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domingo, 16 de agosto de 2026

Onde estás?

A narrativa do Éden não precisa ser reduzida à discussão sobre a literalidade de seus personagens para cumprir sua função espiritual. Ela nos coloca diante de nós mesmos. 

Onde estás?

A inspiração de Moisés não foi para que o religioso passasse a afirmar que uma víbora enganou uma mulher e que um homem resolveu desobedecer a Deus, provocando consequências desastrosas sobre o mundo.

Tanto faz, para o propósito da narrativa, se as figuras são compreendidas literalmente ou metaforicamente, quando conseguimos enxergar o que elas representam — e, principalmente, quando nos enxergamos nelas.

A narrativa fala da humanidade.

Afinal, o objeto do desejo não era simplesmente um fruto. Era o conhecimento do bem e do mal. Era a possibilidade de determinar por si mesmo aquilo que pertence a Deus.

O ego sempre esteve lá. O desejo de ser como Deus não nasceu naquele momento; apenas foi despertado.

Essa ânsia por independência, por estar no centro, por decidir sozinho o que é certo e errado, por transgredir a vontade de Deus em nome da própria vontade, não é privilégio de Adão.

É humana.

Por isso, talvez a pergunta mais importante da narrativa não seja “quem era a serpente?”, nem “que fruto era aquele?”

É a pergunta que Deus fez depois:

“Onde estás?”

Essa é uma pergunta que atravessa os séculos e alcança cada um de nós.

Onde você está?

Não geograficamente, mas diante de Deus.
Quem você se tornou?
O que fez com a liberdade que recebeu?
Quanto de Deus ainda há no centro, e quanto de você mesmo tomou o lugar?

Quando um homem finalmente admite a própria farsa, começa a ficar mais sensível à graça.

Quando deixa de justificar a si mesmo, consegue agradecer pela misericórdia.

E talvez seja justamente por isso que a misericórdia se renova a cada manhã: porque, se dependesse da nossa própria justiça, já teríamos sido consumidos.

Mas não somos.

Não porque sejamos bons o bastante.

Porque Deus é misericordioso.

E diante disso só consigo dizer:

Deus é maravilhoso!

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