Por culpa, por medo ou por barganha, muita gente se ajoelha, chora, canta, clama e cumpre ritos.
Por resposta ao amor que recebemos primeiro, muita gente faz as mesmas coisas, mas não por culpa, medo ou barganha. Faz por pertencimento, por gratidão, por reconhecer-se instrumento nas mãos de Deus.
A diferença não está necessariamente no gesto, mas na consciência que o move.
Deixar de frequentar determinado endereço não significa abandonar a casa de Deus. Deus não habita em construções humanas, mas escolheu fazer morada em templos vivos. Sua casa tem muitas moradas; seu Espírito habita em nossos espíritos.
Reunimo-nos como organismo, não para sustentar instituições, mas para fortalecer os vínculos que nos unem. Para chorar com quem chora, alegrar-nos com quem se alegra e lembrar uns aos outros que ninguém precisa caminhar sozinho.
Trabalhamos não porque somos escravos, mas porque o dom é água viva que flui do nosso interior para saciar a sede do próximo. Porque a vida que recebemos também pode produzir saúde no todo, cuidado nas relações e edificação na comunidade.
São poucos os trabalhadores, e tantas são as necessidades! Os campos estão brancos, prontos para a colheita, e o desejo de ser útil, quando nasce do amor, é uma consequência natural de quem compreendeu que recebeu para também repartir.
Não fazemos nada em troca de recompensa, porque a Graça já nos alcançou. Não trabalhamos para sermos aceitos, pois fomos acolhidos. Não servimos para comprar o que não pode ser comprado, nem obedecemos para negociar aquilo que já nos foi dado.
Em Cristo, fomos reconciliados com Deus. A questão do pecado, enquanto separação, encontrou nele sua resposta definitiva. Não vivemos tentando conquistar uma reconciliação que ele já realizou, mas aprendendo a viver a partir dela.
Religiosidade vazia não religa ninguém a Deus. Ritos não substituem o relacionamento, sacrifícios não compram o amor, e desempenho religioso não acrescenta nada à obra consumada de Cristo.
Jesus é o mediador, o parâmetro, a plenitude e a revelação.
É nele que conhecemos o Pai, compreendemos quem somos e descobrimos quem podemos ser. Não por mérito próprio, mas pela vida que dele recebemos.
Afinal, não é o nosso esforço que nos torna merecedores da Graça. É a Graça que, alcançando-nos primeiro, transforma a maneira como vivemos.
E, quando o amor é a origem, servir deixa de ser uma obrigação para se tornar expressão da vida que nos habita.
Não fazemos para que Deus nos ame.
Fazemos porque fomos amados primeiro.
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