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sábado, 29 de agosto de 2026

Fé é maneira de existir

A fé não é um subdepartamento da vida de ninguém.

O sagrado se vivencia nos momentos simples do cotidiano: na maneira como tratamos alguém, na palavra que escolhemos dizer ou silenciar, na disposição de perdoar, na generosidade, na honestidade, na compaixão.

Por isso, quem depende de um momento, de um lugar ou de uma motivação específica para se relacionar com Deus e com o próximo talvez ainda esteja confundindo fé com religiosidade.

Quando a experiência de Deus precisa necessariamente de um templo, de um culto, de uma liturgia ou de uma atmosfera cuidadosamente produzida, corre-se o risco de continuar se curvando diante da estrutura de pedra, sem perceber que o templo que Deus deseja habitar é gente.

A vida cristã não foi apresentada por Jesus como um conjunto de atividades religiosas a serem cumpridas em determinados horários e lugares. Ela é fundamentada em princípios e valores que simplesmente precisam acontecer: nos encontros, nos relacionamentos, nas escolhas, nos conflitos, na mesa, na rua, dentro de casa.

E precisam acontecer livremente, por gente livre.

Porque aquilo que depende de vigilância externa para existir talvez ainda não tenha se tornado vida.

Jesus não veio ensinar seus discípulos a representar uma religião.
Veio ensiná-los a amar.

Amar a Deus.
Amar o próximo.
Amar até quando não há aplauso, plateia ou recompensa.

E talvez seja justamente aí que a fé deixe de ser um departamento da existência e se torne aquilo que deveria ter sido desde o princípio: a própria maneira de existir.

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