"E disse: Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do inferno gritei, e tu ouviste a minha voz." (Jonas 2:2)
"Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção." (Salmo 16:10)
No Antigo Testamento, quando alguém fala do inferno, nem sempre está se referindo ao destino da alma após a morte. Frequentemente, a linguagem aponta para situações extremas de desolação, sofrimento, angústia, abandono ou profundo abatimento.
Quanto ao chamado "inferno" após a morte, há quem o compreenda como uma realidade temporária e necessária ao processo de restauração.
Gehinnom é a palavra que os judeus associam ao inferno. Em muitas tradições judaicas, ele não é visto como uma punição sem fim, mas como um processo de purificação. Seria mais semelhante a um fogo que consome as impurezas do que a uma condenação eterna sem propósito.
Algo semelhante pode ser percebido em 1 Coríntios 3:11-15, onde Paulo compara as obras humanas a ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno e palha.
O fogo prova a qualidade de cada obra; aquilo que não possui valor permanece queimado, enquanto o que é verdadeiro subsiste. O objetivo parece ser revelar e purificar, não simplesmente destruir.
Os católicos descrevem o purgatório com um princípio semelhante, embora o façam dentro de uma construção doutrinária própria. Muitos evangélicos rejeitam essa ideia, entendendo o texto de Paulo de outra forma.
Já o lago de fogo e enxofre, criado para os anjos rebelados, um dia consumirá também a morte e o inferno, mostrando que este não é um destino eterno. O inferno, nesse entendimento, é tão somente o lugar dos mortos, a sepultura, cuja função deixará de existir quando todas as coisas forem reconciliadas em Cristo.
Não por acaso, o Apocalipse declara que "a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo". Se o próprio inferno é lançado no lago de fogo, então ele não pode ser a realidade final. A morte será destruída, o sepulcro perderá sua vitória e o último inimigo será vencido.
Depois das bodas do Cordeiro, já não haverá separação, luto, dor ou morte. Tudo o que pertence ao velho mundo terá passado, porque Deus será tudo em todos. O triunfo final não será da morte, mas da vida; não da condenação, mas da plenitude do Reino.
De qualquer modo, a pergunta permanece: se Deus é amor e seus juízos são justos, qual é a finalidade do fogo? Destruir eternamente ou consumir aquilo que impede a vida eterna?
O Evangelho apresenta um Deus que corrige para restaurar, disciplina porque ama e não abandona a obra de suas mãos.
Por isso, mais importante do que especular sobre o além é permitir que o fogo da verdade consuma, já agora, tudo aquilo que não se parece com Cristo.
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