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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013!




Último dia do ano e eu continuo só tendo o que agradecer ao Senhor.
Não que o ano de 2012 tenha sido sem problemas, mas aprendi que nós crescemos dentro deles, então, tudo continua cooperando para nosso bem.

Não tenho o hábito de traçar metas e fazer planos, estou cada vez menos centrada na minha própria realização, posto que o que me realiza, é perceber que minha vida tem tido êxito, no propósito a que fui chamada, como parte do todo. Sentir a sintonia com a Vontade de Deus, é muito mais gratificante, do que desejar algo para benefício próprio e conseguir. Buscar o Reino em primeiro lugar, é garantia de ter cada necessidade suprida, embora alguns sonhos pessoais fiquem pelo caminho.

É mais ou menos assim: Num organismo, enquanto os cabelos crescem e as unhas também, algumas células morrem e são renovadas, o aparelho reprodutor se encarrega de criar ou não o ambiente para uma nova vida, o aparelho digestivo, prepara o que comemos para ser aproveitado no corpo ou excretado, enfim, cada parte trabalha simultaneamente para o melhor funcionamento do corpo, gerando saúde e vida.

E assim, no Corpo cujo Cristo é o cabeça, funciona da mesma forma. Cada "membro" como metaforiza Paulo, tem sua função a desempenhar. E a felicidade e a satisfação dos homens, tem ligação direta com o sucesso deste desempenho. Saber-se Igreja, faz toda a diferença.

Tudo o que planejei para o próximo ano, são os dias de férias no final de janeiro, onde pretendo (querendo Deus) passear em Porto Seguro com minha família. No mais, sei que será mais um ano cheio de crescimento, seja no dia bom, ou no dia mal. Porque quem anda com Jesus, não se preocupa com a sorte. 

Estou feliz. Hoje encerraremos 2012 em confraternização na Igreja e iniciaremos 2013 na dependência de Deus.

Seja bênção, pois o preço já foi pago para isto. Escolha bem suas sementes, pois disto depende toda a sua colheita. Deus não faz acepção de pessoas, portanto, bem e mal são caminhos diante de ti. Depende de você mesmo o resultado das suas escolhas.

Vá com Jesus. Vá em Jesus, pois Ele mesmo é o Caminho. E tenha um ano maravilhoso!

Obrigada por me acompanhar neste blogue por mais um ano! Te espero aqui em 2013 :)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

É Natal constantemente





Ele andou entre nós.
O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo e dentro do tempo, encarnou, morreu e ressuscitou. Não permaneceu em cronos. É Deus. 

Para o cristão, o marco não é o nascimento, mas a morte de Jesus na Cruz. É este o memorial que fortalece a fé: a lembrança da obra redentora. É interessante, mas Jesus instruiu a Igreja a lembrar sempre de sua morte, não do seu nascimento.

De fato o Eterno não aniversaria, mas esta é uma das oportunidades de nos reunirmos em Nome de Jesus, ao redor de uma mesa, em verdadeira comunhão, sem excluir aos que não tem os mesmos privilégios. É oportunidade de por em prática tudo o que sabemos a respeito da paz, amor, perdão, união, altruísmo...

Saber que Deus caminhou com os homens nos enche de alegria, viver o que Ele ensinou, nos aproxima Dele em relacionamento.

Mais importante do que lembrar da cena humilde num estábulo, é saber que aquele menino era a promessa de Deus, enviado ao mundo para nos resgatar, por amor. E que após a consumação de sua obra redentora, passou a nascer no coração dos homens cansados e sobrecarregados.

Jesus nasce a todo momento no coração de quem deseja a Vida. E nos convida a dar sentido à nossa caminhada junto à Ele.

Quem imagina que ser cristão é seguir um conjunto de doutrinas religiosas, não entendeu ainda o que é caminhar com a pessoa de Jesus. Não fomos chamados para viver em função da Igreja, mas a Igreja foi instituída por Ele, em função da Vida.

A instrução, é para sair anunciando que o preço foi pago, acolhendo quem deseje se agregar em nome da fé, socorrendo quem necessite de amparo, buscando sempre  aprender com o Mestre na vida, nos encontros, nas relações.

Se Jesus já nasceu em você, esta noite tem sabor diferente. O verdadeiro sentido do Natal é a certeza de que Ele nos fez Um com Ele, para que fôssemos todos Um, a família de Deus. 

Muitas pessoas não sabem verdadeiramente o que estão comemorando. Talvez para alguns, o Natal ainda não tenha chegado. Cabe à você e à mim, dizer que Deus conosco, é muito mais do que uma festa religiosa, Natal é o início de uma caminhada na companhia de Deus.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sobre a segregação dos religiosos




Nem tudo o que parece coerente, é sabedoria vinda do Alto. Geralmente os líderes que instigam a razão, pouco tem de revelação, posto que a sabedoria revelada, pousa no espírito, ao passo que o raciocínio, inteligência, cultura, conhecimento, razão e afins, são atributos da alma e variam em cada indivíduo.

Quando um líder argumenta: "Pense e chegue à uma conclusão à respeito da fé!", é como se ecoasse um som dentro de um ambiente vazio, porque é impossível. A intuição procede do espírito e é dom. Não é algo que se alcance usando o intelecto. O próprio Jesus disse que essas coisas foram ocultadas aos sábios segundo o mundo, mas reveladas aos pequeninos.

O engano arrasta multidões fisgadas pelo ego. Assim como a Serpente despertou no homem o desejo pela autonomia com relação à Deus, é fácil constatar que os  jovens são presas bastante vulneráveis, quando a ilusão de liberdade é instigada por líderes astutos. Os religiosos são pintados como ladrões da liberdade.

Assim, cresce a frequência de ataques aos religiosos. Distorcem as palavras de Jesus, para atacar grupos institucionalizados, como se esta classe de cristãos, fossem inferiores ou merecedores do inferno. Prega-se a liberdade e o respeito a todos os grupos, menos para este.

Embora o Evangelho seja um modo de vida ensinado por Jesus, para uma melhor relação do homem com Deus e com o outro (e isto basta), é importante observar que em momento nenhum, Jesus desconstruiu a imagem do Deus Todo poderoso de Israel, muito menos interferiu na prática religiosa daquele povo.

Em Lucas 5:14 lemos: "Mas vai, disse, mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho." Em Mateus 5:18 lemos: "deixa a tua oferta ali diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão. Só então vai apresentar a tua oferta." Alí, Jesus estava falando à judeus que sacrificavam animais, embora alguns pastores prefiram converter a oferta em dinheiro.

Os líderes a que me refiro, adoram Mateus 23:23, para justificar a ojeriza por religiosos. Lá diz assim: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas!" Percebe que Jesus não desconstruiu a religião, mas reprovou a  omissão no que era mais importante? O que fazia destas pessoas hipócritas, era a negligência no amor e na justiça e não o simples fato de serem religiosos.

Desde o Antigo Testamento, Deus falou através dos profetas, que não queria sacrifícios vazios, mas desejava que os corações estivessem quebrantados e contritos no momento do ritual. Eram simbologias, que deveriam ser precedidas por sentimentos verdadeiros.

Assim, o sacrifício deveria ser precedido por arrependimento, as cinzas na cabeça e as vestes de panos de saco que os judeus vestiam durante o jejum, deveriam ser precedidos por verdadeira renúncia, os dízimos deveriam ser o socorro ao que não tinha direito à terra e a Páscoa, verdadeira confraternização.

Jesus não desconstruiu prática alguma, desde que fossem motivadas por genuína fé. O que não provém da fé sim, é pecado.

Quando vejo hoje, pessoas valorizando liturgias, cerimoniais, ritos, etc. Os vejo como meninos na fé, que necessitam desta dinâmica para vivenciar as coisas espirituais. E este pormenor, não é empecilho para que eu os ame, pois tanto o que come, quanto o que não come, o faz para o Senhor.

Não estou defendendo os  líderes que usam a boa fé das pessoas para extorquí-las. Estes precisam sim ser confrontados. Permanecer inerte com relação à eles, também é negligenciar no amor e na justiça. Mas existem grupos sérios, pessoas de bem, ministérios que cooperam com o anúncio do Reino de Deus e que merecem respeito.

De maneira nenhuma, todo este ódio,  perseguição e menosprezo, tem justificativa bíblica. Estas sentenças condenatórias, só mostram a ausência do amor de Cristo, nas ações de quem usa a internet para segregar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Meu justo, viverá pela fé

Algo que só traz confusão à mente do homem, é  a associação que ele faz entre bênção e merecimento. Não há homem que não peque, por isso, todos foram destituídos da presença gloriosa de Deus e nenhum merece coisa alguma da parte Dele.

Porém, houve da parte do próprio Deus, uma ação que possibilita ao homem viver melhor, mediante a fé, que é um atributo espiritual, dado ao homem quando Deus soprou-lhe as narinas. Não há homem que não possua fé, embora a maioria deles não a usem ou a distorçam.

Eu mesma, um dia passei por turbulência que quase me fez sucumbir, pois não conhecia e nem usava a fé. Mas no momento em que alguém me ensinou sobre ela, as coisas ao redor mudaram.

Não, não creio que Deus entrou na minha história naquele momento e resolveu me estender a mão. Creio que Ele fez isto por toda a humanidade, antes que houvesse mundo. Deus não age dentro do tempo, entrando e saindo a todo momento. Nossa percepção é que assimila assim.

