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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Deixando as coisas de menino

Um pouco de fermento leveda a massa inteira, a ponto de alguns líderes que se dispõem a pregar o Evangelho transformarem-no em veneno, completamente nocivo à saúde espiritual dos que os ouvem.

De fato, o evangelho simpático aos ouvidos carnais promete abrir portas, garante vitórias, segrega, distorce, engana, manipula, escraviza, vicia e cega uma multidão incontável de débeis na fé.

Gente que lê e não compreende, escuta e não ouve, olha e não enxerga, enquanto engole uma gororoba evangélica incapaz de promover crescimento, inútil para edificar, mantendo cativos numa ilusão aqueles que usam o nome de Jesus sem jamais terem aprendido a andar com Ele.

Sanguessugas da fé, insaciáveis meninos birrentos, que terminam frustrados em sua própria atrofia, sem jamais terem experimentado a profundidade da Graça de Deus. Chega!

Todo aquele que deseja andar com Cristo terá que compreender que carregará a marca dele e será reflexo de seu Senhor.

Sim, padecerá. Sofrerá escárnio, será abandonado, dará a cara à tapa, será traído, poderá ser negado pelos amigos e, muitas vezes, caminhará sozinho.
Contudo, permanecerá amando.

Os filhos de Deus, à semelhança de Cristo, passarão por muitas aflições. E o consolo não está em imaginar que serão poupados delas, mas em lembrar que o Senhor venceu tudo o que lhe foi proposto, permanecendo firme até o fim.
Nosso alvo é ser como Ele.

E suas palavras continuam ecoando dentro de nós, porque são espírito e vida:

Não desanimem. Estou com vocês até o fim. Perseverem. Não retrocedam. Sejam constantes. Sua felicidade está na certeza de pertencer a mim.
Você é bem-aventurado quando sofre injustiça, quando é perseguido ou quando chora por minha causa. É bem-aventurado quando permanece humilde, fiel, manso e pacificador, porque aprendeu comigo.

Observem a vida de Paulo. Depois de sua conversão, ele passou a conquistar coisas para si mesmo? Ao contrário.

Despiu-se de quem era para ser revestido de um novo homem, cujo viver passou a ser Cristo. E chegou ao ponto de considerar a própria morte por Cristo como lucro.

Quem quiser continuar enganando a si mesmo, coma mais desse alimento estragado.

A tolice lhe garantirá muitas companhias e o manterá nas amenidades, na superfície, nas basicalidades, na carnalidade.

Mas quem não estiver disposto a perder pessoas, abrir mão de status e esvaziar-se de si mesmo jamais compreenderá as coisas do Alto em sua profundidade.

É preciso tomar cada qual a sua cruz e conviver com seu próprio espinho fincado na carne.
E não faltarão filhos das trevas para apontar o dedo em riste.

Mas a Graça bastará.

Padecer por Cristo não é uma condenação, nem um troféu.

É o preço de permanecer fiel quando seguir a Cristo deixa de ser conveniente.

E talvez seja justamente aí que deixamos as coisas de menino: quando já não buscamos Cristo pelo que Ele pode nos dar, mas desejamos ser semelhantes a Ele, ainda que isso nos custe alguma coisa.

Porque o alvo nunca foi uma vida sem cruz.
O alvo sempre foi Cristo.

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