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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Cuidar de mim

Toda mulher nasceu para ser mãe, ainda que não geste ninguém. Porque a nós cabe cuidar do outro, cuidar do todo, cuidar é prestar atenção às necessidades, seja do ambiente que moramos, seja das pessoas que nos cercam, seja das tarefas do cotidiano, do trabalho, do lugar de culto, dos amigos. A mulher está sempre cuidando de algo ou alguém.

Minha mãe tinha a própria maneira de cuidar, mas não era tão atenta ao que realmente a gente precisava. Parece que as mulheres precisam ser lembradas constantemente da sororidade, porque tendem a se negligenciar para cuidar de homens por eles não terem esse dom nato. 

Uma mãe de menino se dedica a ele e todas as suas demandas, mas as meninas, ela cobra o cuidado, como se a mulher já nascesse para isto. E tivesse que ser cuidadora, antes de ser qualquer outra coisa.

Sustentamos emocionalmente ambientes inteiros, enquanto permanecemos invisíveis para nossas próprias necessidades. Carregamos responsabilidade afetiva sem reconhecimento proporcional na maioria das vezes.

Mulheres que não querem gestar são julgadas e questionadas. Parece que não é muito natural não querer ser mãe, como se o cuidar de tudo ao redor não fosse nunca o suficiente. A mulher é ensinada a cuidar mesmo antes de aprender  a existir para si.

A gente cuida desde que nasceu, dos amigos, da família, da casa, do preparo de alimentos, do trabalho. Somos mães em diversas esferas da vida. Inclusive de nós mesmas quando ninguém mais quer cuidar de nós.

Eu já fui minha mãe tantas vezes, secando minhas próprias lágrimas. Já fui mãe do meu filho, de netos, de relacionamentos, de gente que vê na gente quem pode ensinar, ouvir, aconselhar e amar.

E na maioria das vezes os julgamentos são tantos, como se cuidar da minha própria vida não fosse o suficiente. Eu que sempre fui colo e raramente fui acolhida por alguém.

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