segunda-feira, 28 de setembro de 2026
O que conspira contra o homem é o ego.
domingo, 27 de setembro de 2026
Escaladas e declives
Não, a vida cristã não se concretiza em planícies. Há que se aprender a caminhar entre escaladas e declives, entre solos rochosos e espinheiros, entre a aridez e os tempos de chuva. Entre o dia de rir e o dia de chorar; entre os momentos de regozijo e o tempo de prantear as perdas.
Há caminhos que nos fazem subir e outros que nos obrigam a descer. Há estações em que tudo floresce e outras em que parece que nada responde à nossa espera.
Mas talvez a maturidade da fé esteja justamente em aprender a caminhar com Deus em todos esses terrenos e não apenas quando o caminho é agradável.
Porque, no Senhor, nada é em vão. Nem a subida que nos fortaleceu, nem o declive que nos ensinou a depender. Nem a aridez que nos fez buscar água, nem a chuva que nos fez florescer. Nem o riso, nem o pranto. Nem mesmo aquilo que não conseguimos compreender enquanto atravessávamos.
A fé não promete uma vida sem vales. Promete a presença de Deus enquanto os atravessamos.
Tudo, de alguma maneira, pode cooperar para o bem daqueles que amam a Deus e nele esperam.
Território santo
sábado, 26 de setembro de 2026
O fruto, e não o espetáculo
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Sacerdócio materno
Num Pod Cast, acabei de ver uma mulher calar um homem.
Ele resumia sua história dizendo que, quando conheceu a esposa, a primeira condição que ela colocou para se casar era não ter filhos. Queria liberdade para viajar, conhecer o mundo. Era uma questão dela e também das amigas, que haviam combinado viver assim. Mas ele hoje tem filhos.
E dizia que algumas pessoas transferem o amor para um afilhado, um sobrinho, um animal de estimação. Mas que amar um filho é diferente, porque existe ali uma questão de posteridade.
A entrevistadora respirou fundo justamente nessa palavra.
Posteridade.
E começou a falar das mães que, mesmo quando não conseguem enxergar no filho aquilo que esperavam que ele se tornasse, conhecem um amor que não depende de resultado: um amor transcendental, inexplicável, imensurável.
Lembrou das mães que fazem fila em presídios enquanto quase todos já deram as costas aos filhos que cometeram crimes hediondos.
Lembrou das mães de crianças com deficiências, para quem a maior alegria no dia pode ser simplesmente ver o filho abrir os olhos, engolir sozinho, sorrir.
Porque, para muitas mães, o filho não precisa representar uma promessa de posteridade. Ele precisa apenas estar ali.
É corriqueiro que muitos pais dão as costas aos filhos quando o relacionamento com a mãe termina, quando chega um diagnóstico difícil ou quando percebem que aquele filho não correspondeu às expectativas que depositaram nele.
A maternidade também conhece abandonos, é claro. Nem toda mãe consegue ou deseja exercer esse lugar.
Mas existe algo que atravessa a experiência da maioria das mulheres que se tornam mães: o filho passa a ocupar um lugar que não depende do que ele pode oferecer em troca.
É comum uma mulher sobrecarregada comer o que o filho deixou no prato. Ela nem pensa sobre isso.
Come para não desperdiçar, para não precisar preparar outra coisa, para ganhar alguns minutos, para que sobre mais tempo para o filho.
A maternidade não acontece somente nos grandes sacrifícios. Ela acontece nesses pequenos desaparecimentos de si mesma que ninguém registra.
Na comemoração de uma conquista que talvez para qualquer outra pessoa pareça pequena, mas que para aquela mãe representa uma montanha vencida.
Parir muda prioridades, mas o vínculo materno, para muitas mulheres, começa na concepção, na expectativa, no corpo que passa a abrigar outro corpo, na consciência de que existe alguém cuja vida depende inteiramente dela.
E sim, existem mulheres que não desejam ter filhos. Existem mulheres que não se identificam com a maternidade. Existem também mães que abandonam, rejeitam ou não conseguem estabelecer esse vínculo.
Mas, para muitas das mulheres que têm filhos e assumem a maternidade, alguma coisa muda de lugar dentro delas.
É como receber um sacerdócio, porque quando ela assume esse lugar, é convocada a uma entrega que muitas vezes ultrapassa aquilo que imaginava ser capaz de dar.
Aquele homem tentou explicar quando falou em posteridade. Mas a entrevistadora mostrou outra coisa: para uma mãe, muitas vezes, o filho não precisa ser a sua posteridade.
Ele já é, simplesmente, o seu filho.
E isso pode ser uma forma de amor que não cabe em nenhuma explicação.
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Moda e estilo
Eu era uma adolescente romântica.