Jesus Cristo homem, consumou o plano de Deus dentro da história. Disponibilizou à quem cresse, a autoridade para mudar as coisas ao redor, desde que nossa vontade esteja em sintonia com a Vontade de Deus, estabelecida desde a eternidade.

Assim, quando fui curada de uma infecção que me afligia por quase um ano, minando minha paz, autoestima, alegria, confiança... não foi porque Deus me preferiu, privilegiou, viu algum merecimento em mim, etc. Fiquei curada, quando usei a fé que muitos rejeitam ou simplesmente desconhecem. Bastou que alguém estimulasse minha fé e 4 dias foram suficientes para que a secreção parasse, as dores sumissem, a cirurgia fechasse, a qualidade de vida voltasse.

A Boa Notícia consiste numa salvação integral. Não apenas vislumbrando um tempo futuro, na consumação de todas as coisas. Mas uma Salvação na vida, em cada um dos seus aspectos, que só acontece mediante a fé. Uma vida verdadeiramente abundante.

Se o homem não usa a fé, o mundo o engole. Usando-a, as bênçãos o perseguem. 

Isto, sem que haja privilegiados, escolhidos, grupos seletos de gente perfeita. Deus não faz acepção de pessoas e basta que  o homem entenda a Cruz, para que em sua vida se concretize o que Jesus prometeu: Ao que bate, abre. O que busca, encontra. O que pede, recebe.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Meias verdades



Como sondar o Espírito? Como definir o Mistério?
Se Deus é insondável e seus caminhos inescrutáveis, o mais coerente é analisar o que sou. Só assim posso compreender a impotência da condição humana e alcançar o mínimo que minha mente pode entender sobre o Eterno.

Quer ver só uma coisa?
Se não sou capaz de alcançar a salvação por mérito próprio, tampouco sou capaz de me manter salva. Logo, o justo mesmo é que Deus me mande pros quintos (cai o arminianismo). Mas porque a Justiça de Deus é Cristo, minha imperfeição não é imputada para condenação. É da Perfeição de Cristo que preciso como mediação.

Sou livre? Veja:
Se desejo o bem, mas não consigo realizar. Se não quero fazer o mal, mas acabo fazendo, onde está a liberdade? Posso fazer escolhas, mas ainda dependo da direção de Deus para acertar. Logo, Deus jamais deixou de intervir no meio dos homens. Nisto está nossa constante dependência, apesar da livre escolha. Sem Ele, o homem está à mercê de sua própria incapacidade de fazer o bem.

Isso é escravidão? De forma alguma, já que cada homem escolhe se vai ou não se relacionar com Deus (cai o calvinismo). Dessa forma, a afirmativa de que um ateu seja recebido no colo de Deus, como alguém disse ontem, é incoerente. Seria uma violência, uma tirania, se Deus impusesse a própria presença eternamente, à quem nunca desejou estar com Ele. E a liberdade de escolha? E a Justiça? Isso é amor? (cai a teologia relacional ou seria o universalismo?).

"Se Deus é amor, não há inferno". É o mesmo princípio que os calvinistas usam quando dizem "Se Jesus é Senhor, não há liberdade, livre arbítrio". Conceitos limitados à mediocridade humana. Deus não é lógico, é Mistério!

Viu como é fácil viajar na maionese, construir e desconstruir conceitos humanos, fundamentar crenças à partir da nossa limitação? O fato é que nossa imperfeição é empecilho para uma perfeita revelação. Passamos muito mais tempo discutindo opiniões, do que vivenciando o Evangelho na vida das pessoas. Gastamos nossas vidas entre julgamentos e condenações, esquecemos que o selo dado como penhor, é o amor.

Ainda bem que Jesus simplificou as coisas para nós, pois quem amou, cumpriu a Lei de Cristo. Todo o tempo que gastamos discutindo correntes teológicas, é egocentrismo e sede de prevalecer.

Drummond escreveu um poema que ilustra bem o que penso à respeito:



VERDADE
Carlos Drummond de Andrade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crescendo em graça.

Tenho aprendido e entendido, que o indício do crescimento espiritual, não é ficar livre dos problemas, como ensinam algumas religiões. Mas saber lidar com o sofrimento e se aprimorar dentro das adversidades, é o objetivo da semente, que precisa morrer para germinar e dar muitos frutos.

Olho ao redor e vejo semblantes descaídos, ouço gemidos e urros de dor. Desolação de quem caminha no escuro e nada entende. Se vê perdido num labirinto de confusão, sem o menor sentido. Rodam, rodam e gritam suas auto comiserações. Sentem-se a vítima do Universo e não percebem que não há um sequer que seja plenamente feliz.

Olho para dentro de mim e vejo alguém que se amplifica. As dores, tantas, aos poucos são anestesiadas e viram lembranças. Fatos e atos que já não machucam, mas contam como experiência. A sensação é de que foram etapas vencidas.

Minha reação para a perplexidade é o silêncio. Observo o vazio de algumas pessoas e sinto a agonia do seu retinar frio e barulhento.

Olho minhas próprias decepções, as traições que sofri, os xingamentos injustos e gratuitos, os sonhos que ficaram pelo caminho, as tentativas de concretizá-los, seguidas de frustrações e mais decepções, enfim, ou a dor vai nos calejando até que fiquemos insensíveis, ou há dignidade nela, que nos aperfeiçoa e transforma para melhor viver.

Se fui traída por namorados, há as que descobrem traições quando seus maridos formaram outra família. Se perdi um filho no ventre e o enterrei num vaso de plantas, há as mães que convivem, perdem e enterram seus filhos, sendo obrigadas a viver com suas lembranças. Se o mercado de trabalho se trancou pra mim e eu tive que me submeter a fazer faxinas, há aqueles que vêem seus filhos sentindo fome e nada tem a lhes dar. Se volta e meia preciso lidar com o preconceito das pessoas, sei que sou inteligente para argumentar e me defender. Enfim, se eu olhar ao redor, de maneira nenhuma meu egocentrismo aflorará.

O fato é que para mim, nada foi em vão, nada foi sem sentido, tudo teve propósito, tudo cooperou para meu bem e para o que me tornei. Viver doeu e dói, também não foi fácil pra mim, mas meus olhos não estão nas circunstâncias, mas na minha esperança em Cristo. Me sinto plena Nele.

Parece um papo meio espírita, não? Mas falo sem preconceitos, concordo com eles nisto. Aqueles que se julgam donos da verdade, são adestrados dentro de uma doutrina que nada explica, nem entende. Não há donos da verdade. Há os que pertencem à Verdade e são conduzidos por Ele. Os planos de Deus jamais foram frustrados. O que é, era mesmo para ser.

Quando penso nas coisas que já enfrentei, não remôo e nem ressinto. Penso que tudo isto aqui é transitório, efêmero e secundário. Com toda a certeza, vem mais escaladas pela frente, até chegar no patamar que Deus reservou pra mim.

Enquanto a maioria quer ser abduzida do meio dos problemas, procuro crescer dentro deles. Certamente que a imperfeição da massa, se transforma conforme a sova.

Não é a quantidade de problemas e dores que fazem a diferença, mas a maneira como lidamos com essas situações. O crescimento se dá com o tempo, aos poucos amadurecemos e entendemos que somos o conjunto de tudo aquilo o que vivemos.

Quando estiver doendo, Deus te falará coisas, que você é incapaz de ouvir quando está bem.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Graça




Amamos porque fomos amados primeiro e respondemos a este amor como consequência natural, assim como um eco. Amor é a essência de Deus transcendendo aos homens e emanando de nós em todas as direções.

Perdoamos porque fomos livres da nossa dívida impagável. Alguém pagou por nós e nos deu a paz. O perdão livra, restaura e cura.

Tomamos a dor do outro sobre nós, porque primeiro o Cordeiro de Deus tomou sobre si a nossa dor.

Nada do que fazemos é por mérito próprio, ou tudo teria raiz no ego. Fazemos porque o Amor de Deus nos inspira. Um minuto com os olhos fora do alvo, é suficiente para que nossa carne nos lance no chão. Mas porque Deus é Bom, sua Misericórdia dura para sempre.

O pecado deforma todas as coisas, mas a Graça, restaura a beleza!

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Diversão de crente

Confesso que ando sem motivação para cuidar deste espaço. Ando me sentindo negligente, mas tem momentos que são para calar e assim poder ouvir o que se diz ao redor. E Deus tem me mostrado nas situações práticas do cotidiano, o que a Palavra profetizou há séculos. O amor tem se esfriado da maioria, de forma assustadora.

Aparentemente, anda tudo correndo muito bem. No último fim de semana, os jovens da Igreja, estiveram em congresso regional (digo jovens, mas aqui na congregação, não há essa divisão de departamentos tão evidente. No final, todos participam de tudo.) Como ando cada vez menos envolvida com a Igreja como instituição, só estive presente no último culto. Não me envolvi diretamente com o evento.

E a pregação, muito boa por sinal, falava sobre a oscilação dos jovens, entre a frieza e o fanatismo. Alguns desistem mediante o desânimo e acabam perdendo completamente o vínculo com o propósito bíblico de proclamar o Evangelho. Enquanto outros, transformam a caminhada cristã, em ocasião para mais um vício, o de separar-se do mundo para buscar uma santidade, que na verdade é cegueira.

