Sei que ainda existem comunidades genuínas como acontecia na Igreja primitiva, onde o amor mútuo era reconhecido pelos de fora. Mas infelizmente são raridades
Evangelho é antes de tudo uma notícia para a humanidade, de que foi consumado por Cristo dentro do nosso tempo e espaço, o que estava proposto como arquétipo de Cristo desde a eternidade. Jesus encarnou para isto, enviado pelo Eterno, para testemunhar algo espiritual. transformação espiritual não nasce da estrutura, mas da vida interior.
Quem alcança este mistério está salvo nos méritos de Jesus Cristo homem, que cumpriu a Lei e levou na própria carne o castigo que nos cabia. Fez-se culpado no nosso lugar e morreu para nos dar vida.
Esta boa nova é motivo de celebração e alegria, porque agora somos livres e nossa vida garantida de uma vez por todas.
De maneira nenhuma se justifica arrebanhar pessoas, listá-las num rol de membros, cobrar-lhes impostos como se fosse uma mensalidade para participar do clube. E se caso alguém se desvincula, é logo discriminado como um rebelado, um desviado, um desigrejado. Liberdade e controle são antagônicos.
Isto porque Deus não habita em construção humana e seu Reino é dentro do homem. O Espírito que habita em nós é o selo suficiente que testifica que somos Dele. É a única marca que precisamos.
Toda organização, estrutura, liturgia, conjunto de crenças (que são diferentes em cada religião), placas, estatutos, doutrinas corrompidas, etc. Na verdade são empecilhos para que cada filho identifique seu lugar no Corpo, que é ativo na vida, nos relacionamentos, nas trocas dos encontros, com dons e talentos que Deus dá a cada um para servirnos uns aos outros.
Atolados de compromissos com a religiosidade, perdem o foco de serem testemunhas o tempo todo, cartas vivas que fazem a diferença, com a Lei de Cristo inscrita no coração, cultuando a Deus racionalmente com a própria vida, que glorifica a Deus refletindo o que aprendeu com Cristo.
Assim, para a instituição religiosa, mais vale o que está devidamente registrado e pagando sua mensalidade, ainda que de crente tenha só o rótulo, do que o Cristão que dedica a vida, não para fazer proselitismo, mas para formar Cristo no caráter de seus interlocutores.
Como pregar o Evangelho dentro de um lugar desses? Um lugar que sacraliza paredes, que não sabe escolher músicas com letras bíblicas, que repete agendas, que engessa pessoas num estereótipo?
Conversa com um membro comum e perceberá o quanto é raso, o quanto só repete o costume, decora versículos que não entende, o quanto confunde o vício de pertencer a um lugar com o serviço que ele esquece da porta para fora.
Entenda: minha crítica é menos sobre a existência da comunidade e mais sobre a substituição da vida espiritual pela burocracia religiosa.
Quando resolvi me desintitucionalizar, eu já não fazia parte deste pensamento, mas achava que seria proveitoso tentar desconstruir isto na cabeça de gente religiosa do lado de dentro.
Mas constatei que o que o Espírito não ensina de dentro para refletir fora, jamais será aprendido de fora para dentro. O que se aprende depende da fertilidade da terra que é o coração, porque quem ama o Evangelho, recebe a semente e dá muito fruto.
Retorne ao essencial!