Páginas

domingo, 4 de outubro de 2026

Reflexão sobre idolatria

Tem crente que escolhe o confronto, mas a mim parecem tão ignorantes quanto os confrontados.

Um deles chegou no grupo pedindo nome de algum ser humano que Deus tenha mandado fazer imagem de escultura. Isso porque os católicos sempre argumentam que Deus mandou fazer a serpente no poste e os querubins da Arca da aliança.

Respondi: Adão, uma imagem de escultura feita do pó da terra. "Façamos ". 

O problema não é o boneco em si, o problema é quando ele está no centro, porque qualquer coisa que está no centro, se torna deus estranho.

O que faz um idólatra, é a confiança que deposita em qualquer mediador, seja místico, seja líder religioso, seja o próprio ego como fez Adão quando desejou ser como Deus, seja qualquer figura viva ou morta que usurpa o centro de nossas vidas, lugar onde só o Eterno pode estar.

Porque o centro é o trono. E o dinheiro por exemplo, é o deus Mamom, que seduz até o mais religioso que repele as estatuetas dos cegos, mas não abre mão das próprias riquezas.

Eu acho que o argumento fica ainda mais forte se deslocar a discussão de “Deus mandou fazer ou não mandou fazer imagens?” para uma pergunta mais profunda: “O que transforma uma coisa criada em um ídolo?”

Porque, biblicamente, o próprio argumento da serpente de bronze e dos querubins já desmonta a ideia simplista de que toda representação visual seria necessariamente idolatria. O problema não é simplesmente existir uma imagem. É o lugar que ela passa a ocupar na relação do homem com Deus.

Minha resposta sobre Adão é provocativa justamente por isso. O problema não é o boneco.

“Façamos o homem à nossa imagem...” foi vontade de Deus. O problema é quando o boneco vai para o centro.

É por isso que idolatria não se resume a se ajoelhar diante de uma estátua.

Adão não precisou esculpir uma estátua para desejar ocupar o lugar de Deus.

Bastou desejar aquilo que não lhe pertencia.

E talvez uma das formas mais sofisticadas de idolatria seja justamente essa: quando o homem transforma a si mesmo em centro e passa a confiar na própria vontade, na própria interpretação e na própria grandeza como se fossem autoridade absoluta.

Porque é possível repelir estatuetas e continuar cheio de ídolos. É possível condenar o santo de barro e ajoelhar-se diante do dinheiro. É possível denunciar a devoção alheia enquanto se vive em função da própria vaidade.

É possível rejeitar um mediador religioso e transformar um pastor, um pregador ou uma instituição em autoridade que ocupa, na prática, o lugar que deveria pertencer somente ao Eterno.

Jesus chamou o dinheiro de Mamom. E Mamom não precisa de altar, vela ou estátua. Ele pode morar numa conta bancária.

Um idólatra pode sentar-se à mesa com uma Bíblia aberta. Pode frequentar cultos. Pode cantar hinos. Pode até ser alguém que passa a vida inteira combatendo as imagens dos outros.

Porque está preocupado com gesso, barro, pau e pedra, enquanto convive com seus próprios deuses estranhos.

E o trono não é lugar para a coisa criada.
É lugar do Criador


Nenhum comentário:

Postar um comentário