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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Num bate-papo informal - sobre inferno

Em algumas conversas com um amigo, temos abordado alguns assuntos interessantes. Como desejo relembrar destes bates-papos num outro momento, vou registrá-los aqui, assim compartilho também com vocês de algumas ideias que defendo nessas conversas. Não vou transcrever a conversa, apenas registrar o que penso a respeito.

O assunto era o inferno e eu comecei dizendo que chamava minha atenção, que os ouvintes de Jesus não se surpreendiam com a ideia de inferno, justamente por conhecerem o Geena, lugar onde se lançavam animais mortos, lixo e onde havia fogo e enxofre. Ninguém se escandalizava com a condenação, até porque só foram ter a plenitude da revelação para entendê-la, quando receberam o Espírito de Cristo, após a ressurreição. Antes disto, viam o Messias como alguém que fosse libertar Israel naqueles dias e não tinham alcance para discernir espiritualmente aquelas coisas.

O que Jesus falava, era compreendido como algo do cotidiano deles. E a ideia de inferno como lugar de tormento, veio muito posteriormente.

Segundo a própria Bíblia, o inferno não é eterno, mas será aniquilado no lago de fogo. Pra mim, soa incoerente que alguém receba um corpo incorruptível para condenação, pois esta carne é pó e não consta que a alma tenha forma e seja combustível. Enfim, pra mim, este é mais um assunto manipulado pela religião, para domínio e controle através do medo e acusação. A ideia de inferno como lugar de condenação que o ocidente tem hoje, é uma influência da "Divina Comédia" de 1302.

Uma vez conversei com outro amigo sobre a visão adventista, que crê no inferno como evento e não como lugar de tormento eterno e ele considerou que assim é muito fácil, porque o camarada pode pecar a vida inteira deliberadamente e no final ser "só" aniquilado da existência. À ele pareceu uma pena leve demais rsrs

Na minha visão é assim (por enquanto). O perdão veio antes do pecado. Deus nos conheceu por presciência e nos separou para si com tudo o que somos, inclusive com nossa história de pecados. Sabe o que nem cometemos ainda, mas não nos despreza porque até nossos erros tem propósito nesta caminhada de crescimento Nele.

Só não será aperfeiçoado quem o desprezar, quem rejeitar o Evangelho, quem perder a confiança nas promessas da ressurreição. Estes serão separados e não voltarão a viver. Fogo consumidor é o próprio Deus e Sua Justiça.

Nele serão extintos a morte e o inferno (sepultura, lugar onde estão as almas) e deixarão de ser, para que a Igreja viva eternamente.

Sou passível de estar enganada, mas é assim que entendo. O amor nos atrai para a perfeição. Rejeitando-o já estamos em densas trevas. A própria vida é uma condenação pra quem não tem esperança. A própria amargura da falta de fé, mina a paz e a alegria. Só no amor, caminho estreito, é possível perseverar e manter a alegria da Boa Notícia, como quem acabou de recebê-la.

Quem ama não tem medo, porque o amor lança fora o medo. Inferno só é ameaça, pra quem se esquiva de amar e se deixa subjugar pela religiosidade. Quem é livre, apesar de se reconhecer miserável e carente da Graça o tempo todo, descansa, porque sabe que o mérito é de Cristo e nunca foi nosso.

Depois que entendi que a morte de Cristo foi eficaz pra perdoar meu passado, presente e futuro e que mesmo antes que eu fosse, Ele já conhecia meus passos, reconheço minha fraqueza e pequenez todos os dias, mas não me condeno. E a a usência de culpa e medo, não e pretexto pra afrontar e viver em pecado, ao contrário, tenho prazer no ensino do Mestre. O que consigo fazer, é porque a Graça me concede fazer. E o que não consigo ainda, em outro momento Ele vai me ensinar.

Houve tempo na minha vida que vivi um verdadeiro inferno, porque não tinha expectativa alguma. Mas agora me vejo eterna, saí do centro, me vejo inserida no todo. Sei que o plano de Deus não será frustrado e não peço nada pro meu próprio benefício. Meu desejo é de crescimento interior, de uma consciência saudável, de sabedoria e discernimento. Não é fácil pra mim também, mas tenho paz e alegria. Pra mim, isso já é o indício do que serei um dia.

Agora imagine o que seria da religião sem a ameaça do inferno nos castrando e impedindo de decidir por nós mesmos. Imagine se não houvesse o medo incrustado na alma para por limite aos impulsos. O homem não sabe que é livre e cria para si grilhões, porque recusa-se a dominar-se.

Assim, terminamos a conversa sobre inferno e começamos uma sobre a tricotomia, que posto assim que concluir.


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sobre a condição humana




A natureza humana é corrompida e o homem exterior não consegue viver sem pecar. Ainda que o homem interior (espírito) julgue pelos parâmetros da consciência em Cristo e evite consumar o ato pecaminoso, o homem exterior (carne) não domina seus instintos, vontades, desejos, tendências. A alma por sua vez, justifica a ação da carne, embora o espírito fique entristecido com o sucumbir.

Contudo, a carne que para nada é aproveitável, clama e geme com sua fome e ânsia por satisfação. O espírito que está pronto, julga o ato antes, durante e depois, para que o homem possa escolher. Embora o homem exterior corra o risco de se contaminar, o interior permanece intacto e mostrará o caminho de volta. Caso caia, o que pode atrasar o processo de edificação, é a alma e sua lógica, conclusões e resistência ao espírito.

Esta guerra interior não terá fim até que sejamos transformados. Até lá, militaremos diariamente para mortificar a velha criatura em Adão, para cada vez mais nos tornarmos semelhantes a Cristo e sua natureza divina.

Não importa o que a alma do homem use como argumento para defender a velha criatura. Ela está condenada por Deus. A partir desta consciência, podemos decidir o que precisa ser destruído e o que deve ser edificado.

Quanto ao pecado, antes de ser consumado já existe nas entranhas do homem. A diferença entre o desejo e a ação é apenas prática. É hábito do homem graduar pecados e classificar a culpa por gravidade. Mas destituídos fomos todos e por nós mesmos estaríamos ainda com nosso escrito de dívida. Nenhum justo sequer. Todos invariavelmente dependentes da Mediação de Cristo.

A alma tentará minimizar a gravidade do desejo, mas no fim das contas, tudo isto faz parte da nossa condição. Só reconhecendo o que de fato é, o homem tem condições de conhecer a Deus. Enquanto se julga capaz de se manter sem pecado, a própria arrogância já é pecar.

Se resiste ao pecado, se vangloria. Se acerta, se enche de orgulho. Fazer o bem infla o ego e até nosso amor é imperfeito. Não há para onde fugir. A natureza corrompida, fatalmente nos lança no chão.

Minha percepção para este dilema, foi alcançado à duras penas. Colhendo consequências e desnudando o que sou diante de Deus, fui alcançando misericórdia e meus olhos foram desvendados.

Não nego meus impulsos e nem culpo ao diabo pelas minhas escolhas. Sei que o propósito de cada erro e acerto é ir me aperfeiçoando para o uso de Deus.

