Sem mais nem menos a criança disse: "Igreja, aleluia, Jesus tá vindo." E a mãe atônita, disse que não era algo que a menina estava acostumada a ouvir.
Um pastor resolveu então, juntar este vídeo e outros, onde crianças narram suas próprias experiências. Alguns bem pequenos, outros maiores. Uns diziam estar vendo, outros contavam sonhos bem complexos, com alegorias eregadas à muita emoção.
A última relatou com riqueza de detalhes o sonho que acabara de ter. Entre lágrimas e soluços, narrava sua experiência.
Eu, emotiva que sou, estava ouvindo atenciosamente, com os olhos marejados.
Meu neto neurodivergente, que não é criado em contato com nenhuma religião, estava ao meu lado e disse: "Elas são muito sensíveis ao Espírito Santo". O que me surpreendeu.
Perguntei:"Você sabe quem é o Espírito Santo?"
E ele: "não"
"Quem te falou sobre o Espírito Santo?"
E ele: "ninguém"
Perguntei:" Uai, então como você disse que elas são sensíveis ao Espírito Santo?"
E ele: "Eu não sei, eu só falei"
Eu disse a ele: "você também é bem sensível ao Espírito Santo".
E ele: "naaao" como quem não sabe se é algo bom ou ruim, o que me fez perceber que ele realmente não sabia o que estava dizendo.
Apesar da minha fé, procuro não interferir na criação que os pais dão a ele, pois são separados. Um é espírita e não crê que o Espírito Santo é um ser e o outro é ateu.
Ele poderá, um dia, construir a própria compreensão sobre Deus — ou não. E, se alguma experiência espiritual realmente fizer parte da trajetória dele, ela não precisará ser fabricada por mim.
A fé pode acolher o mistério sem precisar transformá-lo imediatamente em certeza.
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