Quando observo a forma como muitos maridos cristãos tratam suas esposas, como se a submissão no casamento as tornasse seres inferiores, incapazes de decidir por si mesmas, impedidas de ocupar posições de destaque ou até mal vistas quando demonstram mais conhecimento, discernimento e assertividade do que eles, sinto uma profunda tristeza.
Vejo mulheres limitadas a uma existência trivial, reduzidas ao papel de auxiliar marido e filhos, enquanto aquilo que a própria Bíblia ensina sobre dignidade, valor e mutualidade é frequentemente deturpado para sustentar estruturas de controle.
Essa é uma das razões pelas quais escolhi a vida que tenho. A liberdade que desfruto, o tempo para desenvolver meus interesses, aprender, servir a Deus conforme os dons que Ele me concedeu e viver sem a castração do ser que algumas amigas experimentam em seus relacionamentos.
Algumas não são menosprezadas de forma explícita, mas são tratadas como incapazes. Seus maridos se reúnem para conversar, estudar, debater ideias, compartilhar dúvidas e experiências, enquanto suas esposas permanecem à margem, como se existissem apenas para servir.
Mas como Jesus tratava as mulheres?
Com amor, delicadeza, atenção e respeito. Conversou com a mulher samaritana quando ninguém o faria. Defendeu a mulher que chorava aos Seus pés. Recebeu a devoção da mulher do vaso de alabastro. Permitiu que mulheres participassem ativamente de Seu ministério e o sustentassem com seus recursos. Tinha amizade com Marta e Maria. Em toda a sua caminhada, jamais tratou uma mulher como alguém inferior.
Por isso me incomoda ver homens justificando machismo e misoginia por meio de versículos isolados, ignorando o exemplo vivo de Cristo.
A graça de Deus não estabelece castas espirituais. Em Cristo não há superioridade de um sobre o outro por causa de sexo, etnia, posição social ou origem. Todos somos igualmente dependentes da graça e igualmente chamados a servir.
Se uma mulher se destaca em sabedoria, discernimento, inteligência ou capacidade, qual seria a origem disso senão o próprio Deus, que distribui dons a cada um conforme Sua vontade?
Por isso, tanto os homens que impõem esses cabrestos quanto as mulheres que os aceitam sem questionamento acabam distantes do espírito do Evangelho. Relativizam tantas coisas, contextualizam tantas passagens, reinterpretam tantas tradições, mas raramente se dispõem a reavaliar essa forma de opressão que atravessa séculos.
E ainda há quem me diga que pareço homem por causa dos meus interesses, da minha capacidade de argumentação ou do meu entendimento das Escrituras, como se inteligência, profundidade e senso crítico fossem atributos masculinos.
Isso não é Evangelho. É herança cultural.
Graças a Deus, ninguém me dominou. Aprendi que a liberdade que Cristo concede não diminui homens nem mulheres; ela apenas nos permite ser, com dignidade, aquilo que Deus nos criou para ser.
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