Meus acertos me levam a glorificar a Deus, pois tudo vem Dele, é Dele e volta para Ele. Mas meus erros me mantém simples e dependente do agir de Deus. Minha incompletude me leva a buscá-lo. Minha fraqueza aponta para Aquele que me fortalece.

Um cristão não peca deliberadamente, mas sabe que se pecar tem Advogado. Tem a consciência de que embora mereça o inferno, foi comprado e alforriado para ser um com Cristo. E este nos garante chegar no fim da caminhada vencedores.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Resposta à uma caçadora de marido




Tenho dormido fora nessas últimas semanas, primeiro porque uma amiga passou por uma cirurgia e eu me dispuz a acompanhá-la durante o período de recuperação e depois porque a convenci de comemorar seu aniversário e me ofereci para preparar os salgadinhos da festa. Como não tenho filho pequeno, nem quem dependa de mim, saio de mala e cuia e vou para onde quero.

Nas primeiras semanas ninguém disse nada, mas nessa última, alguém insinuou que eu estava procurando namorado nas bandas daquele bairro. Eu ri e de fato foi engraçado, mas um amigo me abriu os olhos, porque alguns falam, mas mesmo quem não fala, pensa.

Como a moça que fez o comentário é alguém um pouco fixada em arrumar marido, hoje eu estava relembrando e rindo, enquanto me imaginava conversando com ela. Em outra oportunidade vou chamá-la pra um papo e dar umas dicas sobre o assunto.

Quando Deus criou o homem, Ele disse que era bom, aliás, disse que era muito bom e de fato eu acredito nisto. Mas também acredito que é possível viver e bem, sem um do lado.

Uma mulher que se sinta incompleta, não vai conseguir viver só. Se não se casar, vai se sentir inferiorizada com relação às outras. Talvez justifique assim seus complexos e carências e certamente passará a vida tentando se completar no outro, acumulando frustrações.

No tempo de imaturidade, também fui assim. Perdi a conta de quanta gente passou pela minha vida e eu fantasiava uma vida comum com cada um deles. Até perceber que ninguém é perfeito e eu não poderia encontrar todas as virtudes numa pessoa só. Ou ele seria carinhoso, ou seria trabalhador, ou seria atencioso, ou seria pau pra toda obra... dificilmente reuniria em si tudo aquilo que almejei encontrar.

Conforme a vida foi passando e eu amadurecendo, percebi que eu conseguia  construir, mobiliar e manter sozinha a minha casa, as minhas despesas, conquistar os sonhos de consumo, manter as contas em dia, a despensa farta, o guarda-roupa atualizado, as viagens, passeios, enfim, percebi que na simplicidade do que faço para viver, dou conta sozinha.

Também não sou lá muito dependente. Não chego a ser auto suficiênte, mas gosto de fazer minhas coisas individualmente. Rendo mais planejando e realizando sozinha do que em grupo, então não sinto tanto a falta da cumplicidade e parceria comum no casamento. Troco carinho com muita facilidade, mas gosto de estar só no meu cantinho, então me adaptei com o estilo de vida que tenho. Quando quero estar junto, fico. Quando não quero, volto para meu cafofo.

Como não há homem perfeito e tenho muitos amigos, procuro a cada um segundo a sua qualidade e usufruo de cada um dos meninos, sem precisar me casar com eles haha. As amigas já acostumaram a dividir seus maridos comigo. Um me dá carona, o outro empresta o ombro, o outro faz reparos na casa quando precisa, o outro me ensina sobre o Evangelho e troca ideias comigo, e no final tenho tudo o que preciso. Mais ou menos "sou de todo mundo e todo mundo é meu também".

Fico pensando na fissura desta moça em encontrar alguém para casar e sinto pena, porque sei que ela vai acabar casando-se pelo casamento e não para ser uma carne com o futuro marido. Imagine conviver com alguém, dividir com ele a intimidade, ter com ele responsabilidades, sem amor. Imagine que o que era pra ser um momento de prazer, acabe se tornando o pior momento todas as noites.

Infelizmente a maioria das pessoas que não compreendem a solteirice como opção, a relacionam com a falta de sexo. Eu jamais me casaria com uma pessoa para ter sexo disponível, até porque um dia isso acaba. Mas a renúncia, a entrega, a prática em ceder, a tolerância, isso não pode acabar.

Tem também o fato de ninguém garantir que o cabra seja bom de serviço e no caso de não ser, adquire-se mais um problema. E sinceramente? Quem sabe usar os dedinhos, não precisa andar frustrada. (falar isso pra uma evangélica escandaliza. Caçar marido atirando pra todos os lados pode, se tocar e se conhecer, não.)

Enfim, eu diria para a moça: amada, eu não estou procurando homem, nem tenho interesse em encontrar marido. Não fechei as portas de possibilidade alguma, mas também não ando insatisfeita com a vida que tenho. Acho que cada um deve viver segundo o dom que recebeu. Se algum dia for para acontecer, ele que me encontre e trate de me merecer!


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Se o amor se esfriou, como tratar os frios?




Uma amiga desabafava comigo, à respeito de uma cunhada, que mesmo vendo que a mãe estava debilitada e precisando de repouso por causa de uma costela fraturada, permitia que ela cozinhasse e não a ajudava. Indignada, minha amiga dizia não entender como um coração podia ser tão ruim, capaz de ser indiferente à própria mãe.
 
Como estávamos numa festa e não era o momento oportuno para falar, eu só ouvi. Mas tenho uma opinião sólida à respeito do que acontece com esta moça. Não sei se as pessoas envolvidas lerão este texto, mas senti vontade de publicá-lo. Quem sabe posso ajuda-la a entender?
 
Primeiramente, o amor é uma disposição para se doar e servir ao próximo. Ele não espera retorno e não tem vínculo com obrigações. À princípio, é obrigação de uma filha cuidar da mãe nessas condições, mas porque há a instituição família, onde há troca (phileo) e não por causa do amor (ágape). O amor por si só, já dá um passo na direção do outro em necessidade, sendo este parente ou não.
 
Uma pessoa que não consegue amar, não está odiando e nem sendo indiferente. Ela está se colocando no centro, se servindo em primeiro lugar. O egoísta, é alguém que ainda não assimilou o amor de Deus, portanto, está impedido de amar ao próximo como à si mesmo.
 
Uma pessoa egoísta, não deve ser alvo do meu ódio, críticas e acusações, mas deve ser alvo de misericórdia. Devo exortá-la com amor, mas não devo atacá-la por não conseguir amar. Nem ela sabe que não ama, pois só a Graça de Deus, é capaz de desvendar os olhos do homem para a própria condição. E só à partir desta constatação, sabendo que somos dignos de condenação, passamos a agir com misericórdia com estes, até que ele desperte.
 
Se não há testemunho de sermos semelhantes a Cristo, o que fará o egoísta identifica-lo em nós? Se não refletimos Sua Luz, como o egoísta sairá das densas trevas? Descer ao patamar dele para afrontá-lo, é no mínimo infantilidade espiritual.
 