Fiquei pensando nas duas situações e lembrando de algumas pessoas. O primeiro grupo, perde a motivação e não se encaixa no mundo. Alguns distorcem a liberdade ensinada por Cristo, até perderem o discernimento e se tornarem escravos de si mesmos. Acabam se afundando num terrível complexo de inferioridade.

O segundo grupo, acaba se julgando santo demais, merecedores demais, ungidos demais, donos da verdade demais e esquecem que o Evangelho se vive é na vida, nos encontros. Se é luz apenas no meio da escuridão, não há outra forma de manifestar diferença, senão no meio dos que ainda não conheceram uma vida com Cristo. Tendem a ficar soberbos e intolerantes. Religiosidade é laço.

Observo estas coisas e me sinto muito só. Não concordo nem com um grupo e nem com o outro, mas raramente se encontra equilíbrio no meio cristão. Fiquei ouvindo algumas pessoas, falando com certa euforia sobre a festa de sábado à noite, onde puderam dançar e brincar sem culpa. Falavam como se fosse proibido ser feliz fora do meio, para evitar uma certa contaminação com "o mundo".

Posso parecer implicante demais, mas acho que enquanto a Igreja se preocupa em promover entretenimento para seus membros, o necessitado continua carente, o doente continua sem socorro, o desesperado continua desamparado, os "mortos vivos" continuam existindo sem a esperança na ressurreição.

Creio que o Evangelho não separa a humanidade em guetos, mas torna todos os povos num só. Os da família de Deus. Todos UM em Cristo. Logo, a Igreja está tão longe do foco quanto os de fora. Quem dera houvesse o mesmo empenho para falar do amor de Deus...

Claro que é bom estar em comunhão com gente da mesma fé e estar neste espírito por 3 dias consecutivos, é uma festa! Mas quando o congresso acaba, o que fica no coração dos jovens? Qual o compromisso com os de fora? Passaram alí 3 dias sendo encucados de que são um povo seleto, privilegiado e separado.

Minha intenção aqui não é contabilizar boas obras, mas apenas analisar se esta é a Vontade de Deus, se foi para isto que nos chamou e se há tempo para nos distrairmos com nossos próprios interesses, enquanto o mundo perece.

Longe de mim dizer que crente não tem direito de se divertir. Mas não consigo espiritualizar a coisa, mistificar o evento. Pra mim é só mais um tipo de entretenimento, que separa ao invés de unir, que divide ao invés de agregar, como ensina o Evangelho de Cristo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Cristãos agnósticos

Há um pouco mais de cinco anos, tenho tido um contato mais estreito com pessoas que por razão que desconheço, enveredaram por um pensamento que tem se tornado muito comum. A ideia de que Deus, após esvaziar-se de Sua Glória e encarnar, tenha perdido seus atributos divinos e portanto hoje, a vida desses cristãos está isolada de qualquer tipo de intervenção divina. Deus não transcende com o homem e estamos todos soltos ao acaso.

Meu espírito rejeita essa ideia e talvez por isso eu nunca tenha me interessado em estudar com mais afinco o tema. Mas a vida se encarrega de trazer para minha convivência, pessoas que se impressionam com minha forma de viver a espiritualidade, justamente por ver em mim, algo que já não possuem.

Não é uma escolha minha. Minha experiência com o sobrenatural começou aos dois anos, quando eu não tinha condições de fazer escolhas por mim. Fui alvo de misericórdia, recebi uma cura importante, quando já estava desenganada. E também o momento da minha conversão (creio que o homem começa sua relação com Deus, quando nasce. Mas há um momento de escolha, quando enfim entende sua dependência) se deu num cenário repleto de mistérios e fatos que eu jamais poderei explicar. Logo, seria louca se depois de ter vivido tantas experiências, negasse que Deus se moveu em meu favor.

Me resta então observar essas vidas e tentar encaixar esse pensamento no cristianismo. Busco fundamento, mas só encontro um amor frio e algo como se o fio que nos conduz à Deus e nos faz percebê-lo, esteja com "mal contato" nesses amigos.

Jesus exultou dizendo que essas coisas foram ocultas aos sábios e entendidos, porque Deus escolheu se revelar aos pequeninos. Em tantas outras passagens bíblicas lemos que Ele, exalta aos humildes e aos exaltados, humilha. Que Ele resiste aos soberbos, mas tem misericórdia do coração quebrantado. Logo, não fica difícil entender que o tropeço e impedimento, é justamente o crescimento do ego.

Curiosamente, todas essas pessoas foram persuadidas por uma promessa de liberdade, que as fizeram abrir mão do convívio eclesiástico. Não entendem mais que receberam a liberdade espiritual, de não ser subjugado pela carne. Distorcem a palavra liberdade, como se ela significasse viver instintivamente como um animal irracional, mas como em toda escolha, colhem consequências. Na ânsia de ser, entram num labirinto de confusão. Na sede de ganhar a vida, a perdem.

Jesus pagou o preço da reconciliação, justamente para que fôssemos adotados e tivéssemos restaurados um relacionamento com Deus. A fé na justiça de Cristo, nos dá a mediação que nos faltava para estar religados à Deus. E para que Deus adotaria filhos, se não fosse para estar com eles? Nos abandonaria ao acaso? Não teria nos chamado com um propósito?

O mesmo Deus que procurou Adão e esperou na varanda o retorno do pródigo. O mesmo Deus que amou a causa do mundo, enviando a Redenção por meio de Jesus. O mesmo Deus que buscou se relacionar com seu povo, o que acolhe ao órfão e a viúva, o que tira o homem do pó e o faz assentar com príncipes. O Deus imutável, mudaria?

A fé é o instrumento que Deus disponibiliza ao homem para vivenciar as coisas do Alto. Vivemos pela fé e sem fé, não há assimilação das experiência com Deus.

Concluindo, para mim eles perderam a melhor parte. Apesar de confessar Jesus e fazerem questão de ser chamados cristãos, fizeram como Esaú e seu prato de lentilhas. Abriram mão de um direito conquistado para eles, por preço insignificante: a ilusão de ser.

Vale lembrar que só Deus É. O homem está limitado no tempo. 
E livre é o Espírito que é Vento e sopra onde quer. Qualquer tentativa de ser igual à Deus, me remete ao Éden e às palavras da Serpente. A mesma proposta ecoa hoje, com nova roupagem, causando a mesma morte, a mesma separação.


domingo, 16 de setembro de 2012

Culpa e perdão

"Davi, que julga a um desconhecido e o condena à morte e ouve mais tarde a revelação: 'Tu és aquele homem'" ["O Aleph", de Borges].

O Evangelho de Jesus, nos ensina o amor e isso é tudo.
Não ama quem não se coloca no lugar do outro, quem não consegue se alegrar com a felicidade alheia, quem não se importa com a dor do outro, mesmo quando temos a nossa própria dor.

Não ama quem corre atrás de seus próprios interesses, passando por cima de outras pessoas, como se elas fossem degraus. Não ama quem vê Jesus como seu vingador pessoal, pronto a destruir qualquer vida que ousar à se opor a este. 

Dia desses li uma frase de uma música cristã (?) que dizia "Vai lá e pega quem falou da minha vida, avisa que eu Estou de Pé. E quem contou o fim dos meus dias, avisa que eu Estou de Pé" e fiquei pensando que a motivação das lutas, podem passar por vales de sentimentos de ódio e vingança, tipo "Conta lá, instiga a inveja deles, desperta a raiva desses filhos do cão".

Não foi isso o que Jesus ensinou. Não é o verdadeiro Evangelho, que nos ensina que somos mais que vencedores, POR MEIO de Cristo Jesus, que nos amou. Quem venceu foi Ele e por amor. Não há privilégios para a "nata da humanidade". Segundo Jesus, devemos amar os inimigos e orar por quem nos persegue, devemos ter a consciência que a luta em si, não é contra carne e sangue, mas contra forças do mal que opera em regiões invisíveis. Mas o ego... sempre o ego, prejudica o que deveria ser um relacionamento de Deus Pai, com cada filho.

Davi ao ouvir uma parábola, teve condições de sentir repugnância por sua atitude. Houve uma reprovação, porque ele não atinou pra sua culpa. Se fosse outro, estaria condenado por ele. Se cada um de nós tivesse o hábito de se colocar no lugar do outro, de fazer uma auto análise vez ou outra, a vida seria um pouco mais fácil.

Sim, Jesus levou sobre si a nossa culpa. Mas se não fazemos contato com nossos erros e sentimentos maus, eles continuam sendo nossos. Não há perdão sem arrependimento. Se não passarmos pelo Sangue, não há purificação.

A cada contato com a consciência da nossa condição humana, temos condições de rever posturas, voltar atrás em atitudes, reconhecer que a imagem do espelho, é de alguém que não caminha com Cristo. Assim há um despertar, seguido de coração incomodado, seguido de reconhecimento e arrependimento. Assim há perdão e liberdade.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Caminho largo e caminho estreito

"Entrai pela porta estreita porta grande e larga é a estrada que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Estreito é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos encontram." (Mateus 7, 13.14)


Muito se discute sobre isto e são várias as interpretações que já ouvi. A maioria acha que o caminho largo, consiste nos prazeres do mundo, em detrimento à uma postura sacrificada, vivida na Igreja. Ultimamente tenho ouvido que o caminho largo é o apresentado pela religiosidade que ilude o cristão à buscar a prosperidade financeira, deixando de lado o verdadeiro Evangelho.

