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sábado, 28 de maio de 2011

Os cegos

Ontem na reunião, eu levantei uma questão que temos conversado durante todo este mês de maio, sobre um mal que tem assolado nossa congregação. Uma frieza que impede a realização de maravilhas, como se ouvia falar há algum tempo e que eu mesma provei na minha carne.

O Leirson, aquele jovem que está se recuperando da cirurgia de apendicite, só começou à exercitar a fé, depois de ouvir o que Deus fez por mim, quando passei por uma situação semelhante. Então,  enquanto trabalhava, eu perguntava à Deus no meu íntimo, o que aconteceu para que hoje, as curas, libertações e intervenções sejam cada vez menos experimentadas pela igreja.

Um dos pastores comentou sobre o caso de um paralítico que saiu do Brasil, para receber oração de um coreano e voltou à andar. O que há então? Deus é o mesmo e Nele não há sombra de variação. Deus gosta tanto de brasileiros, quanto de coreanos. A Bíblia deles não tem sequer um ítem à mais que a nossa. Onde está a falha então?

E Deus ia me ensinando, enquanto eu trabalhava e meditava, na situação de dois cegos.

Imaginei meu tio Eudes, que vem na minha casa todos os anos e fica sempre no mesmo quarto. Se ele deseja usar o banheiro, sabe que se seguir pelo corredor, é a primeira porta à direita. Se quiser dormir, sabe que basta seguir reto e chegará na cama e encontrará o cobertor sobre o travesseiro. Sabe onde está a geladeira, a mesa, o sofá e tem liberdade e autonomia para usar a casa sem depender de outras pessoas o tempo todo. Uma vez ou outra, pede um café, porque sabe onde está a mesa, mas pode errar a xícara e sujar a toalha.

O outro cego, seria alguém de menor intimidade, que se eu recebesse na minha casa, ou teria que ir com ele para lá e para cá, ou teria que dar coordenadas tipo: à direita tem um banheiro, se você quiser dormir, é só seguir reto, lá tem cobertor, travesseiro, é só esticar a mão. Aqui na sala não tem erro, basta seguir pela parede, até chegar num sofá. Na cozinha é assim e assado... mas mesmo com as coordenadas, ele ainda as esqueceria de vez em quando, ou deixaria de fazer algo por insegurança, ou ainda dependeria de mim para levá-lo de um lado para o outro.

Então entendi perfeitamente o que Deus falava ao meu coração. A diferença está única e exclusivamente na fé, essa confiança e intimidade que meu tio Eudes tem e o cego estranho não tem. Ambos tem a mesma ausência de visão do que é mistério aos homens, ambos tem as coordenadas nas mãos, que é a Palavra, a Bíblia, mas um tem segurança e o outro não. Um usa a fé e o outro é dependente.

Usei o Leirson de novo, porque bastou ouvir que Deus me curou em quatro dias e já no dia seguinte, começou à se formar uma membrana que fechou a ferida e a carne começou à regenerar. 

A fé é o elo que nos liga à Deus e à Sua intervenção. Sem fé não o agradamos e não temos condições de percebê-lo. Sempre que Jesus curava, libertava, dizia "sua fé te salvou" porque mediante a fé, tudo acontece. O justo vive pela fé. Às vezes o braço do Senhor está estendido na nossa direção, mas como não confiamos, não esticamos também nosso braço para receber. Estamos cegos, com as coordenadas nas mãos e ainda assim desorientados.

Concluí o raciocínio e creio que todos alí na reunião entenderam a analogia. Ao invés de pedir isso ou aquilo, peçam fé. Senhor, acrescente fé, aumente a fé, injete fé, me faça crescer na fé. Porque é por meio da fé, que apesar das nossas limitações, encontramos em Deus a segurança para usufruir do que Ele já nos deixou disponível, quando na Cruz, Jesus disse "Está consumado".

"Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam" (Hebreus 11:6).


Marcos 9:24 "Imediatamente o pai do menino exclamou: creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!"



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