A "acusada" sempre me tratou com o maior carinho, me presenteou e fez questão de ir até minha casa. Logo, é uma pessoa capaz de demonstrar afeto. De forma nenhuma posso trata-la como se tivesse um coração pior que o meu. Só não é ainda capaz de ver, para dentro e à partir de si. Então, se prioriza.
 
Este não é um privilégio desta moça. O amor se esfriou da maioria, ao ponto de classificarmos quem merece e quem não merece o que chamamos de amor. O amor verdadeiro não faz acepções e toma para si a responsabilidade, mesmo que não haja parentesco. Aliás, quanto menor a obrigação, maior pureza haverá na manifestação do amor.
 
O que temos nós à oferecer à Deus, que Ele precise? Que necessidade Dele podemos suprir com nossos favores ou como podemos completá-lo? Que preço podemos pagar-lhe, como retribuição ao que Dele recebemos? Nenhum. Isto é amor.
 
A Graça de Deus nos alcançou e nos resgatou da miséria que somos. Somos pó e poderíamos ser aniquilados, mas o Amor decidiu nos salvar, incondicionalmente, gratuitamente. Este é o amor genuíno, essência divina que uma vez transcendeu à nós, para que pudéssemos emanar na direção do próximo.
 
O egoísta é alguém cego para este amor. Cadáveres limitados ao mundo físico. Gente com urgência em se atender, porque não se enxerga eterno. Para estes, o porvir não existe, se negar para servir ao outro é loucura.
 
Como cristãos, não cabe à nós guerrear contra a carne e sangue. Enxergar para além do que vêem, é compreender a escravidão espiritual, como algo fora do controle do escravizado. Olhar a estes como Jesus olhou aos que lhe matavam: "Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem!"

Registro de um amor sofredor...

 
 
 
O ideal que tracei para a pessoa que desejei pra mim, concretizou-se na minha frente, mas era tarde. Tarde para mim, marcada com tantos percalços, tarde para começar algo novo depois de tantas tentativas vãs e tarde para nós, pois havia um impedimento para que o amor pudesse ser entregue.
 
Não posso compreender a razão de receber uma pessoa tão especial, tal como sonhei a vida inteira, projetando nos outros e me frustrando ao perceber que me confundia. Mas agora ele está aqui na minha frente e não pode ser meu.
 
Amo e tenho mesmo que amar, mas consciente da necessidade da negação da minha vontade. Vontade vem da alma. A negação consciente da vontade é espiritual. O fruto do amor é a doação e a recíproca sempre foi verdadeira. Mas mortificar o que é nocivo nesta relação tão bonita, é nosso desafio.
 
Renunciar também é amor. Deixar ir e deixar ser, é prova do amor mais puro, vazio de qualquer raíz de egoísmo. Não esperar retorno de tanta entrega, é assimilar o que Deus fez por nós, se entregando à quem não podia lhe retribuir.
 
O verdadeiro amor não se porta inconvenientemente. Antes, se resigna pelo bem comum. A carne dói e clama, mas o espírito sabe se equilibrar.
 
Amarei ainda, mas morrendo pra mim mesma, pra que outros possam ser. Ninguém ama sem dor. Por si só o amor é sofredor. Mas é ele mesmo quem permanece para sempre, nos transcendendo à eternidade, onde falta nenhuma haverá, onde toda carência será suprida, pois no Senhor há plenitude para os que crêem.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Milagres são para incrédulos

Havia uma família de cristãos, cujo Senhor também amava. Era uma amizade recíproca, onde tanto o Senhor tinha por eles um carinho especial, quanto cada um membro desta família, guardava no coração cada ensino e cada esperança baseada nas promessas de Jesus.
 
Lázaro morreu e tanto Marta quanto Maria, sabiam que se Jesus estivesse presente alí, poderia curá-lo e evitar sua morte. E mesmo crendo no poder do Filho de Deus, choravam a perda do irmão. Sabiam da ressurreição do último dia, mas davam a situação atual como perdida. Dentro das possibilidades humanas, a morte é mesmo um ponto final.
 
O Senhor se comoveu com a dor, embora já soubesse que aquela morte serviria para manifestar a Glória de Deus, na vida de alguns judeus que estavam alí presentes, consolando as duas irmãs. Milagres não são para crentes. São para que o incrédulo venha a crer.

Quem de fato crê, não precisa de milagres para continuar crendo. Mas ainda assim, pode ser alvo da misericórdia Divina, para que o testemunho edifique à muitos.
 
Então, a ressurreição daquele morto que já era salvo e já não carecia deste milagre, não serviu para impactar sua própria vida e nem a de suas irmãs. Mas serviu para revelar Cristo àqueles expectadores, para que cressem. Até porque, Lázaro morreu posteriormente.
 
Certamente acontecem ainda hoje muitos milagres e maravilhas na vida dos homens. Creio piamente que Deus intervém em nosso favor. Mas a banalização da palavra milagre e a distorção que ocorre hoje em igrejas cristãs, leva a crer que o milagre pertence ao crente, é um direito adquirido, é quase uma obrigação de Deus realiza-lo.
 
Creio que o que define o ambiente propício para que haja um milagre, não é a fé do que busca, mas o perigo deste sucumbir no meio do desespero. Deus age com misericórdia para que este não venha a se perder. A intervenção acontece quando alguém precisa ser impactado para que creia.
 
Um dia recebi uma cura que me livrou da morte já anunciada pelos médicos. Eu era criança e ainda não cria, mas esta cura impactou meus familiares que vieram a crer. Já na idade adulta, tive uma grande crise existencial e questionava à Deus o por quê de ter sido curada, se o Reino é das crianças. Na minha cabeça era injusto estar sofrendo, se poderia estar com Ele no paraíso.
 
Nesta ocasião recebi outra cura do corpo e junto com ela a salvação da alma. Foi um encontro maravilhoso com Deus, onde ficou muito nítido na minha vida o seu amor e o seu cuidado comigo. Naquela ocasião, era necessária esta intervenção, hoje não é.
 
Caso enfrente de novo uma doença, não preciso ser curada para crer que Deus cura. Não preciso resolver todos os meus problemas pra saber que Deus é socorro e auxílio. Não preciso ser poupada de nada nesta vida, pra saber que Deus continua tendo o controle do que acontece comigo.
 
Ainda posso ser alvo de milagres, mas se estes forem usados para manifestar a Glória de Deus à outras pessoas, para que venham a crer.
 
Para mim, ser alvo da Graça de Deus foi o único milagre necessário. Basta!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Aprendendo a reconhecer o verdadeiro Evangelho





A mensagem do Evangelho é algo que o mundo odeia. Cristo na Cruz, é a Boa Nova de que o preço foi pago, mas antes disto, é a constatação de nossa impotência, de nossa miséria, de nossa culpa, de nossos pecados, de nossa incapacidade de salvarnos à nós mesmos.

Ao olhar para Cristo cruscificado, o orgulho precisa ser discipado e isto é algo que a maioria dos homens não desejam fazer. É comum nos vangloriarmos em nós mesmos, é corriqueiro nos supervalorizarmos, exaltar o que julgamos nos sobressair com relação aos outros, queremos ser reconhecidos por nossos méritos, queremos que todos saibam de nosso valor.