Gostava das informações de moda que ressaltavam a delicadeza: tecidos leves, cores suaves, nada muito curto ou transparente. Gostava de renda, laise, tecidos de boa qualidade, estampas discretas, bordados, pequenos detalhes que faziam uma roupa parecer especial.
Eu escolhia minhas roupas com cuidado e recebia elogios constantemente. Diziam que eu parecia rica. Talvez porque eu soubesse escolher aquilo que combinava comigo, mesmo sem ter muito dinheiro.
Eu gostava de me vestir, então engravidei.
Vieram a gravidez, os problemas emocionais e mais de vinte quilos. Meu corpo mudou rapidamente. Perdi minhas curvas, ganhei estrias, a barriga ficou caída depois da cesárea e, à medida que o peso aumentava, minha autoestima diminuía.
As pessoas começaram a dizer que eu tinha me abandonado. Que estava ficando deformada. Algumas me olhavam com perplexidade, como se meu corpo tivesse se tornado uma espécie de assunto público.
E eu acreditei.
Perdi todas as minhas roupas e, junto com elas, perdi um pouco da mulher que eu tinha sido.
Passei a querer apenas jeans e camisas largas. Quanto mais largas, melhor. Eu queria me esconder dentro delas.
Não queria vestidos nem saias. Não queria nada que marcasse o corpo. Se pudesse, teria ficado invisível.
Naquele tempo não havia internet. E encontrar roupas bonitas para um corpo grande era quase impossível. O que chegava até mim eram túnicas, roupas largas, modelos que pareciam feitos para mulheres muito mais velhas.
Eu tinha pouco mais de vinte anos e me vestia como senhora, era a numeração que me servia e isso era um sofrimento.
Então chegou a internet. E, com ela, uma possibilidade que parecia pequena, mas mudou muita coisa: eu descobri que existiam roupas para mulheres como eu.
Lojas plus size, modelos modernos, referências, combinações. Pela primeira vez, pude procurar uma roupa pensando não apenas em "o que cabe em mim?", mas também em "o que eu gosto?"
Comecei devagar a me olhar com mais carinho.
Descobri o que valorizava meu corpo, o que me deixava bonita, o que fazia sentido para mim. Fui encontrando um estilo mais clássico e casual. Virei uma gordinha charmosa.
Entendi que meu corpo não precisava desaparecer para que eu pudesse aparecer. Hoje tenho muitas roupas.
E isso talvez diga mais sobre minha história do que parece. Porque durante muito tempo eu não comprava roupas para mim. Eu comprava aquilo que conseguisse esconder meu corpo.
Hoje, quando olho para o meu guarda-roupa, vejo uma mulher que voltou a gostar de se escolher.
E agora existe uma possibilidade nova diante de mim.
Se o meu corpo mudar novamente, quero aproveitar essa mudança sem transformar emagrecimento em condição para me amar. Quero simplesmente experimentar.
Vestir as coisas que sempre quis. Usar uma saia, um vestido, uma roupa mais ajustada, tecidos leves. Cores suaves, rendas, bordados, delicadezas.
Quero reencontrar aquela adolescente romântica que gostava de escolher o que vestir.
Mas não quero voltar a ser quem eu era, quero levar aquela menina comigo para a mulher que me tornei.
Hoje sou bem mais eclética, gosto de moda para vários estilos. E quero voltar a cuidar de mim inclusive escolhendo minhas roupas com carinho.
A mulher que ninguém enxergou
Olhar para a mulher que sou hoje não fará ninguém entender a minha história.
O que sou agora não resume os cinquenta anos de treinamento para me encaixar naquilo que esperavam de mim.
Antes dessa mulher, existiu uma criança que não interagia, que se isolava, que desviava do bullying, das risadas e dos cochichos.
Uma menina que não tinha amigos, que não sabia trocar, não sabia como começar uma conversa, não sabia se relacionar.
Depois veio a adolescente insegura, que usava as poucas pessoas próximas como ponte para conhecer outras pessoas. Mas, quando estava sozinha, perdia completamente a coragem de falar.
Veio a filha que incomodava porque questionava antes de obedecer.
A que foi chamada de irreverente, teimosa, chorona, insubordinada. A que parecia sempre difícil demais.
Depois, a jovem que demorou a namorar, que não conseguia sustentar relacionamentos e que, muitas vezes, acabava sendo trocada por garotas que pareciam mais interessantes, mais maduras, mais fáceis de compreender.
Até que engravidei.
E precisei criar meu filho sozinha, enquanto eu mesma ainda estava tentando descobrir como ser adulta.
Por muito tempo, ninguém pareceu perceber que havia alguma coisa por trás de tudo aquilo.
Um processo que somente eu conseguia enxergar.
A minha neurodivergência nunca encontrou acolhimento dentro da família. Não tive suporte, não tive terapia, não tive laudo, não tive compreensão.
