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domingo, 21 de junho de 2026

Quem criou o mal?


O bem e o mal existem como parâmetros. Um evidencia o outro; um se manifesta em contraste com o outro. Sem essa distinção, sequer compreenderíamos o significado de justiça, misericórdia, amor ou fidelidade.
Morte, punição, dificuldades e problemas — todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e se submetem a Ele, até mesmo naquilo que não compreendem. Muitas vezes, aquilo que parece ser um mal acaba nos aperfeiçoando.
Sem o mal, não haveria graça, perdão, misericórdia, justiça ou redenção. Sem o bem, também não se revelariam as trevas, o egoísmo, a traição, o abandono, a perdição e tudo aquilo que lhe é oposto.
Um não se dissocia do outro. O ser humano vive essa dualidade. Queremos o bem e praticamos o mal; conhecemos as consequências de ambos e, ainda assim, oscilamos entre eles.
Mas por que é assim?
Antes mesmo da queda no Éden, já havia na narrativa a árvore do conhecimento do bem e do mal. Isso sugere que o mal já estava contemplado no propósito divino, pois, do contrário, por que estaria representado ali? E Aquele que a colocou no jardim não sabia o que sucederia?
Algumas interpretações infantilizadas afirmam que o pecado levou Deus a usar um plano B, como se o homem e o diabo tivessem surpreendido o Criador e o forçado a elaborar a redenção. No entanto, a própria Escritura apresenta o arquétipo de Cristo antes da fundação do mundo. Antes que existissem homem, pecado e suas consequências, o Cordeiro já estava estabelecido nos desígnios eternos de Deus. Jesus cumpriu sua obra no tempo oportuno, mas tudo já estava exposto diante dAquele que conhece o fim desde o princípio.
No Antigo Testamento, é evidente que Israel atribuía a Deus tanto as bênçãos quanto as calamidades que sobrevêm em decorrência das escolhas humanas. Se um rei era fiel, o povo prosperava; se era corrupto, o povo sofria. Não se procurava um culpado espiritual para cada tragédia. Antes, reconhecia-se a mão de Deus e buscava-se arrependimento.
"Vinde, e tornemos para o Senhor; porque ele despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará." (Oséias 6:1)
"Porque ele faz a ferida e ele mesmo a ata; ele fere, e as suas mãos curam." (Jó 5:18)
Por mais que alguns tentem suavizar o texto, Isaías declara:
"Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." (Isaías 45:7)
O texto afirma que Deus é soberano sobre todas as coisas. O bem e o mal acompanham as escolhas humanas, seja em obediência, seja em desobediência. Assim como um pai corrige o filho que ama, Deus também disciplina. Sem parâmetros, o homem seria incapaz de discernir e amadurecer no bem.
Tente não pecar. Tente extirpar completamente o mal de si. Tente arrancar toda raiz de orgulho, egoísmo ou vaidade. Não é possível.
A carne milita contra o espírito, e o espírito contra a carne. Há dias em que vencemos; há dias em que somos vencidos. Ninguém é absolutamente bom, nem absolutamente mau. Somos criaturas marcadas por essa tensão, vivendo um processo contínuo de aprendizado, confronto e transformação.
Queremos esquadrinhar o que é inescrutável. Queremos catalogar e definir um Deus que é de eternidade a eternidade. Queremos separar aquilo que, em nossa experiência presente, permanece misturado. Mas Jesus já declarou que somente Deus é bom.
Assim, seguimos caminhando. Ora vencendo, ora tropeçando. Ora compreendendo, ora apenas confiando. Buscando nos submeter Àquele que conhece todas as coisas e não está sujeito às limitações dos conceitos humanos.
E um dia, segundo a nossa esperança, o mal será definitivamente aniquilado. Com ele desaparecerão o choro, a dor, os traumas, a morte e todas as contradições que hoje carregamos.
Até lá, bem e mal fazem parte da experiência humana. E é nesse caminho que aprendemos a depender da graça de Deus.

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