O Evangelho não diminui o homem, mas o coloca em seu devido lugar. Quando compreendemos que estávamos em situação de morte e que ao crer recebemos vida, fazemos contato com a miséria que éramos. Sem Jesus, estaríamos pra sempre separados do nosso Pai Eterno, pois não havia um justo sequer.

Então, este evangelho simpático, que promete o céu na Terra, isenta o homem de problemas e os coloca num patamar de superioridade com relação à todo o resto, é uma mentira e um caminho muito perigoso.

Quem de fato prega o Evangelho, é convidado a se negar diariamente, à sofrer perseguições e à passar por muito sofrimento e muitas aflições, porque fomos contemplados não apenas com a salvação, mas com a honra de padecer por  Cristo.

Cristãos verdadeiros, são perseguidos e ridicularizados até por cristãos iludidos por falsas doutrinas. Falar de amor, de perdão, de reconciliação, de liberdade com responsabilidade, dos frutos do Espírito, provoca comichões nos ouvidos. O que as pessoas querem ouvir, são palavras que alimentem o ego e satisfaçam o ventre.

Paulo diz à Timóteo: "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus, serão perseguidos."
O Evangelho é a mensagem de Deus encarnado, Jesus é o Verbo que se manifestou em carne ao mundo, para que por sua Luz, enxergássemos nossa verdadeira condição e entendêssemos que por meio Dele, fomos resgatados para uma nova vida e uma nova esperança. Se o Senhor foi rejeitado e perseguido, porque seus servos não seriam? Se o mundo nos odeia, primeiro odiou ao nosso Senhor.

Paulo nos ensina como suportar tais percalços:

“Agora eu vou para Jerusalém, obedecendo ao Espírito Santo, sem saber o que vai me acontecer lá. Sei somente que em todas as cidades o Espírito Santo tem me avisado que prisões e sofrimentos estão me esperando. Mas eu não dou valor à minha própria vida. O importante é que eu complete a minha missão e termine o trabalho que o Senhor Jesus me deu para fazer. E a missão é esta: anunciar a boa notícia da graça de Deus.” (Atos 20. 22-24)

Quando entendemos que se fazendo maldito no nosso lugar e morrendo nossa morte, Jesus comprou com o próprio Sangue, a vida de muitos escravos, que Nele se tornaram livres para realizar um propósito na Terra, então compreendemos que somos Dele, Nele e para Ele. 

A prioridade já não é nossa vida efêmera, mas o plano de Deus. Então descansamos em Sua vontade, confiantes de que quem nos capacita para a boa obra é Ele mesmo e principalmente, confiamos de que tudo o que Ele desejou será concluído em seu devido tempo, porque Seus planos não serão frustrados, Ele é fiel para cumprir cada Palavra Sua.

Não enverede por caminhos de promessas vãs, de ensinamentos de homens, de distrações que podem fazer de ti um egoísta e não alguém que exale o bom perfume de Cristo, o amor.

O Senhor viveu no ambiente secular, intervindo na angústia, na dor, doença e nas causas humanas. Isto é ser santo, praticar a misericórdia em meio à miséria. Devemos ser assim, santos como Ele.

Aos que vivem aprisionados na religiosidade, cegos às necessidades do próximo, negligenciando no amor, na justiça e na misericórdia, Ele chamou de hipócritas. Aos que amaram as riquezas deste mundo, chamou de loucos. Mas aos que guardaram e obedeceram suas Palavras, chamou de amigos.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

De dentro para fora





O Reino de Deus é estabelecido dentro do homem. É à partir deste governo interior, que o homem faz suas escolhas e vive suas novas experiências, pautadas numa consciência saudável no Evangelho de Cristo.

É do íntimo que brota a verdadeira paz, esta que só Jesus, o Cristo de Deus pode dar, não como a paz temporária do mundo, mas uma paz que independe das circunstâncias. E havendo esta paz interior, a transmitiremos aos nossos relacionamentos. Não pode ter paz com o próximo, aquele que ainda não conhece a paz que só Jesus tem para dar.

Não pode transbordar de alegria, esta que formoseia o rosto, aquele cujo coração está oprimido e cheio de culpas. Somente aqueles que receberam o perdão de Deus, tem leveza e alegria. E somente estes conseguem perdoar e esquecer tudo aquilo o que é desnecessário carregar nas costas.

Somente aqueles que reconheceram o amor que faz expiação de pecados, aquele que lavou nossa culpa por intermédio do sacrifício salvífico de Cristo na Cruz, pode emanar a essência amorosa na direção do próximo. O amor que transcende à nós da parte de Deus, fonte de tudo o que é bom, irradia de nós nos encontros, nas relações, nas trocas...

Se não é à partir de dentro, se nossa essência não foi transformada em nova criação, com nova postura, novas atitudes, novo entendimento, nossas obras serão inúteis.

Claro que o que somos, deve ser expresso em atos, palavras e atitudes, mas nossos feitos não provocarão em nós mudança alguma. São as mudanças que acontecem a partir da conversão, que refletirão na vida prática.

Na fé distorcida, deformada, defeituosa, supomos que o cumprimento dos horários, dos dias marcados para cultuar, dos compromissos, de um protocolo e um esteriótipo, resultarão em bênçãos, benevolências e agrados da parte de Deus.

Deus nunca pediu fatia do tempo de ninguém. Uma vez alcançados pela Graça, somos Dele integralmente. E aquele que entrega o dízimo como dever cumprido e deixa seu próximo passar necessidades, peca. No Evangelho, não se contabiliza entradas e saídas de dinheiro. Se dá enquanto se tem, se ama sem medida e não se acumula, sempre com alegria. 

Amor não é investimento, é Graça, é doação. De nada vale cumprir uma obrigação, negligenciando no amor e na justiça.

Na fé verdadeira e pura, entendemos que todos somos merecedores do inferno, destituídos da Glória de Deus, corrompidos na nossa natureza, completamente dependentes da Graça de Deus, que é favor imerecido. Então nos alegramos nos feitos de Cristo, no mérito de Cristo, nas promessas de Cristo, porque num mercado de escravos nos comprou com sangue e agora somos dele.

Nada do que viermos a realizar nesta vida, acrescenta um ítem sequer para nos tornar merecedores de algo vindo da parte de Deus, não se iluda, não minta para você mesmo. Por melhor que seja seu conceito com relação à você mesmo, ele não testifica à seu favor.

Diante de Cristo, no dia do Senhor, todos aqueles que se achegarem dizendo "fiz isto e aquilo em teu Nome" será chamado maldito, pois estará colocando preço na salvação que é dada de graça ao que crê. Jesus nunca vos conheceu, pois nestes não há a essência amorosa de Deus.

Mas aqueles que mesmo fazendo, não creditam isto em seu favor, antes dizem "Quando fizemos estas coisas ao Senhor?" Estes amaram e são os benditos que entrarão no descanso do Senhor. Reconhecidos por causa do amor.

O que nos molda vem de dentro, pois o Espírito de Deus habita em nós. Assim, cada discípulo irradia para o mundo a Luz de Cristo, esta que faz de nós luzeiros na vida uns dos outros, para a Glória do Senhor.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Semeando santidade




O coração é como um campo e nós somos como agricultores. Colheremos aquilo o que for semeado nele. Há sementes que são para a carne e sementes que são para o Espírito. Nossa colheita dependerá de onde plantamos e do que plantamos.

