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sábado, 26 de outubro de 2013

O Alfa e o Ômega






Dando continuidade ao que comecei, vou falar um pouco sobre o que representou a antiga aliança de Deus com os homens. Como parênteses na história, a Lei não serviu para aperfeiçoamento, mas para revelar que no tribunal de Deus, somos todos réus, porque todos pecamos e destituídos fomos de Sua glória. Ela revela que se não for pela Mediação de Cristo, o Perfeito, não há religamento, não há restauração da amizade com Deus.

Todo o velho testamento é sombra do que haveria de vir. Jesus cumpriu o que apontava para Ele como sombra na Lei, nos Profetas e nos Salmos. Cumpriu minimamente tudo o que falaram à seu respeito. Ele tabernaculou entre nós, sendo desde o Cordeiro Imaculado oferecido para expiação da culpa, até o Sumo Sacerdote que nos religou.

Desde o Éden tudo apontava para Ele e tudo o que haveria de passar pela humanidade. Quando lemos que Ele levou sobre si a nossa dor, não significa que não iremos mais sofrer, mas tudo o que tivermos que passar, Ele suportou por nós na própria carne. Nossa dor estava sobre Ele em forma de abandono, traição, perseguição, afronta, desprezo, agressões, intrigas, aflições, calúnias, julgamento injusto... Jesus sofreu todas essas coisas sendo inocente. Esta dor era nossa e Ele a atraiu para si.

O rosto de Jesus, é marca d'água até onde nem imaginamos: Jesus é Noé resgatando e pondo a salvo os seus. É Abraão, o pai de uma nova nação, é Isaque, sendo oferecido como oferta pelo pai, é José, vendido por um saco de prata, é Moisés, chamando escravos à liberdade, é Josué, apontando para a Terra prometida... Tudo aconteceu por causa Dele, para Ele e por meio Dele. O Alfa e o Ômega, O que era, é e há de vir.

Fica mais fácil entender agora, que todo aquele que faz parte do Corpo de Cristo, ainda tem uma cruz a levar. Da mesma forma que a simbologia do Antigo Testamento aponta para Jesus, que consumou todas as coisas, do Novo Testamento até os dias de hoje (e será até o fim) o que passamos nesta vida como membros do Corpo de Cristo, é reflexo do que Ele mesmo padeceu.

À nós foi dado o privilégio de não apenas crer em Jesus, mas também de padecer por Ele. A Salvação é Graça, mas anunciar o Evangelho tem um preço, pois o mundo que rejeitou o Cabeça, não acolherá seus membros.

Mas Ele ressuscitou e foi recebido com glória e como Noiva ansiosamente O aguardamos. Dizemos Vem! Queremos entrar no Teu descanso! Maranata, oh vem, Senhor Jesus!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Quem conspira contra mim?




O assunto deste post, não é sequência dos anteriores. Foi algo que meditei hoje, depois que meu amigo Roberto comentou sobre o que postei há alguns dias aqui. Ele ressaltava minha transparência, em passar no texto o que estou sentindo e alí naquelas linhas breves, ficou registrado um momento de dor.

Hoje eu pensava no anseio que o homem sente em ser socorrido nesses momentos em que a carne nos desestabiliza. É preciso manter a consciência, de que um espinho só pode atingir mesmo a carne, porque o espírito está pronto. Sabendo disso, o foco muda e a dor alivia. Foi o que vi nos dias posteriores. Saber que Jesus está comigo, aconteça o que acontecer, me basta.

A intervenção divina, é a tábua de salvação para quem está sucumbindo. A ideia que a religiosidade prega, é que a fé provoca milagres e que Deus intervem conforme o merecimento. Mas penso que seja o contrário. Quando alguém está prestes a perder seu último fio de fé, Deus o resgata para que não morra.

Quanto mais fé, maior a resignação no meio dos problemas, doenças, perseguições, adversidades. Sabemos que não seremos poupados neste mundo. Jesus não foi, os primeiros cristãos não foram e os cristãos sinceros de hoje, passam por tudo isso.

Mas o fraco na fé, não suporta o sofrimento, a perseguição não produz nele a perseverança, as doenças incitam-lhe o medo, o fracasso o faz infeliz. Então, para que ganhe tempo até que cresça, Deus o livra. Em compensação ele não é aperfeiçoado na fraqueza. Em outro momento, enfrentará as mesmas dificuldades, pois Deus deseja filhos que o representem e não meninos acovardados com o mundo.

Meu espírito sabe que o que eu tiver que passar por causa de Cristo, será revertido em glória eterna. Ele sabe que receberei honra por ter suportado todas estas coisas, mas o espinho fere a carne, que urra e pede socorro. E é igual pra todo mundo essa oscilação, essa aparente contradição, para que ninguém se glorie senão no Senhor.

Nada pode abalar um espírito pronto, mas nos desestabilizamos quando olhamos para a carne transpassada. Nessa hora reconhecemos nossa vulnerabilidade. Nossa fraqueza nos lembra a todo momento nossa condição de réus, para que entendamos sempre a nossa dependência na mediação de Cristo.

A conversão não nos torna semi-deuses. É de suma importância compreender que não merecemos a Graça, para amar ao próximo com a mesma misericórdia com que fomos amados. Mais do que a inimizade do mundo, a nossa própria carne conspira contra nós, porque tira nossos olhos do alvo.

Olhar para o propósito eterno fortalece. Os desafios continuarão acontecendo, até que nossa postura diante deles mude. E eu anseio pelo dia em que vou enfrentar todas as dores sem me abalar. É claro que a carne não quer doer, mas se já não sou eu quem vivo, que se complete em mim todo o propósito para o que fui chamada.

A Graça me basta. Toque em mim. Sou o Corpo de Cristo. Veja minhas marcas de dor e o reconheça. Sou quem te ama, te acolhe, te perdoa, te orienta e te dá esperanças. Sou quem se entrega por causa do amor. Sou quem te absolve de toda a investida contra mim.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Amor, vínculo da perfeição




Darei continuidade ao assunto que comecei no texto anterior, onde comecei falando sobre atemporalidade. Assim fica mais fácil assimilar que antes que houvesse homem, pecado e morte, já havia amor, perdão e cura. Sim, o plano redentor de Deus, nasceu na eternidade, antes que houvesse mundo.

Para mentes encerradas no tempo, é um assunto bastante complexo. Mas levando em conta que todo homem tem um espírito e pode discernir por meio dele, deixo fluir o que intuí.

Como já disse aqui, na eternidade, por presciência, Deus entrou em acordo consigo mesmo ao nosso respeito e abriu a Porta, por onde passariam os remidos, desde que aceitassem se negar para que o amor fluisse. É escolha de cada homem passar por ela, ou ficar de fora. O que Deus havia de fazer por nós, já foi feito e consumado no tempo. Agora, cada homem pode escolher crer ou não na Boa Nova.

     Desde o início da história, vemos homens se relacionando com Deus, se achegando à Ele e sendo orientados por Sua Vontade boa, perfeita e agradável. No contexto da história bíblica, há uma galeria dos heróis da fé, que são homens que  viveram antes e durante a Lei Mosaica, que manifestaram sua confiança e dependência em Deus. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara, Isaque, Jacó, José, Moisés, Raabe, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel. Todos estes deram testemunho de terem vivido pela fé, mesmo sem Lei. Alguns, mesmo vivendo no contexto da Lei, viveram sob a Ordem de Melquisedeque, segundo o governo divino dentro de si e não sob obediência à ordens externas.

