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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Vida transformada

O teu olhar me diminui porque já não me encaixo nos teus conceitos. Já caminhamos juntos, mas agora é outro tempo. O menino faz coisas de menino; o adulto, porém, precisa caminhar segundo princípios e valores estabelecidos.

Quando se identificam heresias nas letras das músicas, já não convém cantá-las. Quando se gasta tempo no púlpito para falar de si mesmo, contar piadas e preencher o culto com trivialidades, ninguém é edificado.

Quando a dedicação aos rituais se torna a principal razão para se reunir, já não há comunhão. Já não é o vínculo entre os membros do Corpo, já não é o dom servindo para a edificação de todos. Torna-se apenas uma mecânica que mantém o sistema funcionando, engrenagens que permitem ao erro se perpetuar.

Quando a lista de oficiais se torna exagerada e a hierarquia divide mais do que une, quem consegue ser irmão? A importância do cargo passou a valer mais do que a função dentro do organismo vivo que se propôs no princípio?

Quando se participa da ceia um de costas para o outro, onde está a confirmação do compromisso mútuo? Jesus iniciou a Igreja em torno de uma refeição. Paulo descreveu uma mesa onde alguns comiam sem se importar com os demais. O que o rito praticado hoje tem a ver com aquilo que foi escrito?

As vãs repetições não são intimidade. As obras públicas são vistas pelos homens, mas Deus sonda os corações.

Se quem faz aos pequeninos faz a Cristo, por que oferecem a Ele eventos, marchas e entretenimento, enquanto os necessitados permanecem esquecidos?

Se o Corpo é um só, por que celebram suas placas e CNPJs com tanto entusiasmo? Se religiosidade não garante relacionamento, por que é tão importante estar no vosso meio?

Percebe que é algo que continua funcionando, mas longe da finalidade original?

Um caminhar reto e justo: foi para isso que renascemos. E para amar sem acepção fomos chamados. Seguir a voz do Bom Pastor, ser cartas vivas, encarnar as boas-novas e viver em gratidão por tudo aquilo que já recebemos.

Porque, ao final, não serão os títulos, os ritos ou as estruturas que testemunharão a quem pertencemos, mas o fruto de uma vida transformada pela graça e manifesta em amor.

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