Não tive sequer a tolerância necessária para descobrir quem eu era antes de ser cobrada por aquilo que eu não conseguia ser.
Então fui aprendendo do jeito que dava. Aprendi a observar antes de falar. A me adaptar. A imitar comportamentos. A esconder dificuldades. A suportar desconfortos em silêncio.
Aprendi a parecer funcional mesmo quando por dentro eu não sabia muito bem como funcionar.
E talvez por isso tenha me tornado alguém tão fácil de abandonar. Porque ninguém precisava sequer entender o que acontecia comigo para concluir que eu era difícil demais.
Não sei quantas vezes fui chamada de tantas coisas. Só sei que, durante muito tempo, carreguei a sensação de não caber em lugar nenhum.
Hoje, quando olho para mim, não vejo apenas a mulher que finalmente aprendeu a se posicionar.
Vejo todas as mulheres que precisei ser para sobreviver. A criança que não sabia interagir, a menina que não sabia fazer amigos, a adolescente que precisava de alguém por perto para conseguir falar, a filha que perguntava antes de obedecer, a jovem que não sabia permanecer nos relacionamentos, a mãe que precisou crescer enquanto criava um filho.
E vejo, sobretudo, uma mulher que chegou até aqui sem ter recebido o manual que esperavam que ela soubesse ler.
Hoje eu me respeito, me cuido, porque descobri quem eu sempre fui e não me abandono mais. Antes me acolho como todas as minhas diferenças.
Lavando para recomeçar
Lembro-me de minha mãe contando que, quando os médicos me desenganaram, ela também se decepcionou com sua religião de matriz africana.
Disseram a ela que não havia mais nada a fazer. Que deveria se conformar em me perder. Mas ela não se conformou.
A revolta foi tamanha que ela e meu pai juntaram todos os objetos daquela religião: imagens, roupas e tudo aquilo que fazia parte daquele universo. Fizeram uma grande fogueira.
Depois, começaram a lavar a casa. Do telhado para baixo. As paredes, o chão, o quintal.
Como quem não estava apenas limpando uma casa, mas tentando lavar uma história inteira.
Talvez minha mãe não soubesse explicar, mas alguma coisa dentro dela precisava marcar um antes e um depois.
Era preciso se desfazer de algumas coisas para conseguir respirar novamente.
Era preciso abrir espaço para aquilo que ainda poderia acontecer. E aconteceu, eu sobrevivi.
Anos depois, numa manhã qualquer, encontrei essa memória enquanto jogava água no chão da minha própria casa. Aproveitei que havia retirado todos os tapetes e resolvi lavar tudo.
A água corria pelo chão e, de repente, pensei nela. Minha mãe lavando a casa porque precisava recomeçar. Eu lavando a minha porque também estou diante de um recomeço.
Talvez a vida tenha dessas coisas: alguns gestos atravessam gerações sem que a gente perceba.
No próximo ano, quero borboletar. Vou fazer a bariátrica e também me aposentar.
Mudar de pele, abrir as asas, experimentar outros ares, outras perspectivas, outros horizontes.
Talvez seja finalmente começar a ocupar alguns espaços da vida que ficaram esperando. Tenho 54 anos.
Já vivi bastante para saber que não existe recomeço sem deixar alguma coisa para trás. E há espaços que precisam ficar vazios por algum tempo para que o novo possa chegar.
Meus pais se foram cedo.
E, olhando para trás, às vezes tenho a impressão de que suas vidas foram deixando pequenas sementes pelo caminho. Meus pais partiram, mas algumas coisas que eles viveram ainda estão acontecendo em mim.
Naquele momento minha vida não acabou, mas o recomeço aconteceu, como agora nessa nova fase da minha própria vida.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Sabedoria não é só inteligência
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Quando o pessimismo vira identidade
O ouro da fé
domingo, 20 de setembro de 2026
A formação de um povo
Babel
sábado, 19 de setembro de 2026
Jardim Regado
Governada por dentro
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Agora que já sei quem sou
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Deus no pequenino
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Verbo encarnado
O presente para quem já tem tudo
Evangelho não é um convite, é um anúncio
terça-feira, 15 de setembro de 2026
O que respondi à Josi num grupo hoje
Deixando as coisas de menino
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Depois da curva
Crença ou fé
Crenças existem às dúzias, ao gosto de cada um, segundo a conveniência ou a debilidade de quem se deixa conduzir. A fé, porém, é uma construção de vida.
Ela se constrói à medida que se busca a Deus e se experimenta a condição de filho que escuta o Pai. Vem do ouvir — não apenas de escutar sons, mas de dar ouvidos, aprender e confiar — para, a partir disso, fazer escolhas.
