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domingo, 5 de julho de 2026

A solidão dos que contemplam

Há uma diferença entre estar sozinho e não se sentir encontrado.

O mundo nunca esteve tão cheio de vozes, e, ainda assim, às vezes parece faltar alguém com quem dividir o silêncio. Alguém que não precise preencher cada instante com palavras, porque entende que algumas presenças falam sem dizer nada.

Sinto falta de pessoas que parem diante de um pôr do sol sem a preocupação de fotografá-lo. Que se encantem com a arquitetura de uma folha, com a delicadeza de uma flor ou com a precisão invisível de uma gota de chuva.

Sinto falta de quem ouça uma música para além do ritmo, percebendo a alma que existe em cada nota. De quem leia um poema devagar, permitindo que cada palavra encontre lugar dentro de si.

Vivemos cercados de urgências fabricadas. Quase todos correm, poucos observam. Muitos acumulam informações, mas poucos cultivam sabedoria. Há um barulho constante, como se o silêncio tivesse se tornado algo a ser evitado.

Talvez seja por isso que os encontros verdadeiros pareçam tão raros. Não porque faltem pessoas, mas porque faltam pessoas disponíveis para enxergar além da superfície.

Quem aprende a contemplar acaba desejando companhia para contemplar junto. Não para confirmar opiniões, mas para compartilhar espanto. Para descobrir que a beleza aumenta quando encontra outro olhar capaz de percebê-la.

Enquanto esse encontro não acontece, seguimos caminhando. Aprendendo a fazer da própria alma um lugar habitável. Porque a solidão pesa menos quando o coração continua aberto à esperança de que, em algum lugar, exista alguém que também esteja procurando menos barulho e mais sentido.

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