Surgiu uma questão que achei interessante, finalmente. O ateu perguntou o por quê Deus ter reagido à torre de Babel e não às estações espaciais.
A questão é que Babel não é uma história sobre Deus punindo seres humanos por construírem algo alto demais. Se fosse, a estação espacial seria mesmo um problema para a narrativa.
Em Gênesis 11, a torre aparece dentro de uma história sobre unidade, poder, centralização e soberba humana: “façamos para nós um nome”. O problema narrado não é a altura da construção, mas aquilo que ela representa.
E há outro detalhe: o próprio texto não diz que Deus “destruiu a torre”. Ele diz que Deus confundiu a linguagem e dispersou o povo. A torre sequer é descrita como tendo sido derrubada por Deus.
Portanto, comparar Babel com uma estação espacial é como comparar uma parábola sobre poder e pretensão humana com uma obra de engenharia. A estação espacial não está “tentando chegar até Deus”, e seus astronautas não estão construindo uma civilização para fazer um nome para si diante de Deus.
Se alguém entende Babel literalmente como “Deus impediu o homem de subir ao céu”, então realmente terá de explicar por que foguetes não provocaram a mesma reação. Mas isso é um problema da interpretação que a pessoa escolheu, não uma contradição que o texto necessariamente apresenta.
A estação espacial não refuta Babel. Ela apenas mostra como fica estranha uma leitura de Babel que transforma “céu” em coordenada geográfica.
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