Páginas

terça-feira, 12 de maio de 2026

Cansaço


Ao mesmo tempo em que me permito expandir a mente em direção ao mistério, também sou muito pé no chão. E se existe algo que decidi para minha vida, foi nunca me tornar refém nas mãos de ninguém.

Vejo situações patéticas na vida de outras pessoas, coisas que jamais tolerei na minha. Talvez por isso meu caminho seja tão solitário. Se não me encaixo, se não concordo, se não há reciprocidade, se causa mais dano do que paz, eu me preservo.

Tenho a graça de não depender de ninguém  nem financeiramente, nem emocionalmente, nem espiritualmente. Quando escolho caminhar com alguém, quase sempre é para me doar, servir, ouvir, ajudar. Raramente espero algo em troca. Mas, se espero e não vem, também sei me retirar.

Nem sempre fui assim. Essas coisas se aprendem na base das porradas da vida: nas falsidades observadas, nas traições sofridas, nas pessoas que se aproximam como sanguessugas. Depois de calejados, aprendemos a discernir.

Passei a esperar sempre o pior das pessoas.
Talvez seja a única maneira de não me decepcionar tanto. Por isso, quando algo bom acontece, ainda consigo me surpreender.

A miséria humana é real. A frieza e o egoísmo se tornaram comuns. E agora, com a internet expondo pensamentos e intenções o tempo todo, basta observar um pouco para perder a vontade de se envolver profundamente com quase qualquer coisa.

Às vezes dá vontade apenas de viver recolhida:
sair quando necessário, ajudar no que for possível,
estar disponível para servir mas sem buscar em ninguém aquilo que só Deus consegue sustentar.

Jesus, na cruz, também experimentou a solidão.
Os mais próximos se afastaram. Uns tiveram medo de serem associados ao seu nome. Outros apenas se omitiram e deixaram que sofresse sozinho.

Então, o que posso esperar dos meus?
No fim das contas, somos nós e Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário