"A cicatriz não é um enfeite. É o documento de posse de um território que outros juram que não existe." — Júlio Diniz
Meu corpo conta tantas histórias. Minha alma, mais ainda.
As marcas do tempo, os vincos da pele, as cicatrizes da sobrevivência, a expressão da resiliência... Tudo isso é visível nos meus encontros com o próximo.
Mas as marcas da alma, que registram as perdas, as insistências e as desistências, as desilusões, as rejeições, as tentativas de pertencimento e as descobertas que sempre me fizeram retornar ao meu silêncio para me curar, acolher a mim mesma e esperar o momento de tentar outra vez... essas marcas quase ninguém conhece. Poucos quiseram enxergá-las.
As dores que cortam por dentro, que molham o rosto e enchem a boca de perguntas e dúvidas, quase ninguém viu. E menos gente ainda se interessou em conhecê-las.
Li a frase do meu amigo e, numa fração de segundo, enxerguei e senti a minha própria história.
Para além das marcas que o meu corpo revela, há muitas cicatrizes que nunca contei.
A vida segue, muitas vezes sem precisar de testemunhas. Não porque as feridas não doessem, mas porque aprendi a curá-las sozinha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário