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domingo, 13 de setembro de 2026

Jesus faz pensar

A insinuação encontra pouso, a afirmação resistência.

Talvez porque a insinuação não obrigue ninguém a se posicionar. Ela chega disfarçada de dúvida, pergunta, comentário ou possibilidade e deixa espaço para que o outro complete o sentido. Por isso, muitas vezes entra onde uma afirmação direta seria barrada.

A afirmação, porém, traz consigo o peso da clareza. Quando algo é dito sem rodeios, já não há tanto espaço para fingir que não se entendeu. É preciso concordar, discordar, questionar ou se defender.

A insinuação sugere. A afirmação expõe.

A primeira pode ser acolhida sem compromisso; a segunda exige uma resposta.

Talvez seja por isso que tantas pessoas sejam mais receptivas àquilo que apenas lhes dá uma ideia do que àquilo que lhes apresenta uma verdade que contraria suas convicções.

O que é insinuado pode encontrar pouso na dúvida. O que é afirmado precisa enfrentar a resistência da certeza.

Jesus usava parábolas, metáforas e outras imagens não simplesmente para insinuar aquilo que queria dizer, mas porque esse modo de falar alcançava o ouvinte por outro caminho. Em vez de entregar uma conclusão pronta, ele frequentemente colocava uma história diante da pessoa e a fazia pensar, interpretar e se posicionar.

Veja, por exemplo, a parábola do bom samaritano. Jesus poderia ter dito diretamente: “Você deve amar o seu próximo, inclusive aquele que considera seu inimigo.” Mas contou uma história. E, ao final, perguntou: “Qual destes três te parece ter sido o próximo?” O homem teve de chegar à resposta por si mesmo.

A parábola não é exatamente uma insinuação. Ela é uma verdade vestida de história.

A pessoa baixa a guarda porque não está sendo imediatamente confrontada com um “você está errado”. Ela escuta uma narrativa, identifica personagens, julga atitudes, toma partido — e, quando percebe, está julgando a si mesma através da história.

Natã fez algo semelhante com Davi ao contar a história do homem rico que tomou a única cordeirinha do pobre. Davi se indignou contra o personagem antes de perceber: “Tu és esse homem.”

Talvez seja justamente uma das genialidades do ensino de Jesus: algumas verdades precisam entrar pela porta da percepção antes de chegar à porta da convicção.

A afirmação pode levantar uma muralha. A pergunta abre uma fresta. A parábola oferece um espelho.

E, diante do espelho, é muito mais difícil discutir com quem está refletido ali.

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