Como esperar colher o fruto do Espírito, semeando para a carne? Se cultivamos nossas próprias paixões, cobiças, concupiscências, não é certo que acabaremos praticando as obras da carne, que é a natureza caída?

As sementes são principalmente pensamentos e atos. Tudo aquilo o que é filtrado pela nossa consciência e fica retido na peneira, mas que acabamos abrigando, acolhendo, acariciando, permitindo, tolerando, acalentando, gerará segundo a carne, impedindo a santidade.

Semear para o Espírito, é ocupar os pensamentos e atos com as coisas do alto e não com as da Terra. Se semearmos para a carne, colheremos corrupção. Mas semeando para o Espírito, colheremos vida eterna.

Para colher santidade, duas coisas são necessárias: ocupar a mente com as coisas do alto, enquanto arrancamos toda a erva daninha que começa a brotar na carne. Nos edificamos em Cristo, enquanto mortificamos a natureza terrena.

Cruscificar a carne e andar no Espírito. Não há outra maneira de crescer em santidade.

Ler também: Sementes

domingo, 30 de março de 2014

Hagar e Sarah




Já ouvimos tantas vezes leituras superficiais, onde se afirmava que Abraão se precipitou ao ter um filho com Hagar, a egípcia. Pois o filho da promessa deveria nascer de Sarah, sua esposa. Mas conhecendo a explicação de Paulo acerca da escrava e da livre, onde uma representa a Lei e a outra a Graça, vemos que nada do que acontece é em vão e que tudo está perfeitamente amarradinho ao plano de Deus, que era levantar um povo na Terra, para estabelecer Seu Reino Eterno.

Haviam promessas naturais para a descendência natural de Abraão, os hebreus. E haviam promessas sobrenaturais, para os que se faziam herdeiros da fé de Abraão, seus descendentes por meio de Cristo.

Depois que Abraão recebeu a promessa de que seria o pai de uma grande nação e que dele Deus suscitaria uma enorme descendência, tal como as estrelas do céu, e que através de seu descendente, todas as famílias da Terra seriam abençoadas, nasceu Isaque, o herdeiro da promessa e nele, o descendente Jesus, por meio de quem no tempo oportuno, Deus consumou a Obra Redentora.

A promessa foi feita antes da Lei, mas cumprida no Novo Testamento, em Cristo. Pois por meio da fé, todo homem que guarda Nele a esperança, será salvo.

Portanto, Hagar a escrava, é representada pelo Monte Sinai e a Lei. Antes de se converter, todo homem é um Ismael. E Sarah a livre, é a Nova Jerusalém celestial e a Graça que nos converte em Isaque.

Enquanto não tínhamos fé, dependíamos de nosso esforço e éramos escravos do pecado que habita nossa natureza terrena. A Lei servia para apontar nossas culpas. Era como se uma grande carga estivesse sobre nosso lombo, pois jamais poderíamos cumprir todas aquelas regras.

Mas vindo a Luz do mundo, nossos olhos foram abertos pela fé. E nosso fardo foi substituído por algo leve e possível. Viver sem culpa, é incomparavelmente melhor.

A Lei em si é boa. Não podem ser más, cláusulas que dizem "não roubem, não matem, não cobicem, não adulterem". Posto que são ordenanças que protegem o homem. O problema está na nossa imperfeição. É impossível ao homem natural, cumprir toda a Lei e falhando em uma, nos tornamos culpados de todas. Assim, a Lei nos torna malditos e dignos de morte. Ela é boa, mas nela nos tornamos réus inevitavelmente.

Pela fé em Cristo, esperamos Nele a salvação. Foi Ele quem pagou a nossa dívida, se fazendo maldito no nosso lugar e riscando a cédula que nos condenava. Nele somos verdadeiramente livres da culpa e da condenação. Já não observamos a Lei, pois em Cristo, é o amor que nos aperfeiçoa.

A conversão consiste numa confissão: somos incapazes de nos justificar pelas obras e dependemos da Justiça em Cristo. É impossível se converter e ainda crer em mérito próprio.

Assim, já não somos Ismaéis debaixo da Lei, escravos de nossa imperfeição. Mas em Cristo, fomos feitos Isaques, herdeiros da promessa, livres. Um herdeiro não precisa se esforçar para herdar. Ele apenas espera, é herdeiro.

Os da Lei, abrem mão de Cristo. Julgam que a Obra Redentora é imperfeita e portanto devem completá-la guardando mandamentos. Os da Graça, simplesmente descansam e esperam Nele. Pois crêem na Sua Perfeição e na eficácia do sacrifício na Cruz, consumado de uma vez por todas, para que as benesses da Graça de Deus, alcancem Seu povo.


segunda-feira, 24 de março de 2014

Somos da Graça e não da Lei



Existem apenas duas condições para toda a humanidade: ou o homem está vivendo sob a Graça de Deus, pela fé em Cristo Jesus, herdando Nele toda promessa feita por Deus desde os tempos eternos, livre como filho, cidadão do Reino, habitação do Espírito Santo, caminhando com Jesus em toda boa obra, preparadas de antemão para aqueles que herdarão a Salvação.

Ou o homem ainda está sob a tutela da Lei, escravo do pecado, sendo julgado pelas obras que ficam por ela expostas, infantilizado, religioso, culpado, perdido em seus descaminhos.

A Lei foi dada por Deus, não para justificação do homem, mas para que o pecado nele fosse revelado e assim, o homem recebesse a consciência de sua miséria, suas doenças, suas mazelas, sua incompletude, sua deficiência e impotência para se manter de pé, por seus próprios méritos, pela sua própria força.

Em tempo nenhum, homem algum foi justificado pelo cumprimento das obras da Lei, pois homem nenhum a cumpriu, exceto Cristo, o Perfeito. Não há um justo sequer, por isto a necessidade de um Mediador que tomasse nosso lugar e a cumprisse por nós. E por meio Dele e somente Dele, somos justificados.

A Lei expõe a velha criatura, o homem almático descendente de Adão, que mesmo tendo-a escrita em tábuas de pedra e posteriormente em pergaminhos, transcritos e modificados conforme as necessidades do povo hebreu. Pois se o homem não mata, mas odeia, é assassino. Se não adultera, mas cobiça a mulher que não é sua esposa, é culpado. Se guarda o dia santo, mas negligencia no amor e na justiça, imputando culpa à quem Deus justificou por meio da fé salvífica em Cristo, peca.

Paulo é enfático ao explicar que ninguém pode viver a Lei e o Evangelho ao mesmo tempo. Pois a Lei, revelando nossa nudez, nos enche de anseio por sermos revestidos de Cristo. Revelando nossas mazelas, faz-se necessário depender da cura que vem do Senhor. Reconhecendo nossa pequenez, reconhecemos Nele a sua Grandeza. Enxergando nossa mediocridade, anseamos por ser supridos por Cristo, por meio de quem tudo foi criado.