Às vezes é possível identificar-se com irmãos que caminham na mesma fé. Mas, na maioria das vezes, as pessoas apenas se conformam. Entram em fôrmas, repetem padrões e, pouco a pouco, perdem a própria individuação.
No Evangelho, a Boa-Nova é para aquele que se compreende filho, co-herdeiro com Cristo. É Cristo quem se revela, e essa revelação produz uma relação pessoal, viva e intransferível. Nesse relacionamento, cada filho é aperfeiçoado, recebe dons e missões que não podem ser terceirizados e, como cooperador, prestará contas daquilo que lhe foi confiado.
Na crença, basta cumprir protocolos: não questionar regras, estatutos e dogmas; não falhar nos compromissos da instituição; permanecer fiel à rotina e viver em função da empresa religiosa.
Há quem precise dessa dinâmica. Mas há também quem viva pela fé.
E eu só não consigo entender por que estes últimos são chamados de desviados, se foi justamente a esses que Jesus chamou para fora das fôrmas, e a quem Ele mesmo justificou.
Talvez o desvio, aos olhos da religião, seja simplesmente o caminho de quem deixou de caber na fôrma para aprender a caminhar como filho.
Vendo Jesus na greta
Quando fui desenganada aos dois anos, minha avó me levou a uma campanha de oração, e o pastor me fez engolir um cálice de azeite. Eu, que nem tinha condições de crer em nada, já saí dali voltando a caminhar e a me alimentar, habilidades que eu havia perdido.
Aos três ou quatro anos, lembrei da salada no prato da minha mãe e mastiguei uma folha de comigo-ninguém-pode. Automaticamente, minha garganta fechou. Eu sentia algo muito estranho. A moça que cuidava de mim correu e me encheu de leite. Não lembro se vomitei ou se apenas senti alívio, mas parece que o leite funcionou como um antídoto.
Aos sete, eu brincava na Ilha de Paquetá quando algumas crianças me atropelaram com um pedalinho. Fiquei alguns segundos submersa, tentando voltar à superfície, enquanto as pás do pedalinho giravam contra mim. Foi outro momento em que senti que poderia ter partido.
Aos vinte, a pessoa que me evangelizou, enquanto eu estava em uma crise existencial e enfrentava uma infecção que não conseguia curar, me deu um punhado de folhas para fazer chá. E o que os antibióticos não estavam conseguindo fazer, as ervas fizeram. Mais uma vez, minha vida se renovou.
Aos 32, perdi um bebê e quase não sobrou sangue em mim. Demorei algum tempo até me recuperar da anemia.
Quando retirei a vesícula, o residente disse que dei muito trabalho para voltar a respirar. Lembro-me da garganta arranhando e da voz rouca enquanto recuperava a saturação. Fiquei um bom tempo com oxigênio no nariz, mas ficou tudo bem... até o ano seguinte, quando operei uma hérnia enorme e rara, decorrente da primeira cirurgia.
Em outros momentos, escapei ilesa de acidentes que aconteceram bem ao meu lado, como se algo realmente tivesse me segurado no lugar para que o dano não me alcançasse.
Daqui a alguns meses, estarei de novo em um centro cirúrgico.
A intenção é começar um novo ciclo, mais saudável, livre de tantas dores crônicas, para conseguir ao menos envelhecer podendo cuidar de mim.
Mas passa um filme na cabeça.
Foram tantas situações em que vi Jesus na greta e voltei... Será que vai dar certo desta vez também?
Não é uma ansiedade abstrata diante de uma cirurgia. Carrego na memória vários momentos concretos em que estive muito perto da morte ou de uma situação grave e voltei.
É natural que, diante de outro centro cirúrgico, todas essas cenas se levantem juntas.
Nunca estive no controle.
Aos dois anos, não podia sequer compreender o que estava acontecendo. Aos sete, foi um acidente. Aos vinte, estava fragilizada. Aos 32, perdi muito sangue. Nas cirurgias, dependia inteiramente da equipe e do próprio corpo.
E, ainda assim, a história terminou repetidamente comigo voltando para a vida.
Confiar não é receber uma garantia de que nada dará errado. É não precisar conhecer o desfecho para continuar caminhando.
Já atravessei portas que pareciam portas de saída. E voltei. Algumas vezes, voltei imediatamente. Outras, precisei de tempo para recuperar sangue, força, respiração, saúde. Mas voltei.
Agora estou indo para uma cirurgia justamente porque quero continuar vivendo. Quero diminuir dores, recuperar mobilidade, cuidar melhor de mim e chegar à velhice com mais autonomia.
Talvez essa seja a parte mais bonita dessa história.
A menina de dois anos que voltou a caminhar não sabia o que a esperava. A menina de sete anos que voltou à superfície não sabia o que a esperava. A mulher de vinte anos que se recuperou também não.
E a mulher de 54 anos que agora entra novamente em uma sala cirúrgica já sabe muito mais sobre a vida do que todas elas juntas.