    Até hoje, embora a Igreja perpetue a Lei para Israel, contaminando a Graça, o que Jesus veio ensinar é um caminho muito mais excelente: o Amor. Ele não ensinou uma nova religião, nem um novo conjunto de podes e não podes, mas uma nova mentalidade, uma nova postura diante da vida, onde a essência amorosa de Deus é nossa maior influência.

      O amor é o vínculo da perfeição, é ele quem alimenta a fé e faz crescer o conhecimento da verdade. Amor é uma nova mentalidade que separa o joio do trigo. É a essência amorosa que nos faz conhecidos de Deus e nos torna seus cooperadores no anúncio do Evangelho. Só o amor aperfeiçoa, só o amor nos torna UM em Cristo.

      A Lei foi um parênteses na história, com o propósito de revelar a dependência do homem na misericórdia de Deus. É impossível ao homem ser aperfeiçoado por mérito próprio, por isso Jesus se fez nosso mediador. Por meio da redenção em Cristo, estamos religados, mas se rejeitamos a intervenção divina, ainda somos donos de nossas culpas.

     O Amor é a essência de Deus, que se manifestou ao mundo em Cristo. Transcendendo em nossa direção, não nos resta outra coisa, senão emanar amor na direção de todos os homens, cumprindo o propósito eterno, até que Deus nos ressuscite, para estar com Ele eternamente.



quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Atemporalidade




Deus colocou no meu coração, uma série de assuntos que pretendo desenvolver com alguns irmãos na fé. Claro que não tenho a pretensão de ter todas as respostas e certamente surgirão muitas questões no caminho, mas pretendo usar a simplicidade do meu entendimento, para facilitar a assimilação de toda a Bíblia, conforme Deus a revela à mim. Portanto, se este assunto te interessar, saiba que darei continuidade nos próximos textos.

Como seres finitos, temporais e limitados, é mais do que óbvio que não assimilaremos um ser eterno, atemporal e ilimitado. Muito menos alcançaremos plenamente a razão para todas as coisas que nos cercam, mas por meio da intuição, encontraremos as respostas, à medida em que as questões apareçam.

Para mim, ser atemporal, implica não somente em estar à margem do tempo, mas ter o domínio do tempo, como se o tempo fosse um objeto na mão de Deus. Eu o imagino como se fosse uma bola, onde Deus não só tem acesso ao passado, presente e futuro, como o faz simultaneamente. Uma bola, porque não se sabe onde começa e onde termina. Assim, no mesmo momento em que contempla Adão no Éden, revela à João coisas que ainda não aconteceram para nós. Pelo que entendo, foi concedido à João, pisar o solo da atemporalidade e não apenas uma visão confusa do que há de vir.

Quando olha a vida do homem, também a faz sem intervalos e divisões de tempo. Imagino que quando olha minha vida, ela se apresenta como uma régua, toda marcadinha, onde é possível ver a menina Janete internada em um hospital, a moça grávida e a mulher que escreve este texto, todas simultaneamente. Desta forma, por presciência, Ele já sabe o que ainda nem fiz e sabe se cheguei no último dia em Cristo.

Cristãos costumam interpretar o texto "Para Deus, um dia é como mil anos e mil anos é como um dia", justificando a demora nas respostas de oração. Para mim, Pedro apenas está dizendo, que os decretos de Deus são eternos e que acontecerá o que precisa acontecer. Se minha oração está em sintonia com o propósito eterno, ela acontecerá. Caso seja apenas vaidade minha, será em vão minha oração.

Pois bem. A Bíblia cita em alguns versículos, que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo. Isto significa que a Graça de Deus, é tão atemporal quanto Deus. Como pode o perdão vir antes do pecado? Como podemos já nascer inseridos num contexto de amor, que já nos resgata da morte, antes de nascermos? Relaxa, gente. O tempo é um problema nosso...

Deus fora do tempo, tem o tempo em seu domínio. Já viu todas as coisas e sonda até a intenção do homem. Não podemos limitar Deus, para que se encaixe em nossos conceitos, porque Ele é Espírito e não homem. Embora a percepção humana o assimile como homem, com sentimentos, ética, conceitos, cultura e sexo, não podemos esquecer nunca a nossa limitação encerrada em carne, osso e sangue.

O tempo de criação que durou 6 dias, sendo o sétimo o dia do descanso, não é literal, mas metáfora para representar toda a história da humanidade, sua evolução e progresso. O dia do Senhor é o último, que é eterno, onde enfim entraremos no seu descanso e seremos UM com Ele.

O Cordeiro foi imolado na eternidade, a promessa foi feita ao homem no Éden, Jesus encarnou e consumou a Obra Redentora há dois milênios apenas e o resultado disto, é que também seremos eternos. Fica doido ainda não, viaja comigo mais um pouco.

Como ser atemporal, Deus não entra e sai do tempo quando quer. Como vê todas as coisas simultaneamente, já interveio em cada vida, quando cada vida se colocou em sua dependência. Ele não escolheu abençoar um e rejeitar o outro, nós é que tomamos posse das situações dentro do tempo e somos bem sucedidos nelas, à medida em que entramos em sintonia com o propósito eterno, o plano global de Deus.

Deus sabe que a menina no hospital tinha intercessores fiéis à Ele, sabe que a moça grávida, embora cheia de marcas e dor, guardava sua esperança e sabe que a mulher que escreve o texto, vive para serví-lo. Antes que eu existisse, Ele me viu até o fim. Todos os sins e nãos que a vida me deu, Ele já está ciente. É por isso que já não peço isso e aquilo, peço para ser guiada em Sua Vontade, muito melhor que a minha.

Para mim, Ele criou e descansou. Nós é que assimilamos tudo dentro do tempo, conforme vamos avançando. O menos importante nisso tudo é entender a atemporalidade. Mas ela nos remete à Grandeza de um Deus Soberano, que sabe mesmo de todas as coisas. Só precisamos confiar que Ele nos deu a Palavra que é lâmpada para nossos pés e que viver por Ela, é chegar em segurança fora do tempo.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Espinho na carne





Em alguns momentos, sinto o peito destroçado.
Não sei se foi isso o que Paulo chamou de espinho na carne, mas de fato sinto o peito transpassado.
E o diabo, ainda que não possa me tocar, lança palavras que esbofeteiam:
"Te desprezam", "não vão te ouvir", "você está só, desista!"
Em meio à tanta dor, clamo pela misericórdia de Deus,
que responde secando minhas lágrimas:
"Filha, persevera, estou contigo e minha Graça te basta!"

Mais que vencedor



Muitas vezes a revelação bíblica se apresenta como uma enorme competição, com regras, dificuldades, provações, tentações, medições, até que termina chamando os remanescentes de vencedores,  que serão coroados.

Paulo fez esta analogia, como se a sua caminhada em direção ao alvo, fosse uma maratona. Considerando no fim, que ter guardado a fé em meio à tantas adversidades, era cumprir a carreira com êxito. O próprio Jesus, consumou o propósito à que foi enviado, dizendo "Eu venci o mundo!"

Se formos analisar desde a concepção, há mesmo uma seleção até para nascer. Entre tantos milhões de possibilidades, estamos nós aqui. É um tipo de espetáculo que só Deus vê e ganha esta primeira etapa, o melhor, porque um espermatozóide não tem como escolher uma estratégia.

Diante de toda essa diversidade, saiba: já vencemos a 1ª grande etapa e ganhamos o direito de existir, mesmo os que foram abortados, sabotados no meio do trajeto. Então nascemos e a própria vida parece uma competição. Não importa que aparência tenhamos, o corpo já venceu na concepção. Então a alma começa a ser moldada.

