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quarta-feira, 20 de maio de 2026

A fé é a lente


A teologia é o estudo sistemático que busca esmiuçar contextos, traduções, vertentes e interpretações a partir do texto bíblico.

Muitos ateus conhecem profundamente essas letras, com o intuito de refutar trechos que consideram obscuros ou contraditórios. Mas o estudo sistemático, por si só, não revela Deus.

Teologia significa “estudo de Deus”, porém ninguém consegue definir plenamente Aquele que é eterno com uma mente limitada, finita e temporal. O que se pode conhecer de Deus foi revelado em Cristo. E, para acessar essa revelação, antes de tudo é preciso crer que Ele é o Filho enviado, Aquele sobre quem falavam as antigas Escrituras.

A fé no Filho é a lente necessária para compreender toda a Bíblia, que anuncia Cristo desde o princípio: no arquétipo do Cordeiro imolado antes da fundação do mundo; no sacrifício que cobriu a vergonha de Adão; nas ofertas de Jó, Noé e dos reis de Israel; em cada holocausto oferecido pelos judeus, apontando para o Cristo que viria; até o Rei eterno que nos recebe na eternidade.

Nem mesmo Israel reconheceu a revelação. Andaram com Jesus e ainda assim O rejeitaram, porque antes da fé estavam firmados apenas na letra e na tradição religiosa.

Dentro da história humana, o sacrifício de Jesus foi mais uma execução aplicada a alguém acusado de causar tumulto e dividir o povo. Mas, para quem crê, a Bíblia não é apenas letra: é revelação.

Ali, na cruz, espiritualmente Cristo transportava das trevas para a Luz até aqueles que ainda nem haviam nascido.

Quem se fixa apenas na letra conta histórias. Quem alcança a revelação — ou é alcançado por ela — compreende espiritualmente as coisas espirituais.
É necessário ler, estudar, meditar e dedicar tempo? Sim. Mas tudo isso acompanhado de oração, junto ao Espírito de Cristo, que ensina e escreve no coração o caráter cristão.

É como um espelho d’água: alguns contemplam apenas a superfície e imaginam o que existe no fundo. Mas só conhece as profundezas quem mergulha, quem se deixa encharcar.

É preciso comer da Palavra, digeri-la, metabolizá-la, até se tornar a própria mensagem: carta viva que carrega a Boa Nova, o Evangelho encarnado na vida do próximo.

Jesus ensinava por parábolas, e somente aqueles que criam Nele compreendiam as verdades espirituais escondidas entre figuras simples do cotidiano.

Desde Adão, percebemos que o desejo de ser igual a Deus , a tentativa de emancipação antes do tempo, entregou o homem ao próprio ego. E estar entregue a si mesmo rompeu a conexão com Deus, restaurada somente por Cristo, o próprio Deus encarnado.

Sem fé não se compreende o processo pelo qual o homem mortifica o ego para aprender a amar.
 
Aquele que nega a si mesmo para seguir Jesus compreende que a narrativa do Éden fala sobre ele, assim como falam sobre ele os remidos de vestes brancas que João viu diante do Trono.

Estamos em toda a narrativa, de Gênesis ao Apocalipse: representados por homens e mulheres que se rebelam, se afastam, padecem e retornam arrependidos, de coração contrito, reconhecendo a própria miséria sem Deus e restaurando em Cristo a vida abundante e eterna que Ele desejou para nós.

A fé é a lente.
Sem ela, o cego guia o cego.

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