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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Percebendo o que não cabe nas mãos

Não tem como aprender tudo dentro de casa, mesmo que nossos pais passem todo o tempo do mundo nos orientando. Há coisas que só aprendemos quando saímos, experimentamos, escolhemos e decidimos. É pelas consequências das nossas escolhas, pelos acertos e pelos erros, que vamos amadurecendo.

Também não tem como passar a vida inteira estudando dentro de quatro paredes. Chega uma hora em que é preciso praticar: tentar, errar, compreender onde erramos, tentar novamente, buscar, trocar experiências, relacionar-se, resolver problemas. É assim que nos qualificamos, ampliamos nossos horizontes e alcançamos outros patamares.

Com a vida espiritual não é tão diferente.

Cada pessoa está em uma determinada frequência de percepção. Há dimensões que não se revelam apenas pela razão, pela lógica ou pela necessidade de provas objetivas. Para perceber determinadas coisas, é preciso afinar os sentidos, silenciar alguns ruídos, sensibilizar-se, purificar as intenções, abrir espaço para aquilo que não pode ser medido.

Não se trata de desligar a razão. Trata-se de compreender que a razão não é o único instrumento de percepção.

Como alguém que exige uma prova material da existência de Deus poderá reconhecer uma manifestação que não é material?

Como alguém que não filtra sequer o que diz, que transforma pessoas em objeto de escárnio e passa o tempo inteiro ridicularizando aquilo que não compreende poderá perceber, pela sensibilidade, pela intuição, pelo silêncio, o mistério, o imaterial e o subjetivo?

Talvez não seja Deus que esteja ausente.
Talvez sejam os nossos próprios ruídos que estejam ocupando todo o espaço.

Há coisas que não se encontram porque não estão escondidas. Estão apenas além do alcance de quem procura com a ferramenta errada.

E talvez a fé seja justamente isso: não abandonar a razão, mas reconhecer que existe um território onde ela deixa de ser a única autoridade.

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