Há quem suba aos montes para orar, como se o sacrifício do corpo encurtasse o caminho até os ouvidos de Deus. Entre esses, há também os que mistificam o próprio monte, como se os fenômenos que dizem enxergar fossem sinais da resposta ao fervor com que oraram.
Jesus foi assertivo quando disse à mulher samaritana que, independentemente do lugar geográfico, o que realmente importa é encontrar, em espírito, o Espírito de Deus, com a verdade da própria alma. Porque são esses os que o Pai procura.
Também ensinou aos seus seguidores que, diferente dos religiosos hipócritas que oravam nas praças para serem vistos e reconhecidos como homens separados e espirituais, seus discípulos deveriam buscar o silêncio do quarto — o lugar onde ninguém os vê, onde é possível interiorizar-se, silenciar os ruídos, esvaziar-se de si e abrir-se para ser cheio Dele.
É saudável reunir-se para aprender e ter comunhão. Mas o trabalho está do lado de fora.
Está onde os campos brancos esperam pela colheita; onde ouvidos carentes de verdade esperam ouvir a boa notícia de que o preço foi pago; onde há gente sedenta pela Água da Vida e faminta pelo Pão do Céu.
Jesus sequer ensinou uma religião.
O tempo de seu ministério terreno foi, em grande parte, utilizado para desvincular os corações dos costumes, das tradições e das deturpações religiosas, conduzindo seus ouvintes à autoavaliação, ao arrependimento, à reconciliação e a uma vida harmoniosa com o próximo.
Porque é na vida que a fé se torna visível.
É no modo como tratamos o outro que revelamos o que realmente compreendemos de Deus.
E é assim que nos aproximamos Dele: não pela geografia de um monte, pela quantidade de sacrifícios, pela aparência de espiritualidade ou pela performance religiosa, mas pela verdade que a Graça produz em nós, mediante Cristo.
Somos feitos filhos da obediência, não para permanecer encerrados em nossos templos, mas para cooperar com o Reino — um Reino que não se encontra em determinado lugar, porque está dentro daqueles em quem a Graça abriu os olhos.
Embora cada um olhe para a própria religião como detentora de toda a verdade, Deus não pertence às nossas instituições, aos nossos mapas, aos nossos montes ou às nossas fórmulas.
Deus é.
E Ele se revela a quem quer.
Jesus mesmo disse que o Pai ocultou essas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos pequeninos.
Talvez porque os simples ainda tenham espaço para receber.
Não precisam defender uma imagem.
Não precisam provar que sabem.
Não precisam subir mais alto que os outros.
Apenas buscam relacionamento.
E, quando encontram o Deus que procuravam do lado de fora, descobrem que Ele já os chamava por dentro.
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