Ninguém escolhe onde vai nascer, o sexo que terá, a família que o educará, as batalhas que enfrentará, as doenças que terá ou as intercorrências que viverá. Há coisas que simplesmente nos acontecem, sem que tenhamos sido consultados.
O que cabe ao homem escolher é se obedecerá ou não à essência amorosa que transcende de Deus para o homem e emana do homem em direção ao próximo.
Amor é decisão. É escolher fazer o bem, mesmo quando nossa própria natureza conspira contra nós. É negar o impulso de colocar o próprio interesse no centro e reconhecer que o outro também importa.
Não fazemos o mal somente quando matamos, roubamos ou ferimos deliberadamente. O mal começa antes, quando tiramos Deus do centro e nos colocamos em seu lugar.
Talvez o pecado mais profundo não seja simplesmente fazer o que é mau, mas assumir para nós mesmos o lugar que não nos pertence: o centro. Porque, quando o homem se torna o próprio centro, o outro deixa de ser próximo e passa a ser obstáculo, instrumento ou ameaça.
Amar, portanto, é mais do que sentir. É uma escolha diária de deslocar-se do centro para que o bem possa ocupar o lugar que lhe pertence. É permitir que aquilo que procede de Deus atravesse nossa vida e alcance quem está ao nosso redor.
Não escolhemos tudo o que nos acontece. Mas podemos escolher o que emanará de nós a partir daquilo que nos aconteceu.
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