Desde muito cedo, tanto a alma quanto o espírito da criança, é transparente, evidente diante das outras pessoas. Ela ainda não adquiriu a malícia de se camuflar.

A alma desde muito cedo, se mostra nas birras, na teimosia, na manha e chantagem, na disputa de atenção. Tudo isso já é o ego mostrando que está alí.

O espírito de uma criança, molde inclusive que Jesus nos deu como parâmetro à seguir, já é reflexo de amor, perdão, simplicidade, tolerância, inocência ao se entregar, dependência, alegria...

Tudo o que buscamos é voltar ao primeiro amor, aquele que havia antes do ego começar a dominar. Não importa o contexto  onde um ser humano nasça, sua missão será sempre sair do ego e avançar na direção do amor.

Deus é amor. É Ele quem recebe os vencedores. Todo aquele que permanece egoísta, fica em algum obstáculo e não persevera como deve ser. 

Nem diabo, nem problemas, nem conspirações de  inimigos. O que destrói o homem, é estar encerrado em si mesmo. Só há uma coisa que pode afastar um homem de Deus: seu ego. É a sua vontade em detrimento à Vontade de Deus, é o amor desajustado à si mesmo que o impede de amar qualquer outro, é a ânsia de prevalecer que o faz ignorar o ministério da reconciliação.

Só há um caminho para restabelecer a sintonia com Deus: aprender com Jesus o aperfeiçoamento em amor. Deus quer um povo para si. Ele desejou ter muitos filhos. E embora não faça acepção de pessoas, estabeleceu apenas um critério: o amor deve ser a motivação da adoção.

Leve a sério sua caminhada pela vida, você está sendo depurado. Quanto mais desapegado do próprio ego, quanto mais se enxergar em equipe e cooperar com os outros, tendo Cristo como o cabeça do grupo, mais fácil será alcançar a estatura do varão perfeito. 

Só o amor nos religa e nos dá o status de vencedores.



quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Igrejas cheias de gente vazia



Imagine-se num olhar panorâmico sobrevoando instituições religiosas. A ostentação em construções monumentais, o ajuntamento de gente alienada, seguindo toda sorte de doutrinas estranhas, distraídas em shows gospeis, lendo seus livros gospeis, consumindo seus produtos gospeis, falando seus jargões gospeis, separando em grupos gospeis o retrato da idiotização, que se impõe com uma autoridade que não recebeu para possuir, determinar, ganhar o mundo. Sua aparência é de piedade, seu discurso até menciona um certo amor apaixonado, mas ela está preocupada é com seu bem estar, seus interesses, sua política exclusivista, que pratica  a intolerância e a repugnância à tudo o que ela tachou de "mundo". Jesus é até lembrado de vez em quando, mas ainda bem que Ele demora, assim nem é preciso pensar no Grande dia do Senhor, que aliás, pelo que parece, será um evento bem esquisito. Melhor não pensar, aliás ninguém a ensina a pensar, o conveniênte é que engula comida mastigada e pague por isso... caro.

Não, esta não é a  Igreja do Senhor, estava descrevendo a louca, a imprudente, a néscia. Aquela mesmo que vai ficar de fora, porque não é guiada pelo Espírito Santo. Perdeu o foco, desviou do alvo, não guardou o que tinha e hoje está às voltas no deserto de sua obstinação. Se rendeu de corpo, alma e espírito à Mamom, o deus deste século, embora se chame de "casa do Senhor". Arrastam multidões como rebanhos, de gente sem Evangelho, mas cheios de engano e engodo. São pescados pela própria cobiça, ludibriados em caminhos de morte.

Deus é Espírito e como Espírito não tem um corpo, nem idioma, nem cultura, nem preferência com relação aos homens. Ele pousa onde o desejam em espírito e em verdade e alí fica, nesta terra receptiva, dando crescimento ao seu Fruto.

Não, não há um grupo religiosamente estabelecido para o servir. Jesus não veio ensinar religião à ninguém, nem excluir quem faça parte de qualquer outro gueto. Ao contrário do que muitos pensam, Deus não é evangélico, Deus é Amor.

Jesus, o Deus encarnado para que todo homem o assimilasse como É e para consumar no tempo cronológico a Obra Redentora que há desde antes da fundação do mundo, trouxe consigo um ensinamento que desvenda os mistérios do Velho Testamento, traz à luz o que era sombra e mostra o caminho da simplicidade, do desprendimento, em direção ao amor. Um modo de vida, que revela tanto quem é dele, quanto quem não é.

Deus não faz acepção de pessoas, o que Ele tem, é um plano global, em execução desde a eternidade, onde peneira um povo durante sua trajetória no tempo. Um povo que está sendo aperfeiçoado, de modo à esvaziar-se de si e ser pleno em amor. Um povo que se torna tão forte em sua unidade, que caminha vencendo as circunstâncias, de olho no alvo, até vencer a morte, seu último inimigo.

À este remanescente, a virgem prudente, que combate o bom combate e guarda a fé, chega sem marca no fim de seu propósito, onde o encontra para uma eternidade em unidade.

Escatologia é algo difícil para quem lê o texto com a alma, o intelecto, por causa de suas inúmeras figuras. Mas quando o espírito assimila, é algo muito simples. O que tem alí é a sequência dos fatos que hão de acontecer até tudo se consumar e alguns deles já começaram.

Jesus não ensinou o desprendimento em vão. Não inibiu o acúmulo de riquezas e o ajuntamento de bens corruptíveis sem causa. Haverá um tempo onde a Igreja terá que se retirar e se esconder, porque será perseguida. Para estes que estão sendo incentivados a buscar bens e ganhar o mundo, será muito mais provável que se corrompam e aceitem uma marca para continuar podendo consumir, do que virar as costas à tudo o que construiram e adquiriram, abandonando tudo em nome do Evangelho.

Onde está a riqueza, está o coração do homem. Sem riquezas, o homem não tem porque ficar amarrado num sistema de domínio e injustiça. Jesus disse: "Quando essas coisas começarem a acontecer, corram para as montanhas". Quanto menos coisas houverem para cuidar, melhor. Não há como servir à Deus e à Mamom. De qualquer maneira escolhendo um, damos as costas ao outro.

Também o amor, tão abordado em toda a Escritura, mas principalmente com relação à "Noiva", que é a Igreja, muitas vezes banalizado pelo entendimento limitado de alguns que o romantizam, não é uma sugestão, mas algo primordial, tão essencial ao espírito, quanto o sangue é para o corpo.

Amor não é sentimento, mas a essência que manterá a Igreja prevalecendo. Quando não houver mais a Palavra escrita e revelada, haverá ainda o amor nos tornando UM. O amor nos fortalecerá para suportar tudo o que há de vir, até que chegue o Grande dia do encontro dos Noivos.

Os que se perderam do alvo, são presas fáceis e aceitarão de bom grado um chip no meio da testa, pois isso garantirá que continuem perto de seus bens materiais e sem azeite em suas lâmpadas, tudo o que resta é sonolência. Quando seus líderes, verdadeiros lobos travestidos de cordeiros estiverem chipados e ainda assim realizando prodígios e maravilhas, muitos se dobrarão e aceitarão a marca.

Mas o que de fato entendeu o Evangelho e creu nesta Boa Nova, embora só tenha o amor como bem, chega ao final como vencedor.




sábado, 5 de outubro de 2013

Mais cristãos, menos evangélicos.





