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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Ainda há vida


Eu sei que te negligenciei. Primeiro adiando sonhos, projetos, planos, até desistir de cada um.

A prioridade era criar o filho, gastar tempo pra se ter o mínimo de estrutura, enquanto a ansiedade e solidão te adoeciam.

O lugar que te levei para que você tivesse algum apoio emocional e espiritual não te enxergou. Os amigos que te dei não foram leais e a maioria te sugou o que podia, até você notar que não tinha real importância na vida deles. Os homens que permiti que se aproximassem, sempre vinham com outros interesses, mas não queriam ficar.

Por que não cuidei de você?

Te dei o mínimo, fiz tão pouco, mal vi o tempo passar. Não colecionamos memórias, viagens, encontros, tudo virou um borrão na lembrança, sempre tentando sobreviver às dificuldades.

Não cultivamos laços antigos, desistimos de fazer laços novos, só queríamos novas esperanças.

Até te encontrar de novo no espelho e já não te reconhecer ... Você envelheceu, suas rugas e cabelos brancos ainda escondem uma menina.

Uma menina cheia de dor, de abandono e de tristeza. Você está deformada em todos os sentidos.

Mas há de ter tempo para te ajudar. Não vamos ainda, podemos consertar algumas coisas antes de partir.

Olhemos para a frente, para o Alto e para dentro, porque ainda tem vida para viver. 

Vai dar certo!

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