Enfim, comecei a meditar sobre isso hoje e foram brotando possibilidades, que meu espírito acolheu.

Creio que fomos salvos de nós mesmos, para viver uma nova realidade. Negar-nos e seguir Jesus, é mais do que simplesmente dizer um "sim", ter o nome inscrito no rol de membros e cumprir um protocolo.

"E poucos encontram." Percebe que Jesus não está falando de um grupo, ou de um conjunto de regras, mas da decisão e sucesso pessoal de cada caminhante? "Estreito" é um adjetivo que sugere a passagem individual de cada pessoa, assim como a possibilidade de encontrar esse caminho que conduz à vida, é algo que experimentamos à partir de uma busca pessoal.

A decisão por Cristo acontece em cada vida num momento distinto. E o caminho também é estreito, porque cada caminhante requer tratamento específico, cada um no seu passo, tempo e necessidade.

Para mim, o primeiro passo é assumir minha responsabilidade individual e intransferível. Meu crescimento espiritual, depende da mortificação da minha carne. Enquanto estamos nos enxergando como parte de um pacote, perdemos a noção da nossa individualidade dentro do Corpo. Sim, somos um organismo, mas nem todos são mãos, ou boca, ou olhos, etc.

Qual a importância de nos enxergarmos como indivíduos, tratados por Deus de forma artesanal? Porque assim conseguimos saber o quanto temos avançado ou o quanto temos ficado estagnados no caminho. Salvação é graça, mas o aperfeiçoamento é uma resposta natural na vida do salvo. É este desenvolvimento que se alcança no caminho estreito. Ninguém que tenha sido alcançado pela graça, permanece o mesmo.

Pelo que percebo, o caminho estreito se refere a viver em amor, que requer a renúncia de nossa vontade e do impulso de nos atender. É um caminho deveras desconfortável, penoso, difícil e apertado. Passar pela porta estreita, ou seja, o acesso que é Cristo, também se esvaziou de si para encarnar a vontade do Pai. Seguí-lo, é tomar consciência de que amar é algo mais próximo do sofrimento, do que desse perfil do cristão inserido num grupo seleto de privilegiados.

Em contrapartida, o caminho largo é o que escolhemos à partir do ego. É prazeroso e fácil nos servir e nos obedecer, mesmo que isso seja oprimir o outro.

A maioria das pessoas escolhem este caminho, posto que a carne age como a lei da gravidade. Não requer esforço algum, viver segundo nossos instintos caídos.

Mas amar é tarefa árdua. Se dar pelo outro, é para a minoria. São poucos os que encontram este caminho.


domingo, 19 de agosto de 2012

Graça, para que ninguém se glorie

Voltei a participar de fóruns de discussão apologética, mas não com a dedicação de antes. Dose certa pra conversar e crescer mais um pouco, mas sem aquela entrega toda, que acaba resultando em disputas e decepções.

Uma coisa me chama muito a atenção. A religiosidade é uma espécie de doença que marca a alma. Por mais que a mente se abra, por mais que haja a ilusão da liberdade, por mais que o caminho mude, o ranço religioso não sai com água e sabão. E a pessoa que uma vez foi violentada pelas regras humanas impostas pela religião, sempre estará escravizada às próprias culpas e com o dedo em riste na direção do outro, buscando no que pode acusá-lo. Religião é mesmo um jogo de culpas, quem deve mais, quem é mais sujo, quem é menos ou mais merecedor da Graça.

Então, se perpetua a condição das obras como moeda de troca pela Salvação.

Ah gente... não basta o que a Palavra diz a respeito? Um grupo de destituídos da presença Gloriosa de Deus, onde não havia "um justo sequer" e aceitos de novo por meio dos méritos de UM SÓ? 

Estávamos antes na mesma condição, no mesmo patamar de "mortos em seus delitos e pecados" e ressuscitamos em Cristo, para estar com Ele na condição de aprendizes. A única ordem dada aos seguidores, era que fossem anunciando esta Boa Nova, para que creiam todos os povos. O preço foi pago, é GRAÇA, as pessoas só precisam receber a Notícia!

Não há mérito em mim que possa me manter salva, já que fui incapaz de conquistar minha própria Salvação. Jamais poderei me gloriar de nada, porque recebi um favor imerecido. Contudo, as palavras do Bom Pastor estão guardadas no meu coração e se consigo praticar alguma, é como resposta ao seu amor, como um eco Àquele que amou primeiro, por fé de que Ele é a Verdade e que tem as Palavras de Vida.

Jamais meus atos, minhas obras e minha tentativa de seguir as regras, seriam imputadas como justiça,  pois não há perfeição em mim. Nem sempre consigo fazer o que desejo fazer, ora meu espírito milita e vence, ora a carne prevalece e tudo isso acrescenta dívida e não justificação. Mas se tenho a Mediação de Cristo, é a Obra Dele que me justifica. Minha justiça já não é o que faço, mas o que recebi.

É tão mais fácil descansar em Deus!
Certamente surgirão por todos os lados acusadores que vão lembrar obras passadas, gente contaminada de inveja e comparações com sua vida e que te acharão indigno. Mas descanse, pois o amor de Cristo te cobriu de Sangue e te lavou para sempre! O que você fez, faz e fará já passou por purificação atemporal e agora, dentro do tempo, você vai caminhar como qualquer outro homem.

A caminhada cristã não se concretiza em planícies. Há que se aprender a subir barrancos, descer ribanceiras, entrar em vales e passar por pedregulhos que tentarão te derrubar. Cuide para não cair, mas se cair, lembre-se que é Dele todo o trabalho e seu trabalho é descansar Nele :)

sábado, 11 de agosto de 2012

No lugar que se chama hoje

E de novo, a mulher diante do espelho, tenta ouvir a voz que vem de dentro. Mas agora, sua história não vem mais como flashs involuntários, vem como um filme, que ela assiste como se fosse mera espectadora.

Ah, menina... quem dera eu pudesse te pegar no colo e dizer baixinho "vai passar..."

Há alguém que te escolheu para proclamar uma mensagem de esperança à crianças vazias como você, mas para que você saiba o que elas sentem, é necessário que pise no solo da experiência.

Ah, moça... quem dera eu pudesse sentar-me contigo e dizer que neste mundo só há ilusões. As pessoas correm atrás do vento e se perdem nas próprias cobiças, sem se dar conta de que são neblina que logo se dissipará. Essas mesmas ilusões que te cegam, são sementes ruins que crescem conspirando contra você e só podem produzir uma coisa: vazio.

Ah, jovem... quem dera eu pudesse te alertar, que nem todos que oferecem o braço, querem te levar à um bom caminho. Que nem toda mensagem camuflada de esperança, provém da verdade e que a esperança que procuras, não está dentro dessas paredes, mas nos encontros, nas trocas, nas relações e na experiência com o amor.

Ah mulher... que as lembranças te sirvam como crescimento, para saber que há UM contigo, que jamais te deixou nem abandonou. Cada dor manifestou Sua Glória, cada lágrima Seu consolo, cada dúvida Sua amizade e cada momento de solidão a Sua companhia te ensinando.

Que as lembranças não morram nunca, para que você não esqueça em quem tem crido, mas que elas jamais voltem a doer, para que você proclame que há esperança para quem sofre!

Em resposta ao post http://janetecardoso.blogspot.com.br/2008/02/em-algum-lugar.html

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Eis que era muito bom

Ontem pela manhã, saí da igreja de alma leve porque falei um pouco sobre minha percepção da narrativa da criação, para pessoas que lêem e interpretam o Gênesis literalmente, perdendo a essência principal do texto  (e isso tira dele toda a beleza). Claro que não pude expor tudo o que escrevo aqui, pois a maioria das pessoas alí não tem estrutura para acompanhar minhas viagens. Mas aqui eu posso :D

As metáforas usadas naquela poesia para mim, fazem toda a diferença na forma como entendo a fé cristã e eliminá-las como figuras de linguagem, empobrece não só o texto, mas também compromete o entendimento de todo o contexto bíblico.

A conversa girava em torno do que os irmãos achavam sobre o fato de Adão preferir atender à Eva do que à Deus. Por que o homem não resistiu ao fruto proibido e por que a mulher ouviu a Serpente? Todos eram unânimes de que o pecado original era a desobediência e alguns se arriscavam a especular. Quando resolvi opinar, um silêncio ensurdecedor tomou conta do ambiente, mas fui em frente.

Para mim, a leitura da criação não é literal. Moisés(?) usou de figuras de linguagem, para que a interpretação fosse alcançada pelos hebreus. Todos sabem que uma sugestão é melhor assimilada que uma afirmação e a Bíblia inteira é repleta delas.

O Fruto portanto não era um fruto, mas a representação do discernimento. Algo que já estava reservado para o momento designado por Deus, pois o homem foi criado tal como somos, com sua parcela de bem e de mal, tanto que a "Árvore do conhecimento do bem e do mal" já estava representada alí.

Sem entrar numa discussão sobre o que representa o que, imagino Adão como homem e como humanidade. Assim, ao mesmo passo que leio a narrativa como a experiência dele, faço alusões com a postura comum de todos os homens.