Ela sabe que o corpo é frágil. Sabe que pode ter medo e, ainda assim, prosseguir. E sabe, sobretudo, que sobreviver não é a única maneira de viver.
Talvez esse próximo ciclo não seja mais uma vez em que eu precise “voltar da greta”.
Passei tantas vezes pela greta que aprendi a reconhecer a presença de Jesus não apenas quando voltei dela, mas também enquanto caminhava em sua direção.
Eu não sei como será. Mas cheguei até aqui.
E não estou sozinha. Nunca estive.
domingo, 13 de setembro de 2026
Jesus faz pensar
Livre arbítrio
Ninguém escolhe onde vai nascer, o sexo que terá, a família que o educará, as batalhas que enfrentará, as doenças que terá ou as intercorrências que viverá. Há coisas que simplesmente nos acontecem, sem que tenhamos sido consultados.
O que cabe ao homem escolher é se obedecerá ou não à essência amorosa que transcende de Deus para o homem e emana do homem em direção ao próximo.
Amor é decisão. É escolher fazer o bem, mesmo quando nossa própria natureza conspira contra nós. É negar o impulso de colocar o próprio interesse no centro e reconhecer que o outro também importa.
Não fazemos o mal somente quando matamos, roubamos ou ferimos deliberadamente. O mal começa antes, quando tiramos Deus do centro e nos colocamos em seu lugar.
Talvez o pecado mais profundo não seja simplesmente fazer o que é mau, mas assumir para nós mesmos o lugar que não nos pertence: o centro. Porque, quando o homem se torna o próprio centro, o outro deixa de ser próximo e passa a ser obstáculo, instrumento ou ameaça.
Amar, portanto, é mais do que sentir. É uma escolha diária de deslocar-se do centro para que o bem possa ocupar o lugar que lhe pertence. É permitir que aquilo que procede de Deus atravesse nossa vida e alcance quem está ao nosso redor.
Não escolhemos tudo o que nos acontece. Mas podemos escolher o que emanará de nós a partir daquilo que nos aconteceu.
sábado, 12 de setembro de 2026
A sabedoria que nasce na adversidade
A maioria de nós prefere o raso, o linear, a calmaria. Preferimos caminhos previsíveis, dias sem grandes sobressaltos e águas que não nos obriguem a aprender a nadar. É compreensível. Ninguém, espontaneamente, escolhe a dor, a perda, a espera ou aquilo que desorganiza nossos planos.
Mas há coisas que somente as profundezas nos ensinam.
A sabedoria proveniente da fé não se conquista apenas ouvindo, lendo ou acumulando conhecimento. Ela se forma enquanto caminhamos. É fruto de perseverança, experiência e esperança.
Paulo escreveu:
“E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.”
Romanos 5:3-4
É interessante perceber que existe uma sequência. A tribulação não produz imediatamente esperança. Primeiro ela nos confronta com nossa própria fragilidade. Depois, somos chamados a perseverar. É nessa permanência, muitas vezes dolorosa, que adquirimos experiência. E é a experiência de atravessar aquilo que parecia impossível que amadurece nossa esperança.
A fé que nunca foi testada pode até ser bonita no discurso, mas a fé que atravessou a tempestade ganha outra consistência.
É como uma flor que cresce onde o frio poderia tê-la impedido de florescer. Como a água encontrada no deserto, que não é apenas água: é alívio, sobrevivência, celebração. Como uma estrela que parece ainda mais luminosa quando o céu ao redor está escuro.
Talvez seja por isso que a fé mais preciosa não seja necessariamente aquela que fala mais alto, mas aquela que permanece quando já não há respostas fáceis.
Há uma diferença entre acreditar que Deus pode sustentar alguém na adversidade e descobrir, na própria pele, que Ele sustenta.
A primeira é uma convicção aprendida. A segunda se torna experiência. E experiência ninguém consegue nos dar pronta.
Podemos receber ensinamentos, conselhos, testemunhos e exemplos. Podemos ouvir pessoas que já atravessaram vales e aprender alguma coisa com elas. Mas há caminhos que só se tornam nossos quando os percorremos.
É na espera que aprendemos perseverança. É na perda que descobrimos o que realmente permanece. É na frustração que percebemos que nem todo desejo precisa ser atendido. É na solidão que aprendemos a distinguir ausência de abandono. É no sofrimento que muitas certezas superficiais são desmontadas e aquilo que é essencial permanece.
A adversidade não é boa em si mesma. Não precisamos romantizar a dor para reconhecer o que ela pode produzir em nós.
Há sofrimentos que apenas ferem. Há outros que, atravessados com fé, também nos transformam.
Por isso, talvez não devêssemos medir a qualidade de uma fé pela quantidade de calmaria que ela proporciona, mas pela maneira como ela nos sustenta quando a calmaria termina.
