Ando saudosa dos antigos fóruns de discussão dos quais participava. Eram espaços onde as ideias eram debatidas, confrontadas e aprofundadas. Com essa nostalgia, entrei em um grupo de discussão no Facebook esperando encontrar algo parecido. Encontrei muita superficialidade e, entre uma publicação e outra, um cidadão afirmando que, para ser salva, a mulher precisa ficar calada, ser submissa ao marido e levar todas as suas dúvidas para ele resolver.
É impressionante como textos bíblicos, quando arrancados de seu contexto, podem se transformar em ferramentas de opressão. Nas mãos de quem não busca compreender a mensagem por inteiro, a Escritura vira pretexto para perpetuar preconceitos antigos, como se Deus tivesse distribuído sabedoria, discernimento e capacidade espiritual apenas aos homens.
Durante séculos, muitas mulheres foram convencidas de que nasceram para ocupar um lugar inferior. Algumas sequer cogitam a possibilidade de estudar, interpretar, ensinar ou contribuir com profundidade, porque aprenderam que sua função é apenas repetir o que ouviram de alguma autoridade masculina. Não porque Deus as limitou, mas porque homens as limitaram.
O mais curioso é que ninguém questiona quando uma mulher ensina crianças. Ninguém questiona quando ela aconselha uma amiga. Ninguém questiona sua capacidade de compreender as Escrituras até o momento em que ela passa a expressar suas conclusões com segurança e coerência. Então surgem os comentários: "Você discute como homem", "Você fala como um teólogo", "É difícil encontrar uma mulher que entenda assim". Como se inteligência, reflexão e discernimento fossem atributos masculinos.
Mas a pergunta permanece: quem concede sabedoria? Quem ilumina o entendimento? Quem convence da verdade?
Se uma mulher é capaz de compreender o que lê, discernir o que ouve e produzir frutos compatíveis com a fé que professa, foi Deus quem a capacitou. O mesmo Espírito que habita no homem habita na mulher. A mesma graça que salva um salva o outro. O mesmo sangue que reconciliou judeus e gentios, escravos e livres, também derrubou toda pretensão humana de superioridade espiritual.
A salvação não vem do marido. Não vem de líderes religiosos. Não vem da aprovação de instituições. A salvação vem de Cristo.
E é justamente por isso que não deposito minha confiança em interpretações humanas. Nem todo marido é sábio. Nem todo líder é maduro. Nem todo pregador compreende aquilo que ensina. Há homens que conhecem versículos, mas desconhecem o caráter daquele que inspirou as Escrituras.
Minha instrução não vem de homem algum. Vem do alto. Vem daquele que prometeu conduzir seus filhos à verdade. O Espírito Santo me ensina de dentro para que eu testemunhe do lado de fora. Não para que eu me exalte, mas para que Cristo seja visto.
Minha única razão de glória não é o que sei, nem o que compreendo, nem o que consigo argumentar. Minha única razão de glória é conhecê-lo. Porque quanto mais o conheço, menos sentido fazem os cabrestos que os homens tentam colocar sobre aqueles que Deus libertou.
sábado, 30 de maio de 2026
Sobre machistas cristãos
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