O trabalho da "Serpente" não foi outro, senão despertar no homem, sua cobiça, sua concupiscência, seu ego. Usei a figura do diabo, para que os irmãos entendessem que o que nos seduz, é algo que já está estabelecido pelos nossos desejos mais íntimos. O mal se apresenta com a aparência de bem. A proposta que conspira contra nós, tem aparência boa e sedutora, mas sua raiz já está fincada em nossas almas.

Pois bem. Já li e ouvi inúmeras pregações à respeito da queda humana, sempre muito superficiais. Fica sempre no ar, um quê de injustiça, pois a humanidade herdou tudo o que há de mal, à partir da rebeldia de dois adolescentes que não sabiam discernir por não terem experiência alguma e uma figura astuta passou-lhes a perna (por isso as perdeu haha).

Mas se formos um pouco mais atentos para o fato de que o mal já havia (lembram da Árvore do conhecimento do bem e do mal?) e que a Serpente foi certeira ao seduzir o casal, dizendo que eles seriam iguais à Deus, constataremos que a arrogância foi tamanha, quando as criaturas desejaram usurpar um atributo que pertencia ao Criador. E uma ofensa à um ser Eterno, tem no mínimo consequências eternas.

Ele, que as colocou num lugar perfeito e os fez cooperadores consigo mesmo e ia ao seu encontro para relacionar-se com eles como um amigo íntimo.

Conhecedor de todas as coisas (lembram que a redenção estava em seus planos antes da fundação do mundo?) a pergunta "Onde estás?", serviu para que o homem se enxergasse longe da vontade de Deus. Cada vez que um homem se afasta do centro da vontade de Deus, esta pergunta lateja em sua consciência e por isso todos são inescusáveis (Rom 1:20).

A parte mais bonita que vejo nesta narrativa, é o gesto de amor que Deus tem, quando providencia-lhes vestes que cubram sua vergonha. Porque isto acontece após o homem reconhecer sua nudez e recebe perdão através do sacrifício de sangue. Apesar do casal colher as consequências de seu erro, vejo que o amor de Deus é o mesmo.

Para mim, apesar do pecado ter entrado no mundo por meio de um, cada homem responde por si. Todos nascemos com esta terrível tendência à escolher nossa própria vontade, em detrimento à vontade de Deus. E o auto domínio só é possível por meio da mortificação do ego. O negar-se tão aconselhado por Jesus.

Não sei se Adão tinha umbigo (:P) mas com certeza foi egocêntrico. E o homem que se coloca no centro e vê a vida a partir do próprio umbigo, é incapaz de viver o amor, que não visa o próprio bem, mas se manifesta sempre na direção do outro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

As rédeas que te prendem

À partir do comentário de uma irmã querida, de que hoje ela é muito mais cristã do que no tempo em que foi Batista, comecei a meditar em algumas coisas que normalmente não atinaria.

Não posso dizer nada à partir da experiência dela ou de qualquer outro, mas à partir da minha própria caminhada com Cristo, posso expor o que entendi.

Na minha vida, a primeira manifestação sobrenatural de que tenho conhecimento, foi aos dois anos, quando eu sequer tinha condições de saber o que é fé. Desenganada, recebi cura e cresci com esse sentimento de gratidão, por esse tal Jesus, que disseram ter me salvado da morte. Cresci assim, sem religião, sem doutrina, sem igreja e sem obra alguma que não fosse motivada por um amor que brotava naturalmente. Eu tinha prazer em ouvir as pessoas testemunhando sobre minha vida e realmente me sentia amada.

Quando tive minha primeira grande crise existencial, já estava com 20 anos. Nesta ocasião, tive uma briga com Deus. Era tão grande a turbulência, que eu o questionei o porque de ter me livrado na infância, pra permitir que naquela época eu passasse por tudo aquilo. Eu não queria mais viver se não houvesse uma solução. Doente, sem recursos, sozinha, com a responsabilidade de criar um filho eu pedi que Deus me matasse de uma vez ou me desse um recomeço. Alí, prostrada no chão da cozinha, sem religião, sem igreja, sem testemunhas, reconheci minha completa dependência e me rendi cansada em Seus braços. Tenho este dia como marco da minha decisão. Deus e eu nos acertamos e eu renasci.

Abandonar minha velha mente foi um parto que demorou longos 5 anos. O renascimento não é como o nascimento físico, que ocorre em algumas horas. O processo, pelo menos o meu, foi algo muito penoso e demorado. Só depois desse tempo todo, comecei a congregar numa igreja evangélica.

Fui, porque o testemunho de um amigo me convenceu. Ele foi um alcoólatra que vivia caindo na sargeta e várias vezes depois de beber todo o pagamento, voltava sem roupas e sem sapatos, humilhado, pedindo dinheiro para ir embora. Agora, restaurado, falava empolgado da igreja que lhe estendeu a mão. Eu gostava de conversar com ele, sempre íamos lanchar juntos e ele sempre insistia pra que eu o acompanhasse à igreja. Certa noite fui e acabei ficando por alguns meses, uns poucos, até começar a discernir.

Naquela época eu ainda era muito crua, não sabia nada de Bíblia, mas já sabia que aquele alí não era meu lugar. Quando os absurdos começaram a vir à tona, mesmo sem muito conhecimento, entendi que a questão não é o lugar, mas a postura. A decisão diante do Evangelho é que faz toda a diferença. Fez na vida dele, fez na minha, faz na vida de qualquer um que crê na Boa Nova de Salvação.

Depois de algumas decepções, conheci a igreja que congrego hoje e sei o que estou fazendo alí.

O que tenho a dizer é o seguinte: a instituição não pode ser responsabilizada nem pelo crescimento, nem pela decadência de ninguém. Aquele que crê, começa um processo de mudança de mente, à partir do ensino que o Mestre nos deixou e isso independe do endereço que ele esteja. A fé vem pelo ouvir e nesse contexto, ouvir significa entender, assimilar. À medida que há entendimento, a fé vai criando corpo, ficando robusta e há crescimento espiritual.

Minha relação com Cristo, começou no início da minha vida e se fortaleceu quando cri em sua Obra Redentora. Onde quer que eu esteja, seja dentro ou fora de qualquer institução, nada pode tirar de mim a fé de que a cédula que havia contra mim, foi riscada. E eu posso te garantir, querido leitor, que o que sei a respeito da fé cristã, aprendi na caminhada, nos encontros, na troca de ideias, nas experiências com Deus, enfim, a instituição jamais me atrapalhou ou influenciou. A diferença continua sendo a postura.

Pelo que entendo, amado, a "igreja" que pode ser uma casa, um templo, uma garagem, um pedaço de areia na praia, deve ser o espaço onde se reúne pessoas prontas a acolher quem o Senhor acrescenta conosco. Pessoas que chegam feridas, confusas, necessitadas. O cristão que vai à igreja para receber algo, ainda é imaturo. O cristão que conhece seu lugar no Corpo, se reúne para oferecer de si em favor do outro, porque sabe que IGREJA é ele. Deus escolheu habitar em Templos de carne.

Por isso não vejo sentido nessa supervalorização do formato das reuniões deste século. Pra mim, aquele endereço é o lugar que escolhi para ter comunhão com pessoas que passaram a ser extenção da minha família. E poderia ser outro. 

Se o fato de congregar numa igreja te tira a liberdade, o erro está na sua postura. Se o fato de estar fora da instituição te faz sentir-se livre, você não entendeu que o que te fez livre, foi o preço de sangue pago em seu resgate. Você continua preso às rédeas de seus preconceitos.

Conheço muitas pessoas que se iludem com essa "liberdade" e perdem a paz, sentem-se vazias, desamparadas, atordoadas num labirinto sem solução. Isso é resquício do que a religiosidade fez com você, quando disseram que uma vez longe da instituição, você seria um desviado, um perdido, um sem rumo. O que você não percebeu, é que está preso pelo inconsciênte, porque creditou à instituição e não à Cristo a sua paz.

Se de fato você está convicto do que recebeu, não fará diferença estar ou não na lista do rol de membros de qualquer congregação. Te bastará saber que do Livro da Vida, ninguém te riscará.

Fato, é que a vida cristã não pode ficar estática. Você olha para trás e precisa ver que algo mudou, pois se não houve crescimento, possivelmente seu encontro com Jesus ainda não tenha acontecido. 

Antes de militar contra uma instituição, desenterre seu talento e faça discípulos. Mas não se iluda, onde se reúnem dois ou três ao Nome de Jesus, é Igreja. Mas também é garantia de problemas e divergências.

sábado, 28 de julho de 2012

O mundo

João 15

18 Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.
19 Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.


Baseados neste e em muitos outros versículos, a maioria dos cristãos interpretam que devem levar uma vida distinta dos "incrédulos". Que não devem frequentar os mesmos lugares, que não devem fazer as mesmas coisas, que sequer devem escutar as mesmas músicas, usar as mesmas roupas, etc. Consequentemente, criaram um mercado próprio, com coisas adequadas à eles, para que não precisassem mais se envolver com as coisas "do mundo". Um mercado oportunista, fantasiado de edificação, que com raras exceções acrescentam para o crescimento do cristão, mas quase sempre fecham sua mente dentro da religiosidade.