O que vou dizer, pode ser escândalo para muita gente, mas é o que reflete o momento em que estou vivendo, onde exclusivamente pela misericórdia de Deus, fui alcançada pela sua Graça e nunca mais parei de avançar. Quanto mais cristã me torno, menos evangélica sou.

Digo isso sem o menor receio, porque há algum tempo Deus vem desconstruindo equívocos e moldando meu ser, enquanto caminho e levo o Evangelho à todos que encontro. Hoje vale mais para mim, refletir Cristo aos homens, do que me considerar uma boa crente, cumpridora de todos os deveres que exige o congregar em templos.

Quando enfim entendemos que a Igreja somos nós e que já não há a necessidade de buscar quem nos religue, porque Jesus já fez isto de uma vez por todas, até a oração perde aquela formalidade e o que menos importa nelas são as palavras, pois o Espírito que habita em nós, sabe o que sentimos.

Depois perdemos o hábito de consultar nossa listinha de "podes e não podes" porque somos governados pela Lei que Deus grafou em nosso coração. Nada do que vier de fora pode nos aperfeiçoar, se primeiro não nos submetermos à Deus.

Nos reunir, passa a ser apenas mais uma oportunidade para a comunhão, a troca, um momento para estudarmos juntos e nos ajudar com nossas cargas. E a simbologia dos rituais praticados alí, nada são se primeiro o Espírito Santo não tomar a direção de nossas vidas. Tudo ganha uma nova dimensão, quando ao invés de viver em função de igrejas, nos tornamos Igreja para ser usados no mundo, na vida, nos encontros.

A excelência no relacionamento com Deus e com os homens, não compromete a consciência de estar sob a Graça de Deus, pois sei quem me tirou do pó e me pôs assentada com príncipes. Não há méritos da minha parte, tudo o que consigo ser, fazer, realizar, dizer, é porque primeiro recebi da parte de Deus.

Enquanto evangélicos, somos ensinados que ser luz e ser sal na terra, nos dá certo status de privilégio. E que ser o bom perfume de Cristo, nos garante ser reconhecidos pelos homens. Mas quando caminhamos com Cristo, percebemos que o amor é um perfume que incomoda à muitos, que ser luz implica em trazer a tona vergonhas que as pessoas querem camuflar e que ser sal, muitas vezes é denunciar que ainda há feridas abertas, precisando de cura. Por isso o mundo nos odeia ao invés de acolher.

A Graça é espelho que revela o interior do homem. Para ser alcançado por ela, é preciso se reconhecer. Quando o fariseu e o publicano subiram para orar, enquanto o fariseu apontava o outro e se justificava, o publicano apenas se reconhecia e pedia misericórdia. Foi este quem desceu justificado.

A Graça é a abolição de todo o mérito. Está na Graça quem ficou livre das correntes e grilhões que o aprisionavam ao ego, ao orgulho, aos olhos altivos. Está verdadeiramente livre, quem se esvaziou, quem se viu pequeno, vulnerável, incapaz e se entregou ao Senhor da Graça, para Dele depender.

Porque a benignidade de Deus se manifesta, quando entendemos nosso imerecimento. Enquanto há orgulho, enquanto há um fio que seja de "eu sou", "eu posso", "eu sei", "eu tenho", a Graça não foi ainda manifestada, porque o ego fecha seu acesso.

Pelo fruto se conhece um agraciado e um que ainda está em desgraça. Porque à todos os homens Ele diz: eu te chamei, te comprei, te remi, te lavei, te justifiquei! Mas todo aquele que se reconheceu para arrependimento, é capaz de ouvir e assimilar o ensino de Cristo. 

Já não dá lixo à quem lhe deu muito ouro.

domingo, 29 de setembro de 2013

Calvinismo ou Arminianismo?



Grande parte do povo que se diz cristão, se divide numa questão que causa um embate entre duas vertentes: a tese de Calvino e a tese de Armínius. 

Meu objetivo neste post, não é explicar as duas vertentes, mas despertar para a incoerência numa mente temporal, em tentar decifrar a atemporalidade, com base em alguns textos isolados. Isto acaba causando mais mal do que bem, tirando o foco do que é realmente importante.

Tanto o calvinismo quanto o arminianismo, despertam no homem um tipo de presunção. No calvinista, porque se considera um escolhido em detrimento de outros, de quem não é requerida nenhuma responsabilidade, porque não pode escolher e não está em seu poder o decidir. É eleito, é escolhido, é predestinado a ser salvo, mesmo que seja tão pecador quanto qualquer outro. 

E no arminianismo, porque entende que tudo está em suas mãos e que em tese, é ele quem se coloca tanto no céu quanto no inferno. O homem é o soberano da história portanto. São extremos perigosos e nascidos da limitação humana, que pretende encaixar tudo em sua lógica e isso se constata, quando para construir uma ideia linear que dê sentido à sua tese, são obrigados à eliminar metade da Bíblia como se estas fossem obscuras, pois considerá-las desconstruiria sua teologia.

A Bíblia precisa ser sintetizada numa mensagem global, onde todas as informações se complementam e nenhuma se contradiz. Jesus é a chave hermenêutica e não Calvino ou Armínius.

É Jesus a expressão exata do caráter de Deus, é olhando para ele, que entendemos a mensagem integral de toda a revelação. Ninguém pode olhar a história sob o prisma de Deus por motivos óbvios e nem limitar os acontecimentos à partir de nossa mente caída. Quem instrui o entendimento do leitor bíblico, precisa ser o Espírito Santo.

Deus é Amor e Jesus é a personificação do Amor. Leia a Bíblia à partir dele e não conforme o entendimento humano de quem viveu há 500 anos atrás. Antes disto, estas questões não angustiaram ninguém.

O amor secou lágrimas, se comoveu pelos que perecem, curou dores do corpo e da alma, socorreu os desesperados, sentou com pecadores e os tratou como gente, considerou os desprezados maiores que os opressores moralistas, andou com gente simples e não despediu ninguém vazio, ensinou aos marginalizados e repreendeu os doutores arrogantes, não foi conivente nem com a religiosidade hipócrita, nem com os valores invertidos e diante daqueles que o mataram, ele orou pedindo que não fosse imputado a eles este pecado (não pediu "perdoa estes, aqueles não porque não foram escolhidos"). 

O resto, é pretexto para divisão e não acrescenta nada nessa caminhada. Alguém mais precisa definir o amor? Leia 1 Co 13 . Depois disto, apenas ame!

domingo, 22 de setembro de 2013

A Ordem de Melquisedeque





Aprouve ao Senhor, entrar em acordo consigo mesmo e reconciliar-se conosco, ainda antes que houvesse mundo, homem e pecado. Imolou o Cordeiro e assim nascia Sua Maravilhosa Graça, desde a Eternidade, para que todo homem que assim quisesse, se achegasse, se tornasse seu amigo e fosse nele iniciado então, um processo de aperfeiçoamento. Sem acepção, o amor fluía em todas as direções, mas só penetrava em quem também amou a Verdade.

Assim como há eletricidade desde sempre, mas só houve luz elétrica quando alguém descobriu a tecnologia, a fé funciona da mesma maneira. Todo homem nasce munido de fé, mas só a descobre se acionar o dispositivo que o torna dependente da revelação divina. Enquanto o ego impera, há sonolência para as coisas do Alto e se torna impossível renascer em Cristo.