A Lei é a sombra do que haveria de vir e já veio. Não seguimos mais ordenanças externas, mas a Lei de Deus está inscrita no coração do homem que o ama e o serve. Não há mais religião, mas relacionamento entre o Pai amoroso e seus filhos acolhidos por meio de Cristo.

O homem que confia nas obras de suas mãos, está abrindo mão da Obra Redentora. Está num caminho de loucura, pois só em Cristo há justificação. O homem que descansa no mérito de Cristo, é Dele. Para este, já não há condenação.

Quem vive pela Lei, será julgado por ela, embora ela não possa justificar, mas trazer às claras a culpa. Quem vive sob a Graça de Deus, abre mão do próprio ego. Cristo vive por meio destes, pois é o Cabeça de todo o Corpo.

A promessa de que todas as famílias da Terra seriam abençoadas por meio do descendente de Abraão, foi cumprida em Jesus. Ele é a Justiça de Deus.

A Lei que veio posteriormente, com seu propósito de mostrar ao homem sua verdadeira situação espiritual, não anulou a promessa. Ao contrário, ela revelou a necessidade de uma melhor esperança, que promete ao homem ser aperfeiçoado no amor.

A Ordem de Aarão a ninguém pode aperfeiçoar, mas na Ordem de Melquisedeque, fomos feitos Reis e Sacerdotes por Cristo, nosso Senhor e Sumo-sacerdote eterno, para cumprir neste tempo, por meio dos dons, o anúncio de que o preço impagável foi quitado e já não há escrito de dívida para aqueles que crerem.

terça-feira, 18 de março de 2014

Justificados pela fé.

A justificação pela fé, é a cláusula mais importante, se formos usar termos jurídicos para explicar o Evangelho.

Entendermos que Deus é justo e nós não somos, é primordial para compreender a necessidade do sacrifício de Jesus no nosso lugar. Assim, mediando nossa causa, o Cristo de Deus nos reconcilia e nos religa ao ponto de sermos tratados como justos.

Se fosse possível ao homem se justificar por suas próprias obras, Jesus não precisaria passar por nada daquilo.

Enquanto há da parte do homem, qualquer resquício de ilusões quanto à si mesmo, se ele se julga merecedor, se ele entende que obedecendo, tem acesso às benesses de Deus, se há alguma raíz de orgulho, vanglória, ego inflado, se ele supõe que pelos seus méritos, tem sido alvo de bondade e misericórdia, este ainda não está apto para o Reino de Deus. Ainda há um processo a percorrer, para que se esvazie e possa então, ser cheio pelo Espírito de Cristo.

Quando enfim o homem concebe que estava destituído do relacionamento com Deus, justamente por ser o que é, compreendendo a necessidade do Salvador mudar a situação e seu destino final, enxergando em Cristo e em seu sacrifício, a expiação da culpa, então no mérito Dele é que será justificado, entendendo que era réu, mas foi resgatado e liberto, escapando da condenação.

E uma vez comprado à preço de Sangue, passou a ter um Senhor que não só responde por ele advogando, como intercede por ele e tem sua tutela. Toda a obra realizada à partir de então, deve ser aquelas instruídas por seu Senhor, para não ser achado inútil.

Quando Deus olha o homem cujo coração se endureceu para a Boa Nova, o pecado faz uma espécie de bloqueio que não deixa o amor fluir.

Mas quando Deus olha para o homem justificado, é à Cristo que Ele contempla e toda a sua justiça, santidade, perfeição e Ele tem prazer. Há um Mediador religando o homem com Deus e por meio Dele é que as benesses nos alcançam.

Sem Cristo, nada podemos fazer, mas com Ele, podemos todas as coisas.

Assim, compreendemos que podemos dar o sangue, mas aquele que chegou por último, receberá o mesmo "salário". Porque não é o suor do nosso rosto, que nos garante uma vida abençoada, mas a dependência contínua da Graça de Deus, que se manifestou em Cristo, para que vivamos.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Dia da poesia nacional





Ele me olhava... e sorria!
Havia algo de divino
no olhar daquele menino
que de encantos me invadia.

Olhando e sorrindo,
Tocava meu interior
falava ao meu espírito
declarando amor...

A paralisia cerebral, não o aprisionava
era livre para ser e estar
não falava, mas dizia tudo com o olhar
não controlava os movimentos
mas por um momento
correu livre onde o Vento o quis levar.

Acariciei seu rostinho, sua orelhinha, seu queixinho
ele fechou os olhinhos, suspirando em cada carinho

Depois de quinze minutos de troca
me despedi do meu novo amigo
depois que ele se foi na multidão,
percebi que Deus esteve comigo.

(Para Lucas, um menino que conheci no metrô)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Me reparto por ti




Jesus, antes de subir ao Gólgota, reuniu seus seguidores para instruir sobre o que havia de vir. Aquela última ceia, seria o modelo do que deveria ser o futuro grupo que se reuniria em Seu Nome. Onde num mesmo sentimento de comunhão, seriam unidos de corpo, alma, espírito, sendo UM conforme o Filho foi Um com o Pai.

Quando Jesus instituiu a ceia na última Páscoa, tomou o Pão e repartiu entre seus discípulos, dizendo que aquele pão representava seu próprio Corpo, que ele entregava em favor dos homens. O Senhor ordenou que a Igreja iniciada alí, fizesse o mesmo em sua memória. Ou seja, cada membro da Igreja, deve repartir-se em favor de todo o Corpo, amando-nos uns aos outros, como o Senhor nos amou.

Discernir o Corpo, é saber se todo o Corpo está bem. Estamos partindo o pão como símbolo, mas a verdade do símbolo é que você parte a si mesmo para compartilhar com o irmão.

Paulo repreende os Coríntios, justamente porque perderam o sentido da ceia. Cada um servia a si mesmo e negligenciava os irmãos. Uns comiam demais, outros nem conseguiam comer. Quando o correto seria que um cristão servisse ao outro, dando-lhe a preferência e assim, todos se serviriam mutuamente, fortalecendo a comunhão, a troca, o amor e o crescimento proporcional de todo o grupo. 

Se você discerne o Corpo, enxergando o próprio Cristo nele, entendeu perfeitamente como é viver e caminhar no amor com teu irmão. Mas se você está comendo o pão e há alguém que não come por causa do seu egoísmo, você é maldito e come morte para si.

Quem age motivado pelo egoísmo, não sabe amar e é carnal. Estes permanecem fora do Corpo, apesar de participarem religiosamente do rito.

Hoje o que é servido no lugar da ceia, é um simbolismo que esvazia o sentido da comunhão, pois um já não serve ao outro e nem dá ao outro a preferência em se servir. Muitos nem sabem que o ritual que estão praticando, é o fortalecimento do relacionamento familiar no Corpo e não apenas um memorial sobre a morte do Cordeiro em si.

A força da Igreja está no relacionamento. Quanto maior o grupo, mais difícil manter este inter-relacionamento familiar, portanto a congregação enfraquece e definha espiritualmente, pois cada um buscará o bem para o si mesmo e não para o outro, como extensão de si mesmo.

