Respostas prontas engessam o crescimento. Se tudo o que você questiona recebe uma resposta quadrada, definitiva e previamente determinada por um discurso, pouco a pouco perde-se o interesse em continuar investigando.
O que impulsiona a vida não são apenas as respostas, mas, sobretudo, os questionamentos.
Ninguém possui todas as respostas, nem mesmo as religiões que se propõem a explicar todas as coisas.
A própria Bíblia abre espaço para diferentes interpretações. Se fosse um livro de entendimento único e inequívoco, não existiriam tantas correntes de pensamento, tantas diferenças de compreensão e tantas leituras distintas. Afinal, os desígnios de Deus são inescrutáveis, e os seus pensamentos, maiores do que os nossos.
Nossa mente, limitada pelo tempo e pela experiência humana, jamais abarcará plenamente os mistérios que simplesmente são, independentemente da nossa capacidade de compreendê-los. Então, por que tanta pretensão?
Quem consegue enquadrar um Ser espiritual, se nem sequer conseguimos definir plenamente o que é espírito? Ou distinguir com absoluta precisão o que pertence à alma e o que pertence ao espírito? Muitas vezes tratamos ambos como se fossem a mesma realidade.
E por que tanta certeza de que a sua religião é a única correta? Ou de que Deus está limitado a ela, contido em seus dogmas, estatutos e ambientes considerados sagrados?
É legítimo ter uma religião como referência e caminho. O problema começa quando se acredita que ela também é a religião de Deus e, em nome dessa convicção, se condena quem pensa diferente, com ameaças para esta vida e para a eternidade.
Isso se distancia do espírito do ensino de Jesus.
As metáforas e as parábolas sugerem mais do que encerram. Muitas sequer recebem uma explicação completa, porque a certeza absoluta não parece fazer parte da condição humana. A sugestão convida ao crescimento; a afirmação definitiva tende a encerrar a conversa.
Quanto mais o ser humano questiona, mais amplia sua compreensão, expande seus horizontes e continua aprendendo.
Quem acredita já possuir todas as respostas dificilmente encontra motivos para continuar crescendo.
E se alguém argumenta que ter dúvida é negar a fé, antes de tudo a fé fala de confiança e fidelidade a Deus, descanso e obediência à Cristo, esperança e perseverança até o final. E não de certezas definitivas.
A fé não é a ausência de perguntas; é a coragem de continuar caminhando quando as respostas ainda não chegaram. Afinal, confiamos mais em quem Deus é do que naquilo que somos capazes de compreender sobre Ele.
A fé repousa no caráter de Deus, não na completude do nosso entendimento.
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