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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Agora que já sei quem sou


Depois dos 50, a consciência do não pertencimento vira um tanto faz.

Parece que a invisibilidade nos garante o direito de ser e fazer o que quisermos.

As pessoas deixam de nos observar e, muitas vezes, deixamos de importar.

Se nos arrumamos ou se nos descuidamos, ninguém quer saber.

Ninguém mais parece interessado em ouvir o que temos a dizer.

O mercado de trabalho se fecha.
O corpo perde o vigor.
Envelhecer machuca e liberta.

A gente perde a necessidade da aprovação, mas também perde a atenção.

E há uma estranha ironia nisso tudo: quando finalmente aprendemos a não viver para sermos vistos, descobrimos que quase ninguém mais está olhando.

Já não precisamos provar quem somos.
Mas também já não há tanta gente querendo descobrir.

Depois dos 50, talvez a liberdade tenha mesmo esse preço: a gente deixa de ser importante para muitos justamente quando começa, finalmente, a ser importante para si.

Agora que já sei quem sou, ninguém mais quer saber. E pela primeira vez, isso não precisa me impedir de ser.

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