A fé madura não é aquela que nunca enfrenta montanhas, mas aquela que aprendeu a subir.
Não é aquela que nunca atravessa desertos, mas aquela que continua procurando a fonte.
Não é aquela que nunca passa por noites escuras, mas aquela que aprendeu a esperar pelo amanhecer.
Como escreveu C. H. Spurgeon, “A fé provada traz experiência.”
E talvez seja justamente essa experiência que torne a fé menos ingênua, menos dependente de circunstâncias e mais profunda.
Porque depois de atravessar algumas tempestades, já não cremos somente porque nos disseram que Deus é fiel.
Cremos porque, em algum momento da caminhada, descobrimos que Ele foi.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Amar ou gostar
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Percebendo o que não cabe nas mãos
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
O fruto que se aperfeiçoa no caminho
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio.”
— Gálatas 5:22-23
Os atributos desse fruto são aperfeiçoados nos encontros, inclusive nas trombadas. É no atrito das relações, nas contrariedades e nas circunstâncias difíceis que nossas arestas vão sendo aparadas. Menos de nós, mais de Deus.
Quem reconhece e vive o amor, se nunca foi alvo do ódio?
Quem valoriza a paz, se nunca esteve em um ambiente hostil?
Quem pode aprender a ser bom, se nunca precisou escolher a bondade diante da maldade?
Quem pode exercitar a longanimidade, se nunca atravessou tribulações?
Quem pode permanecer manso, se nunca foi afrontado?
Quem pode exercer o domínio próprio, se jamais foi tentado?
É fácil parecer paciente quando nada nos incomoda, manso quando ninguém nos afronta, generoso quando nada nos é negado e pacífico quando tudo está em ordem.
Mas é quando somos contrariados que descobrimos o quanto ainda precisamos crescer.
Talvez por isso Deus não nos transforme retirando todas as dificuldades do caminho, mas nos ensinando a atravessá-las sem perder aquilo que Ele está formando em nós.
Viver é um exercício contínuo de esvaziamento de si mesmo e crescimento em Deus. Não se trata de nos tornarmos pessoas que nunca são feridas, contrariadas ou tentadas, mas de permitirmos que, em cada encontro, cada conflito e cada trombada, o Espírito produza em nós um pouco mais de Cristo.
Porque o fruto não amadurece longe da vida.
É no chão da vida que Deus poda, aperfeiçoa e faz frutificar.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
A raiz e o fruto
Para cada solução, um problema
O bem precisa estar na superfície
Todo mundo erra. Errar é uma condição intrínseca à humanidade. Somos seres em construção, capazes de tropeçar, ferir, agir por impulso, tomar decisões equivocadas e, depois, reconhecer o erro, reparar o dano e aprender com ele.
Mas há uma diferença enorme entre errar e fazer da maldade um modo de existir.
Diante da frieza, da crueldade ou da perversidade de alguém, é comum ouvirmos: “No fundo, ele é uma boa pessoa.” Como se a bondade estivesse escondida em algum lugar profundo da alma, enquanto tudo aquilo que chega à superfície fosse justamente o contrário dela.
Mas, se é preciso cavar muito fundo para encontrar a bondade de alguém, talvez seja necessário perguntar: que espécie de bondade é essa que ninguém consegue enxergar?
Penso que o bem não deveria morar nas profundezas. O bem precisa estar na superfície.
Não porque sejamos incapazes de ter impulsos ruins, mas porque aquilo que fazemos com esses impulsos revela quem estamos escolhendo ser.
No fundo, talvez seja onde devamos guardar nossa tendência animalesca de reagir por instinto, de pensar primeiro em nós mesmos, de agir sem considerar o sentimento alheio. É ali que devem ser contidos o egoísmo, o orgulho, o desejo de vingança, a necessidade de ter razão, o nosso pequeno geocentrismo — essa tendência humana de fazer de nós mesmos o centro em torno do qual tudo e todos deveriam girar.
Não somos responsáveis por nunca sentir raiva, inveja, ressentimento ou vontade de revidar. Somos responsáveis pelo que fazemos com tudo isso.
Porque sentir não é necessariamente escolher.
A bondade verdadeira não é a ausência de sombras; é a decisão de não deixar que elas governem nossas mãos, nossa língua e nossas relações.
E talvez seja justamente por isso que Jesus tenha falado da luz que não deve ser colocada debaixo do alqueire. A luz não foi feita para ficar escondida dentro da casa. Ela precisa estar no alto, onde possa iluminar o ambiente e permitir que outros também enxerguem.
A bondade é essa lanterna.
Precisa estar suficientemente alta para ser vista, não como propaganda de virtude, mas como consequência natural de uma vida que aprendeu a considerar o outro.
