É incrível como, para sustentar os próprios preconceitos, gentios que foram chamados sem Lei voltam à Lei mosaica para acusar e questionar, como se Jesus já não tivesse cumprido a pena que cabia aos culpados.
A manipulação religiosa sempre existiu. Imagine em uma época em que quase ninguém, além de um seleto grupo, era alfabetizado e dependia desse mesmo grupo para aprender apenas pelo ouvir.
Em Israel não era diferente.
O profeta Jeremias denunciou que até a Lei era manipulada para controlar o povo:
“Como é que vocês têm a coragem de dizer: ‘Nós somos sábios, nós temos a Lei do Senhor’? Mas vejam! Os mestres da Lei desonestos têm falsificado a Lei quando a copiam. Os sábios serão envergonhados; ficarão confusos e atrapalhados. Eles rejeitaram as minhas palavras. Que sabedoria é essa que eles têm?” Jeremias 8:8-9
Jesus também mostrou que algumas concessões surgiram por causa da dureza do coração humano. Em Mateus 19, ao falar sobre o divórcio, Ele afirma que Moisés permitiu determinadas práticas por causa da rebeldia do povo.
O fato é que o legalismo anula a Graça. Se Jesus consumou a obra por Seus próprios méritos, já não faz sentido confiar no esforço humano para cumprir aquilo que jamais foi plenamente cumprido e que se tornou obsoleto diante da Nova Aliança.
É a fé que nos transforma e transcende, não uma lista de “pode” e “não pode”.
Então, para justificar o pior em nós, que é subestimar os outros enquanto nos superestimamos, voltamos à antiguidade trazendo debaixo do braço um jugo que ser humano nenhum conseguiu carregar?
“Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos.” Tiago 2:10
Não há um justo sequer. Não existe ninguém que não dependa miseravelmente do Salvador mediando sua causa.
Por isso, antes de levantar o dedo em riste para condenar alguém, reconheça primeiro a própria miséria.
Você foi chamado para anunciar as boas-novas, não para ocupar o lugar de juiz.
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