A única forma de nos relacionarmos verdadeiramente com Deus é também reconhecê-lo no próximo. É mentiroso aquele que diz amar a Deus enquanto negligencia o outro.
O homem que ora três vezes por dia e jejua toda semana não demonstra, por isso, maior intimidade com Deus do que aquele que acolhe, alimenta, hospeda e supre as necessidades do outro.
Quem serve a um pequenino, serve a Cristo.
Quem o negligencia, despreza a Cristo.
Não estou pregando ativismo, como se a quantidade de coisas que fazemos pudesse nos aproximar de Deus. Falo do amor que se torna dom, como resposta àquilo que recebemos primeiro.
Porque o amor recebido não permanece estéril.
Ele transborda.
E quando a oração não alcança o próximo, o jejum não produz misericórdia, a devoção não produz acolhimento e a fé não se transforma em cuidado, todo esse esforço corre o risco de ser apenas religiosidade.
Deus não precisa da nossa performance religiosa. O outro precisa do amor que dizemos ter recebido de Deus.
Nossa relação com Deus se torna visível no modo como tratamos quem nada pode nos oferecer em troca.
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