Bondade escondida não consola quem sofre.
Bondade escondida não protege quem está vulnerável.
Bondade escondida não alimenta quem tem fome.
Bondade escondida não pede perdão, não faz justiça, não estende a mão, não acolhe.
O bem que ninguém consegue experimentar pode até existir como uma intenção, mas ainda não se transformou em vida.
Por isso, talvez seja mais honesto parar de procurar a “boa pessoa que existe lá no fundo” e observar aquilo que ela coloca para fora.
Porque é na superfície que a vida toca a vida.
É nas palavras que alguém ouve.
É nas mãos que ajudam ou ferem.
É nas escolhas que afetam os outros.
É na maneira como tratamos quem não pode nos oferecer nada em troca.
Não precisamos ser perfeitos para sermos bons. Mas a nossa imperfeição não pode servir de esconderijo para a maldade.
Que nossas sombras permaneçam sob vigilância, enquanto a luz permanece no alto.
Não para parecermos bons.
Mas para que, através de nós, alguém consiga enxergar o caminho.
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Cada um cuide da própria consciência
domingo, 6 de setembro de 2026
Fé não é poder sobre o outro
Fé não é poder sobre o outro
Israel foi um povo rebelde, que muitas vezes colheu o fruto de sua própria desobediência. É, portanto, um modelo que também nos ensina pelo que não devemos repetir: cumpria protocolos religiosos, observava uma Lei cheia de prescrições e, ainda assim, muitas vezes se afastava de Deus. Tanto que não reconheceu Jesus, a revelação plena de Deus, caminhando entre eles.
A Igreja histórica, por sua vez, muito cedo reproduziu estruturas de religiosidade e poder, embora não encontremos nas palavras de Jesus uma ordem para institucionalizar a fé nos moldes que conhecemos. Jesus passou boa parte de seu ministério desconstruindo mal-entendidos religiosos e confrontando a hipocrisia, enquanto construía em seus seguidores algo muito mais profundo: caráter.
Ainda hoje, parte da Igreja se comporta como paladina da verdade, apontando o dedo para a sociedade e tentando preservar uma influência que já não possui — ou que gostaria de continuar possuindo — como nos períodos em que a religião esteve profundamente entrelaçada ao poder político e social. Houve tempos em que discordar da autoridade religiosa podia resultar em excomunhão, perseguição e, em determinados contextos históricos, até na morte.
Mas a sociedade não é composta apenas de cristãos. Nem todo mundo nasceu em uma família conservadora, nem todo mundo professa a mesma fé, nem todo mundo precisa se encaixar nos parâmetros estabelecidos por instituições religiosas.
Todos têm o direito de existir, pensar, discordar, se manifestar e escolher seus próprios representantes sem carregar sobre si o estigma de endemoniado, imoral ou inimigo de Deus.
Precisamos aprender a conviver em respeito, enxergando o outro como concidadão, e não como adversário. A diferença não deveria ser motivo de discriminação, porque direitos não são prêmio concedido aos que pensam como nós.
Muitas vezes, a religião presta um desserviço quando blinda seus membros do contato com a realidade e inculca neles a necessidade de manter distância do chamado “mundo”, como se uns fossem mais importantes do que outros, como se a religião conferisse algum tipo de superioridade ou poder, ou como se seus parâmetros particulares fossem a medida universal do que todos deveriam ser.
Não são.
O Estado é laico. A lei deve ser aplicada sem acepção de pessoas. E os direitos pertencem a todos, independentemente de religião ou ausência dela — pelo menos, é assim que deveria ser.
Siga sua religião. Viva sua fé. Vote em quem você acredita que deve representá-lo.
Mas tenha consciência de uma coisa:
o seu direito não lhe dá autoridade sobre a consciência do outro.
E o seu direito termina exatamente onde começa o direito de quem não pensa, não crê e não vive como você.
sábado, 5 de setembro de 2026
Deus não se deixa monopolizar
Ninguém monopoliza Deus.
Não ter vínculo com o Cristianismo histórico não impede ninguém de ser servo de Cristo.
Aliás, estar arrolado no rol de membros de uma instituição pode ser apenas uma máscara para muita gente. Enquanto isso, uma consciência firmada no Evangelho dispensa a necessidade de transformar a fé em rotina, ritual ou cumprimento de regras. Quem compreendeu o amor aprende simplesmente a amar.
Para reconhecer os que são de Cristo, o fruto do Espírito é um critério muito mais revelador do que os dogmas. E isso não nos impede de servir dentro ou fora de qualquer endereço.
Porque Igreja não é endereço, e pertencimento institucional não é certificado de filiação a Cristo.
“Ah, você tem mágoa da religião?”
Não, amado.
