Conforme a consciência humana vai despertando de sua longa subordinação ao ego, começa também a perguntar o que existe para além dos limites do próprio conhecimento.
No início dessa busca pelo desconhecido, é provável que encontre alguma religião. Afinal, humanamente falando, as instituições religiosas podem parecer guardar, em suas doutrinas, seus ritos e suas pregações, o segredo da Fonte da vida.
Mas chega um momento em que a busca precisa deixar de ser apenas de fora para dentro.
Não porque toda religião seja inútil, mas porque nenhuma instituição pode ocupar o lugar de Deus. Nenhum templo pode conter aquilo que o homem procura. Nenhuma doutrina, por mais elaborada que seja, substitui o encontro com Aquele de quem procede a vida.
E então, quando cessa a necessidade de procurar Deus apenas nos lugares onde disseram que Ele está, começa-se a perceber aquilo que Jesus anunciou: o Reino de Deus não é uma construção exterior que precisamos alcançar, mas uma realidade que Deus estabelece em nós e entre nós.
É no interior que o Espírito ensina, confronta, consola e aperfeiçoa. É ali que a fé deixa de ser apenas aquilo que recebemos dos outros e passa a se tornar experiência vivida.
Talvez amadurecer na fé seja justamente isso: deixar de procurar fora aquilo que Deus deseja realizar dentro — sem transformar o “dentro” em um novo ego, mas permitindo que o próprio Deus governe aquilo que somos.
A religião pode apontar o caminho.
Mas somente Deus pode conduzir o homem até Ele.
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