Não é novidade pra ninguém, eu acho, que não sou consumidora de produtos gospeis. Não escolho escutar músicas evangélicas, a não ser que esteja num ambiente como uma igreja por exemplo. Nem objetos, nem livros, nem nada que se venda em nome de Deus. Primeiro porque entendo que devemos dar de graça aquilo o que recebemos de graça, por isso não vou compactuar com o enriquecimento de ninguém que use o nome de Jesus. 

Segundo, porque o que entendo daquele episódio, onde Jesus se irou contra os vendilhões do Templo, expulsando todos dali, tanto os que vendiam, quanto os que compravam por estarem profanando o Sagrado, é que a atitude dele seria a mesma hoje, quando visse cristãos idolatrando cristãos, com direito inclusive à autógrafos e fotos. Ou usando o nome de Deus para vender roupas, objetos e toda sorte de coisas destinadas a quem acha que está no mundo, mas não deve consumir as coisas do mundo.

O que deve nos reger, é o bom senso de ecolher coisas condizentes com a vida que levamos e isso é algo que ninguém precisa nos dizer, basta discernimento. Além do que, não existe música sagrada e música do mundo. Existe música boa e música ruim em todos os segmentos.

Mas o motivo do post é sugerir uma outra interpretação para "o mundo".
Primeiro, vamos relembrar que Jesus andava com pecadores, se assentava com eles, dormia em suas casas, estava inserido no todo e jamais discriminou ninguém que o quisesse tocar, falar, aprender, pedir, enfim. Jesus não estava muito aí pra moral religiosa daquela época.

Sabemos que quando o Evangelho nos alcança, há uma mudança de mente. Paulo usa a metáfora do Corpo, para que entendêssemos que agora somos um, que cada um tem sua função no organismo chamado Igreja, que apesar de diferentes, nos completamos. Há um que é o Cabeça, Cristo. Cabeça, porque a mente é dele e nós o seguimos. É Jesus quem nos ensina a caminhar segundo a vontade de Deus. Portanto, a figura da Igreja, nada mais é, do que o espírito moldado segundo o Espírito.

Por esse prisma, "o mundo", nada mais é do que o espírito que não foi alcançado por uma mudança de mente, portanto continua escravizado ao seu egoísmo, à sua cegueira, à sua morte.

Logo, há gente dentro das igrejas, que congregam há anos e que estão no mundo, porque não são orientadas pela mente de Cristo. Em contrapartida, há gente que não congrega em prédios, templos, mas vivem o amor à Deus e aos seus semelhantes, logo cumpriram a lei de Cristo, fazem parte do Corpo.

Não é possível um outro tipo de vida, que não seja experimentado pelos nossos sentidos e se estamos aqui neste mundo, só é possível viver no mundo. O que não implica necessariamente, nos conformar com o sistema que rege o mundo, o pensamento comum, o espírito do mundo, seus conceitos.

Você eu não sei, mas falando por mim, não me arrependo de conhecer as coisas que conheci, os lugares que frequentei, as pessoas de religiões diversas que me relacionei. A culpa não conhece meu endereço.

Ser cristão é uma postura na vida, tomada por quem tem convicção e sabe em quem tem crido. E se há um lugar onde nossa luz pode brilhar, é bem no meio das trevas. Nossa postura tem que ser semelhante a de Jesus, o Lírio dos Vales, que permaneceu incontaminado, estando no meio da lama.

Estamos no mundo, mas somos guiados pela mente de Jesus. E assim como ele, podemos usufruir de tudo o que nos cerca, na liberdade que ele mesmo nos deu.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sobre fanatismos

Muito se fala sobre o fanatismo religioso, sobre as distorções religiosas, mas hoje quero chamar a atenção para um outro tipo de fanatismo que está cada vez mais evidente.

Como sei se corro o risco de ser um fanático? Quando os laços de amor são subjugados pelas ideologias que defendo. Quando o que o outro sente, me importa menos do que a defesa da minha verdade. Isso acontece tanto com os fanáticos religiosos, que não toleram os outros grupos, quanto com os que se revoltam contra a institucionalização da Igreja e deixam de perceber, que estamos tratando de vidas, de amigos, de pessoas que o Evangelho libertou e portanto podem fazer suas escolhas, inclusive a de congregar em templos e ainda assim, serem respeitadas.

Alguns líderes que fomentam essa antipatia, não mencionam o tempo em que estiveram pendurados nas tetas institucionais, gozando de privilégios e sendo tratados como celebridades. Pra que denunciar nessa época, todos os erros onde eram coniventes? Mas bastou que em algum dia, fossem  tratados com a mesma intolerância, preconceito e covardia como qualquer outro pecador, para usarem o mesmo poder de persuasão que tinham antes, para a causa inversa. 

Estão na Graça? Talvez. Mas por que a dificuldade de perdoar seus antigos coniventes? Qual o movimento deles? Vingança. Jogar no ventilador os erros dos outros, como se isto amenizasse os seus próprios erros. Mistificam os próprios pecados, relativizam o ensino de Jesus, para que o Evangelho lhes sirva.

Ou perpetuam um discurso de auto-comiseração, lamentando serem uns excluídos, uns coitados, uns odiados pelos religiosos. Uma síndrome de Messias mal ressuscitado que nunca os deixa livres.

Não; Um homem, qualquer que seja ele, mesmo esses que se dispõem a conduzir rebanhos, sempre estarão imersos em sua humanidade e volta e meia suas feridas latejarão, suas mágos borbulharão até transbordar pela boca.

Reconheço, leio e concordo com muitas de suas ideias, mas não assimilo bem o fato de seus seguidores ganharem o mesmo esteriótipo arrogante, grosseiro e magoado, ao invés de seguirem o exemplo manso e humilde de Jesus.

Líder pra mim é Jesus, o Cristo. Verdade pra mim é o próprio, que à si mesmo denominou assim. É Ele quem vai à minha frente.

Não estou aqui pra defender religião alguma. Muito menos para atacar quem pensa diferente de mim. Estou aqui para acolher e amar a quem quer que seja, para se possível ir junto, no caminho do bem.

As minhas escolhas sou eu quem faço e talvez a sua verdade não sirva pra mim. Ainda assim, no amor, somos UM.

sábado, 14 de julho de 2012

Carnal ou espiritual?

A Bíblia diz que a carne milita contra o espírito e o espírito contra a carne e o resultado desta peleja, resulta na forma como lidamos com o sagrado. Ou nos tornamos espirituais, ou carnais, de acordo com o nosso lado que prevalesce.

Essa luta se dá, por uma guerra de vontades. A de Deus, que é boa, Perfeita e Agradável e a nossa, que conspira contra nós mesmos, apesar da ilusão de liberdade.

Antes, vou falar um pouco sobre as três partes que formam o homem: corpo, alma e espírito, pra nossa conversa fluir melhor.

O corpo pelo que entendo, é apenas um instrumento para que a vontade que prevalecer, realize suas obras na parte física. É frágil, não peca e não tem vontades. O corpo em si, é apenas matéria, é involuntário, seu funcionamento é fisiológico e o natural é que funcione plenamente. Qualquer disfunção é sinal de doença física. Portanto, ele leva a culpa pelo entendimento equivocado de alguns líderes evangélicos, que o confundem com a metáfora bíblica, que chama de "carne", todo homem centrado em si mesmo, ou seja, em sua vontade, sua alma. Ele é carne, porque é perecível. E para não perecer, precisa da intervenção de Deus. O homem carnal, na verdade, é um homem almático.

Isso, porque é na alma que o pecado é concebido e gerado. Lá habitam nossas concupiscências, estas que precisam ser mortificadas. E cabe a cada homem a decisão de mortificá-las. Como? Buscando a espiritualidade, porque das partes que formam o homem, o espírito é a única que está em seu estado definitivo. Ele está pronto.

Todas as características que nos dão o status de indivíduos, estão na alma. Ela é como um banco de dados, onde está registrado tudo o que somos, pensamos, desejamos e sentimos. Por isso, ela não é nossa "parte inimiga", ela é nosso ser. O que acontece, é que a alma é extremamente egocêntrica. Ela anseia por satisfação, tem sede de prevalecer, ainda que isso possa ferir o outro. Não está pronta. Ela agrega ou elimina coisas o tempo todo, modificando nosso caráter diante da vida.

A paixão, por exemplo, é almática. Uma pessoa movida por paixão, sofre um descontrole de seus sentimentos e atos. É uma espécie de deformidade que atinge a alma e a faz sofrer por atingir seu lado mais egocêntrico, aquele que deseja subjugar o outro e persuadí-lo a nos atender nas nossas vontades. O ego visa sempre a auto-satisfação e sofre muito se é negado. Por isso o sofrimento da alma é tão comum. A maioria das pessoas são almáticas e não espirituais. E quando uma alma está adoecida, ela manifesta doenças no corpo.

O espírito é o sopro de Deus que vivifica o homem. É como um empréstimo que volta pro Dono quando morremos. Mas enquanto estamos aqui, é o fio condutor, o canal que nos liga à Deus. É no espírito que captamos o sagrado, é no espírito que o Espírito de Deus escolheu morar e é lá que seu fruto tem crescimento. Alí percebemos a fé, o amor e temos senso de não sermos sós, fazemos parte de um todo. O espírito não é como a alma, que enxerga a vida à partir do ego. Ele se enxerga no Corpo e sabe que tem um que é o cabeça.