Para começar nossa explanação, a Graça não começa em Mateus. Não é a consumação da Obra Redentora em Cristo, que traz ao mundo a oportunidade do homem se relacionar com Deus. Desde Adão, houveram homens que O escolheram para obedecer e colocaram Nele sua confiança, confiando que o que Ele prometia, iria um dia se cumprir. Então, a Graça é atemporal e não foi interrompida pela Lei. A Lei foi apenas um parêntese, com um propósito.

A Lei como ordenança externa, serviu para mostrar que é impossível ao homem, ser aperfeiçoado por si mesmo, pois a Ordem de Aarão, à ninguém pôde aperfeiçoar. Mas veio então da parte de Deus, uma Ordem onde a Lei é grafada no coração e não mais em tábuas ou pergaminhos. Na Ordem de Melquisedeque, há uma esperança melhor de crescimento contínuo, um processo que se inicia no novo nascimento e não pára mais, pois há sempre um outro nível à ser alcançado, na direção da estatura do varão perfeito.

Todos os que vivem sob a Ordem de Melquisedeque, não amaram a sua vida até a morte. É imortal, porque vive na esfera da eternidade. Ele é homem e é Cristo. É leal ao seu próprio tempo, mas fiel ao propósito eterno. Para estes, oração já não é um ritual, pois há sintonia e Deus está Nele.

A evidente amoralidade de Jesus, é fruto deste sacerdócio na Ordem de Melquisedeque, pois ele agia conforme a orientação que vem de dentro e não das leis externas. Para os religiosos, ele foi escândalo, pois se assentava com pecadores para comer, conversava sozinho com prostitutas e curava e ensinava no sábado. Jesus nunca viveu em obediência à Lei, mas ao Espírito.

Os da Ordem de Melquisedeque, não precisam de títulos para ser influência e nem de poder para ter autoridade. São reconhecidos pela grandeza que manifestam através do amor. São pessoas que deixam a marca de Deus na Terra e não tem aparência exterior e nada do que se gloriar, pois fazem o que deve ser feito e vivem na dependência do Espírito Santo.

Só os da Ordem de Melquisedeque podem ser aperfeiçoados em Cristo. O que vemos hoje, é que as igrejas misturam a Graça com a Lei Mosaica. Tem alguma noção do que seja Graça, mas não se desvinculam da Ordem de Aarão. Não sabem fazer distinção entre os israelitas e os cristãos. Fixam-se em dogmas, estatutos e rituais, não ensinam o amor como veículo de aperfeiçoamento.

Se não sou eu quem vivo, mas Cristo vive através de mim, não há porque me submeter à novas leis. A ordem que me molda, tem que vir de dentro, pois lá está o Espírito de Cristo. Falta esta consciência nas pessoas, de que se elas tem livre acesso à Deus, é Dele que recebemos todo o suporte para atravessar e vencer este mundo.

Assim, será possível à este homem orar e ver a manifestação de Deus em sua vida. Estudar a Bíblia e conseguir assimilar a revelação, agir conforme a Vontade de Deus e crescer diariamente em Graça e sabedoria.

Na Ordem de Melquisedeque já não há ego, mas a decisão de amar o mundo inteiro. Assim, já não será penoso liberar perdão à quem nos fere e orar por quem nos persegue. O Sermão do Monte, não será mais uma leitura vergonhosa para nós, porque tudo aquilo depende de matar o ego para acontecer.

Na Ordem de Melquisedeque o amor é uma decisão. Não nos relacionamos com alguém porque gostamos, ou porque concordamos, ou porque nos identificamos. Nos relacionamos para terminar o propósito de Deus na Terra. Fazemos o que é necessário para cumprir o propósito de Deus. Somos relativos ao tempo, mas leais à eternidade.

Somos Sacerdócio Real. A grandeza dos filhos de Deus, é o que o faz prevalecer neste mundo, tanto na maneira de se relacionar com Deus, quanto na postura para lidar com o mundo. Temos que ser reis e não civis na maneira de doar, servir, viver, amar, perdoar, tudo em nosso caráter deve ser elevado à uma posição real, porque já não há ego, mas Cristo vive em nós.

Deus quer um Reino de Sacerdotes Reais, sem esta divisão de uns oferecendo e outros recebendo. Não há altares, pois nós somos o Altar. Na Ordem de Melquisedeque não há misticismo, mas um povo forte, espiritual, que não depende das coisas externas para ser.

Os da Ordem de Melquisedeque, são como o Iceberg. Sua aparência não é suntuosa e ele não é reconhecido pelo que está exposto. Sua grandeza está no interior. Ao se aproximar, é possível encontrar força, sabedoria, conhecimento, poder, autoridade... pessoas que sabem o que querem e são firmes em seu propósito.

A imaturidade nos deixa vulneráveis à escravidão e às manipulações. É necessário crescer para reconhecer a religiosidade que não leva à lugar nenhum, antes alimenta o ego e coloca de novo o véu da separação entre Deus e os homens. O mundo ainda te vence? Você sucumbe nas crises? Reveja seu relacionamento com Deus. Cresça e saiba quem você é em Cristo.

Então, vemos aqui a descontrução de tudo o que é religiosidade, para que se estabeleça o povo que Deus quer para si.

O verdadeiro significado de liberdade, é como Deus prescreveu que você vivesse. Sem Lei, sem uma vida expressa em ações externas, mas baseada numa disciplina divina, algo que vem de dentro. Não precisamos mais de rituais, porque Deus escreveu Sua Lei em nosso coração. Liberdade não é viver como gostamos, mas como devemos viver. Quem nasceu de novo está livre e só se coloca sob domínio se quiser.

Deus te deu o direito de viver como se deve. A liberdade não é um fim, mas um meio para se chegar a um fim. Ele te libertou para fazer algo. Liberdade não é o objetivo, mas um meio para alcançar o objetivo. Jesus é a própria Liberdade, mas só diz o que o Pai diz para dizer e só faz o que o Pai deseja. Liberdade não é um liberalismo, mas um governo interior.

Também a perfeição tem significado diferente: perfeição não é a pessoa sem erros. Se Davi dependesse da religião, mereceria uma longa punição. Mas Deus disse que ele era segundo Seu coração. Perfeição (teliosh - τέλειος) São eventos e ações que expressam que a promessa será cumprida, que algo vai acontecer. Perfeição é adquirir a mentalidade correta e assim possibilitar a encarnação do que Deus disse.

Teliosh é a postura, o comportamento de alguém que garante o que Deus disse. É a fé. O povo perfeito não sucumbe nas dificuldades, não é impedido pelas circunstâncias, não desiste no meio do caminho. O povo que terminará vencedor, precisa mudar a mentalidade. Um povo que próspero ou em plena adversidade, com ou sem dinheiro, saudável ou enfrentando doenças, continua firme, seguindo para o alvo.

As influências externas não permanecem. Um evento só tem validade até surgir a necessidade de que aconteça de novo. Mas o conhecimento revelado permanece e dá crescimento. É como um sopro que amplia o balão. O Espírito garante  a plenitude. Por isso é mais importante ter Palavra do que manifestações. Até que sua vida se torne, tudo o que sua vida pode ser. Isto é ser perfeito.

O jovem rico perguntou o que deveria fazer para herdar a Vida eterna e Jesus respondeu que se ele quisesse ser perfeito deveria amar. O moço vivia sob a Ordem de Aarão, mas Jesus o ensinou a viver sob a Ordem de Melquisedeque, para ser perfeito.

O Reino de Deus sempre tem o conceito contrário ao conceito do mundo. Os últimos são os primeiros, o que perde ganha e o que ganha perde. O maior se torna o menor e o menor o maior. Quem quer receber doa. Não há competições, porque não há ego para alimentar.

