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sábado, 15 de agosto de 2026

O que é sagrado?

O que se pode conhecer de Deus está revelado através das coisas criadas, e sua plenitude nos foi revelada em Cristo, o primogênito de toda a criação.

Jesus jamais sacralizou coisas.

Quando a samaritana perguntou sobre o lugar sagrado onde se deveria adorar, Jesus não apontou para um monte, um templo ou qualquer outro espaço. Ele lhe ensinou que chegaria a hora — e já havia chegado — em que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai em espírito e em verdade.

Jesus também não mandou seus discípulos guardarem objetos sagrados, prédios sagrados ou roupas sagradas. Não instituiu amuletos, relíquias, águas especiais ou qualquer objeto capaz de produzir essa transmutação entre o profano e o sagrado.

Paulo chegou a tratar da questão dos alimentos oferecidos aos ídolos, lembrando que o ídolo nada é e que, para quem recebe tudo com gratidão, a comida não se torna espiritualmente contaminada. A questão, porém, passava pela consciência e pelo amor ao irmão, especialmente daquele cuja consciência ainda era fraca.

Assim, a transformação de templos, roupas, águas, objetos, dias, festas, agendas e rituais em coisas sagradas pertence muito mais à construção histórica do cristianismo do que ao ensino de Jesus.

No Evangelho, porém, encontramos outra compreensão do sagrado.

Sagrado é o pequenino.

É aquele que Jesus coloca diante de nós como alguém que o representa. É o faminto a quem damos de comer, o sedento a quem damos de beber, o estrangeiro que acolhemos, o nu que vestimos, o enfermo que visitamos e o encarcerado de quem não nos esquecemos.

Porque, quando fazemos isso a um desses pequeninos, é como se estivéssemos fazendo ao próprio Cristo.

Sagrado, portanto, não é aquilo que retiramos da vida para colocar num altar.

Sagrado é aquilo que aprendemos a não profanar com a nossa indiferença.

A vida é um presente e, por isso, merece reverência. O outro é alguém em quem Deus nos chama a reconhecer dignidade. O tempo que recebemos também é precioso. O amor que praticamos é mais santo do que qualquer objeto que possamos ungir.

Há, portanto, dois caminhos que podem parecer semelhantes, mas não são.

Um é a prática religiosa, que frequentemente procura separar o sagrado do profano, estabelecendo lugares, objetos, pessoas, dias e rituais especiais.

O outro é a consciência moldada pelo Evangelho, na qual a vida inteira se torna lugar de encontro com Deus.

Uma procura reproduzir a estrutura religiosa.

A outra procura guardar no coração as palavras de Jesus e, a partir delas, aprender a viver.

Porque talvez a grande revolução do Evangelho seja justamente esta:

Jesus não veio ensinar-nos a separar coisas sagradas de coisas profanas.

Veio ensinar-nos a viver de tal maneira que nada daquilo que Deus criou seja tratado sem amor.

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