Um homem sequer pode definir outro, senão pelo que cada um mostra externamente. O que está oculto no coração, só um pode sondar.
Porque não cabe em nossos conceitos, um ser que não existe, mas traz à existência. Não tem limites, mas escolhe se esvaziar de sua divindade para caber dentro da nossa história, consumando no tempo o que já estava proposto na eternidade, antes da fundação do mundo, antes da inauguração desta trajetória humana, onde se crê que um casal de adolescentes teve o poder de estragar o plano.
Onde se crê que a criatura do mal se levanta contra o Criador eterno e arrasta consigo um terço de todas as criaturas, porque era invejoso. Sendo que em Deus tudo subsiste e Nele mesmo é todas as coisas. O Alfa e o Ômega, O princípio e o fim.
Diminuem de forma a caber dentro da nossa própria mediocridade, um Deus que não cabe dentro de construção humana, muito menos dentro de seu intelecto. Um Deus expandido além do universo criado, com suas incontáveis dimensões, com seus incontáveis mistérios, com seus inescrutáveis caminhos. Eterno, Infinito, Imutável.
Não compreendemos sequer a eternidade. Tem gente que pensa que os mortos dormem para acordar na consumação dos séculos, como se a morte estivesse retida dentro da nossa linha cronológica. Como se o espírito se desprendendo dessa carcaça densa, não voltasse para Deus que é tudo em todos.
Não compreendemos se a eternidade é um tempo que não terá fim ou se não teve também início, ou se é um tempo elástico, ou se tudo é simultâneo, ou breve como piscar de olhos, ou monótono ou apenas sem preocupação. Não sabemos, isto não cabe no homem.
Tudo o que se pode conhecer de Deus está revelado em Cristo. Quem o enxerga como chave hermenêutica para compreender tudo o que está escrito, se contenta. Somos supridos naquilo que nos cabe, quando o descanso de Deus passa a ser a pessoa do Filho. É Nele que está a segurança de estar religado, é Nele que está a Graça de não dever coisa alguma. É Nele que está a liberdade de não ter mais nada a acrescentar no que está consumado.
O restante não nos pertence, muito menos cabe dentro de suas religiões. Se um homem julga necessário manter um estereótipo, uma agenda, uma hierarquia, um estatuto interno e um CNPJ pra ser respeitado, é direito seu. Tem gente que só se sente pertencendo se adotar essas dinâmicas.
O que não é seu direito, é julgar a todos os outros que apenas são em Cristo o que foram chamados pra ser, porque esses são como o vento, ninguém retem ou subjuga.
E aprouve a Deus se revelar de dentro para fora, através de seu Reino que se estabelece no espírito do homem, onde o Espírito de Deus habita e grafa sua Lei. Um governo que ninguém define, porque só o humilde o recebe e vive pela fé. Enquanto o que se exalta por tolice, está fadado a ser manipulado por outros mais inteligentes.
Estes, odeiam os próprios cabrestos, mas odeiam mais ainda quem vive a verdadeira fé. Deus não tem dono, Deus não aceita monopólio, Deus não tem religião, Deus é amor!