Enfim, nos da Ordem de Melquisedeque, já não há mais uma mensagem a ser transmitida, porque estes se tornam a própria mensagem na vida de todos que encontram pelo caminho. E já não é aparência alguma que os identifica, mas o fruto do Espírito: amor, paz, alegria, bondade, mansidão, paciência, benignidade, fidelidade, domínio próprio... sobre estas coisas não há Lei.



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Libertos para se perder?





Você é livre para fazer a escolha que quiser. Ninguém vai tirar este teu direito.

Você precisa entender somente uma coisa: algumas escolhas te aproximam de Deus, outras te afastam Dele.

Se faz alguma diferença para você, busque estar em sintonia com Deus. Procure viver em coerência com o Evangelho para que tudo vá bem.

Ontem li com muita tristeza o que um rapaz postou. Ele dizia: "Sei que fulano e beltrano são incoerentes com o Evangelho e eles confessam isto, mas eu escolho ir com eles."

O que é incoerente com o Evangelho, é anátema. É um outro evangelho e um falso Cristo. Como alguém pode negar Jesus e se dizer cristão? Como alguém pode conhecer os ensinamentos do Mestre e escolher seguir um anti-cristo na contra-mão?

Sou impotente. Minha paixão só é suficiente para mim. Só minha alma está ao meu alcance.

Faço parte de um grupo que fala o que ninguém deseja ouvir. Até mesmo alguns dos que estão conosco, tem os ouvidos blindados e selecionam o que lhes convém. Ouvem, mas não assimilam. Aprendem, mas não praticam.

Expõem Jesus ao vitupério e o cruscificam de novo diariamente.

Pontos de luz estão cada vez mais escassos na Terra. Poucos são os remanescentes. Poucos são sedentos e famintos da Verdade. 

Uma névoa gélida paira sobre os homens, congelando seus corações. O egoísmo impera e apaga o amor da maioria.

Um sem número de falsos mestres e falsas doutrinas, corrompem gente que já não se importa. Gente que já não teme e banalizam a revelação. Gente que relativiza Aquele que É e ridicularizam suas promessas.

Os que se dizem cristãos querem ganhar o mundo e já não há quem acolha os do mundo, pois cada nova porta que se abre com placas de novas franquias institucionais, oferece mais alimento podre, mais mentiras e mais morte.

Os remanescentes estão espalhados e já não influenciam, porque sua loucura é indigesta e seu discurso desprezado.

O que será da próxima geração? Restará fé na Terra?

Sim, você é livre e por isso mesmo, responde por si. Não ande em busca de definições sistemáticas sobre a verdade, pois a Verdade só pode ser sentida quando nos relacionamos com ela. 

Jesus é a Verdade e não há outro jeito de conhecê-lo, senão caminhando com Ele.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Acolhimento familiar




Esta semana, Deus me permitiu contemplar um tipo de amor completamente vazio de posse, de egoísmo e expectativas de retorno.

Um casal que não conheço, se dispõe à acolher em seu lar, crianças em situação de abandono, geralmente com histórico de pais envolvidos com drogas.

Dois garotinhos aparecem numa foto, sorridentes, sentadinhos num gramado em frente à um lago pescando. Visivelmente bem cuidados e felizes, aproveitando ao máximo um momento de lazer em família.

A foto serviu para divulgar a notícia de que os meninos foram devolvidos à família de origem, por determinação da justiça. Mas ao invés de tristeza e desolação, a mensagem transmitia a suavidade de quem sabia ter cumprido um dever.  A alegria de proporcionar um pouco mais de dois anos de acolhimento e amor familiar àquelas crianças, era maior do que a tristeza de vê-los partir para a família que Deus lhes deu.

Tenho certeza de que o casal tem o coração apertadinho entre a preocupação com os meninos e a ausência deles, mas sabem que este período está registrado na mente das crianças, como experiência de felicidade.

Quando se dispuseram à acolher crianças carentes, sabiam que era uma situação temporária, mas mesmo assim se doaram e amaram. Amaram um amor resignado. Doaram-se em favor de filhos que não eram seus.

Diante da tristeza de um amigo que lamentava não poder estar com eles, o que é natural, o pai acolhedor respondeu: Logo virão outros meninos. Resposta de quem reconhece que sua missão é amar, um amor sobrenatural. Acolher e servir, sabendo que o dia seguinte pertence à Deus.

Uma vida de idas e vindas, onde nem um minuto pode ser desperdiçado, pois podem significar os mais felizes na vida de um pequenino de Jesus.

Saber que se vai perder e sofrer, mas ainda assim desejar e escolher amar de novo e de novo e de novo... que exemplo lindo de amor em ação!

Um dia quero aprender a amar assim, sem sentimento de posse, sem garantia, gratuitamente, incondicionalmente. Ter como alvo apenas me esvaziar de mim, para que o outro possa sorrir, como Jesus fez por nós.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dos sonhos




Um amigo, o Júlio Diniz, registrou um momento ímpar nesta foto. Algo que me despertou para refletir sobre o contraste entre a inocência de uma criança sobre o que a espera no futuro e alí logo em frente, a finitude dos sonhos. Alguém disse que os sonhos resistem a morte, mas discordo. Sonho é coisa de gente incompleta. Penso que do outro lado, não há anseios pois lá se encontra plenitude.

Os sonhos são narcóticos que tornam esta vida possível. Sem eles, a vida parece perder o sentido. Enquanto existem sonhos, há motivos para correr atrás deles.

Um sonhador, é alguém que ainda tem a ilusão da completude aqui neste lugar. Para mim, uma pessoa evoluída, amadurecida na fé, aprende a resignar-se diante do Mistério. Faz planos, mas com realismo.

Não tenho fórmula para indicar e talvez nem haja, mas posso contar minha experiência que é bem simples. Um dia disse à Deus: Enquanto minha vida era minha e eu achava que meus caminhos eram meus, eu quis ganhá-la e a perdi. Só escolhi caminhos de morte e só colhi sofrimento e dor. Não sei governar bem meus instintos, só faço me destruir, me depreciar. Toma agora a minha vida, agora ela é Sua, faz dela o que o Senhor quiser. Não quero mais o que eu quero. Quero o que o Senhor quiser pra mim.

Alí desisti de ser sonhadora, porque morri para o que eu era. Renasci serva de um Deus que sabe o que é bom pra mim. Eu queria ser feliz, ter uma família bem grande, um marido apaixonado e uma penca de filhos ao redor da mesa. Queria ter estudado, me formado e ter tido uma carreira, conquistado coisas, enfim, queria o que todo mundo quer e tem como ideal de felicidade.

Hoje vejo que tudo isso ficou para trás. Mas ao invés de frustração, vejo que não fui apenas mais uma. Deus tratou da minha vida de forma artesanal, talvez porque eu tenha a colocado em suas mãos. Fez de mim uma peça única, de uso exclusivo Seu. O que eu queria era tão menor, diante do que Ele quis pra mim!

Minha renda é suficiente para que eu viva com dignidade, mas nada sobra. Tive um filho só, que é suficiente para me fazer rir, chorar, me orgulhar e me preocupar. Nunca tive marido e sempre dependi de Deus. Não tenho ilusões quanto à este mundo, mas sou alegre e querida pelas pessoas que me cercam. Minha família, meus amigos, todos tem prazer de vir à minha casa. E ficam felizes por ver que de nada sinto falta.

