Talvez você ainda precise de tempo para crescer no conhecimento da Palavra. Talvez ainda precise que Deus aperfeiçoe um dom, amadureça seu discernimento ou aprofunde sua comunhão com Ele.
Há coisas que não acontecem de um momento para outro. Santificação envolve caminhada, amadurecimento, correções e crescimento.
Mas penso que as obras às quais Tiago se refere não têm nada a ver com um ativismo religioso em que sempre exista uma ocasião para a vanglória.
Não se trata de acumular tarefas, ocupar espaços ou realizar ações que confirmem um estereótipo de cristão.
São as obras do amor, da justiça e da misericórdia. Aquilo que começa a se tornar natural na vida de quem foi alcançado pela Graça.
Quem foi perdoado, perdoa.
Quem recebeu paz, oferece paz.
Quem foi alcançado pela justiça de Deus não negligencia a justiça.
Quem conheceu a misericórdia não consegue passar indiferente diante da miséria do outro.
Quem entendeu o Amor de Deus simplesmente ama por onde vai.
O cristão é chamado a ser canal do agir de Deus no mundo. A Igreja é o Corpo de Cristo, e esse Corpo não existe para permanecer imóvel enquanto contempla a própria transformação.
Por isso, as obras não são um adereço da fé. Elas são consequência dela.
Não fazemos o bem para parecermos cristãos. Fazemos o bem porque Cristo nos alcançou.
As obras decorrentes da fé proclamam o Evangelho sem precisar de discursos; edificam vidas, aliviam dores, restauram dignidades, praticam justiça e tornam visível aquilo que professamos com os lábios.
É claro que há dons a serem desenvolvidos, conhecimento a ser adquirido e caráter a ser aperfeiçoado. Há muito em nós que ainda precisa morrer e muito que precisa nascer.
Mas para amar, não é preciso esperar estar pronto.
A Graça não nos alcança para que permaneçamos de braços cruzados até que nosso processo termine.
Ela nos alcança e, por meio de nós, alcança outros.
A fé verdadeira não espera tornar-se perfeita para começar a amar. Ela ama enquanto é aperfeiçoada.
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