Nos grupos menores, os membros não apenas se encontram para cultuar, mas gastam tempo juntos, se relacionando, se conhecendo intimamente, para que possam ser chamados de Corpo, um organismo que desempenha uma missão, cada um completando com seu dom, o desígnio de proclamar a Boa Nova.

A última ceia do Senhor, foi para preparar a Igreja a encorajar-se na continuidade. Comer e beber juntos, significa compromisso um com o outro. O banquete sacia a fome, mas também alimenta a alma. O que come discernindo o Corpo, festeja a alegria de sermos UM, fortalecendo assim a nossa esperança, até que Ele venha.

sábado, 1 de março de 2014

Sementes

Todos nós sabemos como funciona  um corpo natural. Nascemos, crescemos, na maioria das vezes reproduzimos e depois morremos. Este é o curso natural físico.

Mas a revelação da vida espiritual, foi feita  por meio de metáforas, para que seja possível assimilar com nossa mente. Muitas vezes, os autores bíblicos falam de sementes, árvores, frutos, para demonstrar a nossa situação espiritual. E é sobre este aspecto que eu gostaria de refletir com vocês.

Deus usa materiais e situações que conhecemos, para revelar o que não podemos provar com nossos sentidos, como forma de encher nosso espírito com percepções acerca  do que está oculto.

A semente é a figura representativa de tudo o que a natureza produz. Cada semente dá a forma a um corpo, ou fruto, ou obras.

Nossas obras, boas ou más, são semeaduras que fazemos no chão da existência, o qual no seu tempo colheremos de acordo com o que plantamos.

Vamos relembrar o que aconteceu no Éden. Ambos foram seduzidos pelas palavras da Serpente, que dizia que eles seriam como Deus, conhecedores do bem e do mal, despertando-lhes a cobiça. Assim, a natureza em Adão foi corrompida, estava inaugurado o "si mesmo". A partir do ego despertado, o homem se colocou no centro para satisfazer sua cobiça, por isso desobedeceu a lei. Percebe que antes da desobediência, houve todo um processo?

Paulo diz que o homem é tentado pela própria cobiça. E que o pecado é como uma gravidez, que começa a ser gestada na alma, até ser dada à luz quando é consumado.

Eva, primeiro ouviu as palavras sedutoras da Serpente, depois observou a beleza do fruto e para isto, se demorou a observá-lo, depois foi-lhe despertado o paladar e o desejo de prová-lo e por fim, ela viu que o fruto era bom para dar-lhe o conhecimento, para que fosse como Deus. Assim, ambos deram a luz ao pecado da desobediência à única lei que havia no paraíso.

Assim como foi no pecado original, é conosco. Para praticá-lo, tiramos Deus do centro e nos colocamos lá, pois preferimos nossa vontade, em detrimento à vontade de Deus.

Mas eu quero chamar a atenção para a sentença que eles receberam:

Gênesis 3:15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 

Deus faz referência às duas naturezas que carregamos em nosso ser: uma herdada em Adão, corrompida pela Serpente. E outra herdada em Cristo, regenerada.

Apesar das duas naturezas militarem entre si, a natureza do homem natural fere, mas a do homem espiritual, domina. Se o Semeador lançou a semente do Evangelho e sua terra era boa, você domina sua carne. Se não tem dominado, é porque nem tem lutado. De maneira nenhuma a carne pode subjugar o espírito de um cristão verdadeiro.

1 Co 15:45 a 49 diz assim:

"Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual."

(O 1º Adão era a semente para o homem natural. Era esperado que ele produzisse no reino natural. Mas o  último Adão, esperava-se dele que produzisse no reino espiritual)

"O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu."

(Então Ele tem uma semente, Adão e todos os que procedem de Adão, são uma extensão de Adão, são homens naturais, com obras da carne. E todos os que procedem de Cristo, quando creram, se tornaram uma extensão de Cristo, são espirituais e produzem o fruto do Espírito.)

"Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial."

(Todo aquele que crê, se torna participante da natureza divina. Já não procede como o velho homem, mas se torna nova criatura)

Vimos como se processa um pecado e as consequências dele, também são revividas pela descendência do homem natural. Ele se envergonha e se esconde da  presença de Deus, mas perde o poder de confessar o pecado, antes faz como Adão que acusou a mulher, que por sua vez acusou a Serpente. Um homem natural, tenta justificar a si mesmo.

Os homens espirituais são livres e quando por uma desventura pecam, se arrependem e confessam, esperando que Cristo os justifique.

Deus sempre quis um povo para si e Jesus veio semeá-lo. Haverá o grande dia da colheita. Toda semente produz segundo a sua espécie, portanto o povo de Deus produzirá as mesmas  obras de Jesus. Sabe porque ele falou que realizaríamos obras maiores ainda? Porque cada um de nós produzirá a cem, a sessenta e a trinta por  um. 

Se o velho homem era capaz de produzir à imagem de Adão, então nós seremos capazes de produzir à imagem de Cristo. Nosso objetivo, é ficar cada vez mais parecidos com ele.

João disse, que se alguém permanece na presença de Deus, não peca. Por que será que Jesus nos deu  o livre acesso à  presença de Deus? Foi apenas para que soubéssemos disto, ou foi para que habitássemos lá? E se permanecendo em Sua semente não pecamos, pois quem permanece no amor não pode pecar, então por que esta não é nossa realidade?

É preciso vigiar e orar para que o  pecado não aconteça deliberadamente, pois temos a consciência no Evangelho.

O que impede o homem de cumprir o propósito pro que foi criado, é o apego demasiado ao ego. na medida em que se desapega do si mesmo e da própria vontade, ele cresce mais um pouco em Graça; o propósito de Deus, é um povo com a  plenitude do Espírito Santo. Então, não se contente em ser um cristão meia boca, busque mais, pois Ele tem pra dar.





quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Vasos para honra e vasos para desonra




Amados, eu evito discutir doutrinas, por experiências que tive em fóruns de discussões apologéticas. O Evangelho é simples, a mensagem bíblica é global, mas estes pormenores só servem para separar o povo de Deus, pelo menos os que insistem em se fixar na letra e não permitem que o Espírito os conduza no ensinamento da verdade.

Aprendam a mergulhar além da letra, pois ela mata. Mas o Espírito vivifica e nos abre os olhos para a revelação de Deus, que é Amor. Raciocínio é atributo da alma, mas o Espírito se revela à espíritos. 

Então, não permitam ser persuadidos pela mente de outras pessoas. Não há um livro mais importante que o outro, então, não se fixe em Romanos. Tentarei ser bem sucinta na forma como o leio, não para discutir opiniões, mas para compartilhar minha fé.

"Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Romanos 9: 21)

Para entender o princípio que Paulo está usando, é preciso voltar lá em Jeremias, para entender a analogia que Deus usa sobre o Oleiro, o barro e o vaso.

Jeremias recebe a incumbência de observar um oleiro trabalhando. Este pega o barro e trabalha nele para que se torne um vaso. Mas vendo que o vaso quebrou-se em sua mão, o oleiro o amassou e o refez perfeito. Tudo o que o oleiro realizou, era conforme o seu parecer.(Jr 18:1-4)

Paulo fala da mesma massa, ou seja, do mesmo vaso que antes era para desonra, Deus pode refazê-lo para honra. Este é o princípio de todo o Evangelho, onde Deus nos alcança perdidos e mortos nos nossos delitos e pecados, para nos aperfeiçoar no seu amor, até que alcancemos a estatura de varão perfeito.