Eu sei que neste mundo, não tem valor uma pessoa que não entra nas formas pré-estabelecidas. Alguém que nunca está ornando perfeitamente com o todo, alguém que está sempre insatisfeita com os conceitos impostos. Mas gente, eu tenho tempo de sentar-me aos pés de Jesus, assim como Maria, enquanto Marta se ocupava das coisas efêmeras.

Não vivo de sonhos, mas tenho esperança. Espero da vida, não ilusões, mas tudo aquilo o que Jesus já profetizou que haveria. Mas sei o que me aguarda no Dia do Senhor. Entendo que de nada serei poupada, mas estou segura em suas promessas. Com Ele, sou mais que vencedora, mesmo sem ter mérito nenhum.

O desapego das coisas ínfimas, é resultado de uma esperança muito maior, que vai além do dia em que partir daqui. Não é sonho, é certeza.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Ser cristão




"Sou cristão" se tornou status, mas na verdade, poucos de fato o são.

Ou você se torna discípulo, ou será apenas mais um religioso. Ou quiçá algum hipócrita que a multidão arrasta...

Jesus nunca foi evangélico ou católico. Não usava Bíblias, não planejava pregações. Dava a água conforme a sede e dava comida conforme a fome.

Quando as multidões se assentavam diante dele, Ele não desenrolava um pergaminho pra citar profetas antigos. Quando os citava, era com propriedade.

Usava o tempo pra falar de amor, pra ensinar a boa convivência, pra despertar a esperança.

Se um mal feitor vier fazer mal à vocês, deixe que leve tudo. Não está nas coisas efêmeras o teu coração.

Se alguém te ferir e causar dano, aceite-o de volta, mesmo que isto signifique sofrer danos futuros. Você também foi perdoado.

Não ofereça nada à Deus, se seu coração estiver contaminado de mágoas e rancores, primeiro vai lá e faz as pazes com teus irmãos.

Quantas vezes se deve perdoar? Quantas vezes precisarem do seu perdão. Ou você pensa que Deus não tem sido benevolente com você todos os dias?

Se precisarem da sua ajuda, faz mais um pouco, divida as cargas, ajude a edificar.

Não corra atrás do vento. Os verdadeiros bem-aventurados, são os que guardam a esperança.

O que caracteriza um seguidor de Cristo não são as obras, mas o AMOR.

Obras são consequências na vida de quem é grato, pelo que recebeu de Graça. Quem é o homem para barganhar com Deus?

E assim, Ele mostrou ao jovem rico que ele só tinha religião, mas negligenciava no amor, por isso não poderia seguí-lo.

Assim, Ele repeliu aos Fariseus hipócritas, porque não entravam e nem deixavam entrar.

E assim, Ele foi moldando os próprios discípulos, viciados em sua própria humanidade, até o ponto de morrerem pelo Evangelho.

Assim Ele quer fazer por você, te libertar da religiosidade e te fazer um adorador, em espírito e em verdade.

Alguém que enxerga o mundo como a Seara pronta para ser colhida. Alguém que se dispõe a trabalhar por Seu Reino.

Alguém que deseja amar, porque também foi amado.

sábado, 17 de agosto de 2013

Abundância




O que posso afirmar à meu respeito:
Sou pobre, mas tenho tudo e de nada sinto falta.
Sou só, mas não desamparada.
Estudei menos do que eu gostaria, mas sou instruída para instruir.
Sou a menor na minha casa, mas fui colocada em lugares altos.
Não tenho do que me gloriar, mas ao passo que espanto, atraio.
Muitos projetos meus ficaram pelo caminho,
mas tenho convicção de que tudo, absolutamente tudo
foi, é e será, conforme o que Deus desejou para mim.
Fechando os olhos hoje, sei para onde vou.
Não porque tenha merecido, mas por ter me submetido
à mensagem simples do meu Senhor.
À Notícia Boa de que nada será em vão.
De nada fui poupada, mas tenho onde descansar.
Jesus em mim é consciência antecipada do que serei
Nele... eternamente...

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Os amigos do mundo




De certa forma, este texto complementa o anterior. Desta vez, meu foco pretende ser uma abordagem à alguns versículos.

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."
Romanos 12:2

"Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."
Tiago 4:4

Pelo prisma da filosofia, uma tese é contestada pela antítese, mas pode encontrar equilíbrio na síntese das duas ideias, aproveitando o melhor delas.

Minha posição é caminhar sempre me equilibrando entre as ideias rígidas da ortodoxia religiosa e a libertinagem aceita no espírito do mundo, como algo habitual, corriqueiro e natural. Não escolho nem um extremo, nem outro. 

Se em meu espírito, tenho grafada a lei de Deus (qual seja, o Amor) viverei sob as escolhas que meu espírito fará em sabedoria, coerente com o Evangelho que minha boca professa. Mas se vivo de acordo com as influências externas, certamente serei mais um dos tolos que a mídia, a religiosidade e a sociedade manipulam.

Sempre defendi que a ordem que me molda, tem que vir de dentro, porque o Espírito de Deus, habita em mim. Se me permito ser moldada pelas ideias que vem de fora, serei mais uma pessoa lamentavelmente idiotizada pelo espírito que governa o mundo.

Um exemplo: as mulheres sempre lutaram por igualdade e durante muito tempo foram subestimadas e subjugadas. O Evangelho me diz que já não há diferenças entre seres humanos, nem hierarquias, nem acepções vindas da parte de Deus. Logo, é insensato aceitar que mulheres permaneçam à margem, porque são iguais em potencial.

Mas apesar do impulso de defender o direito de ser da mulher, me causa desconforto ver que algumas se perderam tanto, ao ponto de se depreciar. Você observa uma jovem funckeira por exemplo e vê que sua dança é uma simulação do ato sexual. Sinto tristeza quando vejo moças dançando "o quadradinho de oito", como se isso fosse libertação do passado de opressão. 

Elas fazem isso de acordo com a intuição que vem do Espírito no espírito, ou por influência do meio em que vivem? Novelas, BBB, letras de músicas ridículas, violência nas torcidas dos esportes, enfim, o leque é enorme! Se todo mundo faz, fica fácil ir na onda.

O Mistério conduz ao nosso interior. Cada vez que o foco for absorver o espírito do mundo, vamos ignorar a mensagem de Jesus. E quando Jesus for o alvo, o espírito do mundo não terá poderes de sedução.

Quem estuda a história, sabe que a humanidade caminha rumo à uma racionalidade e liberdade. Porém, no caminho se perde, justamente porque o norte está do lado de fora. Cresce e desenvolve, mas quase sempre como uma doença sem controle.

O Evangelho propõe uma reconciliação com o Autor da Vida. Aquele que certamente conhece bem a saída desse labirinto, onde de antemão colocou a Porta, Cristo.

Quem decide ser dependente da Verdade, consegue discernir este paradoxo: Quer crescer? Diminua!

terça-feira, 30 de julho de 2013

O sábio e o tolo




A sabedoria é um dos dons que Deus liberalmente nos concede. Mas por ser dom, não é algo que aconteça por atacado. É para quem busca intimidade com Deus e a deseja.

Lugar de tolo é no raso, onde tem muitas companhias. O sábio geralmente está só, experimentando as alturas ou a profundidade.

Um sábio, é uma pessoa que tem consciência de que não está pronto, mas em constante crescimento. Seu alvo é a ampliação do espírito, enquanto mortifica as deformidades da alma, resguardando contudo suas características individuais.

O sábio não é nada mais que uma pessoa que consegue sistematizar em palavras, a intuição percebida no espírito, transformando-as em ideias na mente (alma), alcançando assim, outras pessoas, auxiliando no crescimento espiritual.

