Respondi: Livre arbítrio é uma ilusão temporal. Deus é eterno, tudo está exposto diante Dele de eternidade a eternidade.
"Nete Cardoso Não faz sentido essa ilusão temporal ou melhor, não existe."
Olho Crítico você pode não acreditar ou não ver sentido, é sua percepção.
"Nete Cardoso você é livre de escolher, porém, a única alternativa é Deus."
Olho Crítico Ele me escolheu.
"Nete Cardoso oque eu sei é que deus nenhum escolheu ninguém, os escritores da Bíblia te escolheram."
Olho Crítico você é só um pretensioso que nada sabe de fato. Sua opinião não muda nada. E eu não tenho religião.
"Nete Cardoso um dia vai me entender, eu trilhei o mesmo caminho que você está trilhando, passei por aí."
Olho Crítico você não sabe nada de mim. Pelo tamanho do seu ego, dá pra ver porque perdeu a fé.
"Nete Cardoso kkkkkkkk
Eu não sei nada de ti, é incrível como você consegue deduzir algo sobre mim, sendo que ambos não nos conhecemos."
Olho Crítico e precisa? Quando você diz " eu sei que é assim" ou "um dia você vai, porque eu trilhei" como se a vida fosse um roteiro que te imitasse, você expõe que é tudo sobre você e sua cosmovisão. Eu não sigo um trilho, eu sigo o governo que se estabeleceu dentro de mim, Espírito no meu espírito. Não dependo de religião, influência ou histórico de ninguém, porque a vida é uma só e minha experiência é intransferível. Falo de fé sem impor nada a ninguém e nem me sinto dona da verdade porque ninguém é. Apenas falo sobre minha lente de ver a vida.
Quando a experiência vira medida para o outro
Há uma armadilha muito humana nas conversas sobre fé: transformar a própria experiência em régua para medir a experiência alheia.
O diálogo começou com uma questão teológica — livre-arbítrio, eternidade, soberania de Deus —, mas rapidamente deixou de ser sobre ideias e passou a ser sobre pessoas. E talvez aí esteja a parte mais interessante.
Dizer “eu trilhei o mesmo caminho que você está trilhando” parece, à primeira vista, uma tentativa de aproximação. Pode haver ali uma boa intenção: “eu já passei por isso, conheço esse lugar”. Mas existe uma fronteira delicada entre compartilhar uma experiência e pressupor que o outro chegará ao mesmo lugar.
A experiência pessoal nos dá testemunho, não autoridade sobre a experiência do outro.
Eu posso dizer: “Eu passei por isso e, no meu caminho, cheguei até aqui.”
Mas não posso concluir: “Você está passando por isso e, portanto, um dia chegará onde eu cheguei.”
A primeira frase é testemunho. A segunda é uma espécie de apropriação da história alheia.
Também é curioso como, numa discussão sobre liberdade, ambos podem acabar tentando aprisionar o outro dentro da própria cosmovisão. Um afirma que Deus escolheu. O outro afirma que foram os escritores bíblicos que escolheram por ele. Um fala a partir da fé; o outro, a partir da experiência de não depender dela. E, no meio disso, cada um corre o risco de transformar sua interpretação em verdade universal.
Talvez a maturidade espiritual — e também intelectual — comece justamente quando conseguimos dizer:
“Esta é a maneira como compreendo.” Sem precisar completar com: “Logo, é assim.”
Há uma diferença enorme entre convicção e pretensão.
Convicção não precisa desqualificar o outro. Não precisa conhecer sua história para julgá-la. Não precisa prever seu destino espiritual. Não precisa dizer que sabe onde ele vai chegar.
E há algo ainda mais paradoxal: quando alguém afirma que conhece o caminho do outro porque já percorreu um caminho semelhante, acaba fazendo exatamente aquilo que critica — reduzindo uma experiência singular a um roteiro conhecido.
Ninguém vive por procuração.
A fé de uma pessoa não pode ser transferida para outra. A dúvida também não. A conversão não. A experiência de Deus não. A ausência de Deus não. Cada consciência habita uma história que o outro pode ouvir, compreender, questionar, admirar ou rejeitar, mas nunca possuir completamente.
Talvez por isso eu prefira uma fé que diga: “Foi assim que Deus se revelou a mim.”
em vez de: “Eu sei exatamente como Deus se revelará a você.”
Porque a primeira fala de testemunho. A segunda já começa a falar em nome de Deus.
E existe uma humildade profunda em reconhecer que, embora possamos compartilhar convicções, textos, argumentos e experiências, ninguém conhece inteiramente o caminho interior do outro.
No fim, talvez a única coisa que realmente possamos oferecer seja nossa própria lente — limpa, suja, quebrada, iluminada, cheia de dúvidas ou cheia de certezas.
Mas ainda assim, nossa lente.
E talvez seja justamente aí que a conversa deixa de ser disputa e se torna encontro.
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