Perdoar não é fingir que nada aconteceu. Perdão é quebrar a corrente que nos prende à dor. É liberar o outro e a si mesmo do peso da ferida, mas não necessariamente dar continuidade a uma relação que foi rompida.
A relação é construída sobre troca justa, lealdade, confiança, afinidade e proximidade. E essas coisas não se restauram sozinhas. É necessária uma reconstrução, e somente quando ambas as partes desejam reconstruir.
Quando a confiança é quebrada, o perdão pode acontecer, mas a relação dificilmente continuará a mesma. Há histórias que têm princípio, meio e fim.
Há relacionamentos cuja sinceridade existia apenas de um lado. Há o dia em que a parte lesada desperta e percebe que não foi amada, mas apenas útil.
O perdão liberta ambas as partes para um novo começo, mas não retoma a história exatamente de onde ela parou.
Muitas vezes, o arrependimento precisa ser demonstrado por atitudes. Aproximar-se novamente de quem não reconhece os próprios erros é correr o risco de reviver as mesmas dores.
O amor que precisa vir primeiro é o amor próprio. Não o amor egoísta que coloca a si mesmo acima de todos, mas aquele que reconhece o próprio valor e estabelece limites saudáveis. Porque quem não cuida de si, quem não respeita a própria dignidade e os próprios limites, dificilmente conseguirá amar o próximo de forma equilibrada.
Perdoar é abrir a porta da prisão. Reconstruir a confiança é outra jornada. E nem toda história foi feita para continuar.
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