O sábio é assertivo, não tem medo de errar o que afirma, porque a sabedoria vem do Espírito, no espírito do homem.

O tolo, engole a informação, seja falsa ou verdadeira, desde que seja convincente. Da mesma forma, não consegue discernir a verdade, se ela não se encaixa e se acomoda à sua própria concupiscência, porque ele faz essa avaliação com a mente (alma) e não com o espírito.

O tolo é aquele que perde a individuação e se encaixa nas formas da religiosidade. Usa as mesmas roupas, os mesmos jargões, a mesma ideia distorcida sobre privilégios em detrimento de outros. Precisa estar inserido num grupo, porque sozinho se desorienta.

O sábio não é manipulável e não precisa de líderes para o conduzir, pois a ordem que o molda, vem de dentro, onde o Espírito habita.

O tolo voa em qualquer vento de doutrinas humanas, enquanto o sábio se deixa conduzir pelo vento do Espírito e só por Ele.

Um líder inteligente e astuto, não é necessariamente sábio. Ele tem a facilidade de persuadir mentes, lavar cérebros, convencer almas, mas não auxiliam no crescimento espiritual.

O sábio é coerente e firme, ajuda pessoas a encontrar respostas dentro de si mesmas.

Não se alcança sabedoria decorando a letra, mas uma vez alimentados dela, ninguém precisa fazer da leitura bíblica uma religião, o cumprimento de uma obrigação. A revelação da letra no espírito, transborda e jorra.

A sabedoria possibilita ao homem, escolher melhor seu próprio caminho, mas principalmente o torna luzeiro para orientar o caminho de quem vai com ele.

Tiago3:17 Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Você e o Universo



De novo, vou falar um pouco à partir da tricotomia, para dar introdução ao que vamos conversar.

O Corpo funciona como uma extensão do outro. Fisicamente, somos uma coisa só, uma matéria só. Pra melhor entender, pense que com a mesma facilidade, um corpo passa ao outro tanto doenças, quanto consolo num abraço, quanto prazer na cópula. Uma carne se completa na outra, uma carne continua a outra como uma imensa corrente. Calor humano é acolhimento e a ausência dele, causa muita dor. Sentimos falta desses encontros, mesmo que venham com atritos, pois são mesmo os toques que vão aparando nossas arestas. É necessário que o corpo esteja se relacionando com outros, experimentando por meio dos sentidos, aquilo que a natureza traz como testemunho da criação.

A Alma já é mais seletiva. Um grupo pode conseguir acompanhar meu pensamento e assimilar parte do que quero transmitir e pra isso é necessário afinidade. Mas um não pensará exatamente como o outro, porque as questões que movem um ser, não são idênticas para todos. Vai depender da história, da experiência de cada um. O raciocínio é independente, mesmo que o laço de afeto exista, mesmo que haja um bom diálogo. Aprenderemos algumas coisas juntos, mas cada um perceberá a vida a seu modo. Concordamos, divergimos, discutimos, queremos prevalecer com nossas ideias. Nos unimos à um por laços de afeto e nos afastamos de outros, de acordo com a "liga" que acontece ou não.

O Espírito não. É o religamento entre Deus e o homem. É particular, pessoal, exclusivo, completamente independente do que acontece com os outros. Do início ao fim, é você e Deus. Cada um avança em seu próprio ritmo e a liberdade para se ampliar, depende dos obstáculos e bloqueios que cada um forja para si. À medida que subimos os "degraus" nessa estatura que buscamos, vemos as coisas com mais clareza e nitidez, posto que mais achegados à Luz, todas as coisas são reveladas e nada permanece oculto.

O Evangelho realiza no homem, uma espécie de harmonização. Ninguém precisa escolher anular parte alguma, nem mesmo a carne, tão marginalizada. Um homem íntegro, não pode viver por aí sem seu corpo, não pode anular sua capacidade de raciocinar e não pode viver sem o impulso que o faz buscar a Deus, mesmo que ele não compreenda que o vazio que o consome, é justamente este canal partido.

O que a Boa Nova propõe, é que o homem chegue à um grau de crescimento, que o permite dominar seu próprio corpo para que não se deprecie e se destrua. Que ele consiga direcionar seus pensamentos e relações, de modo que o ego seja mortificado. Que ele possa assimilar tanto a revelação de Deus, que consiga avançar em amor. A revelação bíblica é uma espécie de educação, que possibilitará ao homem de boa vontade, deixar de ser semente para finalmente germinar, crescer e dar frutos.

A Eternidade é a assinatura do Criador, em sua criatura. É algo que nossa mente não assimila por motivos óbvios, mas que nosso espírito intui porque está estreitamente ligado ao plano global de Deus para a humanidade. Crescer, ampliar cada vez mais esse desejo, nos traz a consciência de quão ínfima é nossa realidade, de quão pequena é nossa perspectiva, quando estamos encerrados na condição humana. 

Mas à medida em que o Mistério se desvenda, se revela, se relaciona conosco, é possível entender o simbolismo bíblico, que retrata o homem na sua condição mais vil, mais egocêntrica, mais vazia do desejo de relacionamento com o Criador. Quando diante de uma única Lei, a infringe para que seu ego prevaleça. O homem diante da promessa de ser como Deus e conhecer todas as coisas, cobiça o poder, deseja usurpar um status que pertencia a Deus. E diante  da culpa se esconde, se envergonha e responsabiliza ao outro.

Se o primeiro Adão revela o homem em sua condição mais medíocre, Jesus faz o caminho inverso, negando sua própria vontade para acolher a Vontade do Pai, mortificando completamente qualquer raiz de ego, frutificando excelentemente o Amor e sendo Perfeito. Tendo todo poder se esvazia, sendo digno passa a maior vergonha que um homem poderia passar e sendo inocente, aceita em si a culpa dos homens.

Se eu pudesse desenhar um esquema que ilustre a caminhada cristã, que vai do egocentrismo, a condição mais medíocre, até a plenitude, quando conseguimos nos negar em favor do outro, seria mais ou menos assim:

Adão/Ego em uma extremidade, Cristo/Amor em outra. Uma reta transversal como uma subida, onde o homem sai de Adão e avança na direção de Cristo. Paralelamente, vários devios, ilusões, ofertas, tentações, mas à frente o alvo almejado. O homem tem um quadrado acima da cabeça simbolizando a alma e todas as suas informações e acima dela uma grande antena, que conecta o peito às ondas de revelação.

Se o homem avançar à ponto de viver à partir do seu espírito, saberá se conduzir pelo Caminho, sem desviar nem para a esquerda, nem para a direita, até chegar à estatura do varão perfeito. Se viver à partir da alma, tudo o que terá será temporal e limitado à esse sistema. E se viver à partir do corpo, agirá por instinto e se destruirá.

As religiões se transformaram em distração para alma, com tantas regras, liturgias, convenções. E entretenimento para o corpo, mas pouco contribuem para que o homem se relacione com Deus. Essa busca é pessoal e intransferível.

Se alcançarmos o equilíbrio, o auto domínio, buscando a Deus e Sua Vontade, mesmo que as circunstâncias sejam desfavoráveis, a esperança nos motivará a continuar neste propósito. E na consumação de todas as coisas, estaremos finalmente prontos para realizar em Cristo, as obras mais sublimes do Universo.

Olhe para o Universo e perceba para que obra maravilhosa você foi chamado! Um dia, a Terra já foi sem forma e vazia...