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domingo, 23 de agosto de 2026

Mundo castrador

Se eu tivesse nascido no Velho Testamento, talvez tivesse sido uma das apedrejadas. Se tivesse nascido no tempo da Inquisição, provavelmente teria sido queimada como bruxa.

Padrões nunca foram o meu lugar.

Tudo na minha vida foi gigante. Intenso. Foi com entrega, com presença, por inteiro. Nunca soube economizar a alma.

Mas o mundo parece não ter sido feito para a autenticidade. As pessoas nem sempre sabem lidar com quem é verdadeiro demais. Com quem chora, sente, se expõe, não se esconde atrás de conveniências, não mente para se proteger, não finge para ser aceito.

Gente assim incomoda.

Porque quem não disfarça revela.
Quem não finge denuncia a farsa.
Quem sente profundamente lembra aos outros aquilo que eles passaram a vida tentando não sentir.

Eu nunca fui boa em representar personagens. Quando amo, amo. Quando sofro, sofro. Quando acredito, mergulho. Quando preciso ir, vou. Quando preciso dizer, digo. E, muitas vezes, paguei caro por isso.

Talvez meu maior conflito com o mundo nunca tenha sido ser diferente.

Foi não ter aprendido a ser menos verdadeira para caber nele.

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