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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sobre perdoar alguém

Não são poucas as vezes em que alguém vem falar sobre perdão como se o cristão não tivesse o direito de se ferir, sentir-se traído, perceber-se usado ou exposto por alguém em quem confiou.

Perdoar não é fingir que nada aconteceu. Perdão é quebrar a corrente que nos prende à dor. É liberar o outro e a si mesmo do peso da ferida, mas não necessariamente dar continuidade a uma relação que foi rompida.

A relação é construída sobre troca justa, lealdade, confiança, afinidade e proximidade. E essas coisas não se restauram sozinhas. É necessária uma reconstrução, e somente quando ambas as partes desejam reconstruir.

Quando a confiança é quebrada, o perdão pode acontecer, mas a relação dificilmente continuará a mesma. Há histórias que têm princípio, meio e fim.
 
Há relacionamentos cuja sinceridade existia apenas de um lado. Há o dia em que a parte lesada desperta e percebe que não foi amada, mas apenas útil.

O perdão liberta ambas as partes para um novo começo, mas não retoma a história exatamente de onde ela parou.

Muitas vezes, o arrependimento precisa ser demonstrado por atitudes. Aproximar-se novamente de quem não reconhece os próprios erros é correr o risco de reviver as mesmas dores.

O amor que precisa vir primeiro é o amor próprio. Não o amor egoísta que coloca a si mesmo acima de todos, mas aquele que reconhece o próprio valor e estabelece limites saudáveis. Porque quem não cuida de si, quem não respeita a própria dignidade e os próprios limites, dificilmente conseguirá amar o próximo de forma equilibrada.

Perdoar é abrir a porta da prisão. Reconstruir a confiança é outra jornada. E nem toda história foi feita para continuar.

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