Não há aqui nenhuma menção, de homens criados para honrar e outros para desonrar. Se formos honestos conosco mesmos, saberemos que nossa carne milita contra o espírito, ora vencendo e ora perdendo. Ora honrando e ora desonrando nosso Deus, até que o processo chegue ao fim.

Se alguém foi criado para a desonra, tem que ser um monstro do início ao fim. Se foi criado para honra, deve ser santíssimo, porque o plano de Deus não pode ser frustrado. Percebe a loucura desta acepção?

O Profeta Isaias complementa o exposto por Jeremias: "Ai daquele que contende com o seu Criador! O caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? Ou a tua obra: Não tens mãos?" (Isaías 45: 9).

A loucura de contender com Deus, se resume num ponto:  Ele sabe o que faz, mas para nós, seus desígnios são inescrutáveis. A criação não sabe porque foi criada, mas o Criador sabe o porque a fez. E tudo o que for necessário fazer para nos refinar, nos moldar, nos aperfeiçoar, nos desenvolver, será feito, entendendo isso ou não.

Voltando à Jeremias, note o que Deus lhe disse: "Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? Diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel" (Jeremias 18: 6- 7)

Todos nós sabemos que o povo de Israel foi eleito para que o Messias nascesse no meio deles. Mas Paulo em romanos, diz que Israel foi endurecido para que o Evangelho alcançasse também os Gentios e nós fôssemos enxertados no Ramo. Percebe que o agir de Deus tem um propósito eterno? Primeiro escolheu, depois endureceu, com o propósito de sermos todos iguais. A Justiça para todo o homem é Cristo.

Alguns achavam que Deus havia falhado com Israel. Para rebater os judeus contradizentes, Paulo usou esta figura do Oleiro, o barro e o vaso.

"Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai; nós o barro e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos" (Isaías 64: 8). Agora entendemos que o homem é feito à partir do barro e moldado pela Graça de Deus, até tomar a forma perfeita. Se quebrar, será amassado e refeito.

Neste processo, desde nossa criação, todos nós passamos por imperfeições, porque antes vivíamos pela natureza de Adão. Todos já fomos vasos de desonra, mas refeitos por meio da Graça, segundo a natureza incorruptível que é Cristo. Deus usou a mesma massa, pra  fazer vasos diferentes.

O homem não honra a Deus, quem honrou foi Cristo. E nós, por meio da fé Nele. Dizer que uns foram criados para honra e outros para desonra, seria o mesmo que dizer que alguns homens nasceram com a natureza de Adão e outros com a natureza de Cristo. Sabemos que não é assim, pois a carne e o espírito militam entre si, enquanto formos carne. Mas a mesma massa produziu dois vasos distintos: antes, inclinados para o pecado, agora, livres.

  • Deus exerce o seu poder sobre o barro para fazer vasos (homens), diferente da idéia de que Deus exerce poder sobre os vasos; Obs.: o senhorio do pecado ou da obediência sobre os homens vincula-se respectivamente a Adão e Cristo, visto que, a quem o homem se oferecer por servo para obedecer, será servo de quem obedecer: ou do pecado ou da obediência (Romanos 6: 16);
  • Adão vendeu-se ao pecado, e com ele todos os seus descendentes (humanidade).
Todos que crêem em Cristo, conforme diz as Escrituras, são vasos para honra, visto que, em Cristo todos são feitos participantes da natureza divina, contados como filhos de Deus. E consequentemente, todo homem que rejeita a Cristo e seu Evangelho, permanece no mesmo estado de antes, vaso de desonra.

Cristo morreu pelos pecados do mundo inteiro, é o que diz a Bíblia. Portanto, o que passar disso, é interpretação humana, baseada na acepção que Deus não faz, mas nós fazemos.





sábado, 22 de fevereiro de 2014

Moradas





Jesus estava indo até a Cruz, preparar-nos lugar espiritual. O lugar que Cristo foi preparar, chama-se  Corpo.

É o único lugar entre o céu e a Terra, onde Deus e o homem podem habitar juntos. O homem no Corpo como membro e Deus no homem que guarda e pratica a Palavra.

As muitas moradas onde Deus habita, são seus filhos, Sua casa. Ele nos edifica para a eternidade.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Evangelho nos encontros




O Evangelho é Cristo. Quem está em Cristo, vive o Evangelho. Jesus não ia ao encontro de todos os doentes para os curar, nem se sentia o tutor de todos os desequilibrados, mas todo aquele que vinha ao seu encontro em busca de socorro, cura, libertação, recebia.

Se precisava de cura, era cura que recebia, se procurava edificação, recebia. Jesus dava o pão conforme a fome, dava a água conforme  a sede, supria a necessidade que havia.

Para isto, ele precisava ser mais que o Salvador do mundo, era necessário caminhar junto, olhar nos olhos e conhecer a carência de cada um.

Jesus tinha tempo com as pessoas, amava nos encontros, sentava-se para comer juntos, servia a cada um, conforme suas próprias expectativas. Com o mesmo amor que ensinava nos montes, à uma grande multidão, ensinou à Maria, sentada aos seus pés. Ele tanto pregava à multidão, quanto respondia a cada questão que surgia.

Jesus é o Bom Pastor, mas também é o Mestre, mas também é o Médico, mas também é o amigo íntimo. Seu ministério era no tete a tete, nos encontros, nas andanças, com gente cheia de mazelas. Era atento à quem o procurava.

Hoje os homens se ensoberbecem em seus ministérios e não se preocupam em olhar para o exemplo de Cristo. São pastores que pregam às multidões, mas não apascentam rebanhos. São discursos cheios de "eu sou, eu sei, eu tenho, eu faço, eu conheço" mas cegos com relação à quem caminha a um palmo de distância.

Quanto mais espetáculo e performances, melhor. Mas as multidões seguem vazias, sem o conhecimento do Evangelho genuíno.

Não há como amar a Deus, se negligencio meu irmão. Ou me torno o Evangelho na vida das pessoas, se é que Jesus vive em mim, ou sou um sino que retine, frio e barulhento.

Ou estou atenta à necessidade dos que caminham comigo, ou sou uma farsa, mascarada de cristã. Não basta um discurso na ponta da língua. A Graça que recebi, precisa emanar na direção do meu próximo. E não é apenas nos momentos em que eu separo "para Deus". É na vida, o tempo todo.

Se meu ego não existe mais, se o "si mesmo" está mortificado pela minha consciência no Evangelho, não posso praticar apenas quando me convém. Nem posso acolher os de fora, porque vão alimentar meu status de líder, se negligencio os de dentro da minha casa, porque para estes, é mais difícil interpretar um personagem. Não é possível arrumar a casa dos outros, enquanto a minha desmorona.

Ser cristão é antes de tudo, andar na verdade. Não só de língua, não só com palavras vazias, mas na prática constante de amar.