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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Deus de encontros



Uma vez eu falava de algumas experiências e um conhecido mencionou um escritor que já não lembro quem, dizendo que nossa mente cria coisas, que mesmo vendo, ele duvidaria. Um crente que não vive pela fé, mas mergulhado no ceticismo.

As coisas vindas de Deus, não são para se definir, catalogar, colocar numa lista do que Deus pode ou não pode fazer. Antes de ser qualquer figura que caiba no nosso imaginário, Deus não se encaixa em conceitos humanos. E para Ele não há impossível.

Claro que existe muita manipulação das massas, as pessoas mais sugedtionáveis, são as que se tornam espetáculo para as outras. Já vi inclusive técnicas de hipnose no meio evangélico, para simular libertação espiritual.

Mas a multidão de carnalidades humanas, principalmente depois que Igreja virou empresa lucrativa, não anula as experiências de quem de fato busca a Deus e experimenta sua intervenção em momentos de crise ou simplesmente anseiam por sentir seu agir.

"Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos." Mateus 11:25

"Pois ele diz a Moisés: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão". Romanos 9:15

"O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito." João 3:8 

Já deu pra entender que Deus não cabe na caixa de concreto e que ninguém decide seu agir senão Ele mesmo?

Não sou uma pessoa religiosa, praticamente o que aprendi sobre Evangelho foi com minha própria experiência de vida, ou buscando conhecimento a partir da minha própria casa em estudos virtuais, blogues e fóruns de discussão apologética. 

O que se aprende em igrejas evangélicas é muito superficial, parece que muitos assuntos são proibidos para evitar divisão, o que se torna uma castração, porque para não perder o domínio sobre as pessoas, acabam deixando elas infantilizadas e manipuláveis.

Mas tive pelo menos três momentos na minha vida que não posso negar que houve um mover sobrenatural que fez diferença na minha espiritualidade. 

O primeiro foi quando eu ainda era bebê e fui desenganada pelos médicos com uma série de doenças. Eu tinha parado de andar e estava com 6 kilos aos 2 anos, com os órgãos comprometidos e feridas por todo o corpo, já não comia e me liberaram pra passar os últimos momentos com a família. Minha avó paterna insistiu para me levar na igreja onde oraram numa campanha de cura e eu já saí de lá pedindo mamadeira e caminhando. Me lembro dessa noite, especialmente do pastor me colocando azeite para engolir e da alegria da minha mãe fazendo o mingau. Dali em diante me recuperei.

Cresci ouvindo esses testemunhos e me sentindo muito amada por Jesus, mas meus pais não tinham religião e eu não tive uma instrução bíblica.

Aos vinte passei por uma crise existencial. Eram muitos problemas ao mesmo tempo, eu estava lutando com a cesariana há 10 meses e ela não cicatrizava completamente, me separei com meu filho ainda bebê, fiquei desempregada, não tinha apoio de ninguém, estava realmente sofrendo. E tenho esse dia como minha conversão. Deus realmente despertou alguém para ir ao meu encontro e tudo mudou a partir dali. Eu sequer tinha uma Bíblia, mas orei com todo o desespero abrindo mão da minha vida e a entregando a Jesus, sem religião, sem música, sem apelo, só meu bebê por testemunha. A noite minha mãe chegou do trabalho falando sobre essa conhecida dela falando sobre o que viu ao meu respeito e pedindo pra me visitar. Concordei e depois de pregar e orar comigo, ela me garantiu que Jesus me curaria e na mesma semana eu estava com a cicatriz curada e alí começou meu interesse pelo Evangelho.

Na terceira vez, eu estava num culto de jovens e o convidado era um saxofonista, ele testemunhou uma cura na mandíbula e fazia do sax seu ministério. Num momento do culto ele tocou uma longa música andando ao redor dos bancos e ao se aproximar de mim, senti um vento tão forte que me circulou e me tirou os pés do chão, entrando na altura do meu estômago. E eu comecei a cantar com o sax, como se conhecesse a música, glorificando a Deus. Tinha vento? Não, a igreja estava fechada, foi realmente algo que não se explica e o êxtase durou até o dia seguinte, eu mal sentia o chão.

Então, tenho temor quando alguém limita o agir de Deus, como se Ele fosse apenas uma teoria, um personagem e não o Senhor de tudo o que há.

Quando Ele quer se manifestar, acontece e ninguém explica. Não tem espaço perfeito,  propício, o agir divino não é domesticável pelo racionalismo humano nem pelo controle institucional, Ele age onde tem coração anseando e alma dependente. 

Além de muitas manifestações indiretas, onde as orações são atendidas, confirmando dia a dia que Ele cuida de mim nas mínimas coisas.

Sinto muito por quem não crê e não experimenta esse cuidado. Não se pode generalizar, apesar das muitas farsas e induções à histeria coletiva, Deus ainda é socorro bem presente na hora da angústia.

...

Houve noites
em que a ciência me despediu da vida,
mas Deus atravessou o impossível
e me chamou de volta pelo nome.

Houve dias
em que a dor abriu feridas na alma
mais profundas que as do corpo,
e no chão do abandono
uma oração desesperada
alcançou o céu.

Houve também um vento 
não desses que movem portas,
mas dos que movem eternidades.
Um sopro invisível
que levantou minha alma
acima daquilo que os olhos conseguem explicar.

Por isso não aprendi um Deus de teorias,
aprendi um Deus de encontros.
Um Deus que não cabe em templos,
doutrinas ou definições humanas,
porque continua soprando onde quer
e tocando quem anseia por Ele.

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