Neste blogue registro meus pensamentos em vários assuntos, mas raramente escrevo sobre a neuro diversidade ou entro em pormenores sobre minhas desconfianças. Há uns 15 anos procurei um centro de saúde, esperando que seria encaminhada a um neurologista/neuropsicólogo, para investigar se me desenvolvi no espectro autista, se tenho síndrome de Asperger ou se meus prejuízos tinham outra causa. Mas fui informada que o SUS só encaminha outros tipos de problemas psiquiátricos, quando se oferece risco, etc. No meu caso, como eram traços e características, não conseguiria.
Fiz avaliação online e confirmei que tenho síndrome de Asperger, que hoje é chamado de autismo nível 1 de suporte. Mas nunca busquei um laudo. Essa semana tentei de novo, pois aqui na minha rua tem uma casa que faz essa avaliação. Porém desanimei de novo, pois só para iniciar a aplicação dos questionários, me custaria quase um salário mínimo. Só que essas coisas não são de uma hora para outra, não sei quanto tempo e dinheiro teria que investir para ter um diagnóstico. É uma indústria... Me coloco no lugar de uma mãe que precise de respostas para entender sua criança e não tem condições.
No meu caso, todos os prejuízos que poderia ter durante a vida já tive. Todas as perdas, todas as angústias, toda ansiedade e depressão por não conseguir pertencer, não conseguir dar continuidade aos meus relacionamentos, não conseguir uma carreira mesmo sabendo que tenho potencial pra fazer muitas coisas, etc. Enfim, meus maiores prejuízos foram na infância, adolescência, depois a gente aprende a mascarar os traços, treinar um comportamento mais contido, consegue socializar mesmo que depois precise dar um tempo para se refazer.
Esta foto com características físicas, peguei ontem numa das páginas que acompanho, a outra, sou eu aos 7 anos. As semelhanças são muito evidentes, me reconheci na hora.
Abaixo enumerei outras características minhas:
Canto dos olhos caídos, narinas pequenas, língua flácida, boca aberta, lábio inferior maior, canto da boca para baixo, tônus muscular fraco (flacidez muscular), pouca expressão facial e corporal, não ficar confortável olhando nos olhos, não gostar de toques e abraços sem me programar antes, postura ruim, cansar rápido, marcha estranha, fala monótona, sentar escorregando, gostar de balançar a cabeça, ficar hipnotizada com água corrente, mar, luzes, isolamento, dificuldade relacional, interação e falta de interesse, sentar em w, sensibilidades sensoriais, muito chorona, crises, irritabilidade.
Não assimilar regras de jogos, falta de habilidade para esportes, não memorizar números, rigidez com horários, senso de justiça, intensidade, literalidade, impulsividade, compulsão com alguns alimentos, depressão, ansiedade, dispersar o pensamento muito fácil, não saber como participar, muita exaustão depois de sair. Prejuízos na área sentimental, hiper foco em algumas pessoas e sobre o Evangelho, prejuízos profissionais por não conseguir interagir naturalmente.
Ingenuidade, infantilizada emocionalmente, muita sensibilidade e dificuldade com mudanças, cansaço e sonolência, procrastinação e dificuldade em organizar as finanças. Na adolescência, rispidez pra responder, grosseria, irreverente com os pais, momentos de agressividade e autofragelo.
Muita fobia em falar em público, ser observada. Todas as vezes que tentei passei muito mal, o desconforto é gritante. Não conseguir organizar as palavras numa conversa, porém expressar muito bem escrevendo.
Atrasos no desenvolvimento físico, motor, mas não cognitivo. Poucos stins e movimentos estereotipados. Poucos relacionamentos prolongados, dificuldade de manter.
Um filho que também tem traços e um neto com TOD, TDAH e investigando autismo.
Durante a infância tinha uma angústia muito grande por não me sentir igual, não conseguir fazer o que outras crianças faziam, não conseguir iniciar uma conversa e nem render quando alguém conversava comigo. Hoje não tenho essa necessidade, estou feliz com os poucos amigos que tenho, com a vida que levo, com o que consegui conquistar. Também aprendi a lidar com minhas limitações e aceitar que ninguém pode ter tudo. Possivelmente vou continuar sem diagnóstico. Se consegui chegar até aqui sem mais esse carimbo, acho que não vai me fazer falta. Bom seria saber porque responderia muita coisa, mas de qualquer forma tudo se organiza.