Até entender que o peso que carrego no corpo também guarda emoções não trabalhadas, eu encontrava justificativas para o meu não emagrecimento.
É claro que fiz muitas tentativas frustradas. E, depois de cada frustração, ganhei mais peso e acrescentei outros pesos aos que já carregava.
Mas localizar a minha falta dentro de mim me fez finalmente decidir combater essa doença.
Entendi que não posso mais abandonar o meu corpo, porque ele é o instrumento que tenho para realizar, nesta vida, tudo aquilo que ainda me cabe viver.
O que fizeram comigo e o que continuaram fazendo ao longo da vida , não pode me dominar a ponto de eu deixar de me importar com aquilo que a comida faz com o meu corpo.
Até porque, se eu não despertasse, talvez morresse antes mesmo de chegar à terceira idade.
A crosta que me envolve foi, durante muito tempo, aquilo que me abraçou, me protegeu e me confortou. Mas hoje ela também me cansa, destrói minhas articulações e sobrecarrega meu coração.
Enganei-me por muito tempo, achando que o que importava era cuidar da minha alma, sem perceber que, quando negligencio meu corpo, minha saúde também deixa de ser integral.
Cuidar do corpo não é abandonar a alma.
É também cuidar dela.
Deixar o peso do passado para trás começa a aliviar o corpo. Consigo enxergar agora o quanto me anestesiei com a comida. Quantas vezes tentei calar com alimento aquilo que não sabia nomear, suportar ou elaborar.
Mas eu não preciso continuar fazendo isso.
Já que não posso mudar o mundo, nem as pessoas que atravessam minha trajetória, vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para mudar por mim mesma.
Não porque finalmente aprendi a me amar perfeitamente. Mas porque, talvez pela primeira vez, entendi que eu também preciso ser alguém por quem vale a pena lutar.
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