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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Destoando



Calada, parada, isolada... Mas a mente não pára. Buscando sempre o momento certo para agir. Incapaz de dizer qualquer coisa para preencher o vazio. Processando tudo ao redor pra saber o próximo passo.

Tem coisas que confundo. Não sei se é mais personalidade ou se é a neurodiversidade que me faz diferente. Mas sei que  minha forma de ver o mundo não é o comum.

Vejo a grande massa buscar movimento, gente, barulho, calor, toque, novidades, conexão, sintonia com iguais. Mas qualquer mudança na minha rotina já me esvai, já me esgota, muitas vezes só de imaginar já desisto.

Acho o mundo chato, fútil, vazio, barulhento, poluído demais pra querer descarregar bateria.

Então escolho, filtro, processo, observo, escuto e escolho onde invisto o que sou, onde me expresso e quem quero no meu mundo.

Não preciso me expressar em todo lugar. Não preciso preencher todo silêncio. Não preciso estar disponível para todo mundo.

Se não tenho nada relevante a dizer, permaneço calada. Isso dificulta dar manutenção nas relações, mas também ninguém me desestabiliza com dramas que não são meus.

Parece que não estou vivendo? Estou. Vida pra mim é absorver o que amplia minha alma e não apenas buscar distração para o corpo. É contemplar o mistério, deixar que  ele me atravesse e emanar o que ele provoca em mim.

Não acredito em acaso e sempre me percebi como alguém que não vai se encaixar, muitas vezes não vai pertencer e nem passar como mais uma. 

Quem demorar um pouco mais em mim, vai amar ou odiar, esquecer não.

Destoando, mas ainda cumprindo o propósito.

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