O melhor de mim, ainda é mal. O que me fere no mundo, é a castração da minha alma, que deseja crescer pra todos os lados, mas esbarra no outro.
Quem me livrará do corpo dessa morte, já que jamais conseguirei fazer o que meu espírito deseja? Mas o que a alma pede, sim isso eu faço.
A vida será sempre essa guerra de egos. Só há Salvação por mérito do único que foi Perfeito. E por isso decresço, para não me matar. Alimentar a alma, é alimentar o que conspira contra mim.
Sim fazemos o caminho inverso. À mim importa diminuir para que Ele cresça.
No homem carnal não há conflito, posto que está habituado a se atender. Mas o homem espiritual discerne tanto o que procede da carne, quanto o que procede de Deus. E quão maiores são suas lutas, à medida em que avança!
Porque quanto mais luz recebe, mais percebe as próprias sombras. Quanto mais conhece o Amor, mais estranha aquilo que nele ainda não ama.
Quanto mais se aproxima de Cristo, menos consegue justificar em si mesmo aquilo que antes chamava de natureza, personalidade ou direito.
A maturidade espiritual não elimina o conflito; torna-o mais consciente.
Por isso, talvez o caminho não seja conquistar a mim mesma, mas diminuir. Não é a alma crescendo para todos os lados que me salvará, mas aprendendo a perder espaço para que o Amor cresça.
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua.”
E talvez seja essa a verdadeira guerra: não contra o outro, mas contra aquilo que em mim ainda deseja ocupar o lugar de Deus.
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