Durante todo o tempo,
O corpo me limitou.
Tornou-se um aprisionamento
para uma alma cansada.
Um olhar de despedida
já me dominava,
como quem desiste
dos anos que ainda faltam.
Dia após dia,
soterrada em dor e peso,
estava quem eu sou,
quieta, esperando o fim.
Mas depois da curva
tem vida, sim.
Há uma mulher no espelho
olhando para mim
com olhos admirados,
como quem contempla uma vitoriosa.
Como quem finalmente encontra
e abraça alguém
que esteve distante por tanto tempo.
Alguém que lutou
com todas as forças
para se reencontrar.
Para salvar
quem realmente importa.
Não para caber
na vida dos outros,
não para corresponder
ao que esperavam de mim.
Mas para viver a minha própria vida.
Para colher o que plantei.
Para reconhecer meu merecimento.
Para olhar meu reflexo
e, finalmente,
gostar de encontrar quem está ali.
Depois da curva
não existe um final.
Existe o recomeço.
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