Não é sobre ativismo religioso, que alimenta o ego, serve de motivo para vanglória, engana quem observa de fora e muitas vezes fortalece uma falsa sensação de justiça própria.
Não é sobre proselitismo que, antes de alcançar almas com a boa notícia de que o preço foi pago, acaba servindo para encher bancos, aumentar a arrecadação de empresas religiosas e alimentar o reconhecimento humano.
Também não é sobre estudos sistemáticos que preparam pessoas para grandes debates apologéticos, sermões eloquentes, admiração pública e títulos que impressionam muitos.
Quando Jesus esteve diante do mestre da Lei, que não buscava fazer a vontade de Deus, mas encontrar motivo para acusá-lo, contou a parábola do bom samaritano para mostrar o que realmente significa servir a Deus.
Não eram as vestes pomposas do sacerdote, sua religiosidade, seu conhecimento ou sua dedicação aos rituais. Não era o serviço do levita, suas funções no culto ou sua obediência às tradições. Não era aquilo que faziam em seus lugares de adoração nem a pressa que tinham para cumprir suas agendas religiosas.
Era o samaritano.
Um homem desprezado por muitos, considerado inferior por sua origem. Ele interrompeu seu caminho, socorreu, cuidou, serviu e gastou seu próprio tempo e dinheiro por alguém que sequer conhecia. Sua motivação era simples: conseguia se colocar no lugar do outro. A compaixão o moveu a fazer tudo o que estava ao seu alcance.
O doutor da Lei teve de admitir que foi aquele samaritano quem praticou a vontade de Deus, mesmo não pertencendo ao grupo que se considerava santo e privilegiado.
O jovem rico também se entristeceu quando percebeu que sabia muito, mas praticava pouco. Desde a infância conhecia os mandamentos, mas, na prática, seu coração pertencia às riquezas.
Os fariseus foram chamados de hipócritas porque observavam a Lei com rigor, mas negligenciavam o amor, a justiça e a misericórdia. Colocavam sobre os ombros dos outros jugos pesados que eles mesmos não carregavam. Não entravam no Reino e ainda dificultavam a entrada dos demais.
Hoje, muitos religiosos continuam seguindo fielmente as ordens de seus líderes, enquanto tratam os de fora como abominação. Reproduzem os erros dos hipócritas, fazem julgamentos severos e se perdem em agendas intermináveis, enquanto negligenciam aqueles que precisam de cuidado.
Muitas vezes afastam-se até de familiares para viver em função de uma religiosidade vazia. Consideram-se uma classe privilegiada, enquanto acreditam que o sofrimento alheio é simplesmente merecido.
Mas não é sobre o que se sabe. Não é sobre o que se faz como moeda de troca diante de Deus.
É sobre ações de amor sem acepção de pessoas, realizadas com os recursos que temos e nas oportunidades que recebemos. Porque sempre haverá alguém precisando de ajuda emocional, financeira, intelectual ou espiritual. Sempre haverá serviço a ser feito no chão da vida.
E serão esses que ouvirão de Jesus:
"Entrem. Vocês fizeram ao menor dos meus irmãos; a mim o fizeram.
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