Quem sai da religiosidade assiste ao próprio funeral em vida.
Descobre quem realmente era para os outros. Uns poucos choram sua ausência; a maioria esquece rapidamente. Tudo o que fez de bom fica para trás. Aquilo de que discordou passa a ser lembrado apenas como irreverência.
Ninguém mais o visita. Anos depois, alguém comenta uma postagem e pergunta, discretamente, se pretende voltar algum dia, porque só então será recebido novamente no seio do "amor" deles.
É impressionante perceber que décadas de convivência se transformaram em um grande e expressivo nada.
O valor que você imaginava ter dentro daquela "família" era, muitas vezes, apenas um costume frágil e conveniente, sem raízes profundas.
Olhar para trás é enxergar o tempo perdido. Mas também é ressignificá-lo, porque amadurecer é deixar para trás a meninice dos outros enquanto novos laços são criados com pessoas que ajudam você a seguir adiante, avançar em conhecimento.
Há quem jamais permita que a consciência do Evangelho se expanda além dos limites da tradição. Ainda assim, todo processo tem seu valor.
Há momentos em que a forma mais saudável de continuar crescendo é simplesmente virar a página.
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