É por meio do espírito, que somos movidos na direção do outro. Alí, somos impulsionados a nos negar e renunciar em favor de um grupo inteiro. O amor é espiritual, por isso não busca o próprio bem, antes é doador. É entrega, é renúncia e sofre com a dor do outro porque é misericordioso, isto é, se coloca no coração do outro. Deus é amor, pois é Espírito. Amor portanto, não é sentimento, mas atributo de Deus no homem. E é privilégio de  alguns que conseguem se desprender da parte egocêntrica da alma. E nada é melhor para uma criatura, que estar sintonizada ao seu Criador e para o propósito Dele para tê-la criado.

Se por um lado o homem carnal deseja prevalecer, o homem espiritual tem intimidade com o perdão. O homem carnal é movido pelas próprias paixões, o espiritual sabe que as coordenadas são dadas por um Mestre. O motivo da paz de um homem espiritual, não está nas circunstâncias, mas em sua esperança.

Uma alma bem orientada, não precisa entrar em formas. Temos características próprias e positivas, que favorecem o funcionamento do todo. Cada indivíduo é diferente, mas pode viver em plena integração. Basta que ela aprenda a discernir entre o impulso que a escraviza ao ego e são destrutíveis em sua integridade e os que a tornam única e portanto, positivas.

Um homem com "mal contato" com seu espírito, fica prejudicado na assimilação do amor, da fé, não há intuição, não há inspiração para a vida, para a comunhão, para a troca. Não há esperança. Ele passa pela vida mergulhado em sua confusão. Um homem espiritual, sabe o material de que é feito, tem consciência de sua alma e de tudo o que o prejudica. A diferença, é  que ele pode dizer "não" à si mesmo, negar-se. O homem espiritual também sofre, mas não está centrado em suas causas egoístas. Sabe que o propósito para todas as coisas, é o bem global. Tem seu fardo, mas é leve. Tem seu jugo, mas é suave.

Mas da mesma forma que um homem almático está com um mal contato que o prejudica a entrar em sintonia com o invisível, o homem espiritual não pode perder o contato com sua individuação, ou também entrará em crise. Ele precisa perceber a vida através de seus sentidos. Mente no alto e pés no chão.
 
O funcionamento pleno de tudo o que nos forma, depende apenas de uma boa orientação. E nada melhor para nos orientar na vida, que o Autor da Vida.







terça-feira, 10 de julho de 2012

Sobre a caminhada cristã

Estava lendo um exercício do curso que estou fazendo na igreja, onde a missionária sugere o diário de um cão e o de um gato, para que cada aluno identifique sua postura diante da vida cristã. é mais ou menos assim:

Cão

8:00 Oba, ração--- gosto muito disso
9:30 Oba, um passeio de carro --- gosto muito disso
9:40 Oba, uma caminhada --- gosto muito disso
... e assim por diante.

Gato

Dia 283 no cativeiro. Meus sequestradores insistem em zombar de mim, balançando uns objetos pequenos e estranhos. Enquanto eles comem carne fresca, sou forçado a comer cereais secos. Só aguento isso por causa da esperança de escapar e da leve satisfação que tenho em destruir alguns móveis.
... e assim por diante.

E aí, como vocês já me conhecem, minha mente começou a borbulhar de ideias, coisas que provavelmente vou compartilhar amanhã, segunda semana do curso.

Nem a visão romântica do cão, que acha tudo perfeito e agradável, nem a visão murmuradora do gato, que acha que o mundo inteiro conspira contra ele.

Minha postura diante da vida é assimilar tanto o dia bom, quanto o dia mal, como necessários pro meu crescimento e proximidade com Deus.

Minhas dificuldades existem para que eu aprenda a confiar em Deus e depender Dele. Os momentos agradáveis, para que eu tenha sempre um coração grato. Vivemos o tempo da fartura e o da escassês, temos o dia de rir e o tempo de lamentar, porque precisamos desses parâmetros.

Se eu não soubesse o que é a morte, se não tivesse vivenciado o dia da perda, como assimilaria o sacrifício na Cruz? Se não soubesse o que é uma perseguição, abandono, traição, como entenderia o que Jesus sentiu no meu lugar? E se tudo nesta vida fosse maravilhoso como a visão romanceada do cão, por que eu guardaria a esperança na perfeição do porvir?

Quando leio que Jesus levou sobre si a minha dor, o que vem à minha mente, não é que estou isenta de sofrer. Mas a certeza de que seja lá que tipo de dor eu venha sentir, ele sentiu. Com a diferença de que sofro como consequência das minhas escolhas, mas ele, pura e simplesmente pela causa humana, por amor à nós.

Logo, entendo que a maturidade espiritual, não é negar que hajam  contingências, é justamente tirar de cada dia o seu valor e usá-lo como experiência. 

Como um pai que ensina o filho a andar de bicicleta e o vê caindo várias vezes, se machucando e tem compaixão dizendo: "tentamos numa outra oportunidade". Creio que assim é Deus, quando atende à um pedido de socorro. Ele livra, mas a prova virá em outro tempo, porque Ele nos quer emancipados. Geralmente o cristão quer ser abduzido do meio do problema. Eu creio que cada dificuldade tem seu propósito.

Quando pedimos a Deus sabedoria, fé, paciência, geralmente imaginamos uma chuvinha invisível de virtudes, que nos tornará de uma hora pra outra diferentes. Mas não é  assim que acontece. 

Se pedimos fé, sabedoria, disponibilidade para perdoar, somos provados com situações que vão mostrar se estamos mesmo buscando o que pedimos. Surgirão oportunidades para perdoar, para usar a fé ou para exercitar a sabedoria e geralmente chamamos essas situações de problemas. Assim se cresce na graça: vivendo.

Alguns cristãos pensam que as provações mostrarão quem somos a Deus. Mas o fato é que Ele sonda e esquadrinha corações e sabe perfeitamente o que somos. As provas portanto, servem para nos mostrar nossa condição à nós mesmos. Assim, tomamos consciência das nossas fraquezas, imaturidade e pequenez.

E à medida que caminhamos e mudamos nossa postura, entendemos enfim, que é nossa própria carne quem conspira contra nós e não inimigos externos.

Entender que a vida é inconstante, não é falta de fé, mas certeza de que seja lá em que circunstância for, seja o dia de rir ou o dia de chorar, tudo vai sempre cooperar pro nosso bem.

sábado, 30 de junho de 2012

Antes, amar.

Compreendo perfeitamente o quanto se sente ludibriada, a pessoa que foi manipulada pelo sistema religioso institucional. Depois de uma vida dedicada à religiosidade e às regras humanas, com um pouco mais de afinco nos estudos bíblicos, é possível identificar a enorme quantidade de entulhos gospeis e enxertos.

O que não concordo, é que violentem pessoas de boa fé, com discursos arrogantes e cheios de mágoa, empurrando verdades garganta adentro.  Isso é violentá-las, sem se dar conta se estão ou não preparadas para uma decepção tão grande, já que a fé é algo bem íntimo. É como socar feijoada num recém nascido. Longe de ser amor, isso é crueldade.

É preciso delicadeza para sugerir novas possibilidades. Se queremos contribuir com o crescimento do Reino, o anúncio da Boa Nova, temos que ser mansos como Jesus. 

Me importa menos desmascarar líderes e sistemas, do que amortecer a dor do meu próximo, de forma que as decepções não os transforme em gente desiludida.  E percam a fé na Graça de Deus por consequência da desumanidade desses que saem para apedrejar do lado de fora. Se vingam porque não amam. São vândalos e não revolucionários.

Quero me aproximar das pessoas, e na medida que se interessem pelo que tenho a dizer, direi. E se não se interessarem, as amarei como Jesus amou, sem acepções. Respeitando sua imaturidade, mas plantando sempre a semente do amor. Para que no tempo delas, germinem. 

E está se tornando corriqueiro isso, de tentar trazer os revoltados à consciência, de que não é fazendo o mal inconsequentemente, que vão de uma hora pra outra, mudar o erro estabelecido. Mas com posturas e ideias, é possível sim, ser luzeiros na vida de alguns.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sem acepções

Há um tempo atrás, uma amiga me pediu ajuda em oração e enquanto ela se justificava, fui incapaz de pronunciar palavra. Depois que o irmão começou a namorar, se afastou da família e ela dizia: "Tenho orado no sentido dele abrir os olhos e se decepcionar ao ponto de não restar nem amizade". E eu, atônita com tanta frieza, ainda tentei sem sucesso, dizer que Deus não a ouviria e que o certo seria ela desejar uma mudança positiva na vida da moça, de forma que a harmonia voltasse para a família.

Num outro caso, um moço tenta me convencer que sua mãe tem revelações da parte de Deus e que estas mudam a atitude dela e a de sua família. Para mim, esse tipo de coisa só contribui como alimento para a arrogância de sentir-se mais santo, mais ungido, mais espiritual que os outros. E claro, um pretexto e tanto para manipular as pessoas. Bastaria que conhecessem a Bíblia e com a ajuda do Espírito assimilassem, afinal, não precisamos de novas revelações além das que estão contidas alí. No que tange à experiência de cada um com Deus, se dá no chão da vida, dos sentidos, dos encontros. Não precisamos de revelações sobrenaturais para entender coisas óbvias. Entendam que creio que Deus tudo pode, mas sou contra essas banalizações do que para mim, é sagrado. Além de não acreditar em privilégios concedidos à quem é tão carne quanto qualquer outro. Não depois de estar TUDO consumado.

