Não raro escuto pregações sobre o Fruto do Espírito em que o preletor ensina, de forma superficial, que o fruto é apenas uma realidade a ser desenvolvida ao longo da vida, como se algumas características pudessem estar ausentes por décadas e isso fosse perfeitamente normal. Penso que vale refletir um pouco sobre isso.
Metaforicamente, éramos jambuzeiros bravos e fomos enxertados na Boa Oliveira, que é Cristo. Alimentados por sua seiva, passamos a produzir segundo a sua natureza, porque a raiz santíssima é uma só.
É verdade que existe amadurecimento na fé. Há tempo de ser menino e tempo de deixar as coisas de menino. Há aprendizado, correção, crescimento e aperfeiçoamento. No tempo oportuno, porém, o servo está pronto para ser enviado por seu Senhor, reproduzindo aquilo que aprendeu com Ele.
Também é verdade que, se não houver quem ensine, o povo continuará perecendo por falta de conhecimento. O neófito precisa de orientação até alcançar maturidade. Mas onde há ensino saudável, o resultado natural é o aperfeiçoamento.
O problema surge quando encontramos pessoas acomodadas em seus maus costumes, falando do Fruto do Espírito como uma possibilidade distante, como se fosse normal ouvir o Evangelho durante vinte ou trinta anos e continuar produzindo os mesmos espinhos de antes.
Observemos o que está escrito:
"Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei."
(Gálatas 5:22-23)
Você consegue conceber um discípulo de Cristo que não tenha amor? Não o amor romantizado e distorcido pelos homens, mas o amor de Cristo, que doa de si em favor de quem nada pode oferecer em troca. Se esse amor não for encontrado nos cristãos, será encontrado em quem?
Consegue imaginar um cristão sem alegria no espírito ou sem a paz que excede todo entendimento? Sem paciência para esperar no Senhor? Sem amabilidade ou bondade? Se não há fidelidade a Deus, ainda há serviço? Se não há mansidão, não permanece o velho homem, o jambuzeiro bravo de outrora? E se não há domínio próprio, onde está a liberdade exercida com responsabilidade?
Se o Fruto do Espírito é aquilo que nos distingue do homem natural, não existe a opção de não produzi-lo. Quem não tem o Espírito de Cristo não pertence a Cristo. E se a seiva da Boa Oliveira circula em nós, haverá vida, fertilidade e fruto.
É verdade que há muita gente nas igrejas deixando a desejar. Certa vez ouvi um "pastor" dizer: "Nasci assim e vou morrer assim" — referindo-se à sua grosseria, estupidez e orgulho. Mas isso não deveria ser tratado como algo normal. De fato, há joio no meio do trigo, mas não é exemplo a ser seguido.
Natural para o cristão é usufruir da prosperidade que nasce de dentro para fora, sustentando-o em um mundo que caminha na direção oposta à do Reino. Quando há guerra, ele promove a paz. Quando há perseguição, ele ora. Quando alguém se levanta contra ele, releva e perdoa, porque compreende as limitações da carne e conhece a misericórdia que recebeu.
Sigamos, portanto, tornando-nos cada vez mais parecidos com Cristo, sem relativizar o Evangelho nem acomodar nossa fé.
À direita estarão os servos do Senhor; os demais permanecerão entre os filhos da desobediência. Não queira estar entre estes.
Produza segundo a essência amorosa que recebeu. Afinal, a árvore é conhecida pelos seus frutos.
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