Por que meu jardim é bonito?
Porque em cada cova de perda,
plantei uma flor.
Onde a vida abriu um buraco,
não deixei apenas a terra nua.
Coloquei uma semente,
molhei com lágrimas
e esperei.
Plantei flores sobre despedidas,
sobre portas que se fecharam,
sobre pessoas que partiram,
sobre sonhos que morreram
antes de chegar ao fim.
Plantei flores onde fui ferida,
onde fui esquecida,
onde precisei recomeçar
sem entender por quê.
Hoje, quando alguém olha meu jardim
e pergunta de onde vem tanta beleza,
não vê as covas escondidas
sob as raízes.
Não sabe quantas vezes
precisei ajoelhar sobre a terra
para chorar o que perdi.
Não sabe quantas flores
nasceram de lágrimas.
Porque as perdas
não são a última palavra.
Onde me tiraram algo,
nasceu sabedoria.
Onde me faltou amor,
aprendi a acolher.
Onde me feriram,
aprendi a não ferir.
Onde precisei recomeçar,
descobri que ainda havia vida
debaixo da terra.
E assim,
sem perceber,
fui transformando meu próprio luto
em primavera.
Talvez seja isso
que a Graça faz conosco:
não impede que a terra seja revolvida,
não devolve todas as flores que perdemos,
não apaga as marcas das estações.
Mas faz até aquilo que doeu
cooperar para o bem.
Às vezes, para o meu bem.
Às vezes, para o bem de quem chega
e encontra sombra debaixo das minhas árvores.
Porque meu jardim não é apenas
o lugar onde sobrevivi às minhas perdas.
É também o lugar
onde outros podem descansar.
Meu jardim é abrigo.
Para mim.
E para o próximo.
É a beleza que eu não plantei sozinha:
O que chamei de perda,
a Graça fez florescer
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