Essa semana sugeri num post no facebook uma auto-análise para avaliarmos se sustentamos nossos discursos com atitudes. E isso serviu de pretexto para duas irmãs lavarem roupa suja na minha página. O desejo que Deus castigue, condene, que essas pessoas sejam desmascaradas era gritante das duas partes.

E hoje o motorista lamentava com a cobradora: "Deus conhece o meu coração! Se eu ganhasse essa cesta, ajudaria as pessoas, mas olha a vida do "fulano", o que ele vai fazer com ela?"

E eu daqui da minha insignificância, olhava a paisagem lá fora e fazia contato com meu próprio egoísmo. Quantas vezes já amaldiçoei quem desejou meu mal, quem investiu contra mim, quem me feriu e desejei que Deus fizesse justiça por mim? Glória à Deus, que amou tanto à mim quanto à essas pessoas, justamente por conhecer meu coração, não deu trela pra ele :P

Para Ele, tanto o desejo mal que as dominou em determinado momento, quanto meu desejo de vingança, são a mesma coisa, nos põe no mesmo patamar. E Sua misericórdia, cobriu tanto à eles, quanto à mim.

Graças a Deus ainda consigo reconhecer meus tropeços e saber que o preço de quem amo foi pago, mas também o dos que não quero amar. Não há acepção, não há privilégios neste lugar, além deste de ter crido na Boa Nova. 

Na fé, encontramos força para não deixar que o Sol se ponha sobre nossa ira.

Reconhecer nossa condição, é o caminho para a tolerância, a renúncia, o perdão e finalmente o AMOR.

sábado, 9 de junho de 2012

Deus nos homens



Estava pensando. Se não houvesse uma Palavra revelada, expondo a vontade de Deus para a humanidade, ainda assim Deus falaria à Sua criação.

Tudo o que vem a existir, tem em si as digitais do seu criador, seus sentimentos e desejos, ainda que não corresponda a toda a sua expectativa, tem a essência do seu criador. Por que seria diferente com a criação divina?

Imagino que o corpo (instrumento) do homem foi formado e com ele o ser (alma). Toda a sua individuação estava alí em potencial e o sopro de vida (espírito) acrescentou no homem a presença do Criador. Não há uma criatura sequer, que não carregue em si a energia de Deus, o sopro e a essência de Deus por meio de seu fôlego.

É nisso que creio, quando lembro que Jesus disse que apesar da carne ser fraca, o espírito estava pronto. Na verdade, o que está pronto não pertence ao homem. O espírito é o fôlego de Deus, que se retira de nós e volta pra Ele quando morremos. Mas enquanto vivemos, é este o canal que nos liga. É por meio do espírito que percebemos a fé, o amor, a contemplação do belo e desenvolvemos o fruto do Espírito até que esteja pronto a ser nosso alimento espiritual.

Por esse prisma, não há sequer um homem que não perceba Deus, pois todos tem um espírito dado por Ele. Ainda que uma cultura diferente, molde o entendimento deste homem em outra direção, ele ainda será capaz de perceber o amor e conhecer a vontade de Deus, por meio do espírito.

O que a cultura molda, é a alma. O espírito está pronto. O corpo é apenas o instrumento que nos possibilita realizar ações. Ele mesmo nada deseja e não peca. A concupiscência do homem, está em sua alma.

Então, cada povo, língua e nação, apesar de não conhecer a cultura cristã, ainda tem a essência de Deus advinda do Sopro de vida.

Mesmo os ateus, aqueles que negam a existência de Deus. Quando conversamos com eles, os argumentos são sempre direcionados à injustiça dos homens, à desigualdade no mundo, as catástroferes inexplicáveis, enfim, claramente percebemos, que o que eles rejeitam não é Deus, mas as caricaturas do deus criado por cada homem. Negam com a mente, porque não assimilam o Deus que percebem, com o deus apresentado pela ortodoxia.

Deus é Mistério. Ainda que haja uma revelação, ela é apenas o que podemos suportar Dele e ainda assim, cada homem a enxergará por um ângulo, de acordo com o suporte que sua própria alma lhe dará. São seus anseios e angústias que formará um deus à sua imagem e semelhança.

Conhecemos muitos cristãos que tem em Jesus, o seu vingador pessoal, ou aquele que está o tempo inteiro preocupado em satisfazer os desejos e necessidades dos seus súditos. Tudo indica que sejam manifestações de egocentrismo e não do AMOR, que deveria moldar a vida de todo aquele que a Graça alcançou.

Uma pessoa liberta dos costumes deste mundo, há de imaginar que Deus não está mais ocupado com a conta bancária dela, do que com o miserável que come lixo. É sempre a mesma tecla: o ego destrói o que o Amor deseja construir.

Creio sinceramente que o Espírito de Deus foi derramado sobre toda carne, pois é isso o que a revelação bíblica garante. E que apesar das religiões separarem os homens em grupos que digladiam entre si, o Deus que vivifica um, faz o mesmo pelo outro e sem acepção.

E possuir uma Bíblia em casa, não garante a ninguém um espírito em sintonia com o Amor. Da mesma forma que vemos manifestações de amor por todo o mundo. E não me consta que haja outra fonte do Amor, senão Deus, o Criador de todas as coisas.

sábado, 2 de junho de 2012

E seremos UM



Assista aqui o vídeo com legenda em português.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Metanóia

A Obra Redentora foi consumada dentro do tempo, quando Cristo expirou na Cruz. Mas não, a Graça não tem 2012 anos. O Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13:8). Antes que houvesse homem e pecado, já havia o Amor, já havia a Porta da Redenção. E antes da consumação do sacrifício de Jesus, muitos foram justificados Nele, pela fé.

Além do equívoco de fatiar o tempo, separamos a fé em dispensações e isso facilita uma confusão muito comum no meio cristão. Apesar do Sacerdócio de Cristo ter entrado em vigor após a ab-rogação da Lei Mosaica, a Graça é espiritual e atemporal.

A metáfora do Oleiro, sugere que o Senhor trabalha na vida de cada homem de forma artesanal, individual. Não somos robôs agindo em série, cada um vive num ritmo e todos somos filhos amados, recebendo atenção minuciosa, de acordo com as necessidades de aperfeiçoamento de nossa alma.

Portanto, a Graça chega na vida de cada homem, à medida que este homem decide passar pela Porta. Antes disso, ele está sob a Lei.

Sim, dentro do tempo tudo está consumado. Mas dentro de cada coração, a decisão é singular. Ela acontecerá no momento da conversão da mente. Mudança que marca o nascimento de uma nova postura, uma nova realidade de vida. Não é uma condição, mas uma consequência natural na mente do que crê.

O que temos visto, é um grupo de pessoas que erram deliberadamente, afirmando que a Graça absolve a culpa e já não vivemos mais na Lei. Mas a consciência cauterizada é diferente da absolvição da culpa proposta pelo Evangelho. Não há perdão sem arrependimento.

O preço está pago, mas sem fé, é impossível reconhecer e assimilar a voz do Bom Pastor.

Desde o antigo testamento, Deus nunca desejou holocaustos e sacrifícios vazios de sentimentos. Eles deveriam ser precedidos por contritamento e quebrantamento de espírito. Assim é hoje em nossas vidas. Qual a serventia de tantos discursos que valorizam o próprio ventre, se os corações não se voltam para Deus, se as pessoas já não se reconhecem como são?

O homem que nega suas próprias responsabilidades, usando Cristo como bode expiatório, não o viu como Cordeiro de Deus. Não há fé sem metanóia. Não há conserto sem a proposta de um recomeço. Novidade de vida.

Assim, os que perseveram no mal menosprezando a Lei, continuam debaixo dela. A Lei não é má, ela apenas denuncia quem somos. A Lei serviu para mostrar ao homem, sua incapacidade de se justificar por obras. Ela revela a condição humana. A necessidade do Salvador.

Não há meio de viver na Graça, se não for pela intimidade em andar com Cristo, o Amor. O Reino de Deus é hoje e está dentro de quem aceitou e amou a Boa Nova.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Contradições

Por pura misericórdia, Deus tem me usado como canal para levar outras pessoas a refletirem sobre suas mazelas. São palavras que na maioria das vezes, latejam e fluem de mim, mas não são exatamente minhas.

Não poucas vezes, eu mesma sou confrontada com elas. Elas trazem à tona minhas próprias dores e misérias. Elas desenterram gritos e gemidos que insistem em se esconder na minha alma.

Não há ser  humano que não se contradiga em algum momento. Não há homem que não depare com a dor de existir e ser o que é.

Mas no Reino de Deus, é pra cima que se cai.  Essa ferida só vai sarar, depois que o carnegão sair. Que doa até o último gemido, mas que a ferida se feche.

Reconhecer minha incompletude e desespero, me torna cada vez mais dependente e entregue à quem pode me resgatar.

Na verdade, me permito chorar e urrar de dor, nos braços do único que se importa em secar minhas lágrimas, sem sombra alguma de acusação. Ele apenas me ama. Apenas me aperta forte em seu peito largo.