“E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E o Senhor acrescentava todos os dias à igreja os que haviam de ser salvos.”
— Atos dos Apóstolos 2:46-47
Entre os diversos equívocos que as instituições religiosas cometem, um deles é acreditar que a conversão de almas depende delas. Alguém levanta a mão, recebe uma oração e automaticamente já é inserido no rol de membros. Dali em diante, passa a absorver toda sorte de informações que irão moldá-lo até se tornar igual aos outros, perdendo aos poucos a própria identidade.
É como se existisse uma fôrma capaz de transformar qualquer indivíduo no estereótipo esperado dele.
Os mesmos jargões, a mesma forma de se vestir, as mesmas regras, a mesma caricatura do que deveria ser um cristão. Porque sustentar um discurso não é viver, decorar versículos não é entender, usar uma máscara da porta para dentro não é amar, e cumprir agendas religiosas não é servir a Deus.
A Igreja primitiva era conhecida pelos de fora como a comunidade dos que amavam. Eram, de fato, seguidores de Cristo. Guardavam Suas palavras inscritas no coração, mesmo sem terem a Bíblia como a conhecemos hoje. Compartilhavam entre si não apenas serviço, mas também recursos. Mesmo correndo risco de vida, eram um.
Por quê? Porque tinham o Espírito Santo, que além de acrescentá-los ao Corpo, ensinava a partir de dentro, onde o Reino de Deus se estabelecia.
O papel da Igreja era proteger, acolher e fortalecer uns aos outros na esperança do porvir; reunir-se em nome do Senhor e permanecer em comunhão.
Ainda não existia esse domínio político que começou em Roma e se perpetua até hoje. Ninguém era considerado desviado apenas por discordar.
Cada cidade tinha suas próprias demandas, mas o amor os unia em Cristo.
O cristão é chamado para viver de dentro para fora. Depois, influencia os da sua própria casa, o bairro, a cidade e a nação. O fruto do Espírito brota e se multiplica, alimentando muitos.
Quando a influência acontece de fora para dentro, torna-se imitação. Quando nasce de dentro para fora, é discipulado.
Quanta gente é frequentadora de instituições religiosas e nada entendeu? Quanta gente cumpre o protocolo religioso a vida inteira e não sabe servir?
Se o Reino de Deus não se torna o governo do Espírito no espírito do homem, tudo é ilusão. A verdade não é um discurso, é a pessoa de Cristo. E para conhecê -lo, é necessário caminhar com Ele.
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