Ter liberdade para falar sobre qualquer coisa sem temer perseguição, censura ou exclusão é maturidade espiritual. É aprender a discernir entre aquilo que está escrito e aquilo que fizeram do que está escrito — transformando-o em cabresto para inibir a liberdade.
Quem já não vive sob o véu da separação não precisa de intermediários para ter acesso à Fonte da sabedoria.
Eu sou livre.
E liberdade não significa desprezar quem escolhe viver de ilusões. Deus se revela a quem quer, como quer e quando quer. Não cabe a mim controlar esse processo.
Cabe-me apenas falar.
E eu falo porque sou livre.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
A fé que cresce
A fé começa pela recepção, mas precisa amadurecer até a autonomia; a comunhão é necessária, mas a dependência da estrutura não é maturidade.
Ninguém ama a fé que não conhece.
Há tempo para ser menino, neófito, aprendiz, discípulo. Mas ninguém permanece saudável tomando leite e papinha a vida inteira. Há um tempo de se aprofundar, de se nutrir, de mergulhar no conhecimento, de esmiuçar as Escrituras, para ter fundamento e saber dar razão da esperança que há em nós.
Acredito, realmente, que a maioria das pessoas precise começar a caminhada cristã junto de pessoas da mesma fé. Nem todo mundo é despertado dentro de casa, como eu fui, nem começa a estudar sozinho, como comecei. Para muitos, é necessário o ambiente de ouvir, perguntar, conversar, debater, aprender e amadurecer — até que tenham condições de ensinar, explicar, transmitir conhecimento e compartilhar experiências.
O que não concordo é que alguém se conforme em engolir aquilo que já vem pré-mastigado, sem se dar ao trabalho de pensar por si mesmo.
Quando se deixa de ser menino, é preciso alimento sólido. Nutrientes completos que sustentem a continuidade do crescimento. Porque fé que nunca amadurece acaba se tornando dependência de quem pensa por nós.
E o crescimento pleno acontece da porta para fora.
É lá que estão os campos brancos esperando a colheita. É nos encontros da vida que somos chamados a ser luz e sal. É no chão das relações, no serviço, na misericórdia, na justiça, no perdão e no amor que aquilo que aprendemos deixa de ser discurso e se torna vida.
Dependência da estrutura também pode se tornar vício.
Se a consciência está firmada no Evangelho e na sã doutrina, o ambiente de reunião deve servir antes de tudo à comunhão, ao encorajamento e ao fortalecimento mútuo — não à necessidade de provar, por meio de uma estrutura, que somos cristãos.
A igreja pode ser lugar de aprendizado, mas não pode se tornar a muleta permanente de uma fé que deveria caminhar.
Porque todo aquele que é nascido do Espírito é livre.
O vento sopra onde quer. Não pede licença, não fica preso a paredes e não necessita de cadastro para existir.
E talvez uma das maiores evidências de maturidade espiritual seja justamente esta: saber permanecer em comunhão sem se tornar dependente da estrutura; aprender com outros sem entregar a eles a própria consciência; receber alimento sem permanecer eternamente à mesa, quando já se deveria estar levando alimento a outros.
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
A Graça dá chances
“Olho por olho e dente por dente” é uma das formas mais perversas de lidar com o erro humano.
Todo mundo tem o direito de errar e aprender com o próprio erro.
Todo mundo pode mudar de opinião, de ponto de vista, de comportamento.
Todo mundo pode rever conceitos, ampliar o entendimento, amadurecer e ser aperfeiçoado.
Todo mundo merece a oportunidade de buscar sua melhor versão sem carregar, pela vida inteira, o estigma de quem um dia foi.
Todo mundo merece uma segunda chance, um voto de confiança e a alforria de ser perdoado.
Porque ninguém deveria ser condenado para sempre pelo pior capítulo da própria história.
A Graça não chama o erro de acerto.
Não ignora as consequências, nem transforma o mal em bem.
Mas ela abre a porta para o arrependimento, para a mudança, para o recomeço.
A Graça dá chances.
E quem já precisou dela sabe que não existe lugar melhor para aprender a concedê-la.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
No chão da vida
A coisa mais fácil que existe é adotar uma rotina religiosa: cumprir protocolos, frequentar cultos, participar de eventos que, muitas vezes, servem mais ao entretenimento do que ao ensino.
Mas é no chão da vida, nas relações, nas escolhas e nas oportunidades de servir ao próximo que se revela a quem pertencemos.
Joio e trigo são separados diariamente. Deus sabe quem é quem.
Dentro do arraial, talvez baste estar inscrito num rol de membros. Mas os inscritos no Livro da Vida são reconhecidos por aquilo que sua vida revela: refletem o Senhor e obedecem ao seu ensino.
Porque pertencer a Cristo não é uma questão de cadastro, frequência ou protocolo. É uma vida que, pouco a pouco, se parece com Ele.