Olhando o reflexo no espelho, quase não te reconheço. Parece tão diferente da alma que te habita. Ainda assim, as marcas do teu corpo contam um pouco da tua história.
Há a cicatriz da cesariana, da cirurgia de hérnia, da retirada da vesícula. Há também as estrias, silenciosas testemunhas de tantas tentativas frustradas de emagrecer. Em breve, haverá outra marca: a da bariátrica.
Cada cicatriz fala de uma luta. Nenhuma delas nasceu da vaidade. Todas nasceram da tentativa de continuar vivendo.
Assim como tantas pessoas são cruéis com quem convive com a obesidade, julgando-a como simples relaxo ou falta de força de vontade, também costumam julgar quem decide se submeter à cirurgia.
Poucos enxergam a batalha invisível.
Não existe caminho fácil para quem enfrenta um metabolismo lento, resistência à insulina e as mudanças hormonais da menopausa.
Também não faltaram tentativas. O obeso passa a vida lutando não apenas contra o próprio peso, mas contra as emoções, o preconceito, os rótulos, as limitações, a solidão...
Muitas vezes, a comida se torna o único abraço, a única companhia, o único alívio encontrado no fim de um dia difícil.
Mas hoje, diante desse espelho, não quero olhar apenas para as marcas do corpo. Quero enxergar a mulher que permaneceu de pé apesar delas.
E é para ela que eu digo:
Eu te amo. Eu te abraço. Vou cuidar de você.
Você já venceu muitas batalhas que ninguém viu. Essas cicatrizes não contam uma história de fracasso, mas de sobrevivência.
E esta será apenas mais uma batalha que, com a graça de Deus, você também vencerá. ❤️
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