo vitorioso, entregando para Deus o seu povo, Reis e Sacerdotes segundo a Ordem de Melquisedeque. Compreendido o dízimo de Abraão? Alguma associação com os dízimos mensais das igrejas, onde o membros separa a décima parte de seus rendimentos? Nenhuma, até porque, se a Igreja necessitasse deste ritual, o dízimo de Cristo não teria sido perfeito.

Agora vamos ao dízimo da Lei, que nada mais é do que um princípio de igualdade social, onde quem tinha terras e produzia, separava uma porcentagem e entregava à quem não tinha de onde tirar o sustento: Sacerdotes, Levitas, órfãos, viúvas, estrangeiros... todos aquele que não tinha direito à terra, recebia e consumia os mantimentos que enchiam as dispensas do Tabernáculo, depois do Templo. Era anual, era comida, era a providência de Deus para que houvesse igualdade.

Só os Levitas tinham autorização para receber dízimos e repassar esta comida aos necessitados. Pois bem, fica muito fácil entender agora porque Jesus não mandou a Igreja continuar dizimando. Era Lei e como Lei, revelou a miséria dos sacerdotes que roubavam a Deus, negligenciando no real sentido do dízimo, que era suprir. Tomavam os dízimos e as ofertas, mas completamente divorciados de Deus e de Sua vontade, tratavam com desprezo os necessitados.

“Os seus sacerdotes transgridem a Minha lei, e profanam as Minhas cousas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença; nem discernem o impuro do puro; e de Meus sábados escondem os seus olhos, e assim sou profanado no meio deles. Os seus príncipes no meio dela são como lobos que arrebatam a presa, para derramarem o sangue, para destruírem as almas, para seguirem a avareza. E os seus profetas têm feito para eles reboco de cal não adubada, vendo vaidade, e predizendo-lhes mentira, dizendo: Assim diz o Senhor Jeová; sem que o Senhor tivesse falado. Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazem violência ao aflito e ao necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão.” Ezequiel 22:26-29.

Alguma relação com o dízimo pregado nos púlpitos? Alguma associação com o salário mensal dos fiéis? Nenhuma.

Outro dia postei a seguinte frase: "Nunca assisti nenhuma pregação honesta com relação ao dízimo. " E nenhum dos meus seguidores ousou me apoiar com sua "curtida". Pudera, com tantas ameaças de maldições, distorções e domínio de consciências por meio do medo, poucos se sentem à vontade para divergir dos líderes religiosos. Preferem acatar.

Não que eu seja contra que as pessoas que usufruem do prédio e da comodidade de suas dependências, sustentem as despesas dele. Sou contra a distorção da Palavra e da escravização dos que Jesus libertou. Se o dízimo nunca foi dinheiro, por que chamar as contribuições de dízimos? Por que mistificar as contribuições e forçar para que elas sejam mensais? Seria mais honesto e cristão, ensinar o amor às vidas que se beneficiam da instituição e a responsabilidade de cada um deles em manter as portas abertas. Contribuiriam com alegria e não pelo sentido de obrigação de cumprir um dever.

Enfim, aos que já se libertaram das distorções religiosas, cada vez que você se deparar com alguém em alguma situação de necessidade, se alegre em poder ajudar. Melhor é dar que receber, não é? Deus te deu esta condição e fazer o bem é gratificante pra qualquer pessoa, muito mais quando temos a consciência de que é Jesus na pele destes pequeninos. Isto fará muito mais sentido do que pagar contas de água, luz e telefone de uma empresa religiosa ensimesmada e mentirosa.

E cada vez que algum líder distorcer a Palavra para lançar peso sobre o dorso de seus membros, lembre que a Graça é leveza e suavidade. A religião será sempre acusadora e castradora da liberdade, mas Jesus oferece alforria.

Seja o dízimo de Abraão ou o dízimo da Lei mosaica, nada pode legitimar o dízimo das igrejas evangélicas que tem raiz no medo de faltar recursos para pagar contas e salários. Ou seja, falta de fé de que o Senhor da Obra a manterá funcionando.

No mais, voto que as contribuições (que não são pecado) sejam chamadas de contribuição mesmo, porque Oferta eficaz foi oferecida por Cristo em nosso lugar e Dízimo Perfeito, foi oferecido por Cristo após consumar a Redenção. Tudo o que veio depois, é usurpação dos méritos de Cristo e isto é um erro muito grande e de consequências eternas. É impossível ser menino e adulto ao mesmo tempo. Viver a Lei e a Graça ao mesmo tempo, Quem escolhe cumprir a Lei, confiando em seus próprios méritos, rejeitou o sacrifício de Jesus e nada entendeu sobre a Cruz.

Ora, muitas pessoas nunca tiveram oportunidade de serem ensinadas e outras, mesmo ouvindo não discernem espiritualmente as coisas espirituais. Mas a Bíblia é uma mensagem global onde tudo se encaixa perfeitamente. Leitura de versículos isolados, com interpretações obscuras são carnalidades que se cometem em nome de Deus. Enquanto isso, o rebanho de tolos vive uma vida de repetições de rituais vazios e cumprindo suas tradições religiosas, sem entender nada do que professam como fé. Permanecem na sombra, tendo já a Luz do mundo revelado todas as coisas.