Minhas dores eu costumo curar sozinha. Demora geralmente, mas acabo organizando dentro de mim, de forma que acabam me dando crescimento. No fim das contas sempre entendo a razão das pessoas e melhoro um pouquinho.
Não posso me dar ao luxo de pagar alguém pra me ouvir. Também acho isso bem sintético. Imagina alguém com dificuldade de interação, escolher um estranho pra "desabafar". Pra mim, não funciona.
Daí, as poucas vezes que achei que estava encontrando amigos que eram próximos, recíprocos e inteiros, acabei muito decepcionada, me sentindo usada e desrespeitada no fim. Perdi a confiança nas pessoas, o egoísmo delas já consumiu o restinho de amor que havia.
As pessoas se aproximam com todo o tipo de interesses, mas doam quase nada de si mesmo. Nem mesmo se dispõem à ouvir, coisa tão básica numa amizade.
As tentativas que tive acabaram me fazendo desacreditar de amizades verdadeiras. Eu, que sempre fui muito generosa, farta, ouvinte, presente, errei muito esperando que o outro me corresponda e faça por mim eventualmente, o que eu sempre fiz por hábito. Mas nas horas de dor, o que a gente encontra é a verdadeira face de quem não quer se envolver com seu dia mal.
As mesmas pessoas que te incluem nos seus problemas, te afastam se tudo está bem. E as mesmas pessoas que estão com você no seu dia de festa, te afastam quando você está sofrendo.
Falta de tentativas não foi, mas da mesma forma que parei de sonhar com o romance perfeito, também parei de contar com amigos. No máximo conheço pessoas e parentes que converso sobre basicalidades e superficialidades, mas não tenho ninguém pra falar sobre mim, sobre o que me importa, sobre as minhas questões, sobre dilemas, enfim, sobre coisas íntimas.
Admiro quem não espera nada de ninguém e se contenta com o nada. Eu sempre fui muito intensa em tudo o que me propus. Sou tudo ou nada e me espanta e entedia a superficialidade, a falta de entrega. Não me atraio por gente que se economiza, que se dá à conta-gotas. Porque pra mim só se vive uma vez e se há uma fonte inesgotável dentro de si, é para jorrar.
Esse é só mais um viés pra me sentir um ET num mundo gélido. Sou uma peça que não se encaixa em nada e que não pertence a lugar nenhum.
Mas ninguém vai poder me acusar de não ter dado tudo de mim pra ver o outro bem e feliz.
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